behind the scenes

Bastidores: Café Lumière

Mais pintor do que “diretor”, Louis Lumière filmou refeições (O Café-da-manhã do Bebê), pessoas em movimento (Saída dos Operários das Fábricas Lumière), bombeiros, jogos de cartas, barcos, trens, enfim o movimento das pessoas e das coisas. Passando por Ozu, que filmava as ruas em diagonais nos intervalos de seqüência e as casas em verticais e horizontais como forma de questionar a estática e a dinâmica do tempo social, Hou Hsiao-hsien faz em Café Lumière uma dupla celebração de propostas de cinema, e comprova que todo o cinema ainda cabe na simples chegada de um trem na estação.

Ruy Gardnier, professor, pesquisador e crítico de cinema, na Contracampo – Revista de Cinema (leia aqui a análise completa). Abaixo, o cineasta Hou Hsiao-hsien (ao alto) com sua equipe, durante as filmagens.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
O cinema novo taiwanês

Bastidores: O Segundo Rosto

A primeira meia hora é um primor de narrativa audiovisual e de construção de atmosfera. Com poucos diálogos e muito virtuosismo de câmera (“travellings” nervosos, foco profundo alternado com grandes angulares que distorcem o espaço etc.), acompanhamos o ingresso de Arthur Hamilton nas entranhas da Companhia e seu vertiginoso mergulho (ou queda?) num novo plano da existência.

A fotografia em preto e branco, indicada ao Oscar, é do lendário James Wong Howe. Ela ajuda a criar um espaço maleável e ameaçador, um terreno incerto. Uma estação de trem, uma tinturaria, um frigorífico, tudo adquire aspecto de sonho ou, antes, de pesadelo, mais ou menos como fizera Orson Welles filmando Kafka uns anos antes (O Processo, 1962).

José Geraldo Couto, crítico de cinema, no jornal Folha de S. Paulo (11 de abril de 2010; leia a crítica completa aqui). Abaixo, o diretor de fotografia James Wong Howe e o cineasta John Frankenheimer nas filmagens (foto 1); o astro Rock Hudson relaxa nos bastidores (foto 2); Hudson durante as filmagens (foto 3); e Frankenheimer em ação (foto 4).

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Três perguntas sobre John Frankenheimer

Bastidores: A Noite dos Desesperados

O diretor Sydney Pollack construiu um salão de baile e o encheu de personagens. Eles vêm do nada, na verdade; Michael Sarrazin é fotografado como se tivesse entrado no salão de baile diretamente do mar. Os personagens parecem não ter histórias, nem vidas alternativas; eles só existem dentro das paredes do salão de baile e durante o tique-taque do relógio oficial. Pollack simplificou o universo. Ele tem tudo na vida resumido a essa competição boba; e o que ele nos diz tem mais a ver com vidas do que com concursos.

Roger Ebert, crítico de cinema (leia aqui a crítica completa). Abaixo, o diretor Sydney Pollack (foto 1); a atriz Jane Fonda (foto 2); e os atores Susannah York e Bruce Dern (foto 3).

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Bastidores: Amargo Pesadelo

Bastidores: Operação França

Operação França foi filmado em Nova York durante cinco semanas ao longo do inverno de 1970 e 1971. O produtor Philip D’Antoni acreditava que Bullit tinha feito sucesso por causa de sua eletrizante sequência de perseguição pelas ruas de São Francisco, e insistiu com Friedkin para que incluísse uma no filme também. Friedkin concordou, filmando a vertiginosa perseguição entre um carro e o metrô de superfície que tornou Operação França merecidamente famoso. Foi uma filmagem difícil, e Friedkin estava frequentemente instável e deprimido.

Peter Biskind, escritor, em Como a Geração Sexo, Drogas e Rock and Roll Salvou Hollywood (Editora Intrínseca; pg. 214). Abaixo, William Friedkin durantes as filmagens, ao lado dos atores Gene Hackman e Roy Scheider.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Bastidores: O Exorcista

Bastidores: Amargo Pesadelo

Filmado em ambientes naturais espetaculares dos estados da Geórgia, Carolina do Norte e Carolina do Sul, o filme contém uma mensagem ecológica animada e uma crítica acurada da capacidade do homem “civilizado” de invadir a natureza. Esses temas não são novos na filmografia de Boorman, já que em A Floresta das Esmeraldas, por exemplo, abordava a vida em uma tribo amazônica. Amargo Pesadelo também funciona como uma reflexão sobre até que ponto de desumanização uma pessoa pode chegar, tirando o pior de si mesma em circunstâncias extremas. Qualquer um pode quebrar seus códigos morais e mostrar sua face mais violenta e irracional quando vê sua vida em perigo ou quando há algum dano a alguém que importe. (…) Com cenas de ação vibrantes e realistas, como as descidas vertiginosas dos protagonistas pelas correntezas em suas canoas – que foram filmadas sem dublê na maioria dos casos – e uma crueza nas passagens mais violentas, Amargo Pesadelo pode ser considerado um dos melhores filmes de aventura e suspense de toda a década.

Jose Antonio Martín, crítico de cinema, no site El antepenúltimo mohicano (leia aqui; tradução do blog). Abaixo, Jon Voight durante as filmagens.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Excalibur, de John Boorman