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Mario Puzo em Hollywood

A verdade é que, se um novelista vai a Hollywood para trabalhar a partir do próprio livro, ele precisa aceitar que o filme não é dele. É simplesmente assim que as coisas são. E a verdade é que, se eu tivesse chefiado a realização do filme, eu o teria arruinado. Dirigir um filme é uma arte ou uma profissão. Atuar é uma arte ou uma profissão. Todos especiais às suas próprias maneiras, exigindo talento e experiência.

E embora seja fácil zombar dos chefes de estúdio, aqueles que têm quilômetros e quilômetros de filmes rodados, ano após ano, precisam saber alguma coisa.

Mario Puzo, autor do livro O Poderoso Chefão e co-roteirista do filme ao lado de Francis Ford Coppola (The Godfather Family Album; Editora Taschen; tradução de André Duchiade, na publicação do mesmo artigo no catálogo da mostra Francis Ford Coppola: o Cronista da América, do Centro Cultural Banco do Brasil; pgs. 131 e 132). Abaixo, o escritor entre os atores Red Buttons (que não faz parte do elenco) e Marlon Brando.

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A lição política de Yves Montand

Eu canto, ouço, leio, viajo, sonho e vejo. Meu trabalho é agradar o público, fazê-lo sonhar, rir ou chorar. Eu não sou filósofo nem político; minha vida é como a sua. Parece a vida de outras pessoas, suas mortes e as que as matam. Eu dou vida a seres imaginários, algo entre o céu e a terra, na tela e no palco, mas eu vivo no mundo real, com os dois pés no chão. As dores e as injustiças deste mundo me machucam tanto quanto te machucam. Um palhaço? Sim, pode ser, mas não inconsciente. As notícias seguem seu curso, como costumam dizer. Um nos faz esquecer o outro. Kippur, Chile… Um homem destruído aqui, centenas de mortos em outro lugar. E a dança continua. Mas os refugiados chilenos permanecem. Há milhares entre nós, procurando um pedaço de pão e um pouco de calor, assim como há milhares de prisioneiros, desemprego forçado, homens caçados. Você não ouve falar deles, mas eles estão lá. Eu canto hoje para nos lembrar do sangue de ontem e para nos manter juntos, para que o sangue não seja substituído amanhã pelo nosso.

Yves Montand, ator e cantor, em narração no encerramento do documentário The Loneliness of the Long Distance Singer, de Chris Marker. O filme é de 1974, pouco depois do golpe militar no Chile, e acompanha os ensaios e a apresentação do cantor Montand, com sua consciência política e solidariedade às vítimas chilenas.

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Bastidores: O Segundo Rosto

A primeira meia hora é um primor de narrativa audiovisual e de construção de atmosfera. Com poucos diálogos e muito virtuosismo de câmera (“travellings” nervosos, foco profundo alternado com grandes angulares que distorcem o espaço etc.), acompanhamos o ingresso de Arthur Hamilton nas entranhas da Companhia e seu vertiginoso mergulho (ou queda?) num novo plano da existência.

A fotografia em preto e branco, indicada ao Oscar, é do lendário James Wong Howe. Ela ajuda a criar um espaço maleável e ameaçador, um terreno incerto. Uma estação de trem, uma tinturaria, um frigorífico, tudo adquire aspecto de sonho ou, antes, de pesadelo, mais ou menos como fizera Orson Welles filmando Kafka uns anos antes (O Processo, 1962).

José Geraldo Couto, crítico de cinema, no jornal Folha de S. Paulo (11 de abril de 2010; leia a crítica completa aqui). Abaixo, o diretor de fotografia James Wong Howe e o cineasta John Frankenheimer nas filmagens (foto 1); o astro Rock Hudson relaxa nos bastidores (foto 2); Hudson durante as filmagens (foto 3); e Frankenheimer em ação (foto 4).

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