Imagem

A história por trás da cena do respiradouro do metrô

A filmagem da cena que fiz com ela [Marilyn Monroe] sobre o respiradouro atraiu a atenção de todo mundo. Havia 20 mil pessoas, o trânsito estava um caos, houve uma crise conjugal [refere-se às brigas da atriz com seu então marido, Joe DiMaggio].

(…)

Joe DiMaggio estava em Nova York quando filmamos a cena do respiradouro na Lexington Avenue e provocamos aquele inimaginável ajuntamento de gente. Ele estava num bar algumas quadras acima, com um amigo, o investidor nova-iorquino George Solitaire. O colunista Walter Winchell os arrastou então para o local da filmagem, onde DiMaggio não somente ouviu os gritos sujos ou encorajadores da multidão, como também viu (teve de ver!) como Marilyn estava gostando daquela exibição pública. Admito que eu também ficaria um pouco preocupado se 20 mil pessoas estivessem observando uma única coisa: o vestido de minha mulher subindo acima de sua cabeça. Quis a ironia que eu tivesse de refilmar uma tomada da cena no estúdio – o respiradouro não trazia ar suficiente, nem mesmo quando instalamos um ventilador suplementar.

Billy Wilder, diretor de O Pecado Mora ao Lado, que contém essa cena, considerada uma das mais icônicas do cinema americano. O relato está na biografia de Wilder, Billy Wilder: E o Resto é Loucura, de Hellmuth Karasek (Editora DBA; pgs. 399 e 400).

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Bastidores: Wilder e Monroe

Bastidores: O Escritor Fantasma

(…) o maior acerto de Polanski é sem dúvida construir um filme que se utiliza do espaço cênico de maneira impressionante, emparelhando uma arquitetura precisa das interações entre os personagens com o controle de um ambiente-cenário um tanto restrito, no qual as tensões circulam, se condensam e explodem inusitadamente. Há neste O Escritor Fantasma um quê de A Morte e a Donzela, filme que ele dirigiu em 1994: a condução de um suspense de trama quase impalpável num espaço limitado, onde a aderência ao binômio palavra-ação é mais importante para o roteiro do que a psicologia dos personagens em si. E talvez seja exatamente esta a dinâmica que lhe permita direcionar a atenção do espectador de forma tão eficiente e trabalhar uma narrativa com pontos de virada e conclusão que desafiam as expectativas mais correntes de desenvolvimento e conclusão. Deste filme, saímos sem nada além da verificação de que os jogos de poder são herméticos e operam inexoravelmente de acordo com suas próprias leis.

Tatiana Monassa, crítica de cinema e pesquisadora, na Contracampo – Revista de Cinema (maio de 2010; leia a crítica completa aqui). Abaixo, o diretor Roman Polanski e o ator Ewan McGregor.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Baseado em Fatos Reais, de Roman Polanski

Bastidores: Kramer vs. Kramer

A direção de [Robert] Benton deve primeiro ser elogiada por sua escolha de atores e sua colaboração com eles. Este é seu primeiro filme sério: anteriormente ele dirigiu Má Companhia e A Última Investigação, ambos fortemente cômicos. Aqui ele está lidando com mágoa, mesmo que seja vista através de um temperamento de comédia rápida, e sua mão é justa e correta. Ele se dá bem com o interior das cenas, o movimento dos atores e da câmera, os cortes internos. Minha única briga é com a edição geral, a junção de sequências. Sempre estou consciente de que ele está cortando as lacunas do tempo, começando com uma inserção precoce de caminhões de lixo – depois que Streep sai – para nos dizer que a noite passou. E muitas vezes, no final da seqüência, Benton corta ou desvanece para o preto. Este dispositivo, uma vez comum, é agora relativamente raro e deve permanecer raro. Ninguém quer ser sacudido para a consciência da própria tela enquanto assiste a um filme, a menos que aquele momento de preto, aquela consciência da existência da tela, seja ela própria parte do filme, como às vezes tem sido em Bergman.

Stanley Kauffmann, crítico de cinema, no site da revista The New Republic (a crítica é de dezembro de 1979 e pode ser lida aqui; a tradução é deste site). Abaixo, Dustin Hoffman e Meryl Streep durante as filmagens.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

kramer vs kramer

Veja também:
Bastidores: Operação França