vilão

100 grandes vilões do cinema

O que define um vilão? Em termos gerais, a capacidade de fazer o mal e colocar barreiras ao avanço do protagonista ou herói da história. Por outro lado, nem sempre se conta com o protagonista esperado e, por isso, há casos em que reinam os vilões, em que o espectador está sozinho com eles – ou quase. É o caso de obras desafiadoras como Laranja Mecânica ou Taxi Driver, nas quais seus protagonistas são também os vilões e, por consequência, representam o espaço e sintetizam a sociedade ao redor.

A lista abaixo traz vilões conhecidos e outros pouco lembrados. O apanhado tenta fazer justiça a muitos coadjuvantes que roubam a cena. Trata-se de um mergulho no espaço da maldade que o cinema não cansa de reinventar. Nele, não se pode negar a atração, o choque, os efeitos causados por grandes antagonistas. À lista.

100) Michael Myers (Tony Moran) em Halloween – A Noite do Terror

99) Edwin Epps (Michael Fassbender) em 12 Anos de Escravidão

98) Margot Shelby (Jean Gillie) em A Mulher Dillinger

97) Regan/ O Diabo (Linda Blair) em O Exorcista

96) John Fitzgerald (Tom Hardy) em O Regresso

95) General Paul Mireau (George Macready) em Glória Feita de Sangue

94) Iago (Micheál MacLiammóir) em Otelo

93) O Comandante (Idris Elba) em Beasts of No Nation

92) Sargento Barnes (Tom Berenger) em Platoon

91) Senhora Sebastian (Leopoldine Konstantin) em Interlúdio

90) Joe Cooper (Matthew McConaughey) em Killer Joe – Matador de Aluguel

89) Amy Dunne (Rosamund Pike) em Garota Exemplar

88) Jack Wilson (Jack Palance) em Os Brutos Também Amam

87) Assassino mascarado (Cameron Mitchell) em Seis Mulheres para o Assassino

86) Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) em O Abutre

85) John Claggart (Robert Ryan) em Billy Budd

84) Capitão Munsey (Hume Cronyn) em Brutalidade

83) Isabelle de Merteuil (Glenn Close) em Ligações Perigosas

82) Jeanne (Isabelle Huppert) e Sophie (Sandrine Bonnaire) em Mulheres Diabólicas

81) Alonzo Harris (Denzel Washington) em Dia de Treinamento

80) Vince Stone (Lee Marvin) em Os Corruptos

79) Annie Wilkes (Kathy Bates) em Louca Obsessão

78) Bill Cutting (Daniel Day-Lewis) em Gangues de Nova York

77) Verbal Kint (Kevin Spacey) em Os Suspeitos

76) Edoardo Nottola (Rod Steiger) em As Mãos Sobre a Cidade

75) Dobbs (Humphrey Bogart) em O Tesouro de Sierra Madre

74) Antonio Salieri (F. Murray Abraham) em Amadeus

73) Louis Cyphre (Robert De Niro) em Coração Satânico

72) O tenente (Anselmo Duarte) em O Caso dos Irmãos Naves

71) Amon Goeth (Ralph Fiennes) em A Lista de Schindler

70) O senhor Brown (Richard Conte) em Império do Crime

69) Matty Walker (Kathleen Turner) em Corpos Ardentes

68) Tommy DeVito (Joe Pesci) em Os Bons Companheiros

67) Vera (Ann Savage) em Curva do Destino

66) Alex Forrest (Glenn Close) em Atração Fatal

65) Harry Lime (Orson Welles) em O Terceiro Homem

64) Enfermeira Ratched (Louise Fletcher) em Um Estranho no Ninho

63) Asami (Eihi Shiina) em Audição

62) C.A. Rotwang (Rudolf Klein-Rogge) em Metrópolis

61) Drácula (Bela Lugosi) em Drácula

60) Senhora Danvers (Judith Anderson) em Rebecca, a Mulher Inesquecível

59) Johnny Rocco (Edward G. Robinson) em Paixões em Fúria

58) Johnny Friendly (Lee J. Cobb) em Sindicato de Ladrões

57) Ricardo III (Laurence Olivier) em Ricardo III

56) Henry (Michael Rooker) em Henry: Retrato de um Assassino

55) John Doe (Kevin Spacey) em Seven: Os Sete Pecados Capitais

54) Zé Pequeno (Leandro Firmino) em Cidade de Deus

53) Margaret White (Piper Laurie) em Carrie, a Estranha

52) Eve (Anne Baxter) em A Malvada

51) Vidal (Sergi López) em O Labirinto do Fauno

50) Barrett (Dirk Bogarde) em O Criado

49) Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) em Sangue Negro

48) Tony Montana (Al Pacino) em Scarface (1983)

47) Mark Lewis (Karlheinz Böhm) em A Tortura do Medo

46) Duke Mantee (Humphrey Bogart) em A Floresta Petrificada

45) Chuck Tatum (Kirk Douglas) em A Montanha dos Sete Abutres

44) Hans Landa (Christoph Waltz) em Bastardos Inglórios

43) Dr. Caligari (Werner Krauss) em O Gabinete do Dr. Caligari

42) Inspetor (Gian Maria Volonté) em A Investigação Sobre Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita

41) Senhor Potter (Lionel Barrymore) em A Felicidade Não se Compra

40) Raymond Lemorne (Bernard-Pierre Donnadieu) em O Silêncio do Lago

39) Szell (Laurence Olivier) em Maratona da Morte

38) HAL 9000 (voz de Douglas Rain) em 2001: Uma Odisseia no Espaço

37) Paul (Arno Frisch) e Peter (Frank Giering) em Funny Games

36) Príncipe Próspero (Vincent Price) em A Orgia da Morte

35) Travis Bickle (Robert De Niro) em Taxi Driver

34) Rico (Edward G. Robinson) em Alma no Lodo

33) Baby Jane Hudson (Bette Davis) em O que Teria Acontecido com Baby Jane?

32) Noah Cross (John Huston) em Chinatown

31) Tony (Paul Muni) em Scarface – A Vergonha de uma Nação

30) O Coringa (Heath Ledger) em Batman – O Cavaleiro das Trevas

29) Hank Quinlan (Orson Welles) em A Marca da Maldade

28) Anton Chigurh (Javier Bardem) em Onde os Fracos Não Têm Vez

27) J.J. Hunsecker (Burt Lancaster) em A Embriaguez do Sucesso

26) Ryunosuke (Tatsuya Nakadai) em A Espada da Maldição

25) Capitão Bligh (Charles Laughton) em O Grande Motim

24) Zé do Caixão (José Mojica Marins) em À Meia-Noite Levarei Sua Alma

23) Jack Torrance (Jack Nicholson) em O Iluminado

22) Conde Orlok (Max Schreck) em Nosferatu

21) Lady Kaede (Mieko Harada) em Ran

20) Alex DeLarge (Malcolm McDowell) em Laranja Mecânica

19) A Bruxa Má do Oeste (Margaret Hamilton) em O Mágico de Oz

18) Pinkie Brown (Richard Attenborough) em O Pior dos Pecados

17) Tom Powers (James Cagney) em O Inimigo Público

16) Eleanor Shaw Iselin (Angela Lansbury) em Sob o Domínio do Mal

15) Regina Giddens (Bette Davis) em Pérfida

14) Tio Charlie (Joseph Cotten) em A Sombra de uma Dúvida

13) Ellen Berent Harland (Gene Tierney) em Amar Foi Minha Ruína

12) Harold Shand (Bob Hoskins) em Caçada na Noite

11) Darth Vader em Guerra nas Estrelas e O Império Contra-Ataca

10) Cody Jarrett (James Cagney) em Fúria Sanguinária

Cagney é pura maldade. Um demônio que não esquece a mãe e que, ao fim, chega ao “topo do mundo” para gritar por ela.

9) Don Lope de Aguirre (Klaus Kinski) em Aguirre, A Cólera dos Deuses

O homem levado pelo rio, e que leva todos seus companheiros à desgraça. Alguém do qual pouco se sabe e retém todo o mal dessa expedição.

8) Harry Powell (Robert Mitchum) em O Mensageiro do Diabo

Pode ser até mesmo cômico em alguns momentos. Com os dedos marcados, torna a vida de duas crianças um inferno.

7) Mabuse (Rudolf Klein-Rogge) em Dr. Mabuse – O Jogador

Fritz Lang fez de Mabuse a síntese do mal que recairia sobre a Alemanha anos mais tarde – e voltaria a ele em outros filmes fantásticos.

6) Frank Booth (Dennis Hopper) em Veludo Azul

É assustador até mesmo quando ajoelha à mulher que aprisiona e interpreta uma criança em busca do seio da mãe.

5) Norman Bates (Anthony Perkins) em Psicose

Duas personalidades duelam nessa figura atormentada, assexuada, que observa a nova vítima com alguma curiosidade antes de atacá-la.

4) Frank (Henry Fonda) em Era Uma Vez no Oeste

Mais lembrado por heróis e figuras honestas, Fonda está assustador como esse pistoleiro que mata adultos e crianças.

3) Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) em O Silêncio dos Inocentes

Ninguém esquece o momento em que ele conta como matou e, em seguida, comeu o fígado da vítima com favas e “um bom Chianti”.

2) Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck) em Pacto de Sangue

A falsa loura mobiliza um homem aos seus pés para matar o marido e, claro, ficar com o dinheiro do falecido ao fim.

1) Michael Corleone (Al Pacino) em O Poderoso Chefão – Parte 2

Transformado em líder na primeira parte, de rapaz assustado à chefe mafioso vingativo, Michael forma-se vilão na segunda parte. É capaz de matar o próprio irmão quando é traído. Seus movimentos são calculados, sua frieza é extrema. Assusta justamente porque é real e palpável.

Atores presentes em dois filmes: Al Pacino, Bette Davis, Daniel Day-Lewis, Edward G. Robinson, Glenn Close, Humphrey Bogart, James Cagney, Kevin Spacey, Laurence Olivier, Orson Welles, Robert De Niro e Rudolf Klein-Rogge.

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Fragmentado, de M. Night Shyamalan

Três adolescentes são sequestradas por um maníaco e mantidas em um cômodo pouco iluminado, sem janelas, com saída apenas ao banheiro. Apesar de unidas pelo pequeno espaço e pela tensa situação, uma delas, Casey (Anya Taylor-Joy), continuará separada, em seu próprio canto, sem tocar as outras, sem demonstrar intimidade.

A exemplo do criminoso de Fragmentado, ela sente-se diferente. Segundo o próprio diretor M. Night Shyamalan, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o filme é sobre o medo do que parece diferente. É também sobre o encontro entre seres que se sentem excluídos, como Corpo Fechado.

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O vilão tem diferentes faces, 23 personalidades que se revezam e anunciam a chegada da 24ª, a mais perigosa de todas. A intensão por trás dessa gestação aos poucos é explicada: o monstro prestes a nascer daquele mesmo corpo é uma resposta, uma forma dessas 23 vidas ganharem respeito, poder, ou um protetor.

Como em Corpo Fechado, os monstros são gestados nos corpos menos prováveis: antes se falava na oposição entre o homem que sobrevive a tudo (o herói que não deseja tal fardo) e o homem frágil como cristal (o vilão que precisa encontrar seu oposto).

Mas Fragmentado embaralha as peças: se antes Shyamalan servia-se dos opostos, na América de heróis e vilões anterior ao 11 de setembro, agora recorre ao mesmo tempo ao monstro evidente e ao monstro difícil de enxergar, criado aos poucos. As meninas servem a esse projeto: são, em cativeiro, o banquete à espera da fera.

O maníaco de 23 vidas prende as garotas após sequestrá-las, no carro do pai de uma delas, nos primeiros momentos do filme. Casey pega carona com as outras, para ela menos que amigas. Logo descobrem que não lidam com um homem só, mas com diversas máscaras trocadas com constância, como uma mulher e uma criança.

James McAvoy vive esses diferentes com competência. Fora do cativeiro, ele encontra-se com uma psiquiatra (Betty Buckley) que estuda múltiplas personalidades e tenta compreender, em seu caso, como elas relacionam-se entre si.

A necessidade de comunicação com esses diferentes será vital à sobrevivência de Casey, cujo passado também retorna, os dias em que viu o homem (o tio) converter-se em animal, durante uma caçada na floresta. Nas recordações, ela chega a apontar a arma para o mesmo tio, talvez o assassino de seu pai.

É, por isso, sobre lidar com as feras, ou constatar que só é possível sobreviver quando se aceita essa relação entre predadores e presas. O maníaco serve-se da besta para estar no topo da cadeia alimentar. Vê-se maravilhado com as cicatrizes de Casey, sinais de sobrevivência e loucura. “Os problemáticos são os mais evoluídos”, ele declara.

Os cômodos e os corredores são escuros. O encanamento e a fiação elétrica, ao alto, dão a ideia das muitas ligações, detalhes que fazem pensar no maníaco. As meninas tentam escapar e sempre retornam. A esperança de encontrar uma janela dá lugar à frustração: era apenas uma pintura de criança. Os corredores escuros levam Casey a uma jaula, a outro buraco, até descobrir que sempre esteve em um zoológico, espaço em que feras são enclausuradas, onde continuam a rosnar.

(Split, M. Night Shyamalan, 2016)

Nota: ★★★★☆

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Corpo Fechado, de M. Night Shyamalan

Os 20 melhores vilões do cinema nos últimos dez anos

Os melhores vilões do cinema recente não possuem superpoderes. São marcantes graças às composições, às presenças, em bons filmes, com personagens feitas à medida para determinados atores. Em alguns casos, sequer precisam exagerar. A lista abaixo tem personagens de obras lançadas entre 2006 e 2016 e, sem dúvida, difíceis de esquecer.

20) Robert Ford (Casey Affleck) em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford

Alguns vilões causam repúdio pela fraqueza, pela maquinação. É o caso do Robert Ford, o traidor de Jesse James (Brad Pitt), novamente levado às telas nesse belo filme de Andrew Dominik, um faroeste revisionista. Valeu a Casey uma indicação ao Oscar.

o assassinato de jesse james pelo covarde robert redford

19) John du Pont (Steve Carell) em Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

Outro ser repulsivo, que tenta provar virilidade com a luta greco-romana. Personagem real, ele financiou atletas que lutaram nas Olimpíadas, entre eles os irmãos Schultz. Difícil entendê-lo, com seus ataques de ciúme, seu jeito controlador.

foxcatcher

18) Frank Costello (Jack Nicholson) em Os Infiltrados

O espectador entende a apreensão da personagem de Leonardo DiCaprio, em seus primeiros encontros com o vilão: não é fácil se aproximar de alguém como Costello. Carrega a maldade nos menores traços. Mais uma atuação explosiva de Nicholson.

aaos infiltrados

17) Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) em Django Livre

Uma das diversões de Calvin é servir seus cães famintos com escravos fujões. Ou martelar inimigos em pleno jantar. DiCaprio faz o que Tarantino gosta: mata e se diverte ao mesmo tempo, em um faroeste violento com a marca do diretor.

django livre

16) Bernie Rose (Albert Brooks) em Drive

Ao ajudar um criminoso (Oscar Isaac), o protagonista (Ryan Gosling) acaba comprando briga com alguns mafiosos. Mata um a um, até chegar ao líder, Bernie, que em momentos parece se divertir. Outras vezes cômico, Brooks de novo prova talento.

drive

15) Lucille Sharpe (Jessica Chastain) em A Colina Escarlate

Lucille é irmã de Thomas (Tom Hiddleston), casado com a inocente Edith (Mia Wasikowska). Como a mãe ciumenta de Interlúdio, de Hitchcock, ela tem um plano para destruir a garota. Mas não poderia prever o poder da moça em contatar os mortos.

a colina escarlate

14) Silva (Javier Bardem) em 007 – Operação Skyfall

Entre os acertos desse episódio da série, o melhor com Daniel Craig, está a escolha do ator para interpretar o inimigo. Sua caracterização coloca-o em oposição perfeita ao herói: é efeminado, cínico, de cabelo tingido e doentio, ao modo de Bardem.

Skyfall2

13) Semyon (Armin Mueller-Stahl) em Senhores do Crime

Líder da máfia russa em Londres, homem que finge bondade, que muda os trejeitos rapidamente. Em seu caminho está uma parteira (Naomi Watts) que busca informações sobre uma criança, além de um de seus capangas, vivido por Viggo Mortensen.

senhores do crime

12) Franck Neuhart (Guillaume Canet) em Na Próxima, Acerto no Coração

O filme não esconde a identidade do assassino em série: é, ao mesmo tempo, o criminoso e o policial que trabalha no caso. O espectador acompanha os passos desse tipo repulsivo, com detalhes dos crimes e sua dificuldade de se relacionar com os outros.

na próxima acerto o coração1

11) Edwin Epps (Michael Fassbender) em 12 Anos de Escravidão

O senhor dos escravos acorda no meio da noite para violentar uma de suas escravas, sua preferida (Lupita Nyong’o). Mais tarde, quando ela sai em busca de um sabonete, ele mostra sua fúria: prenda-a em um tronco e, por várias vezes, desfere golpes de chibata.

12 anos de escravidão

10) John Fitzgerald (Tom Hardy) em O Regresso

Mata o filho do protagonista, que assiste à ação, impotente, e depois sai à caça do algoz. Com sua fala ponderada, Hardy consegue captar a atenção do espectador com extrema frieza. O ator havia provado talento em filmes como Bronson e Locke.

o regresso

9) O Comandante (Idris Elba) em Beasts of No Nation

O líder de um grupo de jovens paramilitares, em um país africano em guerra civil, mantém os meninos como escravos: ensina-os a matar, a empunhar armas. O filme de Cary Joji Fukunaga é uma das boas surpresas do cinema recente. Elba rouba a cena.

beasts of no nation

8) Killer Joe Cooper (Matthew McConaughey) em Killer Joe – Matador de Aluguel

Os outros também não são confiáveis, tampouco merecem sair ilesos. Mas ninguém em cena supera Joe Cooper, atraído por uma garota jovem quando é contratado pelo irmão dela para matar a mãe de ambos. E nada será como a família planejava.

killer joe

7) Amy Dunne (Rosamund Pike) em Garota Exemplar

O marido interpretado por Ben Affleck confessa, em narração, ainda no início, que gostaria de abrir a cabeça da mulher, Amy, e saber o que há dentro. Não demora muito para se descobrir um pouco de seu interior: ela está disposta a acabar com a vida dele.

garota exemplar

6) Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) em Bastardos Inglórios

Com grande cachimbo, o nazista Landa tenta conseguir informações com um francês, no início do filme, que estaria escondendo judeus. Prática frequente: finge camaradagem antes de revelar suas práticas, ao atirar e estrangular suas vítimas.

bastardos inglórios

5) Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) em O Abutre

O caçador de acidentes, de corpos mutilados, vaga pela noite em busca de imagens. E depois as vende para redes de televisão. É capaz de tudo para conseguir seu material. Chega a adulterar o local dos crimes e a esconder informações da polícia.

o abutre

4) Coringa (Heath Ledger) em Batman: O Cavaleiro das Trevas

Superar Jack Nicholson é uma tarefa árdua. Ledger conseguiu e deu à personagem, até o momento, sua melhor caracterização – e ganhou um Oscar póstumo por ela. Sem passado, com rosto cortado e maquiagem borrada, é a encarnação do mal.

batman

3) Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) em Sangue Negro

O vilão de Day-Lewis suja as mãos com petróleo e sangue, mente, engana o próprio filho e a igreja para conseguir o que deseja. Começa como um explorar solitário para se tornar líder de um império no filme extraordinário de Paul Thomas Anderson.

sangue negro

2) Capitão Vidal (Sergi López) em O Labirinto do Fauno

O padrasto que qualquer garota odiaria ter. Síntese de uma sociedade patriarcal e retrógrada, ele espera da mulher – a mãe da protagonista – apenas um filho, a criança como fruto daquele momento político, na Espanha de Franco.

o labirinto do fauno

1) Anton Chigurh (Javier Bardem) em Onde os Fracos Não Têm Vez

Mesmo com tantas personagens humanas, fragilizadas (como em Mar Adentro), Bardem será lembrado pelo papel de um assassino implacável movido por convicção, nunca por outros interesses. O filme dos irmãos Coen é poderoso, frio, inesquecível.

onde os fracos não tem vez

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Em Nome da Lei, de Sergio Rezende

O cinema sempre reflete seu tempo. No caso de Em Nome da Lei, volta-se à atual onda de credibilidade que a Polícia Federal e a Justiça ganharam no Brasil, sobretudo na figura do juiz Sérgio Moro e sua Operação Lava Jato.

Em vez de políticos, empreiteiros e lobistas, os criminosos são traficantes e homens poderosos da fronteira, sem esquecer os próprios policiais. As faces são as esperadas: o juiz idealista tem algo ingênuo, é amoroso e rejeita o comodismo.

em nome da lei1

Quer mudar o meio em que está, o meio em que os poderosos chefes do crime ainda mandam nas autoridades, ao passo que processos mofam nos arquivos da Justiça.

À base da imagem do juiz heroico, Vitor (Mateus Solano) segue a cartilha do bom moço que se aproxima do público, que toca o coração antes da alma: precisa se mostrar fraco para revelar sua força, o que torna seu desejo de mudança até bonito de ver.

A questão não é desconfiar das instituições ou acreditar em exagero. O que compromete Em Nome da Lei, de Sergio Rezende, é o jogo de mocinho e bandido que o filme prefere, a certa altura, e na contramão do jogo que domina o mundo do poder.

Por isso, o filme engana, soa falso: ainda que pareça representar o Brasil da atualidade, com juízes e promotores que fazem valer a Justiça, não passa de maquiagem, de gente pura e bem intencionada contra o pior dos homens, aquele que às vezes apela à língua estrangeira, que transita entre mansões e bares sujos, vivido por Chico Díaz.

em nome da lei2

O herói de Solano não deixa ver qualquer sinal dessa passagem por mundos diferentes: mesmo quando em um ambiente suspeito, ao qual não pertence, ele deixa evidente que não pertence a esse meio. Sua falsidade torna-o um homem de gabinete.

Ao seu lado está uma bela e honesta procuradora (Paolla Oliveira), além de policiais que se dividem entre honestos e corruptos. O melhor do filme é Díaz, como o chefão Gomez, à vontade para ser um vilão de filme de gênero, sem exageros.

Nesse sentido, Em Nome da Lei – no herói ou no vilão – deixa ver o que representam essas figuras ainda cedo, apenas em suas imagens. Não há qualquer contradição: todos já estão talhados, nos menores gestos, na forma como retribuem um ato ou agradecem.

Nesse Brasil que parece verdadeiro, abundam, ao centro, figuras quase sempre de mentira, que habitam o imaginário popular. Por muito tempo, o vilão tinha mais motivos para conviver nele, com palavras de ordem, jeito implacável.

Em tempo de juízes heroicos, capazes de tudo para fazer valer a “lei”, volta o garoto de terno e gravata, de olhar febril, amante do trabalho, da lei ainda mais, e, se necessário, disposto a abusar um pouco. É fácil reconhecer o culpado nesse universo fictício.

Nota: ★★☆☆☆

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Mundo Cão, de Marcos Jorge

O novo Bond

O homem rochoso de Daniel Craig, que bate antes e fala depois, tem mais complexidade do que se poderia pensar. Talvez o ator não dê conta da profundidade, com os contornos de sua própria história em meio às agitadas sequências de ação.

A partir de Cassino Royale, de 2006, com a entrada de Craig, James Bond deixou ver um pouco mais seu interior: o roteiro de Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade, a partir da obra de Ian Fleming, investe em seus sentimentos, em seu passado, e deixa pistas que, mais tarde, seriam exploradas novamente.

quantum of solace

Pode parecer pouco – muito pouco – perto das doses de aventura, ou dos diálogos com inúmeras informações enlatadas, rápidas. Basta piscar para perdê-las.

Nos filmes que retomam a franquia, a partir de 2006, a ação eclipsa o charme do velho Bond, uma de suas marcas registradas. E Craig, por isso, não deixa de ser a escolha certa. Seu passado apenas se anuncia, sem ganhar maior destaque.

Em Cassino Royale, Vesper (Eva Green) chega perto de definir Bond, no primeiro encontro de ambos. Ele também tenta defini-la. Bond, como são os agentes secretos, não tem pátria, vive como andarilho pelo mundo – e, por isso, é órfão.

E talvez seja assim, também, em sua vida privada, desconhecida ao espectador. Na verdade, sequer tem vida privada: seu lado privado também inclui trabalho, pois o agente sempre encontra tempo para ir para a cama com algumas das mulheres que vigia. Vida priva e pública, prazer e trabalho – tudo se confunde.

cassino royale

Entre um país e outro, ele encontra tempo para entrar na casa de sua “mãe”, sua mestra, M (Judi Dench), para acessar o computador dela e encontrar ali alguns dados importantes. É, como se vê, o filho rebelde, despregado, que não deseja agradar.

A única coisa que sabe é fazer seu trabalho, e não se sabe ao certo por que nunca se corrompe – como outros. Bond, rochoso, nada deixa ver além de pequenas partes. Pode amar alguém, como amará Vesper, mas tem problemas em demonstrar isso.

Em Quantum of Solace, ele sempre hesita em declarar para M sua necessidade de acertar as contas com o passado. Para a “mãe”, pode significar a existência de uma concorrente. E, em Cassino Royale, o que faz Bond quando começa a amar de verdade? Deixa o trabalho e sua pátria – talvez a verdadeira mãe, a Inglaterra.

Alguns vilões oferecem um delicioso contraponto ao Bond de Craig – e nenhum deles supera o Silva de Javier Bardem, em Operação Skyfall. A começar pelo jeito efeminado e falador – outro filho rebelde, que volta para matar a “mãe”, e não sem causar confusão à velha pátria.

skyfall

Quantum of Solace começa no exato ponto em que termina Cassino Royle. Há algumas pontas soltas na trama. Os diretores e roteiristas têm pressa. O vilão de Mathieu Amalric é o falso moralista em busca do lucro; depois, com Silva, o vilão assume o lado doentio, mais inclinado a causar o mal do que lucrar. A luta com Bond ganha outro contorno.

Entre socos e explosões, o passado do herói força sua própria entrada: em Operação Skyfall, ele termina no início, ponto em que começa sua história, local em que cresceu, com armas antigas, com velhas maneiras de vencer o inimigo, armado até os dentes com o que há de mais moderno no mundo dos terroristas.

A ação não pode ser culpada pela aparente falta de relevo de Bond. Faz parte do jeito de James, ou de Bond, que não deseja se revelar. Talvez seja ele o mistério da série.

Veja também:
007: Operação Skyfall, de Sam Mendes