Peter Biskind

Bastidores: Operação França

Operação França foi filmado em Nova York durante cinco semanas ao longo do inverno de 1970 e 1971. O produtor Philip D’Antoni acreditava que Bullit tinha feito sucesso por causa de sua eletrizante sequência de perseguição pelas ruas de São Francisco, e insistiu com Friedkin para que incluísse uma no filme também. Friedkin concordou, filmando a vertiginosa perseguição entre um carro e o metrô de superfície que tornou Operação França merecidamente famoso. Foi uma filmagem difícil, e Friedkin estava frequentemente instável e deprimido.

Peter Biskind, escritor, em Como a Geração Sexo, Drogas e Rock and Roll Salvou Hollywood (Editora Intrínseca; pg. 214). Abaixo, William Friedkin durantes as filmagens, ao lado dos atores Gene Hackman e Roy Scheider.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Bastidores: O Exorcista

Bastidores: O Exorcista

Escolher alguém para o papel de Regan, a menina possuída, foi mais difícil. Na época em que Linda Blair foi entrevistada, tinha 12 anos. Friedkin queria ter certeza de que ela poderia enfrentar os elementos mais ousados do papel. Perguntou a Linda: “Você leu O Exorcista?”

“Li.”

“O livro é sobre o quê?”

“Sobre uma garotinha que é possuída pelo diabo e faz um monte de coisas ruins.”

“Que tipo de coisas ruins?”

“Ela empurra um cara de uma janela e se masturba com um crucifixo e…”

“E o que isso quer dizer?”

“É que nem tocar siririca, não é?”

“É sim. Você sabe o que é tocar siririca?”

“Claro que sim!”

“E você faz isso?”

“Claro! Você não toca punheta?”

Linda ficou com o papel.

Peter Biskind, escritor, em Como a Geração Sexo, Drogas e Rock and Roll Salvou Hollywood (Editora Intrínseca; pg. 209). O diálogo ocorreu entre o diretor William Friedkin e a jovem Linda Blair, ambos na foto abaixo.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

o-exorcista

Veja também:
Bastidores: O Iluminado

Estranho no ninho

Hollywood passava por profundas mudanças no fim dos anos 60. Os filmes não eram como antes, tampouco os temas. Parte do público estava cansada do cinema clássico, dos antigos musicais e faroestes: queriam na tela aquele presente “estranho”, dos motoqueiros de Sem Destino, dos amigos marcados pela sarjeta de Perdidos na Noite.

De olho nas mudanças, o Oscar não teve como deixar de lado algumas novidades. E o prêmio que marca essa guinada é, sem dúvida, o Oscar para o então jovem diretor Mike Nichols, por seu trabalho em A Primeira Noite de um Homem.

Sobre aquele momento do Oscar, vale lembrar as observações de Peter Biskind, em Como a Geração Sexo, Drogas e Rock and Roll Salvou Hollywood:

A competição tinha se configurado como Velha Hollywood contra Nova Hollywood. Era Bonnie & Clyde e A Primeira Noite de um Homem contra dois filmes progressistas mas caretas, No Calor da Noite e Adivinhe Quem Vem para Jantar, além de um grande musical, O Fantástico Dr. Dolittle, que tinha sido um fracasso de bilheteria, quase terminando a destruição da Fox, iniciada por Cleópatra.