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Oito grandes filmes sobre os bastidores da política

De um lado a política dos palanques, da propaganda escancarada; de outro, os truques e conchavos de bastidores, ambiente em que homens e mulheres revelam-se ao público. Os oito filmes abaixo se embrenham nesses bastidores para fazer vazar a podridão da política partidária, feita de interesses e da busca desenfreada pelo poder.

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A Mulher Faz o Homem, de Frank Capra

A América idealista de Capra era feita de homens como Jefferson Smith (James Stewart), herói incorruptível que se torna senador e, em Washington, confronta o interesse dos poderosos. A atuação de Stewart é comovente, resistindo por horas no centro da arena política, no Senado, e tentando provar que ainda existem homens honestos.

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Cidadão Kane, de Orson Welles

O magnata da imprensa Charles Foster Kane (Welles) resolve se envolver com política. O homem que cria guerras em seus próprios jornais vê-se em meio a um caso de chantagem quando, às vésperas da eleição, seu principal concorrente ameaça revelar a existência de sua amante. Ele decide manter a candidatura e paga um preço alto.

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A Grande Ilusão, de Robert Rossen

Caipira é convertido em líder político, ganha visibilidade e se torna governador. Visto pelo olhar de um jornalista, o grande filme de Rossen conta a trajetória de altos e baixos de Willie Stark (Broderick Crawford). Aparentemente honesto, no início, Stark passa a usar táticas escusas para seguir no poder e, ora ou outra, corre aos braços do povo.

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Júlio César, de Joseph L. Mankiewicz

Produção cheia de astros e adaptada da obra de Shakespeare. Mostra como Júlio César (Louis Calhern) foi traído por Brutus (James Mason), acompanhado por um cínico Cassius (John Gielgud), depois vingado pelo leal Marco Antonio (Marlon Brando). Os discursos de Mason e Brando – dois dos melhores atores de todos os tempos – são os pontos altos.

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Tempestade Sobre Washington, de Otto Preminger

O presidente dos Estados Unidos tem problemas quando indica seu novo secretário de Estado (Henry Fonda), acusado de inclinações comunistas em plena Guerra Fria. Entre tantas tramas de bastidores, a situação precisa sufocar o outro lado e, a certa altura, revive o passado homossexual de um senador, interpretado por Don Murray.

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O Caso Mattei, de Francesco Rosi

A queda do avião que matou o engenheiro Enrico Mattei (Gian Maria Volontè) foi considerada, em 1962, um acidente. Alguns discordam: teria sido um atentado. O grande diretor Rosi concorda com a segunda versão. Sua obra acompanha o engenheiro sem nunca se aproximar demais, em tom documental. Poderoso filme político dos anos 70.

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O Exercício do Poder, de Pierre Schoeller

O ótimo Olivier Gourmet interpreta o ministro dos Transportes da França, durante alguns dias em que deverá enfrentar obstáculos. Entre um problema e outro, ele encontra uma breve amizade em seu novo motorista. A imagem da abertura é uma metáfora das mutações políticas: uma bela mulher nua flerta com um crocodilo e é engolida pela fera.

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No, de Pablo Larraín

A campanha pelo “não”, no Chile, mostra como o bom humor venceu a ditadura instalada por anos no país latino, com a chegada de Augusto Pinochet ao poder. O protagonista é um publicitário (Gael García Bernal), não um combatente político ou o líder de algum grupo de oposição. As propagandas levadas à tevê são um bom retrato da época.

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As salas fechadas e os conluios de bastidores dão o tom dos filmes, de países e diretores diferentes – alguns inclinados à comédia e até ao suspense. Presidentes, senadores, ministros – todos com seus segredos e pecados em evidência.

W., de Oliver Stone

Depois de abordar alguns momentos conturbados dos Estados Unidos, como a Guerra do Vietnã e a morte do presidente John Kennedy, Oliver Stone leva à tela uma das figuras mais controversas da política recente: George W. Bush. Mesmo sem o vigor de suas obras passadas, como Platoon e Nascido em 4 de Julho, o filme tem momentos interessantes e engraçados, como o “batismo” do jovem Bush na universidade.

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Il Divo, de Paolo Sorrentino

Homem aparentemente pacato, o senador italiano Giulio Andreotti mais parece um vampiro. Articulador de bastidores, sempre de fala lenta, ar sinistro. Difícil não pensar em Nosferatu, o monstro sem alma. O papel cabe a Toni Servillo, fiel colaborador do cineasta. O filme – como a personagem – não é fácil, sobretudo porque o político nunca se assume um vilão. Sorrentino oferece uma figura repulsiva e distante.

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Tudo Pelo Poder, de George Clooney

Uma sequência resume a briga pelo poder e a política nos tempos atuais: um assessor entra no carro do líder vivido por Clooney e, sem acompanhar o diálogo no interior, o espectador já sabe o que ocorreu: ele foi dispensado. Nesse jogo de bastidores cheio de tramoias, passado na corrida pelas eleições americanas, há um assessor (Ryan Gosling) que sabe demais e que, a certa altura, deverá deixar o idealismo de lado.

tudo pelo poder

O Exercício do Poder, de Pierre Schoeller

Nesse filme extraordinário, o ministro dos Transportes da França encara diferentes desafios. O acidente de ônibus com crianças é apenas o início de seu “inferno astral”, que ainda inclui a guerra de egos com outro ministro, as pressões para privatizar terminais de trem e a morte de seu motorista em uma estrada ainda não inaugurada. O talentoso Olivier Gourmet dá o tom ideal para essa personagem sob pressão.

o exercício do poder

Lincoln, de Steven Spielberg

O diretor de A Lista de Schindler reconstitui as articulações de Abraham Lincoln para aprovar a emenda que possibilitaria o fim da escravidão. Apesar de traços de bondade e justiça em excesso nos trejeitos de Daniel Day-Lewis, o filme é lúcido na amostragem das negociações para a compra do voto dos políticos da oposição, os democratas. Passa-se durante a Guerra Civil, com um Tommy Lee Jones na medida.

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O Palácio Francês, de Bertrand Tavernier

Interessante filme sobre o poder do discurso político, a partir da situação de um tal Arthur Vlaminck (Raphaël Personnaz), que da noite para o dia se torna responsável pelos textos do ministro das Relações Exteriores da França. O talentoso Tavernier explora as bobagens do político distante das falas públicas, em suas repetições e exageros – com o olhar do jovem que passa a conviver nos bastidores.

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Viva a Liberdade, de Roberto Andò

A trama central pode parecer batida: homem assume o posto de seu gêmeo quando este, um político influente, sai de cena. O problema – ou não – é que o novo líder fala o que vem à mente, o que, em seu caso, passa a ser positivo. E muda a própria imagem dos outros a respeito do irmão sumido, como da própria política: o que vence é a espontaneidade, a liberdade para dizer o que quiser. Na política, algo raro.

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Getúlio, de João Jardim

Como Lincoln, faz-se em salas fechadas, com acordos, pressões. Por outro lado, é sobre perdas. É sobre a solidão do presidente, que prefere a tragédia e assim entrar para a história à possibilidade de sair algemado – como visto em seus pesadelos – do Palácio do Catete. Como Getúlio Vargas, Tony Ramos tem boa interpretação. Nele, vê-se a fragilidade do poder, a impotência do líder que se suicida para se eternizar.

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