O cinema político e a censura, segundo Carlos Saura

Embora pareça um lugar-comum, todo filme no fundo é político, pelo menos em certo sentido. Basta olharmos para uma página de espetáculos para vermos que todos os filmes são políticos: uns por omissão, outros por alusão, outros por evasão… Mas pondo isto de lado, creio ser possível fazer um cinema diretamente político. E mais, gosto do cinema francamente político; o que sucede é haver uma impossibilidade quase total de fazê-lo, e por outro lado talvez até nem haja diretores capazes disso.

(…)

A censura é um problema. Mas existe, está aí e todos o sabemos. É uma monstruosidade, um contra-senso e além disso a censura é gratuita e inútil. É terrível como destrói coisas que, vistas depois, se mostram inócuas. Até que ponto ela influi no trabalho de um diretor, o obriga a criar uma linguagem, a procurar formas de expressão? É difícil responder a isso. O que é evidente é que a censura obriga a buscar a maneira de contar as coisas fazendo rodeios. Esta necessidade de evitar os fatos sem iludi-los, obriga a procurar formas narrativas e histórias que pouco a pouco moldam a personalidade do autor e seu modo de fazer cinema. Contudo, em certas circunstâncias, essa é a única maneira.

Carlos Saura, cineasta, em entrevista a Cinema Contemporâneo, volume 38 da Biblioteca Salvat de Grandes Temas (Salvat Editora; pgs. 18 e 19). Abaixo, Geraldine Chaplin em Peppermint Frappé, de Saura.

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Do real à representação: a burguesia no cinema de Carlos Saura

O imaginário, à burguesia retratada por Carlos Saura, é uma prisão, não o contrário. Em filmes irmãos, o autor explora idas a porões, a quartos escuros, o resgate da velha mobília e a lentidão da classe poderosa que se finge moderna, que se deita ao vento do belo jardim enquanto vê o empregado da casa retirar as folhas da piscina suja.

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As situações estão em A Colmeia e O Jardim das Delícias, de 1969 e 1970, respectivamente. Obras irmãs na crítica que propõem, na maneira como suas personagens – um casal no primeiro filme, toda uma família no segundo – precisam interpretar para sentir, ou esbarrar, nos próprios desejos – ainda que de forma destrutiva ou enganosa.

Em A Colmeia, o casal reveste-se da arquitetura moderna da bela casa. Ele, um industrial, representa a força do novo mundo movido à tecnologia, às estruturas da propaganda franquista, a do homem resolvido, independente, aparentemente distante do mofo das botas e dos quartéis ao qual seu país, por tanto tempo, viu-se ligado.

Ele, Pedro (Per Oscarsson), é casado com a bela e perfeitinha Teresa (Geraldine Chaplin). Nos cômodos altos, o novo; na parte baixa, um porão, estão guardados os móveis da mulher, objetos que a ligam à sua família, aos pais mortos, à medida que, noite após noite, retorna àquele espaço, aos itens que revivem sua vida passada.

Primeiro, como aparente sonâmbula (apesar de atenta demais); depois, como ponto central de um jogo de interpretação, maneira de viver que obriga Pedro a embarcar, ou simplesmente ver o que é de verdade: o burguês atraente que não está ali apenas para satisfazer as vontades da bela mulher, mas para ser, como ela, parte de um jogo.

Vivem outras pessoas ou os mesmos. Vivem, a certa altura, os criados, e imaginam o que estes falam dos patrões enquanto estão na cozinha, apartados, preparando a comilança da casa chique e quadriculada. Teresa finge ser criança, reza, tudo aos olhos do marido, que quer dormir e não consegue. “Dondoca”, como é chamada pela amiga que visita sua casa e não sabe que é ouvida, a moça magra e pequena precisa escapar.

Para viver, o casal precisa interpretar: no limite da mutação, da chegada ao outro, é que poderá ser algo, ter algum peso, fora do vazio que aquele cotidiano monocromático representa. Talvez por isso, não estranha, a interpretação passa à verdade: quando encenam uma despedida, ao fim, dão lugar a algo real, vazão à violência.

O ridículo, visto também em O Jardim das Delícias, ainda melhor, nunca explode. Saura naturaliza-o, faz com que todos os seres – algumas mais, outros menos – pareçam parte de um jogo, da vida que não funciona sem fingimento, da casa que logo dá espaço ao tablado, ao fundo chapado, às cores berrantes – como em um teatro.

Casa que serve à família de atores amadores, gente que precisa interpretar a um de seus membros, um homem rico que perdeu a memória. Para revivê-la, todos aceitam a farsa, ou apenas dão vez àquilo que sempre foram e nunca aceitaram – o que os aproxima, em necessidade, e ainda que para finalidades distintas, do casal de A Colmeia.

O patriarca precisa reviver o filho, estimula a interpretação. Como todos, quer descobrir o segredo do cofre da casa, também o banco suíço ao qual uma bolada de dinheiro foi enviada. Abobado, pouco a pouco voltando aos velhos dias, Antonio (José Luis López Vázquez) passa parte do tempo em seu “jardim das delícias”, em sua área verde, de cômodo em cômodo para local algum, espectador central de uma farsa cada vez maior.

Em sequência curiosa, assustadora, é trancado em um quarto com um porco. Grita, desmaia, para que possa reviver o terror da infância, o trauma. Os outros – pai, mulher, filhos, criados, depois a amante com uma cicatriz a exibir – serão levados às apresentações que permitem o improviso, como se Antonio nunca conseguisse ver tudo.

A sequência em que reencenam a primeira comunhão do protagonista é um dos pontos altos. Levado ao santíssimo sacramento, ele retorna ao dia em que os republicanos invadiram a igreja aos gritos, para fazer a revolução. Antonio representa a burguesia cristã que estava ao lado de Franco e, por isso, que atacaria os invasores.

É ali que o protagonista – apagado, de olhar perdido – escuta o som dos aviões, o que remete o espectador à Guerra Civil Espanhola, quando o meio de transporte foi utilizado pela primeira vez para lançar bombas sobre cidades e povoados. Remete igualmente ao horror, ao desespero do homem que olha para o alto, à Guernica de Picasso. Outra pintura, O Jardim das Delícias Terrenas, é evocada como ironia.

A burguesia agarra-se a símbolos não para subvertê-los, mas para tentar restituir uma ordem, a forma como viveu. O símbolo é “importante”, diz o avô, pois “o consciente tem que trabalhar o subconsciente”. Para que haja uma mudança pode mesmo haver dor, é preciso voltar aos traumas, aos problemas, às cicatrizes – para que tudo seja como foi.

A passagem do real à representação cobra seu preço. A burguesia, nos dois filmes, fracassa. A liberdade é ilusória, em momentos se assemelha a um teatro de marionetes, fragilidade dos pequenos jogos em A Colmeia, da farsa que não ofende seu elenco em O Jardim das Delícias. Todos terminarão como Antonio, em círculos, como sonâmbulos.

Vê-se outro universo no jardim de Bosch. Saura recorre ao mesmo para brincar, expor seu oposto: não se vive para migrar das delícias ao paraíso ou ao inferno, tampouco para ver esses espaços separados. Vive-se, na farsa com toques surrealistas, para ver o horror da vida medíocre da casa grande, dos interesses escusos, do homem pequeno.

No caso da família, as encenações ou retornos à história da Espanha não precisam ser fiéis aos fatos. A composição passa pelo olhar opressor da família vulgar, também pela imaginação fértil – único ponto de liberdade nesse filme brilhante – do mesmo Antonio, que “vê” a luta de cavaleiros ou a guerra de crianças com escudos e bolas de ferro.

Nos dois filmes, a burguesia engana-se para seguir respirando; no fim, ou se mata (A Colmeia) ou se deixa tomar pela enfermidade (Jardim). Nos dois casos, sua trilha não dispensa o peso da religião, das armas, dos interesses financeiros – símbolos dos velhos costumes de uma classe desnudada por vícios e interpretações baratas.

(La madriguera, Carlos Saura, 1969)
(El jardín de las delicias, Carlos Saura, 1970)

Notas:
A Colmeia: ★★★★☆
O Jardim das Delícias: ★★★★★

Foto 1: A Colmeia
Fotos 2 e 3: O Jardim das Delícias

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Os 100 melhores filmes dos anos 50

Se os Estados Unidos têm 1939 como o grande ano para seu cinema, o Japão tem em 1953 um momento de apogeu. Contos de Tóquio, Contos da Lua Vaga e Portal do Inferno foram lançados nesse ano. Em 1954 chegariam Os Sete Samurais e Intendente Sansho. Fase gloriosa para o cinema nipônico, como se vê na lista abaixo.
Mas não só. Foi uma ótima década para o cinema americano – dos produtos de estúdio, em tela larga, aos dramas realistas com consciência social – e para o francês – do dito “cinema de qualidade” à eclosão das formas da nouvelle vague em Varda, Chabrol, Resnais e Truffaut.

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Está tudo na lista, além de novidades, à época, de países como Índia (Satyajit Ray), Polônia (Andrzej Wajda) e Itália (Valerio Zurlini). Não há filmes brasileiros na seleção e, por isso, alguém deverá reclamar. Alguns grandes trabalhos nacionais (como O Grande Momento e Estranho Encontro) ficaram de fora por simples questão de espaço. Uma lista com 100 títulos pode, à primeira vista, parecer extensa, mas não é.

100) Umberto D., de Vittorio De Sica

99) Doze Homens e uma Sentença, de Sidney Lumet

98) Fogo na Planície, de Kon Ichikawa

97) Glória Feita de Sangue, de Stanley Kubrick

96) Verão Violento, de Valerio Zurlini

95) Os Brutos Também Amam, de George Stevens

94) Grisbi, Ouro Maldito, de Jacques Becker

93) A Ponte do Rio Kwai, de David Lean

92) A Morte Neste Jardim, de Luis Buñuel

91) Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann

90) A Montanha dos Sete Abutres, de Billy Wilder

89) E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim

88) Nas Garras do Vício, de Claude Chabrol

87) Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman

86) Juventude Transviada, de Nicholas Ray

85) A Estrada da Vida, de Federico Fellini

84) La Pointe-Courte, de Agnès Varda

83) Mortalmente Perigosa, de Joseph H. Lewis

82) Flor do Equinócio, de Yasujiro Ozu

81) O Testamento de Deus, de Jacques Tourneur

80) Almas em Fúria, de Anthony Mann

79) Eles e Elas, de Joseph L. Mankiewicz

78) Também Fomos Felizes, de Yasujiro Ozu

77) Império do Crime, de Joseph H. Lewis

76) O Alucinado, de Luis Buñuel

75) Bob, o Jogador, de Jean-Pierre Melville

74) Férias de Amor, de Joshua Logan

73) O Segredo das Joias, de John Huston

72) Anjo do Mal, de Samuel Fuller

71) Os Amantes Crucificados, de Kenji Mizoguchi

70) Assim Estava Escrito, de Vincente Minnelli

69) Ben-Hur, de William Wyler

68) Monika e o Desejo, de Ingmar Bergman

67) A Sala de Música, de Satyajit Ray

66) O Homem do Oeste, de Anthony Mann

65) Pacto Sinistro, de Alfred Hitchcock

64) Sombras do Mal, de Jules Dassin

63) Bom Dia, de Yasujiro Ozu

62) O’Haru: A Vida de uma Cortesã, de Kenji Mizoguchi

61) Intriga Internacional, de Alfred Hitchcock

60) A Embriaguez do Sucesso, de Alexander Mackendrick

59) Sedução da Carne, de Luchino Visconti

58) Moulin Rouge, de John Huston

57) As Férias do Sr. Hulot, de Jacques Tati

56) Senhorita Júlia, de Alf Sjöberg

55) Imitação da Vida, de Douglas Sirk

54) Johnny Guitar, de Nicholas Ray

53) Deus Sabe Quanto Amei, de Vincente Minnelli

52) Vidas Amargas, de Elia Kazan

51) Anatomia de um Crime, de Otto Preminger

50) Um Condenado à Morte Escapou, de Robert Bresson

49) Um Lugar ao Sol, de George Stevens

48) Os Esquecidos, de Luis Buñuel

47) Cinzas que Queimam, de Nicholas Ray e Ida Lupino

46) Palavras ao Vento, de Douglas Sirk

45) Rififi, de Jules Dassin

44) A Morte Num Beijo, de Robert Aldrich

43) O Rio Sagrado, de Jean Renoir

42) Tudo o que o Céu Permite, de Douglas Sirk

41) Os Eternos Desconhecidos, de Mario Monicelli

40) A Casa de Bambu, de Samuel Fuller

39) Orfeu, de Jean Cocteau

38) O Balão Vermelho, de Albert Lamorisse

37) O Prazer, de Max Ophüls

36) Noites de Cabíria, de Federico Fellini

35) Trono Manchado de Sangue, de Akira Kurosawa

34) Onde Começa o Inferno, de Howard Hawks

33) Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock

32) Viagem à Itália, de Roberto Rossellini

31) A Roda da Fortuna, de Vincente Minnelli

30) Salário do Medo, de Henri-Georges Clouzot

29) Portal do Inferno, de Teinosuke Kinugasa

28) Uma Rua Chamada Pecado, de Elia Kazan

27) Lola Montes, de Max Ophüls

26) A Marca da Maldade, de Orson Welles

25) Rastros de Ódio, de John Ford

24) O Intendente Sansho, de Kenji Mizoguchi

23) Amores de Apache, de Jacques Becker

22) O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman

21) Ervas Flutuantes, de Yasujiro Ozu

20) Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder

19) A Palavra, de Carl Theodor Dreyer

18) Viver, de Akira Kurosawa

17) No Silêncio da Noite, de Nicholas Ray

16) A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz

15) Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa

14) Os Incompreendidos, de François Truffaut

13) Desejos Proibidos, de Max Ophüls

12) Cantando na Chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen

11) Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais

10) A Canção da Estrada, de Satyajit Ray
A primeira parte da Trilogia de Apu é sobre a infância, sobre a descoberta da vida para fora da pequena casa, dos espaços simples de uma Índia rural, antes de se deparar com os trens e com a morte.

9) Pickpocket, de Robert Bresson
A vida de roubos segue uma rotina. Bresson é meticuloso, único nessa reprodução que, ainda que se desvie desse destino, não deixa de mirar à alma de um homem aparentemente vazio.

8) O Mensageiro do Diabo, de Charles Laughton
Os órfãos criados com uma senhora, no campo, esperam pela chegada do homem mau. Duas crianças sabem do destino de uma bolada de dinheiro e são perseguidas pelo vilão de Robert Mitchum.

7) Sindicato de Ladrões, de Elia Kazan
A trajetória de Terry Malloy, o rapaz feito “menino de recado” dos mafiosos, aquele que poderia ter sido um competidor e teve de entregar a luta. Mais tarde, vê a chance de dar a volta por cima.

6) Contos da Lua Vaga, de Kenji Mizoguchi
O filme de espíritos de Mizoguchi fala de desejos e perdição, de homens que atravessam um lago à neblina para encontrar uma deusa. As promessas logo se esvaem. Ficam a miséria, os derrotados.

5) Cinzas e Diamantes, de Andrzej Wajda
Matador de aluguel precisa cumprir uma missão no último dia da Segunda Guerra Mundial, momento em que o mundo – em um conjunto de personagens e intenções – mostra-se dividido e confuso.

4) Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder
Norma Desmond desce sua escadaria para encontrar a câmera, os policiais, a imprensa. É seu “grande” retorno, pronta para seu close-up, à medida que se deixa consumir pela película que perde o foco.

3) Rashomon, de Akira Kurosawa
As diferentes versões para um crime são contadas por diferentes pessoas. Os pontos de vista mudam os resultados. Não é possível saber a verdade no filme que levou o nome de Kurosawa ao Ocidente.

2) Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock
Homem com medo de altura precisa decifrar o que se esconde em uma bela loura atormentada, capaz de levá-lo à torre de uma igreja para fazê-lo ver seu medo – a exemplo dos próprios sentimentos.

1) Contos de Tóquio, de Yasujiro Ozu
O Ozu mais conhecido, mais celebrado, em sua melhor forma. Como costume, parte de uma história de linhas simples: pai e mãe saem do interior e seguem para Tóquio para visitar os filhos.
O problema é que o mais jovens – filhos, netos, outros parentes – não têm tempo para o casal visitante. Sem movimentar a câmera em momento algum, com a lente próxima ao chão, o diretor dá vida a uma história tocante sobre o choque entre seres próximos mas distantes.

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Cineastas mais presentes na lista:

  • Cinco filmes: Yasujiro Ozu.
  • Quatro filmes: Akira Kurosawa, Alfred Hitchcock, Kenji Mizoguchi, Nicholas Ray.
  • Três filmes: Billy Wilder, Douglas Sirk, Elia Kazan, Ingmar Bergman, Luis Buñuel, Max Ophüls, Vincente Minnelli.
  • Dois filmes: Anthony Mann, Federico Fellini, George Stevens, Jacques Becker, John Huston, Joseph H. Lewis, Joseph L. Mankiewicz, Jules Dassin, Robert Bresson, Samuel Fuller, Satyajit Ray.

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As ilhas de John Boorman

Meus filmes revelam, efetivamente, que a natureza é feita de uma mistura de beleza e crueldade; e eu creio que me liguei sempre em meus filmes de maneira que a intriga resulte ao mesmo tempo familiar e estranha, um pouco à maneira de um pesadelo. Ao mesmo tempo recorri muitas vezes ao tema ou ao símbolo da ilha, depois de meu primeiro filme, Catch Us If You Can, onde a ilha era o objeto de busca dos personagens, passando por À Queima Roupa, com não somente a ilha/prisão de Alcatraz, mas também Los Angeles, no seio da qual as pessoas estão muito isoladas, por Inferno no Pacífico, evidentemente, já que se tratava de um cenário único, e por Príncipe sem Palácio, com um bairro de Londres isolado do resto da cidade e a casa que pertence a um branco, que é como um ilhéu no bairro negro. Em Amargo Pesadelo, o rio constitui a seu modo um universo à parte, onde a civilização se transforma em qualquer coisa distante.

John Boorman, cineasta, sobre seus filmes, em trecho destacado do ensaio de Tuio Becker sobre o realizador (Zero Hora, 11 de março de 1973; o ensaio está no livro Sublime Obsessão, Editora da Unisc; pgs. 91 e 92). Abaixo, Boorman, com Burt Reynolds, nas filmagens de Amargo Pesadelo.

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