Pacto de Sangue

16 filmes em que as mulheres não são submissas aos homens

Próximos a essas mulheres, os homens ficam pequenos. Alguns, pobres coitados, nem aparecem em tela. E, como se vê abaixo, o poder feminino no cinema é mais antigo do que se imagina. Com o passar das décadas, só tem aumentado – para a alegria de muitos e, em tempos de regresso às pautas conservadoras, tristeza de outros. Heroínas ou até vilãs, essas mulheres transpiram força. À lista.

O Anjo Azul, de Josef von Sternberg

Os alunos do professor vivido por Emil Jannings querem saber o que leva o mestre, todas as noites, ao cabaré distante. Sobre o palco está ninguém menos que Marlene Dietrich, a quem todos se ajoelham.

Pacto de Sangue, de Billy Wilder

A falsidade da peruca loura não tira a força nem torna Barbara Stanwyck caricata em seu filme mais famoso, na pele de Phyllis Dietrichson, que acaba com a vida de dois homens. Clássico absoluto.

Stromboli, de Roberto Rossellini

Em uma vila perto de um vulcão, uma mulher (Ingrid Bergman) enfrenta o olhar desconfiado da população e o machismo que impera no local, visto por ela como prisão difícil de escapar.

Mônica e o Desejo, de Ingmar Bergman

A protagonista, vivida por Harriet Andersson, confronta o pequeno rapaz com seu corpo exposto e sua liberdade. À frente, segue em sua cruzada contra todos, liberta, e chega a encarar a câmera.

O Quadragésimo Primeiro, de Grigori Chukhrai

A mulher, uma atiradora do exército bolchevique, vê-se isolada com um homem do grupo czarista. Surge ali um amor estranho, curioso, com o qual ela deverá se confrontar nesse filme interessante.

Eva, de Joseph Losey

Jeanne Moreau é a destruidora perfeita, a tentação em pessoa, mulher forte, capaz de colocar todos os homens a seus pés. A vítima é Stanley Baker, que tenta sobreviver a ela e às suas investidas.

As Quatro Irmãs, de Gillian Armstrong

Delicado e feminista, o trabalho de estreia da australiana Armstrong conta a história da independente – e nem sempre agradável – Sybylla Melvyn, que nada na contramão dos conservadores de sua época.

Reds, de Warren Beatty

A feminista Louise Bryant (Diane Keaton) é a verdadeira protagonista desse filme sobre tempos de transformação. Ao lado de John Reed, ela assiste à Revolução Russa e confronta os bons modos de seu país.

Corpos Ardentes, de Lawrence Kasdan

Essa espécie de remake de Pacto de Sangue consegue ter uma mulher tão forte quanto o anterior. Em um filme em que o calor é quase uma personagem, ela convence o amante a matar o marido.

Medeia, de Lars von Trier

Medeia resolve se vingar do marido, o guerreiro Jasão, quando descobre que ele vai se casar com a jovem filha do rei. Antes de ser posta em exílio, ela arquiteta um plano cruel contra o companheiro e sua família.

Thelma & Louise, de Ridley Scott

Duas amigas precisam fugir da polícia após matarem um homem. Essa viagem de transformação mistura comédia e aventura e dá vez a um filme encantador, com química invejável das protagonistas.

Instinto Selvagem, de Paul Verhoeven

O detetive vivido por Michael Douglas sabe que pisa em terreno perigoso, mas, tomado pelo desejo, prossegue. Com Sharon Stone à frente, em um jogo de manipulação, é provável que qualquer um faça o mesmo.

As Horas, de Stephen Daldry

Meryl Streep, Nicole Kidman e Julianne Moore são vistas em três histórias diferentes – e três tempos – sobre mulheres fortes que escolheram sobreviver, todas à luz de Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf.

Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher

Rooney Mara brilha na pele da hacker Lisbeth Salander, personagem icônica de Stieg Larsson, unida a um jornalista para investigar o desaparecimento de uma garota. Resultado: ela rouba todas as cenas.

Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller

Tom Hardy até se esforça, mas o filme é de Charlize Theron, a Imperatriz Furiosa de braço mecânico. No meio do deserto, ela desafia um ditador ao fugir com suas ninfas e passa a ser perseguida.

Elle, de Paul Verhoeven

Teve gente que a considerou fraca e até chamaram o diretor de misógino. Mas a dama de Isabelle Huppert, abusada por um homem mascarado com quem volta a se encontrar, é forte e insubmissa.

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100 grandes vilões do cinema

O que define um vilão? Em termos gerais, a capacidade de fazer o mal e colocar barreiras ao avanço do protagonista ou herói da história. Por outro lado, nem sempre se conta com o protagonista esperado e, por isso, há casos em que reinam os vilões, em que o espectador está sozinho com eles – ou quase. É o caso de obras desafiadoras como Laranja Mecânica ou Taxi Driver, nas quais seus protagonistas são também os vilões e, por consequência, representam o espaço e sintetizam a sociedade ao redor.

A lista abaixo traz vilões conhecidos e outros pouco lembrados. O apanhado tenta fazer justiça a muitos coadjuvantes que roubam a cena. Trata-se de um mergulho no espaço da maldade que o cinema não cansa de reinventar. Nele, não se pode negar a atração, o choque, os efeitos causados por grandes antagonistas. À lista.

100) Michael Myers (Tony Moran) em Halloween – A Noite do Terror

99) Edwin Epps (Michael Fassbender) em 12 Anos de Escravidão

98) Margot Shelby (Jean Gillie) em A Mulher Dillinger

97) Regan/ O Diabo (Linda Blair) em O Exorcista

96) John Fitzgerald (Tom Hardy) em O Regresso

95) General Paul Mireau (George Macready) em Glória Feita de Sangue

94) Iago (Micheál MacLiammóir) em Otelo

93) O Comandante (Idris Elba) em Beasts of No Nation

92) Sargento Barnes (Tom Berenger) em Platoon

91) Senhora Sebastian (Leopoldine Konstantin) em Interlúdio

90) Joe Cooper (Matthew McConaughey) em Killer Joe – Matador de Aluguel

89) Amy Dunne (Rosamund Pike) em Garota Exemplar

88) Jack Wilson (Jack Palance) em Os Brutos Também Amam

87) Assassino mascarado (Cameron Mitchell) em Seis Mulheres para o Assassino

86) Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) em O Abutre

85) John Claggart (Robert Ryan) em Billy Budd

84) Capitão Munsey (Hume Cronyn) em Brutalidade

83) Isabelle de Merteuil (Glenn Close) em Ligações Perigosas

82) Jeanne (Isabelle Huppert) e Sophie (Sandrine Bonnaire) em Mulheres Diabólicas

81) Alonzo Harris (Denzel Washington) em Dia de Treinamento

80) Vince Stone (Lee Marvin) em Os Corruptos

79) Annie Wilkes (Kathy Bates) em Louca Obsessão

78) Bill Cutting (Daniel Day-Lewis) em Gangues de Nova York

77) Verbal Kint (Kevin Spacey) em Os Suspeitos

76) Edoardo Nottola (Rod Steiger) em As Mãos Sobre a Cidade

75) Dobbs (Humphrey Bogart) em O Tesouro de Sierra Madre

74) Antonio Salieri (F. Murray Abraham) em Amadeus

73) Louis Cyphre (Robert De Niro) em Coração Satânico

72) O tenente (Anselmo Duarte) em O Caso dos Irmãos Naves

71) Amon Goeth (Ralph Fiennes) em A Lista de Schindler

70) O senhor Brown (Richard Conte) em Império do Crime

69) Matty Walker (Kathleen Turner) em Corpos Ardentes

68) Tommy DeVito (Joe Pesci) em Os Bons Companheiros

67) Vera (Ann Savage) em Curva do Destino

66) Alex Forrest (Glenn Close) em Atração Fatal

65) Harry Lime (Orson Welles) em O Terceiro Homem

64) Enfermeira Ratched (Louise Fletcher) em Um Estranho no Ninho

63) Asami (Eihi Shiina) em Audição

62) C.A. Rotwang (Rudolf Klein-Rogge) em Metrópolis

61) Drácula (Bela Lugosi) em Drácula

60) Senhora Danvers (Judith Anderson) em Rebecca, a Mulher Inesquecível

59) Johnny Rocco (Edward G. Robinson) em Paixões em Fúria

58) Johnny Friendly (Lee J. Cobb) em Sindicato de Ladrões

57) Ricardo III (Laurence Olivier) em Ricardo III

56) Henry (Michael Rooker) em Henry: Retrato de um Assassino

55) John Doe (Kevin Spacey) em Seven: Os Sete Pecados Capitais

54) Zé Pequeno (Leandro Firmino) em Cidade de Deus

53) Margaret White (Piper Laurie) em Carrie, a Estranha

52) Eve (Anne Baxter) em A Malvada

51) Vidal (Sergi López) em O Labirinto do Fauno

50) Barrett (Dirk Bogarde) em O Criado

49) Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) em Sangue Negro

48) Tony Montana (Al Pacino) em Scarface (1983)

47) Mark Lewis (Karlheinz Böhm) em A Tortura do Medo

46) Duke Mantee (Humphrey Bogart) em A Floresta Petrificada

45) Chuck Tatum (Kirk Douglas) em A Montanha dos Sete Abutres

44) Hans Landa (Christoph Waltz) em Bastardos Inglórios

43) Dr. Caligari (Werner Krauss) em O Gabinete do Dr. Caligari

42) Inspetor (Gian Maria Volonté) em A Investigação Sobre Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita

41) Senhor Potter (Lionel Barrymore) em A Felicidade Não se Compra

40) Raymond Lemorne (Bernard-Pierre Donnadieu) em O Silêncio do Lago

39) Szell (Laurence Olivier) em Maratona da Morte

38) HAL 9000 (voz de Douglas Rain) em 2001: Uma Odisseia no Espaço

37) Paul (Arno Frisch) e Peter (Frank Giering) em Funny Games

36) Príncipe Próspero (Vincent Price) em A Orgia da Morte

35) Travis Bickle (Robert De Niro) em Taxi Driver

34) Rico (Edward G. Robinson) em Alma no Lodo

33) Baby Jane Hudson (Bette Davis) em O que Teria Acontecido com Baby Jane?

32) Noah Cross (John Huston) em Chinatown

31) Tony (Paul Muni) em Scarface – A Vergonha de uma Nação

30) O Coringa (Heath Ledger) em Batman – O Cavaleiro das Trevas

29) Hank Quinlan (Orson Welles) em A Marca da Maldade

28) Anton Chigurh (Javier Bardem) em Onde os Fracos Não Têm Vez

27) J.J. Hunsecker (Burt Lancaster) em A Embriaguez do Sucesso

26) Ryunosuke (Tatsuya Nakadai) em A Espada da Maldição

25) Capitão Bligh (Charles Laughton) em O Grande Motim

24) Zé do Caixão (José Mojica Marins) em À Meia-Noite Levarei Sua Alma

23) Jack Torrance (Jack Nicholson) em O Iluminado

22) Conde Orlok (Max Schreck) em Nosferatu

21) Lady Kaede (Mieko Harada) em Ran

20) Alex DeLarge (Malcolm McDowell) em Laranja Mecânica

19) A Bruxa Má do Oeste (Margaret Hamilton) em O Mágico de Oz

18) Pinkie Brown (Richard Attenborough) em O Pior dos Pecados

17) Tom Powers (James Cagney) em O Inimigo Público

16) Eleanor Shaw Iselin (Angela Lansbury) em Sob o Domínio do Mal

15) Regina Giddens (Bette Davis) em Pérfida

14) Tio Charlie (Joseph Cotten) em A Sombra de uma Dúvida

13) Ellen Berent Harland (Gene Tierney) em Amar Foi Minha Ruína

12) Harold Shand (Bob Hoskins) em Caçada na Noite

11) Darth Vader em Guerra nas Estrelas e O Império Contra-Ataca

10) Cody Jarrett (James Cagney) em Fúria Sanguinária

Cagney é pura maldade. Um demônio que não esquece a mãe e que, ao fim, chega ao “topo do mundo” para gritar por ela.

9) Don Lope de Aguirre (Klaus Kinski) em Aguirre, A Cólera dos Deuses

O homem levado pelo rio, e que leva todos seus companheiros à desgraça. Alguém do qual pouco se sabe e retém todo o mal dessa expedição.

8) Harry Powell (Robert Mitchum) em O Mensageiro do Diabo

Pode ser até mesmo cômico em alguns momentos. Com os dedos marcados, torna a vida de duas crianças um inferno.

7) Mabuse (Rudolf Klein-Rogge) em Dr. Mabuse – O Jogador

Fritz Lang fez de Mabuse a síntese do mal que recairia sobre a Alemanha anos mais tarde – e voltaria a ele em outros filmes fantásticos.

6) Frank Booth (Dennis Hopper) em Veludo Azul

É assustador até mesmo quando ajoelha à mulher que aprisiona e interpreta uma criança em busca do seio da mãe.

5) Norman Bates (Anthony Perkins) em Psicose

Duas personalidades duelam nessa figura atormentada, assexuada, que observa a nova vítima com alguma curiosidade antes de atacá-la.

4) Frank (Henry Fonda) em Era Uma Vez no Oeste

Mais lembrado por heróis e figuras honestas, Fonda está assustador como esse pistoleiro que mata adultos e crianças.

3) Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) em O Silêncio dos Inocentes

Ninguém esquece o momento em que ele conta como matou e, em seguida, comeu o fígado da vítima com favas e “um bom Chianti”.

2) Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck) em Pacto de Sangue

A falsa loura mobiliza um homem aos seus pés para matar o marido e, claro, ficar com o dinheiro do falecido ao fim.

1) Michael Corleone (Al Pacino) em O Poderoso Chefão – Parte 2

Transformado em líder na primeira parte, de rapaz assustado à chefe mafioso vingativo, Michael forma-se vilão na segunda parte. É capaz de matar o próprio irmão quando é traído. Seus movimentos são calculados, sua frieza é extrema. Assusta justamente porque é real e palpável.

Atores presentes em dois filmes: Al Pacino, Bette Davis, Daniel Day-Lewis, Edward G. Robinson, Glenn Close, Humphrey Bogart, James Cagney, Kevin Spacey, Laurence Olivier, Orson Welles, Robert De Niro e Rudolf Klein-Rogge.

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Um Misterioso Assassinato em Manhattan, de Woody Allen

O contraponto à imaginação de Carol é a dúvida de Larry: enquanto ela acredita que o vizinho tenha matado a própria mulher, ele insiste que isso não passa de delírio. O suposto crime surge como possibilidade de mudança à vida do casal.

Como em Janela Indiscreta, mas sem a janela, e no campo da comédia. E com um casal com anos de vida a dois, em um mesmo apartamento, que esbarra em seu vizinho pelo corredor do prédio. Ela, falante, quer se aproximar do estranho, ao contrário dele, retraído e engraçado, que luta para seguir em sua vida pacata.

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um misterioso assassinato em manhattan

Em Um Misterioso Assassinato em Manhattan, o homem da relação é vivido pelo próprio diretor, Woody Allen, perfeito como alguém em dúvida, que esnoba as possíveis aventuras da vida, ou que simplesmente tem medo.

O comodismo da personagem transmite um pouco do próprio Allen, limitado a certos ambientes, criações, histórias de pessoas reais em seus apartamentos frios de Manhattan. Por outro lado, a trama empurra a obra sempre à ficção: é a história de um assassinato que talvez tenha ocorrido, ou apenas a insistência em ver em excesso.

Volta-se, assim, a Janela Indiscreta, à dúvida que paira por algum tempo. Ao observar os vizinhos pela janela, a personagem de James Stewart começa, aos poucos, a dar “vida” a cada uma delas, a lhes conferir “contornos”. A tal história.

No filme de Allen, tal necessidade cabe à personagem de Diane Keaton, sua parceria em trabalhos anteriores e marcantes. Como Carol, ela encontra no crime do vizinho a possibilidade de mudar a rotina: é sua fonte de felicidade, a grande descoberta.

Larry demora a acreditar nela. Até então, a mulher já invadiu o apartamento do assassino, já o seguiu pelas ruas de Nova York e talvez já tenha cruzado, em mente, todas as possibilidades que o teriam levado a matar a própria mulher – com pitadas de cinema, claro, o que remete a outro clássico: Pacto de Sangue, de Billy Wilder.

um misterioso assassinato em manhattan2

A certa altura, eles vão ao cinema assistir à obra-prima noir da década de 40. É sobre uma mulher esperta que se une a um corretor de seguros para matar o próprio marido. Nos crimes à tona, há sempre dinheiro e amantes, o que não escapa à obra de Allen.

À medida que avança, fica ainda melhor: o diretor acrescenta passagens que beiram o surreal – o que só aumenta a dúvida sobre o suposto delírio, o “ver em excesso” – e coloca outras personagens marcantes, como o amigo cheio de imaginação interpretado por Alan Alda e a escritora e cliente de Larry, vivida por Anjelica Huston.

Na melhor sequência do filme, todos conversam sobre o que teria levado o vizinho a matar a mulher. À exceção da própria Carol, todos se aproximam cada vez mais. É como se a história não mais lhe pertencesse. Começa a tomar novas dimensões.

O que, não por acaso, leva à arquitetura de uma investigação que esbarra no próprio cinema: inclui testes de atores, câmeras, sala de edição.

À frente, nova referência, de novo a uma grande obra, A Dama de Shanghai, de Orson Welles, com a reprodução da clássica cena da sala de espelhos. O cinema é reflexo, não realidade bruta. É “ver em excesso”, com crimes, aventuras e boas gargalhadas.

(Manhattan Murder Mystery, Woody Allen, 1993)

Nota: ★★★★☆

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Dez loiras fatais do cinema

Elas compõem o grupo das damas fatais, ou femme fatales, que por muito tempo povoou o cinema noir americano. São mulheres perigosas, capazes de tornar a vida dos companheiros um verdadeiro inferno. Boa parte delas não ama. Algumas ainda mostram sentimentos e podem se transformar ao fim. Abaixo, dez loiras de filmes inesquecíveis.

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Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck) em Pacto de Sangue

O diretor Billy Wilder confessou que a peruca loira era proposital. A ideia era tornar Stanwyck uma “mulher barata”. Sua composição é assustadora e histórica.

Barbara Stanwyck

Cora Smith (Lana Turner) em O Destino Bate à Sua Porta

Difícil esquecer a primeira aparição de Smith, a loira aproveitadora em um restaurante à beira da estrada, casada com o homem errado, sob os flertes de John Garfield.

o destino bate à sua porta

Elsa Bannister (Rita Hayworth) em A Dama de Shangai

Tão perfeita quanto Hayworth no papel – o oposto da Gilda de cabelos volumosos – é o “pato” interpretado por Orson Welles, também diretor e então marido da atriz.

a dama de shangai

Gabrielle (Gaby Rodgers) em A Morte Num Beijo

A falsidade e o desejo ficam claros na forma como ela alisa a mala, a suposta Caixa de Pandora. Ela engana o anti-herói de Ralph Meeker e, a certa altura, ousa abrir a caixa.

a morte num beijo

Madeleine/Judy (Kim Novak) em Um Corpo que Cai

Em meio ao jogo que inclui o medo de altura do herói de James Stewart, ela terá novamente de assumir os cabelos loiros ao fim, ser sua velha personagem.

um corpo que cai

Marnie Edgar (Tippi Hedren) em Marnie, Confissões de uma Ladra

O terreno é, de novo, o de Hitchcock, com suas relações psicanalíticas, sobre uma ladra compulsiva e um ricaço que talvez deseje fazer amor com ela enquanto esteja roubando.

marnie

Alex Forrest (Glenn Close) em Atração Fatal

Não é muito bonita. Torna-se cada vez mais estranha, repulsiva: mata pequenos animais, faz jogos com a mulher do amante e até leva o filho dele para passear.

atração fatal

Catherine Tramell (Sharon Stone) em Instinto Selvagem

Lembrada pela cruzada de pernas, Stone está à vontade e se deixa levar pelo jogo perigoso. Paul Verhoeven acerta o tom nessa homenagem aos homens fracos do cinema.

instinto selvagem

Lynn Bracken (Kim Basinger) em Los Angeles: Cidade Proibida

Hollywood abriga figuras falsas, prostitutas com rostos de atrizes. É o caso de Bracken, sósia de Veronica Lake, que coloca os dois protagonistas e policiais a seus pés.

los angeles cidade proibida

Laure/Lily (Rebecca Romijn) em Femme Fatale

Os filmes de Brian De Palma sempre foram acusados de beber na fonte de Hitchcock. Os ingredientes são irresistíveis: a bela fatal, o mundo do cinema e identidades trocadas.

femme fatale

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Os dez maiores perdedores da história do Oscar

Ao todo, os dez filmes da lista abaixo somam 89 indicações ao prêmio mais famoso do cinema. Desse bolo não saiu sequer uma estatueta. Alguns tiveram mais indicações – e para prêmios mais importantes – do que outros. No geral, mostram que nem sempre filmes queridos vencem muito – além de serem vítimas das circunstâncias, envolvendo outros concorrentes de cada ano.

A lista abaixo leva em conta o número de indicações para um único filme. Quanto mais indicado, mais alto estará no ranking. Entre os filmes com o mesmo número de indicações, aqueles que foram lembrados em categorias menos importantes galgaram posições mais altas. Como se vê, há grandes obras que não ganharam nada.

10) Pacto de Sangue, de Billy Wilder

Indicado a sete Oscars em 1945: melhor filme, diretor, atriz, roteiro, fotografia, trilha sonora e som. Não ganhou nenhum.

Clássico filme noir dirigido por Wilder, que receberia o Oscar no ano seguinte por Farrapo Humano, sobre os males do alcoolismo. Apesar do bom momento de Fred MacMurray, quem rouba a cena é Barbara Stanwyck, grande dama fatal.

pacto de sangue

9) Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont

Indicado a sete Oscars em 1995: melhor filme, ator, roteiro adaptado, fotografia, edição, trilha sonora e som. Não ganhou nenhum.

Um dos filmes mais adorados do cinema (primeiro lugar na lista dos melhores de todos os tempos do IMDB) é também um dos perdedores notórios dos prêmios da Academia. Sequer o diretor foi indicado. Era o ano de Forrest Gump, que levou muito.

um sonho de liberdade

8) O Poderoso Chefão – Parte 3, de Francis Ford Coppola

Indicado a sete Oscars em 1991: melhor filme, diretor, ator coadjuvante, fotografia, direção de arte, edição e trilha sonora. Não ganhou nenhum.

Os dois primeiros filmes da saga ganharam como melhor filme. A segunda parte, de 1974, deu o Oscar para Coppola. O terceiro, feito mais tarde e com um chefão cansado (Al Pacino), não empolgou tanto. Dança com Lobos foi o grande vencedor dessa edição.

o poderoso chefão 3

7) O Homem Elefante, de David Lynch

Indicado a oito Oscars em 1981: melhor filme, diretor, ator, roteiro adaptado, direção de arte, figurino, edição e trilha sonora. Não ganhou nenhum.

Lembrado por suas incursões surrealistas, Lynch realiza um drama em preto e branco, no qual o ator central, John Hurt, passa o filme inteiro sob pesada maquiagem para viver John Merrick. Consegue momentos sublimes e ainda tem Anthony Hopkins no elenco.

o homem elefante

6) Vestígios do Dia, de James Ivory

Indicado a oito Oscars em 1994: melhor filme, diretor, ator, atriz coadjuvante, roteiro adaptado, direção de arte, figurino e trilha sonora. Não ganhou nenhum.

Belo drama de emoções contidas, com Anthony Hopkins e Emma Thompson, passado em uma mansão. A delicadeza do cineasta é conhecida. No ano anterior, o diretor chegou também ao prêmio com o belo Retorno a Howards End.

vestígios do dia

5) Trapaça, de David O. Russell

Indicado a dez Oscars em 2014: melhor filme, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original, figurino, edição e direção de arte. Não ganhou nenhum.

Em um ano em que os prêmios foram divididos entre 12 Anos de Escravidão e Gravidade, o filme do badalado O. Russell ficou sem nada. Narra os trambiques e aventuras de quatro personagens, entre política, máfia e ações do FBI.

trapaça

4) Bravura Indômita, de Ethan e Joel Coen

Indicado a dez Oscars em 2011: melhor filme, diretor, ator, atriz coadjuvante, roteiro adaptado, fotografia, figurino, direção de arte, mixagem de som e edição de som. Não ganhou nenhum.

A Academia preferiu O Discurso do Rei ao bom faroeste dos Coen, que já havia sido filmado nos anos 60 com John Wayne no papel de Rooster Cogburn (e que lhe valeu o Oscar). Nem a bela fotografia de Roger Deakins recebeu a estatueta dourada.

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3) Gangues de Nova York, de Martin Scorsese

Indicado a dez Oscars em 2003: melhor filme, diretor, ator, roteiro original, fotografia, direção de arte, figurino, edição, trilha sonora e som. Não ganhou nenhum.

O pior filme de Scorsese dos últimos anos foi bem representado ao Oscar e terminou sem prêmios. O cineasta levou o Globo de Ouro, mas perdeu a estatueta dourada para Roman Polanski e seu O Pianista. O destaque fica para Daniel Day-Lewis.

gangues de nova york

2) Momento de Decisão, de Herbert Ross

Indicado a 11 Oscars em 1978: melhor filme, diretor, atriz (duas vezes), ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original, fotografia, direção de arte, edição e som. Não ganhou nenhum.

A rivalidade entre antigas bailarinas dá corpo a esse drama de Ross, também à frente de outro filme de sucesso – e indicado ao Oscar – no mesmo ano: A Garota do Adeus. Ao centro, duas grandes atrizes da época, Anne Bancroft e Shirley MacLaine.

momento de decisão

1) A Cor Púrpura, de Steven Spielberg

Indicado a 11 Oscars em 1986: melhor filme, atriz, atriz coadjuvante (duas vezes), roteiro adaptado, fotografia, direção de arte, figurino, trilha sonora, canção e maquiagem. Não ganhou nenhum.

Ninguém entendeu, à época, a ausência de Spielberg na categoria de melhor diretor – mesmo tendo vencido, no mesmo ano, o prêmio do Sindicato dos Diretores. Filme tocante, com Whoopi Goldberg em seu melhor momento. No mesmo ano, o grande vencedor foi Entre Dois Amores. Outros filmes de peso se destacaram nessa edição, como A Testemunha, vencedor nas categorias de roteiro original e edição, e RAN, de Kurosawa, com o melhor figurino.

cor purpura

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