Rolling Stone

Jack Nicholson, 80 anos

Qual o segredo de seu apelo?

Eu não sei. Quando era adolescente e no começo de meus 20 anos, meus amigos costumavam me chamar de “O Grande Sedutor” – mesmo que eles soubessem que eu não era definitivamente nada atraente – porque parece que eu possuo alguma coisa invisível, mas infalível.

E agora, como ator, você é pago por isso. A sedução é seu negócio.

(Risos) Certo. Mas não quero forçar minha vontade em cima de ninguém. Quero ter a vontade. Quero que seja do modo que é, e acredite em mim, do jeito que é (abre um enorme sorriso) é bom pra caramba.

Jack Nicholson, ator e diretor, em entrevista para Nancy Collins, na revista Rolling Stone (29 de março de 1984; a entrevista foi reproduzida no livro As Melhores Entrevistas da Revista Rolling Stone, editora Larousse, pg. 198). A entrevista ocorreu às vésperas da cerimônia do Oscar de 1984, na qual Nicholson recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante por Laços de Ternura, de James L. Brooks. Abaixo, o ator em um de seus trabalhos mais famosos, Um Estranho no Ninho, de Milos Forman.

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Geração Prozac, de Erik Skjoldbjærg

O caos vivido pela personagem não é reproduzido em imagens. São dois polos opostos em Geração Prozac, de Erik Skjoldbjærg. De um lado, a menina que se debate, depressiva, sem caminho; de outro, um filme com visual de seriado cômico americano.

Das duas partes indissociáveis sai um produto desagradável. Sem visual forte, a exemplo de outros filmes sobre depressão e drogas, não resta mais que um exercício passageiro a abordar os problemas da juventude, ainda que não seja só isso.

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Passa-se nos anos 80. A menina que representa sua geração é Elizabeth (Christina Ricci), inteligente, que sonha em ser escritora. Acaba de ganhar uma bolsa em Harvard para estudar jornalismo. Escreve sobre música e, logo depois, é convidada a colaborar com a revista Rolling Stone. Tudo aponta ao sucesso.

Os problemas dela são anteriores, ligados à infância. Tem um pai ausente, uma mãe presente demais. Essa estranha mistura que não gera equilíbrio deixa a garota sem rumo: sem ambos, pai e mãe, ela passa a buscar um refúgio na vida estudantil.

Logo surgem festas, amigos, casos amorosos, ou apenas companhias passageiras. Ainda que pareça experiente, Elizabeth não sabe muito sobre o mundo verdadeiro: confessa, para a incredulidade inicial de sua colega de quarto (Michelle Williams), que acabou de perder a virgindade – com um rapaz que conheceu na noite anterior.

Algumas atitudes de Elizabeth não combinam com outras, seguintes. Ao reencontrar o pai, a menina entra em parafuso: fica dias sem dormir, cheira mal, em busca da inspiração para escrever um artigo sobre música, inspiração que não chega.

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Termina no hospital, onde conhece uma médica. Certo dia, após sessões de terapia, a especialista receita-lhe Prozac. Sob seus efeitos, Elizabeth torna-se mais controlada, convive melhor com os outros, mas questiona a validade do medicamento: crê que não pode ser a pessoa que deseja ser com ou sem a droga.

A geração à qual se refere é a sua, limitada ao uso do medicamento para “se resolver”, para sobreviver aos picos constantes de depressão. O filme não chega a ser uma denúncia contundente a essa sociedade dopada, em busca do bem-estar.

Como um colega da universidade, Jonathan Rhys Meyers oferece o rosto da perdição, da facilidade, ao mesmo tempo distante – como fez em Velvet Goldmine. Em contraponto está o protagonista da série American Pie, Jason Biggs, sempre com cara de bom moço. Nesses polos, entre um bom filme sobre a cena glam rock e uma comédia americana desmiolada, encontram-se algumas das misturas de Geração Prozac.

Na pele da protagonista, Ricci não dá conta de tantas transformações, tantos altos e baixos. Termina não muito diferente do início: é ainda a adolescente em busca de respostas, a viver em seu próprio labirinto, em busca de palavras.

Nota: ★★☆☆☆

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Bastidores: Guerra nas Estrelas

Eu era um grande fã de Flash Gordon e esse tipo de coisa, um protetor muito forte do espaço, e então eu disse: “Isto é muito natural”. Um, vai proporcionar às crianças uma fantasia, e dois, talvez transforme alguém em um Einstein jovem e as pessoas vão dizer: “Por quê?”. O que nós realmente precisamos fazer é colonizar a próxima galáxia, esquecer os problemas de 2001 e entrar de fato no lado romântico da coisa. Ninguém vai colonizar Marte por causa da tecnologia, eles vão fazê-lo porque acham que talvez sejam capazes – é o aspecto romântico o que importa.

George Lucas, cineasta, em entrevista à revista Rolling Stone (agosto de 1977).

guerra nas estrelas

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Bastidores: Perseguidor Implacável

Havia alguma coisa ali que eu acho que as pessoas não perceberam. Um crítico disse que Dirty Harry atirou no cara no fim com tanta alegria que ele gostou daquilo. Não houve alegria nenhuma a respeito daquilo, havia era tristeza. Assista ao filme de novo e você verá isso.

Clint Eastwood, em entrevista à revista Rolling Stone (julho de 1985), sobre Perseguidor Implacável, de 1971, dirigido por Don Siegel.

perseguidor implacável