Vinícius de Moraes

Olivia de Havilland, 100 anos

Olivia de Havilland tem bem a sugestão oleosa do seu nome vegetal, é cheia e jovem como uma azeitona polpuda, e triste como uma oliveirazinha. Seus olhos e sua boca vivem num contraponto permanente, os olhos sempre implorando, assustadoramente, sempre esfomeados de carinho, e a boca sempre rindo para disfarçar a tristeza dos olhos.

Vinicius de Moraes, poeta, que também escreveu crônicas sobre cinema e algumas críticas. O texto, do qual o trecho acima é destacado, foi publicado em abril de 1942 no jornal A Manhã e está em O Cinema de Meus Olhos (Organização de Carlos Augusto Calil; Companhia das Letras; pg. 276). Abaixo, a atriz em E o Vento Levou. Ela nasceu em 1 de julho de 1916.

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Olivia de Havilland E o Vento Levou

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Merle Oberon: matéria lunar

A jovem atriz parece fisicamente com a Lua. Eu não me espantaria se a visse, de noite, iluminando com sua pele fosforescente uma superfície do céu, reclinada entre duas nuvens como um crescente, ou mostrando somente o rosto esférico, fugidio, como uma lua cheia. Essa matéria lunar, que Merle Oberon possui, a cor, a substância, a forma capitosa arredondada, como a desprender luz, fazem dela a mulher mais telúrica da tela.

Vinicius de Moraes, poeta, que também escreveu crônicas sobre cinema e algumas críticas de cinema. O texto, do qual o trecho acima é destacado, foi publicado em outubro de 1942 no jornal A Manhã e está em O Cinema de Meus Olhos (Organização de Carlos Augusto Calil; Companhia das Letras; pg. 281). Abaixo, Oberon com Laurence Olivier em O Morro dos Ventos Uivantes, filme mais lembrado da atriz.

o morro dos ventos uivantes

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Filmes que ganharam a Palma de Ouro e o Oscar de filme estrangeiro

Alguns filmes de trajetórias meteóricas conseguiram arrebatar as principais estatuetas do mundo cinematográfico. Apenas cinco chegaram à Palma de Ouro e ao Oscar de filme estrangeiro na história dos prêmios – prova de que talvez não haja pleno diálogo entre eles. Cannes é um festival e o Oscar, uma premiação. Há diferenças óbvias.

No festival, os jurados assistem a todos os filmes enquanto o evento está em curso, o que tende a torná-lo mais justo. Já os critérios de avaliação para o Oscar de filme estrangeiro sempre geram dúvidas. A bancada que elege os cinco finalistas – de um punhado de obras dos mais diferentes países – deve, na prática, assistir a todos, mas nada é muito certo. São poucos os filmes que saem premiados dos dois lados do Atlântico, como se vê na lista abaixo.

Orfeu Negro, de Marcel Camus

A história passada nos morros cariocas, em pleno Carnaval brasileiro, adaptada de Vinícius de Moraes, volta ao mito de Orfeu, ao seu amor trágico por Eurídice. O filme é embalado por batuques, tem belas imagens e reproduz um Brasil inexistente, distante da mesma nação retratada pelo cinema novo local. A obra caiu na graça dos franceses e, difícil de acreditar, derrotou Os Incompreendidos e Hiroshima, Meu Amor em Cannes.

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Um Homem, Uma Mulher, de Claude Lelouch

Além do Oscar de filme estrangeiro, ganhou o prêmio de roteiro original. Em Cannes, empatou com Confusões à Italiana, de Pietro Germi, e derrotou filmes poderosos como O Segundo Rosto e Doutor Jivago. Tem uma inesquecível Anouk Aimée em par com Jean-Louis Trintignant, à beira-mar, no belo preto e branco da fotografia assinada pelo próprio Lelouch. E como esquecer a música de Baden Powell, com letra de Vinicius de Moraes?

um homem uma mulher

O Tambor, de Volker Schlöndorff

O menino de olhos esbugalhados (David Bennent) comunica-se com o mundo a partir de seu tambor: segue ao alto da catedral para tocar o instrumento, enquanto grita e quebra vidraças. Esse protagonista dá de ombros aos adultos e, em plena Alemanha nazista, decide parar de crescer. Filme poderoso, imaginativo. Em Cannes, novo empate: o filme de Schlöndorff dividiu a Palma com Apocalypse Now, obra-prima de Coppola passada no Vietnã.

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Pelle, o Conquistador, de Bille August

O mundo visto pelos olhos do garoto Pelle (Pelle Hvenegaard) não é nada agradável. Boa parte do filme centra-se em sua relação com o pai, personagem de Max von Sydow, perfeito como um homem covarde. É sobre a mudança de ambos da Suécia para a Dinamarca e a dificuldade para se estabelecer no local. O filme rendeu a von Sydow uma indicação ao Oscar de melhor ator. Na categoria de filme estrangeiro, derrotou Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.

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Amor, de Michael Haneke

Nem todo mundo embarca no cinema de Haneke. O cineasta austríaco é considerado frio e gratuito por detratores, sempre levado a chocar o espectador. Amor passa longe de ser seu filme mais forte e mostra a relação abalada de um casal de idosos, quando ela (Emmanuelle Riva) tem uma doença e ele (Jean-Louis Trintignant) vê-se levado a acompanhar seus momentos finais. Em Cannes, derrotou títulos incríveis como Holy Motors, Cosmópolis e Além das Montanhas.

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