Ryan Murphy

Seis filmes sobre a aids e seu impacto social

De forma geral, os filmes abaixo abordam questões sociais. Em todos estão a homossexualidade, o preconceito, a associação errônea entre o gay e a doença, como se outros grupos estivessem ilesos. Em todos os casos saltam, sobretudo, histórias humanas que esbarram na política, nos tribunais, que geram protestos. Ainda que a doença, hoje, não assuste como antes, as obras abaixo dão uma visão poderosa de determinada época em que reinaram a desinformação e o medo.

Meu Querido Companheiro, de Norman René

Nem o visual nem o elenco ajudam muito. Ainda assim, o filme é lembrado por ser um dos primeiros a abordar a presença da aids em uma comunidade gay. Bem ao espírito daquele momento, os anos 80, mostra a passagem da vida de liberdades e sucesso ao momento de relaxamento e medo. A doença ganhava espaço na mídia.

E a Vida Continua, de Roger Spottiswoode

Produção feita para a televisão e patrocinada pela HBO. Está cheia de nomes conhecidos, alguns em pequeníssimos papéis. Centra-se tanto na luta dos médicos para descobrir a doença e chegar ao vírus quanto na reação dos homossexuais, nas mortes, além do silêncio ensurdecedor do então presidente Ronald Reagan.

Filadélfia, de Jonathan Demme

A história do advogado que move um processo contra o escritório em que trabalhava, após ser demitido por ter contraído a aids. Hanks brilha no papel e leva seu primeiro Oscar. O filme teria sido uma resposta do diretor à comunidade gay, devido aos ataques que sofreu pelo anterior O Silêncio dos Inocentes, no qual o assassino é homossexual.

Clube de Compras Dallas, de Jean-Marc Vallée

Homofóbico, o protagonista é Ron Woodroof (Matthew McConaughey), eletricista que descobre ter aids e, mais tarde, a possibilidade de lucrar ao vender medicamentos aos doentes de seu país. Aborda também a briga para possibilitar o tratamento, em uma cruzada que faz nascer o herói da personagem errante e desagradável.

The Normal Heart, de Ryan Murphy

Outra produção da gigante HBO. Os Estados Unidos dos anos 80, das liberdades ao medo, com a luta da comunidade gay para forçar os políticos e a nação a olharem à devastação da doença. No elenco, Julia Roberts e Mark Ruffalo têm bons momentos. O destaque fica por conta de Matt Bomer, que ganhou o Globo de Ouro de ator coadjuvante.

120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo

As investidas do Act Up na França. O filme chama a atenção pela energia, pela velocidade, pelo desejo de mudança entre jovens. Em clima realista e montagem rápida, mostra das reuniões do grupo às ações em campo, das festas regadas à libertinagem à imposição do doença que, ora ou outra, faz novas vítimas. Grande Prêmio do Júri em Cannes.

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Dez filmes recentes com relacionamento gay

Não faltam bons filmes recentes, brasileiros ou não, sobre relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. São filmes fortes, nos quais nem sempre a relação é o ponto central – como é o caso, por exemplo, do telefilme The Normal Heart, ainda que a história de amor ajude a entender a luta dos homens ao centro da história.

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Abaixo, a lista traz dez filmes sobre o assunto. Todos ganharam destaque em seus lançamentos e alguns receberam prêmios importantes. Um convite a um novo olhar.

Adeus, Minha Rainha, de Benoît Jacquot

Abordagem bela e original dos dias que antecedem a Revolução Francesa, sobre a relação de Maria Antonieta e sua amante, e sob o olhar da misteriosa criada.

adeus minha rainha

Flores Raras, de Bruno Barreto

O diretor brasileiro conta a história da relação entre a poetisa americana Elizabeth Bishop e a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares, no Brasil anterior à Ditadura Militar.

flores raras

Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche

A relação explosiva de duas garotas vai além do carimbo “filme gay”: é sobre o crescimento da jovem Adèle, da descoberta do sexo à vida adulta e a dois.

azul é a cor mais quente

Tatuagem, de Hilton Lacerda

O ambiente do cabaré é o que define o libertário filme de Lacerda: ali, entre festas e música, o jovem militar encontra um novo universo a explorar. O resultado surpreende.

tatuagem

Um Estranho no Lago, de Alain Guiraudie

Em tom de crime e mistério, a obra de Guiraudie desenrola-se à beira de um lago, na França, local em que homens encontram-se com uma única finalidade: fazer sexo.

um estranho no lago

Tom na Fazenda, de Xavier Dolan

A ida de Tom à fazenda do ex-namorado morto provoca confronto e uma estranha relação com o irmão do falecido. Melhor filme de Dolan até o momento.

tom na fazenda

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro

A cegueira do menino revela que o amor ultrapassa questões relacionadas à forma do homem ou da mulher, à forma materializada pelos olhos. Tem sentimentos verdadeiros.

hoje eu quero voltar

The Normal Heart, de Ryan Murphy

O telefilme passa-se nos Estados Unidos dos anos 80, durante a proliferação dos casos de Aids, com o desconhecimento – e o preconceito – das lideranças daquela nação.

the normal heart

Praia do Futuro, de Karim Aïnouz

Ao salvar um rapaz alemão da morte, em mar agitado, salva-vidas brasileiro torna-se seu amante. Do Brasil de praias quentes, passa à Alemanha fria de relacionamentos conturbados.

praia2

O Amor é Estranho, de Ira Sachs

Ao contrário do que aponta o título irônico, o amor do casal central – homens maduros que passam a viver separados – nunca é estranho. A escolha é pela naturalidade.

o amor é estranho

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