Trinta Anos Esta Noite

Bastidores: Trinta Anos Esta Noite

Aspecto nem sempre levado em conta e altamente contrário à índole dos vagueurs, Pierre Drieu La Rochelle [autor do livro] foi exemplo de anti-semita, colaborador do regime de Vichy. Estaria nele o maior atalho ao obscurantismo, para a análise binária do texto. Felizmente, ungido por Zeus e pela inteligência do humano, Malle soube encontrar no livro o conflito que Albert Camus decifrara a todos os adolescentes do pós-guerra (muitos deles, futuros redatores dos Cahiers du Cinéma): “Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois”.

Andrea Ormond, crítica de cinema, no livro Os Filmes que Sonhamos (Lume Filmes; pgs. 238 e 240). Abaixo, Malle nas filmagens de Trinta Anos Esta Noite, que acompanha os últimos momentos da vida de um suicida.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Fellini segundo Malle

15 grandes rostos da nouvelle vague francesa

Além de cineastas e outros profissionais da sétima arte, a nouvelle vague trouxe uma galeria de grandes faces. Esses atores e atrizes também fizeram carreira em filmes fora do movimento, antes e depois dele. Alguns morreram prematuramente, outros continuam na ativa.

Estudiosos divergem sobre o início e o fim da nouvelle vague. Segundo a versão mais aceita, começaria em 1958 ou 1959, com Nas Garras do Vício ou Os Incompreendidos, e seguiria até os embates de Maio de 1968. Abaixo, ícones dividem espaço com atores menos lembrados, em lista para resgatar um momento único da História do Cinema.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Anna Karina

A bela de Godard, mas também de Rivette e outros. Em Viver a Vida, fez história com lágrimas que remetem a Dreyer e sua Joana D’Arc. Também trabalhou sob a direção do mestre Valerio Zurlini no belo Mulheres no Front, de 1965.

viver a vida

Bernadette Lafont

Seu primeiro filme, o curta Os Pivetes, foi dirigido por François Truffaut, com quem voltaria a trabalhar em Uma Jovem Tão Bela como Eu. No primeiro, é a beleza distante, aos olhos dos meninos atrevidos. Mais tarde esteve no extraordinário A Mãe e a Puta.

os pivetes

Brigitte Bardot

Antes de Godard e O Desprezo, Bardot marcou época como a menina livre de E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim. Estavam escancaradas ali as portas do paraíso: Saint-Tropez, onde a mesma se banharia em ambas as obras, e onde seria seguida por diferentes homens.

o desprezo

Claude Jade

A primeira aparição da jovem atriz em Beijos Proibidos, de Truffaut, é talvez o ponto alto do filme. Ela aproxima-se do vidro e, do lado de fora, acena para Antoine Doinel. É o par perfeito para o jovem em dúvida, com quem voltaria a se encontrar nos filmes seguintes.

beijos proibidos

Corinne Marchand

Bastou apenas uma personagem para que Corinne ficasse marcada como uma das musas da nouvelle vague: a protagonista de Cléo das 5 às 7, de Agnès Varda, sobre os momentos de tensão que antecedem a retirada de um importante exame médico.

cleo das 5 as 7

Delphine Seyrig

O rosto misterioso de O Ano Passado em Marienbad. Mais: o rosto difícil de esquecer, o da mulher que vive com o enteado e recebe a visita de um velho amor em Muriel, outro de Alain Resnais. E como deixar de lado, entre outros, o incrível Jeanne Dielman?

o ano passado em marienbad

Françoise Dorléac

Outra atriz bela de poucos papéis, lembrada, sobretudo, por sua personagem em Um Só Pecado, de Truffaut, e que morreu cedo, em um acidente de carro, em Nice, em 1967. Pode ser vista também em Armadilha do Destino e Duas Garotas Românticas.

um só pecado

Jean Seberg

Apesar de ter trabalhado em grandes produções, a americana Seberg seria lembrada por sua personagem em Acossado, Patricia Franchini, que pelas ruas de Paris vende o New York Herald Tribune. A atriz contracenou antes com David Niven em Bom Dia, Tristeza.

acossado2

Jean-Louis Trintignant

Trabalhou ao lado de diversos cineastas, entre eles Vadim (E Deus Criou a Mulher), Claude Lelouch (Um Homem, Uma Mulher) e Eric Rohmer (Minha Noite com Ela). Fora do tempo da nouvelle vague, ainda contribuiria com outros mestres, como Kieslowski.

minha noite com ela

Jean-Pierre Léaud

Eternizado como Antoine Doinel nos cinco filmes que Truffaut dedicou à personagem. E não só: também esteve em filmes de Godard, como no divertido Masculino-Feminino e, pouco depois, no maoísta A Chinesa, de 1967. Esteve no recente e encantador O Porto.

os incompreendidos

Jean-Paul Belmondo

Podia ser um pequeno criminoso em Acossado e, no ano seguinte, 1961, o padre de Léon Morin, de Jean-Pierre Melville. Ator versátil, de expressão inesquecível, e de filmes nem sempre lembrados como Duas Almas em Suplício, de Peter Brook.

acossado1

Jean-Claude Brialy

Viveu o protagonista de Nas Garras do Vício, um dos filmes que lançaram a nouvelle vague. Voltaria em outro de Chabrol, logo depois, Os Primos, e em diversas produções marcantes como Uma Mulher é Uma Mulher e, mais tarde, O Joelho de Claire.

jean-claude brially

Jeanne Moreau

Provavelmente o rosto feminino mais importante da época, a Catherine de Jules e Jim, papel que a imortalizaria. Viveu outras personagens intensas em grandes filmes como Eva, A Baía dos Anjos, A Noite e, pouco antes, em Amantes e Ascensor para o Cadafalso.

Jeanne Moreau

Maurice Ronet

Esteve no mesmo Ascensor para o Cadafalso ao lado de Moreau e, de novo com o diretor Louis Malle, interpretou a personagem principal em Trinta Anos Esta Noite. Com Alain Delon, dividiu a cena em outros bons filmes: O Sol por Testemunha e A Piscina.

Trinta Anos Esta Noite

Stéphane Audran

O olhar enigmático é sua marca registrada. Pode ser visto nos filmes de Claude Chabrol, com quem foi casada até 1980. E com ele fez grandes filmes, incluindo um pequeno papel em Os Primos, Entre Amigas e, mais tarde, A Mulher Infiel e O Açougueiro.

o açougueiro

Veja também:
Os dez melhores filmes de Jean-Luc Godard

Dez filmes com personagens autodestrutivas

São difíceis de acompanhar. As personagens e os filmes. Cada um deles oferece viagens estranhas, com sexo, violência, drogas e morte. Há casos de leveza entre tanto mal: o amor que não pode se consumir, ou o amor que se consome apesar do clima pesado.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Conhecidos e premiados, os filmes da lista abaixo carregam amargor, desesperança, e tiram um pouco da fé na humanidade. São, ainda assim, belos, questionadores, de tempos e cineastas diferentes, donos de linhas próprias. Em todos há personagens autodestrutivas que desistiram de viver ou viveram para testar limites.

Trinta Anos Esta Noite, de Louis Malle

O protagonista vaga pelas ruas, entre mulheres, amigos diferentes, vendo a vida ao mesmo tempo em que se despede dela. Deve fazer uma opção corajosa no grande drama de Malle.

trinta anos esta noite

Morte em Veneza, de Luchino Visconti

O encontro com a morte, para Gustav von Aschenbach, é também o olhar à beleza: contemplar o que ele perdeu, o que talvez tenha buscado. Visconti realiza um filme profundo e doloroso.

morte em veneza

A Terça Parte da Noite, de Andrzej Zulawski

O protagonista envolve-se com duas mulheres que talvez sejam a mesma. Por amor e para sobreviver, aceita ser cobaia de pesquisadores que fazem a vacina do tifo e se deteriora.

a terça parte da noite

Os Viciados, de Jerry Schatzberg

O casal ao centro ama-se, mas se deixa levar pelo vício em drogas: quando menos percebe, destrói a si mesmo, e nunca desiste da união. Forte, real e comovente.

os viciados

O Assalariado, de Alan Bridges

Dois excluídos – um trabalhador de classe baixa, uma jovem rica – encontram sintonia. No entanto, as diferenças sociais não demoram a se revelar e a destruir.

o assalariado

Scarface, de Brian De Palma

Ninguém esquece o jeito e as frases de Tony Montana, com seu charuto e o nariz mergulhado na cocaína. Sabe que vai morrer e ainda assim continua, vai até o fim.

scarface1

O Sétimo Continente, de Michael Haneke

Um grande filme sobre a degradação da família. Nem sempre fica clara a opção pelo fim e Haneke, desde sempre cruel, mostra os detalhes da destruição.

o sétimo continente

Despedida em Las Vegas, de Mike Figgis

Na cidade feliz, Las Vegas, as luzes dão a falsa ideia de que as personagens estão bem. Decidido a beber até morrer, um homem relaciona-se com uma prostituta e encontra o último amor.

despedida6

Clube da Luta, de David Fincher

O consumismo, as facilidades e a busca pela emoção são atacados por Fincher nesse filme polêmico. O mergulho ao submundo leva o homem comum a uma célula terrorista.

clube da luta

Cisne Negro, de Darren Aronofsky

A jovem garota sonha em ser a melhor bailarina, em agradar a mãe obsessiva. Para ganhar o papel, precisa encontrar seu “cisne negro”, libertar-se, desvirginar-se.

cisne negro

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Dez filmes que resumem os anos 60

Nessa década fantástica à sétima arte, alguns nomes vêm rapidamente à cabeça. Filmes incríveis que ajudam a entender esse tempo e que sobreviveram intactos. À lista.

A Doce Vida, de Federico Fellini

a doce vida

Tudo Começou no Sábado, de Karel Reisz

tudo começou no sábado

Juventude Desenfreada, de Nagisa Oshima

juventude desenfreada

Paris nos Pertence, de Jacques Rivette

paris nos pertence

O Indomado, de Martin Ritt

o indomado

Trinta Anos Esta Noite, de Louis Malle

trinta anos esta noite

As Margaridas, de Vera Chytilová

as margaridas

Blow-Up, de Michelangelo Antonioni

blow-up

Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas, de Arthur Penn

bonnie & clyde

Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade

macunaíma