Rock Hudson

Bastidores: Assim Caminha a Humanidade

Liz Taylor admitiu que, durante as filmagens de Assim Caminha a Humanidade, se sentira atraída por Rock [Hudson]. Tudo inútil, pois havia alguém bem mais atraente que ela – James Dean. Este era um bissexual assumido e extrovertido. Quando Dean morreu, Rock chorou durante horas.

Nigel Cawthorne, escritor, em A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood (pg. 311). Abaixo, Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean nas filmagens.

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Bastidores: O Segundo Rosto

A primeira meia hora é um primor de narrativa audiovisual e de construção de atmosfera. Com poucos diálogos e muito virtuosismo de câmera (“travellings” nervosos, foco profundo alternado com grandes angulares que distorcem o espaço etc.), acompanhamos o ingresso de Arthur Hamilton nas entranhas da Companhia e seu vertiginoso mergulho (ou queda?) num novo plano da existência.

A fotografia em preto e branco, indicada ao Oscar, é do lendário James Wong Howe. Ela ajuda a criar um espaço maleável e ameaçador, um terreno incerto. Uma estação de trem, uma tinturaria, um frigorífico, tudo adquire aspecto de sonho ou, antes, de pesadelo, mais ou menos como fizera Orson Welles filmando Kafka uns anos antes (O Processo, 1962).

José Geraldo Couto, crítico de cinema, no jornal Folha de S. Paulo (11 de abril de 2010; leia a crítica completa aqui). Abaixo, o diretor de fotografia James Wong Howe e o cineasta John Frankenheimer nas filmagens (foto 1); o astro Rock Hudson relaxa nos bastidores (foto 2); Hudson durante as filmagens (foto 3); e Frankenheimer em ação (foto 4).

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Três perguntas sobre John Frankenheimer

16 grandes duplas indicadas ao Oscar na mesma categoria

Ao longo de décadas, atores de um mesmo filme disputaram diversas vezes entre si a sonhada estatueta do Oscar. São confrontos memoráveis. Com tamanho peso, nenhum deles terminou como coadjuvante (ainda que Barry Fitzgerald, em 1945, seja exceção, indicado como ator e ator coadjuvante pelo mesmo papel, ganhando na segunda categoria).

Duplas excelentes, grandes interpretações. Tais casos, no entanto, são cada vez mais incomuns: a última vez em que uma dupla dividiu a mesma categoria ocorreu em 1992. Desde então, os estúdios têm optado em indicar atores com peso de protagonista como coadjuvantes. A intenção é faturar mais prêmios. Ou alguém acredita que Jake Gyllenhaal, em O Segredo de Brokeback Mountain, e Rooney Mara, em Carol, são coadjuvantes?

Barry Fitzgerald e Bing Crosby em O Bom Pastor (1944)

Quem venceu? Bing Crosby

o bom pastor

Anne Baxter e Bette Davis em A Malvada (1950)

Quem venceu? Judy Holliday em Nascida Ontem

a malvada

Burt Lancaster e Montgomery Clift em A Um Passo da Eternidade (1953)

Quem venceu? William Holden em O Inferno Nº 17

a um passo da eternidade

James Dean e Rock Hudson em Assim Caminha a Humanidade (1956)

Quem venceu? Yul Brynner em O Rei e Eu

assim caminha a humanidade

Sidney Poitier e Tony Curtis em Acorrentados (1958)

Quem venceu? David Niven em Vidas Separadas

acorrentados

Elizabeth Taylor e Katharine Hepburn e De Repente, No Último Verão (1959)

Quem venceu? Simone Signoret em Almas em Leilão

de repente no último verão

Maximilian Schell e Spencer Tracy em Julgamento em Nuremberg (1961)

Quem venceu? Maximilian Schell

o julgamento de nuremberg

Peter O’Toole e Richard Burton em Becket, O Favorito do Rei (1964)

Quem venceu? Rex Harrison em Minha Bela Dama

Becket

Dustin Hoffman e Jon Voight em Perdidos na Noite (1969)

Quem venceu? John Wayne em Bravura Indômita

perdidos na noite

Laurence Olivier e Michael Caine em Jogo Mortal (1972)

Quem venceu? Marlon Brando em O Poderoso Chefão

jogo mortal1

Peter Finch e William Holden em Rede de Intrigas (1976)

Quem venceu? Peter Finch

rede de intrigas

Anne Bancroft e Shirley MacLaine em Momento de Decisão (1977)

Quem venceu? Diane Keaton em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

momento de decisão

Albert Finney e Tom Courtenay em O Fiel Camareiro (1983)

Quem venceu? Robert Duvall em A Força do Carinho

o fiel camareiro

Debra Winger e Shirley MacLaine em Laços de Ternura (1983)

Quem venceu? Shirley MacLaine

laços de ternura1

F. Murray Abraham e Tom Hulce em Amadeus (1984)

Quem venceu? F. Murray Abraham

amadeus

Geena Davis e Susan Sarandon em Thelma & Louise (1991)

Quem venceu? Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes

thelma e louise

Para lembrar: Franchot Tone, Charles Laughton e Clark Gable em O Grande Motim (1935)

Caso único na história do Oscar, com três atores indicados na mesma categoria principal. Em 1936, a Academia ainda não havia criado as categorias de coadjuvante.

Quem venceu? Victor McLaglen em O Delator

o grande motim

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perdidos na noite

Rock Hudson segundo Sirk

Rock Hudson, embora fosse homossexual, agrava muito as mulheres. E não falo só da sua presença na tela, onde se pode criar uma ilusão. Lembro a agitação na Universal quando as cartas de fãs começaram a chegar aos montes. Na vida, Rock também agradava as mulheres, não só porque ele era gentil, mas também sexualmente. Você ficaria surpreso de saber que duas das minhas atrizes se apaixonaram por ele. Uma delas veio me pedir para eu interceptar em favor dela: “Doug, você pode pedir para o Rock me beijar de verdade? Por favor, faça ele me beijar de verdade”.

Douglas Sirk, cineasta. Juntos, eles fizeram filmes marcantes como Sublime Obsessão, Palavras ao Vento, Almas Maculadas e Tudo o que o Céu Permite (foto abaixo).

tudo o que o céu permite

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As duas mulheres de Palavras ao Vento

Três perguntas sobre John Frankenheimer

Famoso por filmes como Sob o Domínio do Mal, em que a política de seu tempo pode ser vista em cada centímetro de película, John Frankenheimer teve uma carreira sólida em fitas de suspense e ação, muitas delas banhadas pelo clima da Guerra Fria.

Sua carreira e longevidade são abordadas pelo especialista em cinema Marco A. S. Freitas, com exclusividade para o Palavras de Cinema. Nem sempre lembrado como deveria, Frankenheimer foi um dos grandes do cinema americano, entre as gerações da Era dos Estúdios e a da Nova Hollywood. (Abaixo, o diretor e o astro Rock Hudson nas filmagens de O Segundo Rosto.)

o segundo rosto

Além de ter dirigido belos filmes de ação, a política e a guerra aparecem como temas comuns na carreira de Frankenheimer. Qual a influência da Guerra Fria e da paranoia nos filmes dele?

O nova-iorquino era universitário no início dos anos 50 e serviu na força aérea do seu país na mesma década. Impossível para um homem da geração dele não ter convivido com a sensação diária de que o mundo ocidental não devesse estar em constante vigília, temendo que a qualquer momento a utopicamente pacífica sociedade americana não pudesse ser reduzida ao pó devido a algum ataque do pessoal da Cortina de Ferro. Nesta mesma época, o chamado Red Scare (expressão que caracterizava o medo do comunismo) foi parte da cultura dos Estados Unidos. Se essa paranoia que você citou ainda era difundida pela mídia nos anos 80 quando eu era adolescente (quem não se recorda da popularidade de produções estreladas por Stallone, Arnold e Chuck Norris – bem como centenas de imitadores –, onde a “comunalha” parecia ter como propósito de vida cozinhar crianças e devorá-las acompanhada de vodca?), imagine quando ele cresceu! Anos mais tarde, o diretor quase pirou quando o seu ídolo e grande amigo Bobby Kennedy foi assassinado. Esse viés, diríamos, anticonservador para os “padrões hollywoodianos da época” fica evidente em vários dos longas realizados por ele. Em O Homem de Alcatraz, por exemplo, Frankenheimer mostra o prisioneiro feito por Burt Lancaster progredindo de niilista a expert em aves, apesar da brutalidade do sistema carcerário vigente em seu país. Em Sob o Domínio do Mal, mesmo tendo como tema a lavagem cerebral promovida por comunistas, os pais americanos do protagonista são reacionários (sendo que o cabeça-da-família é um político linha-duríssima e pinguço, uma óbvia alusão ao senador que capitaneou a Caça às Bruxas na vida real, Joe McCarthy). Ainda nos anos 90, quando a carreira dele nas telonas andava em baixa, a televisão a cabo o acolheu, e ele fez, entre outros, o telefilme Amazônia em Chamas – passado no Pará, mas rodado no México – sobre o seringueiro Chico Mendes, onde ele é quase santificado e os ricos são os vilões corruptos (representados nas figuras de um fazendeiro sanguinário interpretado pelo ator natural de Cuba Tomás Milián – astro de clássicos faroestes europeus, e que, quando jovem, ficou famoso no papel de camponeses analfabetos confrontando latifundiários poderosos – e por políticos ricaços e sinistros, fãs de whisky escocês).

Em O Segundo Rosto, Frankenheimer explora a possibilidade de mudança de rosto, de ser outra pessoa. Você o considera um filme ainda atual?

O fator longevidade sempre foi algo que muito me interessou na cultura pop. Considero-me nostálgico por excelência e por vezes cético quanto ao futuro do planeta (me vejo como um realista com flashes de exuberante alegria, enquanto outros me olham como, basicamente, um pessimista). A obra-prima que você citou, cujo título original é Seconds, a meu ver um filme-irmão do já citado Sob o Domínio do Mal, com ambos abordando a desesperada busca por uma identidade em meio a um mundo distópico, no qual as pessoas parecem fingir ser o que não são. Ainda que não bem-sucedido comercialmente e não lembrado como um filme da contracultura, a direção psicodélica e a influência do expressionismo (eu amaria saber a opinião de Salvador Dali sobre o filme) são notáveis. O lado Dorian Gray, da premissa com a frenética obsessão por rejuvenescimento, ajuda a manter o filme relevante nos dias de hoje. E não esqueçamos que a crítica do diretor à histeria anticomunista se dá na escalação de John Randolph, Jeff Corey e Will Greer, atores vistos como notórios à época por uma suposta simpatia ao comunismo.

A geração dele é intermediária, entre a de diretores clássicos e os da Nova Hollywood, e tem nomes importantes como os de Martin Ritt e Sidney Lumet. Qual a importância dessa safra para o cinema americano?

Amo Martin Ritt e Lumet. O que acho mais importante na contribuição de John e desses diretores (apesar de eu achar o enfocado muito mais viril na direção que Martin e também mais ambíguo politicamente) é a tentativa de quebra do artificialismo dos cenários de estúdios e na direção mais naturalista e menos contida dos atores, promovendo o sistema de interpretação de Stanislavski, uma série de técnicas mais calcada no resgate de experiências pessoais do ator, em vez de um approach mais distanciado.

Marco A. S. Freitas estudou publicidade na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, formou-se em Cinema pela Columbia College e também estudou roteiro em Direção de Atores e Roteiro em Cuba. Teve a honra de colaborar com três livros: Cemitério Perdido dos Filmes B: Explotation, prefaciou Casablanca – A Criação de uma Obra-Prima Involuntária do Cinema (sobre os insanos bastidores de um dos mais memoráveis filmes da Era de Ouro do Cinema) e possui textos em Homem Não Entende Nada, a mais completa obra sobre o universo Planeta dos Macacos (sobre os clássicos dos anos 60 e 70, a influência deles em programas de televisão e em filmes brasileiros e de outros países, superproduções recentes etc) e em Vanessa Alves, coletânea de imagens e palavras sobre uma das maiores estrelas da chamada Boca do Lixo.

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