Richard Burton

16 grandes duplas indicadas ao Oscar na mesma categoria

Ao longo de décadas, atores de um mesmo filme disputaram diversas vezes entre si a sonhada estatueta do Oscar. São confrontos memoráveis. Com tamanho peso, nenhum deles terminou como coadjuvante (ainda que Barry Fitzgerald, em 1945, seja uma exceção, quando foi indicado como ator e ator coadjuvante pelo mesmo papel, ganhando na segunda categoria).

Duplas excelentes, grandes interpretações. Por outro lado, tais casos são cada vez mais incomuns: a última vez em que uma dupla dividiu a mesma categoria ocorreu em 1992. Desde então, os estúdios têm optado em indicar atores com peso de protagonista como coadjuvantes. A intenção é faturar mais prêmios. Ou alguém acredita que Jake Gyllenhaal, em O Segredo de Brokeback Mountain, e Rooney Mara, em Carol, são coadjuvantes?

Barry Fitzgerald e Bing Crosby em O Bom Pastor (1944)

Quem venceu? Bing Crosby

o bom pastor

Anne Baxter e Bette Davis em A Malvada (1950)

Quem venceu? Judy Holliday em Nascida Ontem

a malvada

Burt Lancaster e Montgomery Clift em A Um Passo da Eternidade (1953)

Quem venceu? William Holden em O Inferno Nº 17

a um passo da eternidade

James Dean e Rock Hudson em Assim Caminha a Humanidade (1956)

Quem venceu? Yul Brynner em O Rei e Eu

assim caminha a humanidade

Sidney Poitier e Tony Curtis em Acorrentados (1958)

Quem venceu? David Niven em Vidas Separadas

acorrentados

Elizabeth Taylor e Katharine Hepburn e De Repente, No Último Verão (1959)

Quem venceu? Simone Signoret em Almas em Leilão

de repente no último verão

Maximilian Schell e Spencer Tracy em Julgamento em Nuremberg (1961)

Quem venceu? Maximilian Schell

o julgamento de nuremberg

Peter O’Toole e Richard Burton em Becket, O Favorito do Rei (1964)

Quem venceu? Rex Harrison em Minha Bela Dama

Becket

Dustin Hoffman e Jon Voight em Perdidos na Noite (1969)

Quem venceu? John Wayne em Bravura Indômita

perdidos na noite

Laurence Olivier e Michael Caine em Jogo Mortal (1972)

Quem venceu? Marlon Brando em O Poderoso Chefão

jogo mortal1

Peter Finch e William Holden em Rede de Intrigas (1976)

Quem venceu? Peter Finch

rede de intrigas

Anne Bancroft e Shirley MacLaine em Momento de Decisão (1977)

Quem venceu? Diane Keaton em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

momento de decisão

Albert Finney e Tom Courtenay em O Fiel Camareiro (1983)

Quem venceu? Robert Duvall em A Força do Carinho

o fiel camareiro

Debra Winger e Shirley MacLaine em Laços de Ternura (1983)

Quem venceu? Shirley MacLaine

laços de ternura1

F. Murray Abraham e Tom Hulce em Amadeus (1984)

Quem venceu? F. Murray Abraham

amadeus

Geena Davis e Susan Sarandon em Thelma & Louise (1991)

Quem venceu? Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes

thelma e louise

Para lembrar: Franchot Tone, Charles Laughton e Clark Gable em O Grande Motim (1935)

Caso único na história do Oscar, com três atores indicados na mesma categoria principal. Em 1936, a Academia ainda não havia criado as categorias de coadjuvante.

Quem venceu? Victor McLaglen em O Delator

o grande motim

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Os dez melhores indicados ao Oscar que não venceram o prêmio (anos 60)

Os ganhadores dessa década apontam mais ao futuro que ao passado: há a comédia ácida de Billy Wilder (Se Meu Apartamento Falasse) e também o musical um pouco fora dos padrões (Amor, Sublime Amor); também do malicioso e divertido (As Aventuras de Tom Jones) ao moderno (Perdidos na Noite). Com os indicados não foi diferente: os filmes já mostravam as tendências da Nova Hollywood, tal como o mundo dividido, sem o jeito família de antes. Personagens erráticas, em filmes que traziam uma nova geração de cineastas contra outra, quase sepultada.

10) Becket, o Favorito do Rei, de Peter Glenville

Richard Burton e Peter O’Toole mantêm uma relação que vai além da simples amizade nesse grande drama de época, com atuações memoráveis da dupla.

Becket

9) A Primeira Noite de um Homem, de Mike Nichols

O jeito de Ben Braddock (Dustin Hoffman) em lidar com a sexualidade – além de conviver com os flertes da senhora Robinson (Anne Bancroft) – deu um choque no cinema americano.

a primeira noite de um homem

8) O Sol é para Todos, de Robert Mulligan

O nome Atticus Finch virou sinônimo de honestidade, de luta pelos direitos dos negros contra a América branca e reacionária. Oscar para Gregory Peck.

o sol é para todos

7) Quem tem Medo de Virginia Woolf?, de Mike Nichols

O duelo entre Elizabeth Taylor e Richard Burton faz parte de um jogo perverso: eles alimentam ódio e amor em mesma dose, nesse filme poderoso de Nichols.

quem tem medo de virginia woolf

6) Doutor Jivago, de David Lean

Após outros grandes épicos, Lean entrega o papel de Jivago a Omar Sharif, cujo olhar perdido, em meio à guerra e à neve, não cai no esquecimento.

doutor jivago

5) Z, de Constantin Costa-Gavras

Com seu thriller político, Gavras marca presença entre os cineastas contestadores de seu tempo. Aqui, os inimigos fazem um assassinato parecer acidente.

z costa-gavras

4) Terra de um Sonho Distante, de Elia Kazan

A certa altura da carreira, Kazan viu a necessidade de contar a história de sua família, dos velhos laços, e mostrou a jornada de um rapaz grego rumo à América. E ao sonho.

terra de um sonho distante

3) Desafio à Corrupção, de Robert Rossen

Como Fast Eddie Felson, Paul Newman tem a personagem de sua vida, homem cheio de tropeços que tenta dar a volta por cima ao enfrentar Minnesota Fats (Jackie Gleason).

desafio à corrupção

2) Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick

O “amor à bomba” de Kubrick é a melhor crítica à Guerra Fria do cinema, com os caipiras que colocam tudo a perder e um presidente perdido em sua sala de guerra.

dr. fantástico

1) Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas, de Arthur Penn

É a hora de torcer aos bandidos, parece dizer Penn em sua nação ao contrário, nessa balada de dois amantes pelas estradas empoeiradas, nos tempos da Depressão.

Bonnie e Clyde

Veja também:
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Os melhores indicados dos anos 40
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Mike Nichols (1931-2014)

Os melhores filmes de Mike Nichols são os primeiros. À época, na metade dos anos 60, sob as turbulências da mudança, ele seria considerado um renovador. Colocou Dustin Hoffman em uma relação com uma mulher mais velha, casada, a senhora Robinson (Anne Bancroft) de A Primeira Noite de um Homem.

O filme, por isso, foi um divisor de águas, ainda que hoje já não tenha o mesmo impacto: tinha sexo onde antes não se via. Antes, em 1966, Nichols dirigiu o casal mais famoso da época, Elizabeth Taylor (na foto) e Richard Burton, em Quem Tem Medo de Virginia Woolf? – provavelmente seu melhor trabalho.

Dirigiu, mais tarde, uma penca de astros, como Warren Beatty, Meryl Streep, Jack Nicholson, Harrison Ford, Tom Hanks e muitos outros. Gostava de textos ácidos, e mesmo em comédias sem muito a dizer – como Uma Secretária de Futuro – a crítica à América, de exageros evidentes, era clara.

O espírito de Nichols parece se revelar no jovem Ben Braddock (Hoffman), em A Primeira Noite de um Homem. Enquanto todos só falam em seu futuro, ou como fazer dele alguém endinheirado, o recém-chegado deseja apenas viver e fazer descobertas. Complicações não faltam. É o universo bagunçado de Mike Nichols.

quem tem medo de virginia woolf