Três Mulheres

As imagens invertidas de Robert Altman

O apartamento trancado e a casa distante, no campo, dão a impressão de segurança. As mulheres que ocupam esses espaços são reprimidas, reclusas, escondem alguma beleza. Estão aprisionadas aos próprios fantasmas em Uma Mulher Diferente e Imagens, ambos de Robert Altman, ambos sobre labirintos, à maneira de Ingmar Bergman.

Com o passar dos anos, não seria por esse tipo de cinema – o das personagens que deixam ver seus interiores, seus problemas, suas imagens invertidas – que Altman seria lembrado. Para muitos, filmes como esses e como Três Mulheres, feito mais tarde, seriam considerados peças estranhas à filmografia do grande diretor.

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A começar por Uma Mulher Diferente, pouco antes de Altman chegar à fama com M.A.S.H, que lhe valeria a Palma de Ouro. O universo da mulher sozinha que, pouco a pouco, deixa ver seu passado, suas manias, a loucura que a leva a aprisionar um rapaz, depois ao assassinato.

Ela é Frances Austen (Sandy Dennis), moça mais velha do que parece, cujo estado, no início, denuncia o interior, um pouco de seu destino não fosse sua vontade de mudar. O gesto menor leva à transformação: ela olha pela janela – na imagem cortada, impedida, sob a chuva que não deixa ver tudo da fotografia de László Kovács – e encontra um rapaz sozinho.

O menino está em um banco, “naquele dia frio no parque”. Enquanto recebe pessoas mais velhas, amizades que provavelmente herdou da mãe falecida que por muito tempo lhe aprisionou, a mulher resolve fazer um movimento arriscado. Após os convidados irem embora, ela convida o rapaz sem nome para entrar em seu apartamento.

Se ela parece mais velha do que é, ele parece mais novo. Interpretado por Michael Burns, de cachos louros, é um anjo caído, feito ao mundo real, mas pouco a pouco moldado ao mundo da protagonista: será o candidato primeiro a amante, depois a filho protegido. A moça aprisionada revela então seu outro lado, sua verdadeira imagem, invertida, que ganha espaço.

Ele não fala nada, ela fala demais. Jogo semelhante ao de Persona, de Bergman, filme que Altman admirava e que não escondia ter levado para suas obras – como para Imagens. O que poderia ser uma descoberta – sexual para ela, de outro lado da sociedade para ele – converte-se quase em um terror no qual a suposta presa fica aprisionada.

Igualmente um filme sobre universos que se chocam, sobre um ser livre que desfruta da bela moradia da mulher fechada, e que foge pela janela sempre quando julga necessário – até o dia em que ela resolve colocar pregos na janela. O menino retorna outras vezes. A maneira como é tratado atrai e confunde: aos outros, diz ver na mulher algo diferente.

Para ela, será a oportunidade de deixar a “mãe” tomar o poder. A mulher levará ao rapaz a clausura à qual ela talvez tenha sido levada. Perdeu a mãe, ficou sozinha, e talvez sofra por desejar sexualmente o próprio “filho”. Para resolver a questão, terá de colocar outra mulher nesse apartamento e assim mostrar sua força e domínio.

Há problemas com a maternidade. Com a mãe que perdeu, com o filho que não teve, ou que não quis ter. O filme de Altman reproduz o aspecto moderno e frio dos consultórios médicos em que mulheres buscam “milagres” da vida moderna, em que decidem ter filhos ou não, em que conversam com amigas sobre suas descobertas sexuais.

Problema semelhante será visto em Imagens, na personagem central, Cathryn, interpretada por Susannah York. Ela diz que desejava ter o filho que perdeu. Desejava a criança ou teria abortado? Os sentimentos são confusos. Em cena, a imagem invertida da mulher começa aflorar: retornam o amante morto e histórias do passado. A mulher será despida. O filme migra silenciosamente ao terror enquanto narra uma história infantil sobre unicórnios.

A próprio York é a autora desse livro sobre unicórnios e um mundo mágico levado ao roteiro de Altman. O universo adulto é assim afetado pelas palavras de uma mente infantil, como bloqueio ao terror que pouco a pouco invade o todo. Universos contrastantes e que, em certa medida, não se tocam. É uma entre outras inversões propostas aqui.

No início de Imagens, Cathryn recebe estranhos telefonemas. Do outro lado da linha, uma voz feminina diz que seu marido está com outra mulher. As ligações repetem-se. Pouco depois, ela e o marido (Rene Auberjonois) viajam para uma casa afastada. O local está encravado entre montanhas e campos da Irlanda, local sob folhas secas, entre tonalidades de marrom e vinho da fotografia de Vilmos Zsigmond.

O marido leva uma câmera fotográfica. Pelo objeto, através da lente, o elemento enquadrado é invertido. A imagem põe-se ao contrário e sintetiza o olhar da protagonista – as imagens que ela recebe, o que ela vê, ao mesmo tempo o que rende o espectador o tempo inteiro: não se escapa a esse olhar e às suas inversões, às imagens que talvez não sejam o que parecem ser.

“Altman inverte tudo no filme, o que justifica a confusão mental da escritora, num movimento pendular esquizóide entre realidade e projeção”, escreve o crítico Antonio Gonçalves Filho. Ele observa que os nomes dos atores foram “deliberadamente trocados para confundir o elenco” e que “a fronteira entre identidades é eliminada num filme não linear, experimental, em que som e imagem buscam equivalência pelo contraste”. Ainda: “a persona da escritora serve para proteger seu ego e manter o que resta de seu delicado equilíbrio. Como autora, cria um mundo de pequeninos seres que vivem pacificamente, como nos contos de fada, que em tudo contrastam com seu mundo real, de vidas igualmente minúsculas”.

Há, como em Persona, de Bergman, o jogo de espelhos, a troca, identidades que se confundem, seres que parecem se fundir. A mulher encontra homens diferentes: o marido aparentemente pacato, o antigo amante que morreu em um acidente de avião, o amigo americano que tenta agarrá-la sempre quando estão sozinhos.

A certa altura, em montagem extraordinária, Cathryn faz sexo com todos, talvez com nenhum. Seu isolamento é latente, seu olhar – suas imagens – confunde. Levam invariavelmente a seu interior, ao íntimo que se vê cercado de objetos e sinais particulares: o sino de vento, a faca, o cão e, claro, a máquina fotográfica.

Quando ela atira contra o amante morto para tentar provar a si mesma que ele não existe, é a máquina fotográfica que atinge. O alvo é a caixa reprodutora de imagens, o que aponta ao próprio cinema: seus delírios, suas imagens, confundem-se com as projeções daquele pequeno dispositivo que ora ou outra aparece, que persegue o público.

Em interessante ensaio sobre o filme, o cineasta e videoartista Arthur Omar argumenta que o sistema sobre o qual o filme repousa “é o casamento burguês” e que “a resistência a ele é a loucura”. Assim, a mulher ao centro debate-se entre o casamento (a ordem socialmente aceita) e os amantes (“adultério como atitude de confronto social, como crítica, como resistência”, ainda nas palavras de Omar). As imagens resultam desse confronto.

A filha do amante chama-se justamente Susannah e é interpretada por Cathryn Harrison. Elenco e personagens confundem-se, refletem-se, no jogo de imagens que se sobrepõem, à medida que a protagonista vê a própria infância – o oposto aplica-se também – na garota que a ajuda a montar o quebra-cabeça – pelo centro, não pelas bordas.

Altman, tão conhecido por suas narrativas de vidas paralelas e críticas em tom cômico à América, teve seus momentos bergmanianos, suas incursões no interior de mulheres que não se explicam, seus convites para olhar às imagens de um fascinante labirinto.

(That Cold Day in the Park, Robert Altman, 1969)
(Images, Robert Altman, 1972)

Notas:
Uma Mulher Diferente:
★★★☆☆
Imagens: ★★★★☆

Foto 1: Uma Mulher Diferente
Fotos 2 e 3: Imagens

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O reino de máscaras e cópias encontra no cinema um espaço privilegiado. São muitos os filmes que fazem essa abordagem, com personagens divididas, a confrontar o outro, estranho e não raro inerente. A lista abaixo traz filmes de diferentes épocas, alguns baseados em autores famosos, levando o espectador a labirintos e sem respostas fáceis.

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O Grande Gabbo, de James Cruze e Erich von Stroheim

O diretor Stroheim interpreta a personagem-título, ventriloquista que entra em confronto com seu próprio boneco, Otto, sua outra face, seu contato com o mundo feito de festas e amores, de sequências musicais nos palcos da Broadway. Dois lados de um mesmo homem, cujo embate poderá levá-lo à miséria, também à loucura.

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O Médico e o Monstro, de Rouben Mamoulian

A clássica história baseada no livro de Robert Louis Stevenson. Fredric March ganhou seu primeiro Oscar como Henry Jekyll e o oposto, o senhor Hyde, o homem e o monstro, sob os cenários e a câmera subjetiva utilizada na abertura – e segunda a qual todos os espectadores também se tornam parte daquele homem, ou daquela criatura.

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O Homem que Nunca Pecou, de John Ford

Filme menos lembrado do mestre Ford, com Edward G. Robinson em papel duplo: o funcionário padrão que nunca chega atrasado ao trabalho, também o bandido mais temido na cidade. Claro que as duas figuras a certa altura se encontrarão, e claro que a provável troca de papéis gerará situações curiosas. Vale a descoberta.

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Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock

Após não conseguir salvar a mulher amada, o detetive de James Stewart vê a possibilidade de transformar “outra” mulher na anterior. Aos poucos, ele descobre que se trata da mesma. Obra-prima de Hitchcock com Kim Novak na pele da loura misteriosa Madeleine Elster e, depois, na da morena Judy Barton.

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Quando Duas Mulheres Pecam, de Ingmar Bergman

O próprio Bergman considerava Quando Duas Mulheres Pecam – ou Persona, como é também conhecido – um de seus filmes mais completos. É o encontro de duas mulheres, depois isoladas em uma ilha, a atriz Elisabet Vogler (Liv Ullmann), que emudeceu, e a enfermeira falante Alma (Bibi Andersson), em um poderoso jogo de máscaras.

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O Segundo Rosto, de John Frankenheimer

Homem poderoso contrata uma organização para simular sua própria morte. Ele deseja mudar de vida e se tornar mais jovem. Na nova roupagem, com seu segundo rosto, ganha a forma do galã Rock Hudson. No entanto, a mudança trará consequências. O grande thriller de Frankenheimer banha-se no clima da Guerra Fria.

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Peppermint Frappé, de Carlos Saura

O título refere-se à bebida servida nos encontros das personagens. Saura aproxima-se de Buñuel, do surrealismo, com seus tambores de Calanda, e explora uma história às raias do absurdo. É sobre um homem impotente que tenta transformar uma mulher em outra, a morena em loura atraente, a exemplo do já citado Um Corpo que Cai.

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Partner, de Bernardo Bertolucci

Baseado em O Duplo, de Dostoievski, é o filme do cineasta italiano que mais se aproxima do clima político de 68, com seus jovens contestadores e a estrutura que flerta com Jean-Luc Godard. O estudante ao centro, interpretado por Pierre Clémenti, tem suas convicções abaladas quando passa a ser confrontado por seu duplo.

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Performance, de Donald Cammell e Nicolas Roeg

Antes dos extraordinários A Longa Caminhada e Inverno de Sangue em Veneza, Roeg dividiu com Cammell a direção desse filme conectado com seu tempo, sobre um gângster (James Fox) que, em fuga, pinta o cabelo e termina na grande casa de Turner (Mick Jagger). Com doses de psicodelia, eles começam a se fundir.

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Irmãs Diabólicas, de Brian De Palma

A história de uma mulher que perdeu sua irmã siamesa após a separação dos corpos. Fica a cicatriz, a marca do rompimento em um filme curioso do arquiteto De Palma, sempre se banhando no universo de Alfred Hitchcock. Há o voyeurismo nas sequências da janela, quando a jornalista observa um assassinato, e também a dupla personalidade.

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Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni

A personagem de Jack Nicholson, repórter desiludido, vê a oportunidade de mudar de vida: ela assume a identidade do homem no quarto ao lado, em um hotel, em um ponto remoto do globo. Antonioni volta ao campo da identidade nesse belo filme. O encerramento é inesquecível: a câmera percorre o quarto e atravessa as grades da janela.

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Três Mulheres, de Robert Altman

O filme de Altman deve algo a Quando Duas Mulheres Pecam, de Bergman, e insere ainda uma terceira figura feminina. Aborda a relação de duas mulheres (Shelley Duvall e Sissy Spacek) quando passam a trabalhar juntas em uma casa de repouso e quando uma tenta se tornar a outra. Altman, em grande momento, propõe um enigma.

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Gêmeos – Mórbida Semelhança, de David Cronenberg

Os gêmeos de Cronenberg compartilham a mesma profissão e a mesma ciência: a ginecologia. Mas ambos expõem suas diferenças, o que aumenta o clima destrutivo, ajudado pela mulher entre eles, a misteriosa Geneviève Bujold. Um dos grandes trabalhos do diretor de Videodrome: A Síndrome do Vídeo e Marcas da Violência.

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A Dupla Vida de Véronique, de Krzysztof Kieslowski

A ideia é curiosa: todas as pessoas teriam um duplo em algum lugar do mundo. A protagonista e sua cópia são vividas por Irène Jacob. Ainda no início, uma consegue ver a outra, em um ônibus, enquanto a segunda fotografa seu duplo sem saber. O resultado é mais um trabalho exemplar de Kieslowski, aqui em sua primeira incursão pela França.

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Clube da Luta, de David Fincher

Incluir o filme de Fincher nesta lista é correr o risco de revelar muito. Seu protagonista é alguém sem caminho (Edward Norton), que descobre na violência um novo sentido para a vida. E descobre que essa busca pode, a certa altura, ganhar proporções inimagináveis – enquanto segue atormentado pela figura de Brad Pitt.

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Cidade dos Sonhos, de David Lynch

Duas mulheres, uma loura e uma morena, faces da mesma moeda, na Hollywood delirante de Lynch. Ao que parece, começa como sonho, com a chegada de uma jovem atriz (Naomi Watts) a Los Angeles e os problemas de outra (Laura Harring), que sofreu um acidente e perdeu a memória. Para muitos, o ponto alto da carreira do diretor.

cidade dos sonhos

Adaptação, de Spike Jonze

Outro sobre o mundo do cinema. Aborda as relações de um roteirista (interpretado por Nicolas Cage, e que pode ser o próprio Charlie Kaufman) com seu duplo, seu gêmeo que sempre aparece para soltar palpites sobre sua vida. Detalhe: o roteiro desse filme inventivo é assinado por Charlie Kaufman e um inexistente Donald Kaufman.

adaptação

O Rabo do Tigre, de John Boorman

O protagonista, um empresário, descobre que seu duplo vive pelas ruas e representa o outro lado do sistema capitalista em questão: é seu gêmeo que foi deixado para trás, que, diferente dele, não teve as mesmas oportunidades. A aparência kafkiana dá espaço à abordagem social. O duplo retorna para atormentar o protagonista endinheirado.

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O Homem Duplicado, de Denis Villeneuve

Muitos cinéfilos consideram o filme incompreensivo, com passagens absurdas, como o encerramento com a aranha gigante no interior do quarto. Os tons pastéis salientam um clima de sonho, a cercar o público de dúvidas. E o protagonista, vivido por Jake Gyllenhaal, almeja ser como seu duplo, um ator de vida movimentada.

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Viva a Liberdade, de Roberto Andò

Político atingido por pressões de todos os lados decide desaparecer. Seu partido, na Itália, decide colocar seu irmão gêmeo no seu posto. O que poderia ser um desastre torna-se uma vitória: o outro fala o que vem à mente e logo se torna um sucesso com o eleitorado. E, como costume, há uma (dupla) interpretação acertada de Toni Servillo.

viva a liberdade

O Duplo, de Richard Ayoade

Jesse Eisenberg serve bem à personagem, rapaz impotente que tenta se aproximar de uma bela moça (Mia Wasikowska), no trabalho, e que passa a ser atormentado por seu duplo. A cópia representa tudo o que ele não é, e talvez tudo o que sonhasse ser. Mais uma adaptação direta de O Duplo, de Dostoievski, e em um universo surreal.

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Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro González Iñárritu

Ator tenta provar que pode dar a volta por cima, com uma peça séria na Broadway, enquanto é atormentado pelo passado: a personagem que ele viveu no cinema, o herói Birdman, retorna para cobrá-lo, para salientar sua fraqueza nesse labirinto de atores, parentes, nesse meio em que todos tentam se entender e no qual tudo parece efêmero.

birdman

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Bastidores: Três Mulheres

O homem enquanto macho vira um arcaico exemplar de museu, porque sua busca de autodestruição (a bomba atômica) é também a renúncia de sua virilidade, da luta pela sobrevivência, que é finalmente assumida pela mulher. Não há lógica nessa luta e Altman não vê razão intelectual para ela. A sobrevivência é instintiva e é isso que fascina o cineasta e suas três mulheres. Há lógica em ficar nove meses com um ser na barriga e correr o risco de vida para que ele veja a luz do mundo? Uma resposta é pouco para essas mulheres que desafiam a “ordem natural” para criar um mundo novo que pode não ser admirável, mas é único.

Antônio Gonçalves Filho, crítico e jornalista (Folha de S. Paulo, novembro de 1990). A crítica foi reproduzida no livro A Palavra Náufraga (Cosac & Naify).

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Os dez melhores filmes de Robert Altman

Os dez melhores filmes de Robert Altman

A obra de Altman dispensa apresentações. Trata-se, talvez, do melhor cineasta da renovação de Hollywood, quando alguns cineastas tiveram liberdade criativa suficiente para burlar as regras do sistema. Alguns consideram a Nova Hollywood – no fim dos anos 60 e começo dos 70 – como o último momento de grandeza do cinema americano.

Também considerado um indomado, Altman não fazia concessões, era para alguns um brigão, autor dentro do sistema de estúdios. Abaixo, seguem dez obras que apresentam o melhor do mestre – do filme recheado de personagens (uma marca do cineasta) à ficção científica.

10) Quinteto (1979)

Obra enigmática, futurista, branca mas obscura, sobre um jogo que envolve tabuleiros e a vida de seus jogadores. Olhar sem esperanças de Altman à humanidade.

quinteto

9) Renegados até a Última Rajada (1974)

A história já havia sido contada por Nicholas Ray em Amarga Esperança. O encerramento mostra a melhor imagem já feita sobre a Depressão Americana.

renegados até a última rajada

8) Assassinato em Gosford Park (2001)

Faz pensar em A Regra do Jogo, de Renoir, e envolve a morte de um homem – saída para Altman mostrar suspeitos entre gente rica e seus criados: os extremos.

gosford park

7) O Perigoso Adeus (1973)

Altman, no início, não queria se aventurar pelos meandros de Chandler. Mas a possibilidade de trabalhar com Elliott Gould mudou tudo.

o perigoso adeus

6) Três Mulheres (1977)

Irmão de Persona, de Bergman, o filme aborda a troca de personalidades e é um mergulho no universo feminino. Misteriosa, à beira do deserto.

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5) O Jogador (1992)

O cinema, sujo e perigoso, pelo ponto de vista do diretor. Para Altman, a possibilidade de contar a história de uma indústria que conheceu bem.

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4) M.A.S.H (1970)

A comédia ácida coloca Altman definitivamente no mapa do cinema, quando a Nova Hollywood estava com tudo. E em plena Guerra do Vietnã.

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3) Short Cuts – Cenas da Vida (1993)

Outro mosaico fantástico que começa com helicópteros combatendo uma praga de insetos e termina com um terremoto. E outra obra-prima.

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2) Nashville (1975)

Diversas personagens trazem, de novo, a beleza do mosaico de Altman: uma das marcas registradas do mestre e contador de histórias. Música e política encontram-se.

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1) Quando os Homens são Homens (1971)

Considerada um anti-western, a obra traz Warren Beatty como um jogador perdido no meio do nada, com um prostíbulo para tocar. Obra-prima.

quando os homens são homens

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