Como foi feito o Filho das Estrelas de 2001: Uma Odisseia no Espaço

Sem qualquer perspectiva de dispor de fetos abortados reais, no outono de 1967 Kubrick decidiu produzir o espectral Filho dos Estrelas da sequência final do filme na MGM, e recrutou Liz Moore, escultora jovem e talentosa. Moore, que ajudara Stuart Freeborn [chefe de maquiagem] com os trajes dos homens-macacos, tinha feito certo nome ainda como estudante, esculpindo bustos dos Beatles em argila. Naquele verão, ela produziu uma versão em argila de um feto humano com traços assustadoramente semelhantes a Keir Dullea. Conforme as exigências de Kubrick, ele deveria ter uma cabeça anormalmente grande, para representar a etapa evolutiva seguinte da humanidade.

 

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Depois de moldada e reproduzida como um manequim oco, em resina cor de pele e com quase oitenta centímetros, Johnson [Brian Johnson, assistente de efeitos especiais] começou a trabalhar na escultura, inserindo os olhos de vidro através de uma tampa cranial removível. Conectando-os a pequenas hastes, ele os automatizou, prendendo-os a um suporte controlado por motor Selsyn – a onipresente ferramenta de controle de movimentos de 2001.

 

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No início de novembro eles posicionaram o Filho das Estrelas no estúdio, cercado de veludo preto, e fizeram uma série de testes de câmera. Mas a imagem resultou excessivamente definida, precisando de um tratamento pesado de difusão. Então, empregaram outra arma secreta de efeitos visuais do filme. Ela foi “fornecida por Geoff Unsworth [diretor de fotografia], que a chamava de ‘gaze de antes da guerra’”, lembrou Trumbull [Douglas Trumbull, supervisor de efeitos especiais]. “Ele tinha um estoque limitado e secreto dessa gaze de antes da guerra, que parecia com as meias de seda de 1938 e criava um brilho muito bonito. Foi usada no Filho das Estrelas e em muitas outras tomadas do filme.”

 

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A escultura de Moore foi refilmada, dessa vez atrás de quinze camadas de gaze, lembrou Trumbull, “com cerca de 40 mil watts de luz de fundo, algo como quatro holofotes, para iluminar suas bordas; e conseguimos um tremendo brilho trabalhando com superexposição (…)”

Michael Benson, escritor, em 2001: Uma Odisseia no Espaço – Stanley Kubrick, Arthur C. Clarke e a Criação de uma Obra-prima (Editora Todavia; pgs. 390 e 391). Abaixo, o Filho das Estrelas.

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