Robert Mitchum

Kirk Douglas, 100 anos

Não se pode dizer que Kirk Douglas será lembrado por um filme menor. Spartacus é uma grande obra. Stanley Kubrick, à época, não era um diretor das primeiras fileiras de Hollywood. Após ter trabalhado com o jovem cineasta em Glória Feita de Sangue – que é melhor que o seguinte – Douglas decidiu levá-lo para Spartacus.

Não apenas ele. O ator e coprodutor do épico de 1960 bancou o nome de Dalton Trumbo no roteiro. Uma ousadia: Trumbo integrava a Lista Negra de Hollywood, a apontar os comunistas “infiltrados” na indústria do espetáculo. Por anos, Trumbo teve de assinar roteiros com pseudônimos. Seu retorno marcou o início do fim do período.

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A ação de Douglas revela alguém tão combativo dentro das telas quanto fora. Algumas de suas melhores interpretações remontam à imagem: o homem intenso em cada ato, explosivo em diferentes personagens. Spartacus, de escravo a líder de uma revolução, é apenas um deles. Seus vilões também merecem lugar de destaque.

Mito vivo, o ator completou 100 anos em dezembro de 2016. Em seu terceiro filme, o noir Fuga do Passado, ele interpreta o vilão Whit, em cena com o protagonista Robert Mitchum. Os atores voltariam a se encontrar mais tarde em Desbravando Oeste. Mitchum como o guia pacato, Douglas como o ambicioso desbravador.

Apesar do sucesso Quem é o Infiel?, em outro papel menor, Douglas chegou de vez ao estrelato com O Invencível, de 1949, que lhe valeu a primeira indicação ao Oscar de melhor ator. A segunda veio em seu grande momento nas telas, o papel do produtor de cinema sem escrúpulos de Assim Estava Escrito, no qual atua ao lado de Lana Turner.

De queixo perfurado, sua marca registrada, o ator viveria o pintor van Gogh em Sede de Viver. Outra grande interpretação, outra indicação ao Oscar – perdendo para o Yul Brynner de O Rei e Eu, musical com todos os traços do cinema clássico da época.

Pouco antes, a face cínica de Douglas serviu bem ao diretor mais ácido da Hollywood clássica: Billy Wilder. Produto das pitadas de sexo da comédia screwball, sempre a zombar de regimes totalitários, Wilder, com Douglas, voltou suas armas à imprensa americana da época em A Montanha dos Sete Abutres.

Em um local perdido no mapa, ele, Chuck Tatum, vê a oportunidade de dar uma virada em sua carreira de jornalista. Aproveita-se de uma vítima presa em uma mina, manipula autoridades e a opinião pública para fabricar, dias a fio, novas manchetes.

A energia de Douglas produzia grandes personagens como Tatum. Magnífica, de estranha atração apesar de corrupta. A mesma levaria ao oposto, ao destemido coronel Dax de Glória Feita de Sangue. Difícil não se emocionar com sua convicção ao defender três soldados condenados à morte. Bom ou mau, há sempre o grande ator.

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Os dez melhores filmes de Jacques Tourneur

Nem sempre lembrado, Jacques Tourneur deixou um legado de grandes filmes, com obras variadas, do terror ao noir, da aventura à comédia macabra. Francês, ele foi para Hollywood na companhia do pai, o também diretor Maurice Tourneur, por volta de 1913, quando, em termos de narrativa, o cinema ainda engatinhava.

Entre os filmes curiosos de Tourneur está Quando a Neve Voltar a Cair, de 1944, raro filme americano que exalta o heroísmo soviético durante a Segunda Guerra – antes do clima doentio da Guerra Fria. É também o primeiro filme do futuro astro Gregory Peck.

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Outro ponto a destacar foi sua incursão à típica aventura americana em O Gavião e a Flecha, com Burt Lancaster encarnando o típico herói cativante, à la Robin Hood, que precisa salvar o filho e termina nos braços de uma princesa (Virginia Mayo). Entre altos e baixos, o diretor deixa uma bela filmografia. Abaixo, seus dez melhores.

10) A Maleta Fatídica (1957)

A abertura desse bom policial resume o cinema de Tourneur: o protagonista, que talvez não seja tão mau quanto parece, não suporta viver sob as luzes da cidade.

a maleta fatídica

9) Choque de Ódios (1955)

O herói Wyatt Earp segue para Wichita, no Kansas, com a promessa de progresso. Tudo muda quando o herói envolve-se com um bando de vaqueiros e termina como xerife.

choque de ódios

8) A Vingança dos Piratas (1951)

À frente, o típico filme de aventuras hollywoodiano; ao fundo, a saída para Tourneur explorar o feminismo na forte Jean Peters (que faria Anjo do Mal com Samuel Fuller).

a vingança dos piratas

7) O Homem-Leopardo (1943)

Como em outras obras do diretor, não se deve duvidar do sobrenatural, e, às vezes, os homens mais controlados revelam inesperada selvageria. Filme B de grandeza inegável.

o homem leopardo

6) Paixão Selvagem (1946)

Outro faroeste exemplar de Tourneur, no qual o herói de Dana Andrews descobre que, na dúvida, melhor é libertar um acusado de assassinato do que cometer injustiça.

paixão selvagem

5) A Noite do Demônio (1957)

Andrews, de novo, assume o protagonismo e luta contra forças ocultas. Mesmo com evidentes limitações técnicas, o clima de terror garante ótima experiência.

a noite do demônio

4) A Morta-Viva (1943)

Não é o primeiro filme de zumbi da história do cinema, mas está entre os melhores do gênero terror. É sobre pessoas perdidas em meio ao misticismo – tema recorrente na obra do diretor.

morta viva

3) O Testamento de Deus (1950)

Joel McCrea serve à perfeição ao papel central, o pastor de uma cidade atingida por diferentes problemas. História bela e nostálgica, lembrança de uma infância perdida.

2) Sangue de Pantera (1942)

Para Scorsese, esse filme foi tão importante ao cinema americano quanto Cidadão Kane. Na história, uma bela mulher assume a forma de uma pantera e comete crimes.

sangue de pantera

1) Fuga do Passado (1947)

Obra-prima noir de final surpreendente, com Robert Mitchum como o homem de passado obscuro e Jane Greer como a perfeita dama fatal, a desestabilizar o universo do parceiro.

fuga do passado

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Os dez maiores assassinos em série do cinema

Ao longo da história do cinema, os assassinos em série – movidos pelo mero prazer de matar e presos a um jogo – deixaram muita gente sem dormir. Vez ou outra apareciam com sede de sangue, reviviam mitos e serviam aos baldes de pipoca. Nem sempre eram identificados com facilidade. Os assassinos em série mudaram ao longo da história do cinema e, ainda assim, não perderam algo em comum: a matança como esporte. Abaixo, uma lista de dez figuras marcantes, as maiores segundo este blogueiro. Lembrou-se de mais algum? Avise e enriqueça a lista.

10) Mark Lewis (Karlheinz Böhm), em A Tortura do Medo

a tortura do medo

9) Aileen (Charlize Theron), em Monster: Desejo Assassino

monster

8) Anton Chigurh (Javier Bardem), em Onde os Fracos Não Têm Vez

onde os fracos não tem vez

7) Tio Charlie (Joseph Cotten), em A Sombra de uma Dúvida

sombra de uma dúvida

6) John Doe (Kevin Spacey), em Seven: Os Sete Pecados Capitais

seven

5) Paul (Arno Frisch) e Peter (Frank Giering), em Funny Games

funny games

4) Harry Powell (Robert Mitchum), em O Mensageiro do Diabo

o mensageiro do diabo

3) Raymond Lemorne (Bernard-Pierre Donnadieu), em O Silêncio do Lago

o silêncio do lago

2) Norman Bates (Anthony Perkins), em Psicose

psicose

1) Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), em O Silêncio dos Inocentes

silêncio dos inocentes

E, como aperitivo para uma lista cheia de maldades, uma bela assassina:

Thana (Zoë Lund), em Sedução e Vingança

sedução e vingança

Veja aqui informações sobre os filmes da lista.