William Friedkin

E a Vida Continua, de Roger Spottiswoode

As lembranças que perturbam o protagonista, o médico Don Francis (Matthew Modine), levam a outro país, a outras pessoas, a outra doença. Ele estava às margens do rio Ebola, no Congo, quando viu a devastação causada pela doença que levaria o nome do afluente. Veria, anos depois, a devastação causada pela aids, ao longo dos anos 80.

Ainda no continente africano, ele é interpelado por um jovem desesperado. Deseja saber por que ele, um médico, não pode salvar as vítimas. Mais ainda, por que não tem as respostas àquela ação do inimigo invisível. Por sinal, o médico não tem respostas. O rapaz tem alguma razão. O filme de Roger Spottiswoode lida o tempo todo com a impotência.

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Reconstrói, no início dos anos 90, o surgimento da aids e sua proliferação por alguns países do mundo, especialmente os Estados Unidos. Passa por inúmeras vidas sem perder o mesmo médico de vista. Chega à politicagem e seu silêncio perpetrado, por certo tempo, pelo republicano Ronald Reagan, depois à vaidade do médico americano que queria para si a descoberta do vírus que, antes, havia sido detectado pelos franceses.

Para além de questões políticas e científicas que o filme reconstrói, na luta e no clima da época, há questões humanas que, não raro, proporcionam o drama do qual a obra alimenta-se. Sequências como a caminhada de Francis pela chuva, que o faz retornar àquele fatídico dia no Congo, são postas propositalmente para emocionar.

Verdade que esse filme feito para a televisão, bancado pela HBO, tem inúmeros méritos. O elenco é adequado, a direção é eficiente na medida do possível. Por outro lado, resta a impressão de que houve certo cuidado para “não avançar demais”, “não mostrar muito”, talvez pelo medo da recepção pelos telespectadores da época.

A questão social retratada, como lembra o crítico Heitor Augusto, não pode ser restringida aos anos 80. A época em questão, com a aids, é um momento para soterrar o sentimento de liberdade, a luta e os avanços de décadas anteriores – com seus altos e baixos. A aids tomava o mundo de assalto ao embutir medo, ao frear liberdades sexuais, além de ser chamada de “praga gay”, o que atingia em cheio determinado grupo.

A abertura no Congo tem justificativa: os afetados e esquecidos, antes, eram os negros de um continente pobre; as vítimas de outra doença, em seguida, são os homossexuais de um país rico então governado por um presidente conservador. Era mais fácil, ao que parece, deixar os gays em gueto próprio, a se virar como podiam com seus problemas.

Vilão maior, aos investigadores ou aos doentes, é o medo. O do médico, o medo de não ter as respostas que os outros exigem. A doença, durante bom tempo, está à frente, disseminada, à espera de compreensão. Homens batem cabeças o tempo todo. O filme é recheado de diálogos, de cruzamentos, de pequenas personagens que somem e depois reaparecem, de figuras que sequer têm nome – como a personagem de Richard Gere.

Um dos infectados, comissário de bordo, fala com prazer à médica – ainda pouco consciente do estrago da doença, sem saber que ele próprio está doente – dos vários homens com os quais foi à cama, dos quais, em muitos casos, sequer lembra o nome. O filme, nesse ponto, fornece a imagem do gay que ronda a cabeça dos preconceituosos. É um dos pontos baixos. O gay em cena é promíscuo e despreocupado, caricato.

Tal personagem passageira pode gerar ainda outra interpretação: o relato prazeroso de suas aventuras pelo mundo é o sinal que de as liberdades individuais atingiram – para o bem e contra o medo e a culpa – o máximo. Pode ser vista com dubiedade, até coragem.

Ao que parece, o título original, And the Band Played On, faz referência à peça Os Rapazes da Banda, de Mart Crowley, que virou filme pelas mãos de William Friedkin. Interessante pensar no título, na tal banda que segue tocando, viva, sem que seja necessário se esconder, com medo, após as muitas conquistas de décadas anteriores.

(And the Band Played On, Roger Spottiswoode, 1993)

Nota: ★★★☆☆

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Dez grandes filmes que investigam a natureza do mal

A lista abaixo é composta por filmes que abordam o mal em uma sociedade ou mesmo em um espaço restrito de personagens. São trabalhos diferentes, provocadores, sob o olhar de grandes cineastas. Nesses filmes, nem sempre é fácil explicar o mal: fala-se, primeiro, de sua suposta natureza, em forma perturbadora e até silenciosa.

A Grande Testemunha, de Robert Bresson

As vítimas do pecado original. O grande filme de Bresson – que acompanha um burrinho, do nascimento à morte, além das personagens que o cercam – mostra seres predestinados ao sofrimento. A eles, o mal se torna algo natural. O animal ao centro, o verdadeiro protagonista, assiste aos problemas do mundo sem poder fazer nada.

A Hora do Lobo, de Ingmar Bergman

Controlar os próprios demônios. A protagonista (Liv Ullmann) relata à câmera, na abertura, o processo de loucura do companheiro (Max von Sydow). Eles vivem isolados em uma ilha, onde o homem passa a ser assediado por seres que talvez não existam, enquanto o mal se insinua em demônios que interpelam constantemente as personagens.

O Garoto Toshio, de Nagisa Oshima

A família como mal maior. O menino Toshio (Tetsuo Abe) sonha com o extraterrestre que, um dia, chegará ao planeta Terra para acabar com a maldade. O mal, aqui, nasce da família do garoto, sobretudo do pai, que o usa para simular atropelamentos e extorquir motoristas. Toshio já tem idade para entender o mal que o circunda e se refugia nos sonhos.

Lacombe Lucien, de Louis Malle

Ausência de identidade. Na França Ocupada, durante a Segunda Guerra Mundial, Lucien (Pierre Blaise) é alguém desprovido de alma. Ou apenas guiado pela necessidade de estar de um lado, um lado qualquer que possa lhe fornecer algo, uma posição. E escolhe estar com os nazistas. O mal, no filme de Malle, é fruto da alienação, do vazio.

Parceiros da Noite, de William Friedkin

O mal não está no outro. À época de seu lançamento, o filme de Friedkin foi incompreendido: parte da comunidade gay americana o acusou de mostrar o mal como fruto da homossexualidade, dos espaços que frequentava, quando, na verdade, o mal era produto do policial (Al Pacino), transformado após se aproximar do assassino que investiga.

Vá e Veja, de Elem Klimov

O mal por todos os lados. Não é necessário mais que o close de Alexei Kravchenko, o jovem protagonista, para mergulhar no mal. Está por todos os lados, nas corridas, na câmera inquieta, nos dias em que os soviéticos combatem os invasores nazistas. O mal, sem mais voltas, está na carnificina, no desespero de quem corre à margem.

Homicídio, de David Mamet

Conflitos étnicos. Um policial (Joe Mantegna) investiga a morte de uma mulher judia e encontra indícios de um grupo nazista. Mas Mamet recusa a dualidade fácil: o protagonista, um judeu, descobre que não pode confiar em ninguém, nem mesmo em seu povo, enquanto um assassino oferece-lhe a explicação sobre a “natureza do mal”.

Mal do Século, de Todd Haynes

Um mundo doente. A aparente vida perfeita de uma mulher pouco a pouco lhe causa mal-estar. Contra possíveis doenças do mundo moderno, da grande cidade, ela resolve se isolar. Com a sempre ótima Julianne Moore, o filme de Haynes é, antes, sobre uma doença social, ou sobre um mundo doente. O mal da civilização limpa e isolada.

Dogville, de Lars von Trier

O mito da sociedade acolhedora. A vítima é a loura (Nicole Kidman) que acaba de chegar a uma vila de poucos moradores. Acolhedora às aparências, essa sociedade de paredes invisíveis logo se expõe: as pessoas ali são exploradoras, malvadas, e a moça termina presa e condicionada a tarefas cruéis, enquanto todos decidem seu destino.

A Fita Branca, de Michael Haneke

O mal pertence a todos. Como von Trier, Haneke aborda uma sociedade opressora. Mas, diferente do dinamarquês, aposta nas paredes, na dificuldade de se ver tudo. O mal, nessa comunidade em que ocorrem crimes estranhos, à beira da Primeira Guerra Mundial, pertence a todos. Procurar um culpado, a certa altura, não é mais necessário.

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Bastidores: O Exorcista

Escolher alguém para o papel de Regan, a menina possuída, foi mais difícil. Na época em que Linda Blair foi entrevistada, tinha 12 anos. Friedkin queria ter certeza de que ela poderia enfrentar os elementos mais ousados do papel. Perguntou a Linda: “Você leu O Exorcista?”

“Li.”

“O livro é sobre o quê?”

“Sobre uma garotinha que é possuída pelo diabo e faz um monte de coisas ruins.”

“Que tipo de coisas ruins?”

“Ela empurra um cara de uma janela e se masturba com um crucifixo e…”

“E o que isso quer dizer?”

“É que nem tocar siririca, não é?”

“É sim. Você sabe o que é tocar siririca?”

“Claro que sim!”

“E você faz isso?”

“Claro! Você não toca punheta?”

Linda ficou com o papel.

Peter Biskind, escritor, em Como a Geração Sexo, Drogas e Rock and Roll Salvou Hollywood (Editora Intrínseca; pg. 209). O diálogo ocorreu entre o diretor William Friedkin e a jovem Linda Blair, ambos na foto abaixo.

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o-exorcista

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Ninfetas (em 15 filmes)

Um grupo de belas jovens do cinema, a fazer pencas de marmanjos saírem dos trilhos. Uma lista com 15 meninas de filmes variados, do noir ao universo violento do cinema americano atual. Não se tratam de formas a representar o sexo fácil, ainda que em vários filmes elas remetam a desejos ocultos e ao erotismo comum ao cinema moderno.

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Carmen Sternwood (Martha Vickers) em À Beira do Abismo

Antes de encontrar seu contratante, ainda no início da obra-prima de Howard Hawks, o detetive Philip Marlowe (Humphrey Bogart) depara-se com a pequena e aparentemente indefesa Carmen. Algo está errado por ali: a menina não demorada a se lançar nos braços do herói, que, como sempre, ironiza. Ao longo do filme, ela mostra-se apenas uma peça da trama intrincada, cheia de idas e vindas, de dúvidas, com Lauren Bacall no elenco.

à beira do abismo

Baby Doll (Carroll Baker) em Baby Doll

O trabalho de Elia Kazan vem carregado de ousadia: é sobre um homem (Karl Malden) impotente unido a uma bela menina, em uma casa aos cacos, enquanto não consegue consumir seu desejo por ela. Ela grita do lado de fora enquanto a aguarda, para a graça dos velhos senhoras negros por ali. Mais tarde, seu rival (Eli Wallach) vai à mesma casa e passa a jogar charme na menina. Como em Uma Rua Chamada Pecado, Tennessee Williams também assina o roteiro.

baby doll

Colette (Marie-France Pisier) em Antoine e Colette

O espectador entende por que Colette capta a atenção de Antoine e desvia seu olhar, do palco do concerto à bela menina, algumas poltronas à frente. A maneira como arruma o vestido, como passa o dedo nos lábios, torna-a seu objeto de desejo. Logo está apaixonado, em seu possível primeiro amor. Ele fará de tudo para tê-la por perto no segundo filme de Truffaut sobre Antoine Doinel, que integra o longa Amor aos 20 Anos. Pisier mescla juventude com jeito de mulher.

antoine e colette

Lolita (Sue Lyon) em Lolita

A partir do livro de Nabokov, Kubrick levou à tela um estranho romance carregado de ressentimento, de dor, com o homem mais velho cheio de problemas, desconfiado, vivido na medida pelo mestre James Mason. A bela Lyon não precisa de muito para encantar, e em alguns momentos chega a não ter qualquer tempero: às vezes é até difícil compreender por que esse homem mais velho e inteligente fica de joelhos à menina. É uma boneca cuja imagem, ao fim, esvai-se: não é mais a Lolita de sempre.

lolita

Agnese Ascalone (Stefania Sandrelli) em Seduzida e Abandonada

Após o incrível Divórcio à Italiana, o diretor Pietro Germi retorna ao campo da comédia que revela outro lado da sociedade italiana de bons costumes. A saída é rir do absurdo, das perseguições à menina que teria perdido a juventude, para a desgraça do pai, da Igreja, de todos ao redor. Há a sequência delirante em que ela é perseguida pelos moradores da cidade. De beleza ímpar, como outras musas italianas da época, Sandrelli ganha pela presença, ao mesmo tempo em que o espectador ri dos homens que a cercam.

seduzida e abandonada

Delilah “Delly” Grastner (Melanie Griffith) em Um Lance no Escuro

O detetive de Gene Hackman é contratado para encontrar essa garota no grande filme de Arthur Penn. A trama envolve uma atriz de cinema decadente (mãe dela) e o lado obscuro dessa arte, atrás das câmeras, com os dublês e os riscos do ofício. Logo Harry (Hackman) percebe que a menina é apenas a ponta do iceberg. Suas andanças levam-no ao inimaginável, ao fim, com um encerramento misterioso. É o primeiro trabalho de Griffith que lhe valeu crédito, muito antes do sucesso de Uma Secretária de Futuro, de Mike Nichols.

um lance no escuro

Iris (Jodie Foster) em Taxi Driver

A raquítica Foster cai nos braços da personagem de Harvey Keitel, o cafetão, na única sequência do filme de Martin Scorsese em que Robert De Niro não está em cena. Em outros momentos, a menina passa pelas ruas e sempre atrai a atenção do taxista Travis, em suas andanças pela cidade, em seus momentos de solidão. Seu desejo de “limpar” a metrópole leva-o a encontrar a menina de novo, em encerramento traumático. Foster já havia feito um pequeno papel em Alice Não Mora Mais Aqui, de Scorsese.

jodie foster

Violet (Brooke Shields) em Menina Bonita

A ninfeta é servida como banquete nesse polêmico filme de Louis Malle, quando alguns diretores europeus eram atraídos a Hollywood com a possibilidade de realizar trabalhos interessantes. Crescida no bordel, a menina de Shields logo chama a atenção de um jovem fotógrafo que passa por ali, interpretado por Keith Carradine. Malle capta o universo de libertinagem do início do século 20. O elenco conta com Susan Sarandon, como mãe da menina e também prostituta.

menina bonita

Suzanne (Sandrine Bonnaire) em Aos Nossos Amores

Em seu primeiro papel de destaque e com crédito, Bonnaire é uma revelação. O diretor Maurice Pialat nunca trata o sexo como momento difícil ou leva a jovem a algum questionamento que envolva culpa. Ao contrário, é natural. Os problemas da menina são outros e envolvem sua família, a separação dos pais, as brigas com o irmão. Há também o relacionamento que não deu certo, com diálogos cortantes e o realismo do diretor.

aos nossos amores

Cécile de Volanges (Uma Thurman) em Ligações Perigosas

A trama envolve a destruição de uma jovem (Michelle Pfeiffer) por um casal de amigos íntimos, vivido por Glenn Close e John Malkovich. Em meio à trama, em jogos de diversão e prazer, eles encontram a bela Cécile. Thurman já havia feito outros filmes, como As Aventuras do Barão de Münchausen, do mesmo ano, e mais tarde ganharia destaque por sua personagem descontrolada em Pulp Fiction, de peruca e mulher de um perigoso mafioso.

ligações perigosas

Christina (Mia Kirshner) em Exótica

A casa de shows de stripper é decorada como selva. Homens vão ao local para observar as belas mulheres que dançam ali. Entre elas está a misteriosa Christina, alvo, quase todas as noites, das investidas de um cliente fiel (Bruce Greenwood). O belo filme de Atom Egoyan mescla diferentes personagens, como o dono de uma loja de animais exóticos interpretado por Don McKellar, e outros que compõem a estranheza da obra, como o DJ de frases de efeito de Elias Koteas.

exotica

Angela Hayes (Mena Suvari) em Beleza Americana

O objeto de desejo do protagonista (Kevin Spacey) surge, em sonhos, coberto de pétalas de rosa, quando retira o casaco de líder de torcida, ou quando se insinua para ele do alto do teto de seu quarto. Como nada é o que parece nesse filme de Sam Mendes, ganhador do Oscar, mais tarde a moça fará uma revelação capaz de demolir seu sonho. Retorna à realidade, ao ambiente que inclui as traições da mulher, as descobertas da filha, o contato com o vizinho traficante e os embates com o pai do garoto, militar linha dura.

beleza americana

Junie (Léa Seydoux) em A Bela Junie

O título não mente: Seydoux é bela demais, com seu olhar de lince, o que leva o espectador a não despregar os olhos. Faz pensar na Anna Karina de Godard, na menina como fonte de atenção de seus bandidos e fugitivos. Como outros de sua geração, Christophe Honoré bebe na fonte da nouvelle vague. Faz de Seydoux uma musa em formação: tem o olhar trágico e ao mesmo tempo distante. Difícil saber no que está pensando ou o que deseja, o que assegura seu mistério.

a beça junnie

Dottie Smith (Juno Temple) em Killer Joe – Matador de Aluguel

A menina rouba a atenção do matador de aluguel interpretado por Matthew McConaughey no surpreendente e violento filme de William Friedkin. Ao aceitar matar a mãe do menino que o contrata, ele coloca a irmã do pagador como parte do negócio. E Temple sai-se bem como a adolescente perdida de uma família disfuncional. O filme leva ao insuportável quando, ao fim, todas as personagens reúnem-se à mesa, quando o assassino fala de suas intenções, e quando o fechamento leva ao corte seco.

killer joe

Joe (Stacy Martin) em Ninfomaníaca – Parte 1

Nas histórias da experiente Joe vem à tona seu passado, quando se aventurava em baladas sexuais, com parceiros diversos. O período é preenchido pela presença da bela Martin, cujo olhar de certeza comprova a boa escolha para o papel. Sozinha ou com alguma amiga, ela dá vez aos desejos. A direção de Lars von Trier é certeira e o filme, claro, criou alguma polêmica. Não é sobre sexo fácil. Prefere suas entranhas, ao passo que a madura Joe (Charlotte Gainsbourg) é bombardeada pelas ideias de seu interlocutor (Stellan Skarsgård).

ninfomaníaca

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Oito grandes filmes que terminam com portas fechando

De dentro para fora ou o oposto, para se sentir preso ou para ver a prisão dos outros. São assim as cenas da lista abaixo, de filmes variados, dirigidos por gênios da sétima arte. Certamente há milhares de obras com encerramentos semelhantes. A lista é apenas um apanhado rápido, de grandes filmes que seguem na memória do cinéfilo.

O Testamento do Dr. Mabuse, de Fritz Lang

Lang teve tempo de dirigir essa grande produção antes de fugir da Alemanha nazista. Seu filme mostra muitos problemas da época: como o nazismo e seu líder, Mabuse é onipresente. Suas forças agem como um vírus, um fantasma perseguidor, e o final mostra que a loucura segue viva em outro homem enclausurado.

o testamento do dr mabuse1

Interlúdio, de Alfred Hitchcock

O mestre do suspense, ao fim de Interlúdio, seu melhor filme dos anos 40, não precisa mostrar a morte do vilão. Prefere a sutiliza da porta fechada e, pouco antes, o caminhar do nazista (Claude Rains) ao covil dos comparsas, na bela mansão. O herói (Cary Grant) não lhe deu espaço em seu carro ao salvar a amada indefesa (Ingrid Bergman).

interlúdio1

Rastros de Ódio, de John Ford

Para alguns, o maior filme de Ford. Começa com a imagem da porta que se abre, do homem (John Wayne) que retorna da Guerra Civil e é recebido pela família. Mais tarde, ele encontra nova tragédia: os índios matam e raptam seus parentes. Ele sai em busca de justiça, da pequena sobrinha (transformada em índia) e, ao fim, volta ao isolamento.

rastros de ódio

Estranho Acidente, de Joseph Losey

O mestre Losey volta a trabalhar com um roteiro de Harold Pinter depois do magistral O Criado e explora um curioso jogo de desejos e relacionamentos sob o verniz de belos ambientes. O encerramento leva ao esconderijo: o pai de família (Dirk Bogarde) retorna para sua mansão e o espectador ainda ouve o som do acidente de carro.

estranho acidente

Os Rapazes da Banda, de William Friedkin

Antes de alcançar fama mundial com Operação França e O Exorcista, Friedkin dirigiu esse drama intimista sobre um grupo de amigos gays que se reúne para comemorar o aniversário de um deles. Após muitas discussões, jogos e velhas histórias, Michael (Kenneth Nelson) pede que seu companheiro apague a luz antes de sair.

os rapazes da banda

O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola

É o momento em que, ao olhar da mulher (Diane Keaton), o marido (Al Pacino) assume o posto de chefão da máfia, da família, e recebe os comparsas para ter a mão beijada. Leva à escuridão e à não menos genial música de Nino Rota, além de confirmar a ideia geral de Coppola: uma obra sobre salas fechadas, apenas para alguns convidados.

o poderoso chefão

Kramer vs. Kramer, de Robert Benton

Drama belo e sincero, às vezes feito apenas de olhares, como no momento em que Ted (Dustin Hoffman) conta com a ajuda do pequeno filho Billy (Justin Henry) para fazer o café da manhã. Eles aguardam a chegada da mãe, que deverá levar o menino embora. Após um diálogo revelador, o elevador fecha-se e a obra chega ao fim.

kramer vs kramer

O Jogador, de Robert Altman

No reino de Hollywood, os criminosos saem pela porta da frente. Aqui, o protagonista (Tim Robbins) é um produtor de cinema perseguido por um roteirista vingativo, alguém que precisa se salvar. Na cena final, antes de caminhar para sua mansão, ele confere a barriga da mulher grávida e anuncia assim a chegada do herdeiro. Ele venceu.

o jogador

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