Os Bons Companheiros

Bastidores: Cassino

Com Cassino, Martin Scorsese, dizem, teria feito a continuação de Os Bons Companheiros. É a acusação de quem tenta diminuir a obra. Semelhantes, não iguais. Cassino deseja ampliar o olhar à máfia a partir de toda luxuria disponível, de todo poder à mão. E Sharon Stone vibrando, entre um lance e outro, resume a loucura americana.

Filme com a assinatura de Scorsese, de detalhes inesquecíveis – como a marca da poeira do veículo pelo reflexo dos óculos de Robert De Niro, ou mesmo os movimentos rápidos de câmera, tão rápidos quanto o olhar do protagonista às jogadas no interior do cassino, o que leva à descoberta de golpistas e supostos sortudos.

À época, Scorsese já havia provado ser um dos grandes no ofício da direção. De Niro e Pesci já tinham entrosamento, como se viu em Touro Indomável. E Stone era a joia a ser lapidada, perfeita à personagem.

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Os dez melhores filmes com Robert De Niro

O abismo entre os primeiros filmes de Robert De Niro e os mais recentes tornou-se evidente. Antes, havia ousadia, ao lado de cineastas como Roger Corman, em Os Cinco de Chicago, ainda antes de se tornar astro. Depois, o sucesso da segunda parte de O Poderoso Chefão, as incursões pelas obras de Scorsese e dois Oscars.

Dentro e fora das telas, De Niro sempre pareceu difícil: mesmo quando interpretava papéis que lhe permitiam ser amável, como em Tempo de Despertar, não excluía a forma impenetrável. Era quase sempre amargo e durão. Isso seria ainda mais evidente nos filmes com Scorsese, pelos quais ganharia os contornos do mafioso.

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Na atualidade, tornou-se ele próprio uma personagem – talvez para evitar aqui o rótulo “caricatura”. Em filmes menores e divertidos como A Família e Trapaça, resta a sombra do De Niro anterior – mas nunca grande como antes. Deixa saudades.

10) Coração Satânico, de Alan Parker

É o próprio Demônio, enganador, perfeito para De Niro. A cena mais famosa, claro, é aquela em que descasca o ovo – metáfora para sua relação com o protagonista.

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9) 1900, de Bernardo Bertolucci

No épico de Bertolucci, De Niro é Alfredo, um dos dois jovens nascidos no mesmo dia, as esperanças e frustrações da Itália em diferentes períodos, até a chegada do fascismo.

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8) O Franco Atirador, de Michael Cimino

Três amigos vão da pequena cidade à Guerra do Vietnã. De metalúrgicos passam a soldados. Mais tarde, dois retornam mutilados – física e mentalmente – e um terceiro fica para trás.

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7) O Último Magnata, de Elia Kazan

O terreno das grandes estrelas – nos Estados Unidos do cinema clássico – tem esse homem amargo que, sem querer, descobre o amor. Último filme de Elia Kazan.

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6) Caminhos Perigosos, de Martin Scorsese

Logo em sua primeira cena, De Niro, como Johnny Boy, destrói uma caixa do correio. Ao longo do filme, converte-se nos problemas do protagonista de Harvey Keitel.

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5) Era Uma Vez na América, de Sergio Leone

A terceira parte de Leone sobre a América: visão bela e profunda sobre a relação entre amigos, que crescem no crime, até a possível deterioração na vida adulta.

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4) Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese

Novamente como coadjuvante, De Niro está ao meio: não tem a consciência de transformação do protagonista, nem o instinto assassino da personagem de Joe Pesci.

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3) Touro Indomável, de Martin Scorsese

Talvez em seu maior momento como o lutador Jake LaMotta, cujo temperamento difícil revela-se dentro e fora do ringue, na relação com o irmão e com a mulher.

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2) Taxi Driver, de Martin Scorsese

O ator está perfeito como o homem perturbado, que retorna da guerra e, de táxi, circula pela noite de Nova York, talvez para “limpar” toda a sujeira que está por ali.

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1) O Poderoso Chefão – Parte 2, de Francis Ford Coppola

O papel já foi de Brando e, na segunda parte, terminou com De Niro. Seu amor à família e frieza na hora de se tornar um criminoso mostram os dois lados desse grande trabalho.

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Mulheres fortes (em 50 filmes)

As mulheres da lista abaixo lutam para encontrar espaço em um mundo de homens, um mundo de problemas. Tentam quebrar barreiras, às vezes assumir a posição de homens, vestir roupas de homens ou mesmo ser um homem. Nem sempre elas têm sucesso.

Algumas não querem ser homens. Sorte delas. São mulheres fortes – nem sempre heroínas – em sociedades conservadores, ou em jornadas nas quais descobrem seus limites, em batalhas no universo do faroeste, da guerra, da espionagem, da política, da ficção científica e, talvez a maior de todas, da maternidade.

Foram excluídas as vilãs, também as clássicas damas fatais. Nem por isso todas as mulheres abaixo são amadas com facilidade. Algumas inspiram, outras chocam. Todas deixam uma marca na história do cinema e merecem ser lembradas.

50) Shosanna (Mélanie Laurent), em Bastardos Inglórios

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49) Salma Zidane (Hiam Abbass), em Lemon Tree

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48) Julie (Bette Davis), em Jezebel

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47) Otilia (Anamaria Marinca) e Gabita (Laura Vasiliu), em 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias

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46) Karen Hill (Lorraine Bracco), em Os Bons Companheiros

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45) Laura Reynolds (Elizabeth Taylor), em Adeus às Ilusões

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44) Gloria (Jane Fonda), em A Noite dos Desesperados

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43) Alicia Huberman (Ingrid Bergman), em Interlúdio

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42) Isadora (Fernanda Montenegro), em Central do Brasil

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41) Karen Silkwood (Meryl Streep), em Silkwood – O Retrato de uma Coragem

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40) A mulher do médico (Julianne Moore), em Ensaio Sobre a Cegueira

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39) Julia (Vanessa Redgrave) e Lillian (Jane Fonda), em Julia

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38) A Noiva (Uma Thurman), em Kill Bill: Volume 1 e 2

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37) Capitã Anne Providence (Jean Peters), em A Vingança dos Piratas

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36) Mamma Roma (Anna Magnani), em Mamma Roma

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35) Marie “Slim” Browning (Lauren Bacall), em Uma Aventura na Martinica

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34) Sandra (Marion Cotillard), em Dois Dias, Uma Noite

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33) Rosa Luxemburgo (Barbara Sukowa), em Rosa Luxemburgo

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32) Karen (Ingrid Bergman), em Stromboli

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31) Brandon Teena (Hilary Swank), em Meninos Não Choram

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30) Naomi Murdoch (Barbara Stanwyck), em Desejo Atroz

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29) Marge Gunderson (Frances McDormand), em Fargo

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28) Gilda Mundson Farrell (Rita Hayworth), em Gilda

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27) Monika Eriksson (Harriet Andersson), em Mônica e o Desejo

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26) Louise Bryant (Diane Keaton), em Reds

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25) Eva Hermann (Hedy Lamarr), em Êxtase

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24) Lisbeth Salander (Rooney Mara), em Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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23) Manuela (Cecilia Roth), em Tudo Sobre Minha Mãe

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22) Carmen Jones (Dorothy Dandridge), em Carmen Jones

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21) Margo Channing (Bette Davis), em A Malvada

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20) Maria (Izolda Izvitskaya), em O Quadragésimo Primeiro

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19) Nikita (Anne Parillaud), em Nikita – Criada para Matar

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18) Julie Vignon (Juliette Binoche), em A Liberdade é Azul

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17) Louise Sawyer (Susan Sarandon) e Thelma (Geena Davis), em Thelma & Louise

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16) Jessica Drummond (Barbara Stanwyck), em Dragões da Violência

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15) Lucia Harper (Joan Bennett), em Na Teia do Destino

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14) Bonnie Parker (Faye Dunaway), em Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas

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13) Rachel Cooper (Lillian Gish), em O Mensageiro do Diabo

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12) Pearl Chavez (Jennifer Jones), em Duelo ao Sol

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11) Karen Blixen (Meryl Streep), em Entre Dois Amores

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10) Rainha Christina (Greta Garbo), em Rainha Christina

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9) Eve Olivier (Jeanne Moreau), em Eva

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8) Ryan Stone (Sandra Bullock), em Gravidade

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7) Norma Rae (Sally Field), em Norma Rae

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6) Gloria Swenson (Gena Rowlands), em Gloria

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5) Kelly (Constance Towers), em O Beijo Amargo

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4) Ripley (Sigourney Weaver), Alien, o Oitavo Passageiro

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3) Clarice Starling (Jodie Foster), em O Silêncio dos Inocentes

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2) Scarlett O’Hara (Vivien Leigh), em E o Vento Levou

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1) Vienna (Joan Crawford), em Johnny Guitar

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Os dez melhores indicados ao Oscar que não venceram o prêmio (anos 90)

Duas coisas difíceis de imaginar ocorreram nos anos 90, no prêmio Oscar: os astros Kevin Costner e Mel Gibson ganharam injustamente o prêmio de melhor diretor, ambos em típicos filmes que a Academia adora, Dança com Lobos e Coração Valente. Foi a década em que Clint Eastwood finalmente ganhou (Os Imperdoáveis) e Spielberg também (A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan). Outros, como Terrence Malick, voltaram à cena. Nessa época, a decadência do cinema americano era visível e bastava uma comparação com outras décadas para constatar isso. Ainda assim, grandes indicados saíram de mãos vazias.

10) Vestígios do Dia, de James Ivory

O velho mordomo da grande casa demonstra, com dificuldade, amor pela nova governanta nesse filme de emoções contidas.

Vencedor do ano: A Lista de Schindler

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9) Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick

Sem filmar desde Cinzas no Paraíso, Malick decide retornar com foco na guerra, com a convivência entre o cético e o religioso.

Vencedor do ano: Shakespeare Apaixonado

além da linha vermelha

8) Segredos e Mentiras, de Mike Leigh

Como em Naked, Leigh retorna às pessoas comuns, ao drama de “pia e cozinha” sobre a filha negra que reencontra a mãe.

Vencedor do ano: O Paciente Inglês

segredos e mentiras

7) JFK – A Pergunta que Não Quer Calar, de Oliver Stone

As tantas perguntas fazem a obra parecer uma grande colagem, algo cheio de ambição, de novo a incendiar o debate sobre Kennedy.

Vencedor do ano: O Silêncio dos Inocentes

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6) Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont

O rapaz rico percorre um cano com merda para sair limpo do outro lado. Preso por vinte anos, ele tem a chance de escapar.

Vencedor do ano: Forrest Gump: O Contador de Histórias

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5) Los Angeles – Cidade Proibida, de Curtis Hanson

A certa altura, um policial certinho acredita estar lidando com uma sósia de Lana Turner. Mero engano: trata-se da verdadeira.

Vencedor do ano: Titanic

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4) Fargo, de Joel Coen

A policial grávida e bondosa persegue dois bandidos estranhos. Não há nada de muito complexo, o que não retira a profundidade da obra.

Vencedor do ano: O Paciente Inglês

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3) O Piano, de Jane Campion

O piano une as personagens e, ao fim, termina no fundo do mar. O drama inclui a pianista muda, sua filha, o marido malvado e o amante rústico.

Vencedor do ano: A Lista de Schindler

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2) Pulp Fiction – Tempos de Violência, de Quentin Tarantino

O diálogo da abertura dá o tom: é rápido, esperto, imprevisível como na famosa cena da injeção de adrenalina no coração.

Vencedor do ano: Forrest Gump: O Contador de Histórias

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1) Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese

O narrador revela-se, no início, após ele e os amigos esfaquearem um homem: “Até onde me lembro, eu sempre quis ser um gângster”.

Vencedor do ano: Dança com Lobos

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Dez planos-sequência inesquecíveis

Pode, para alguns, parecer navegação. Para outros, uma simples andança. Ou ainda um mergulho, uma processo de fluidez sem cortes. Nas mãos de grandes diretores, a possibilidade de invenção: levar o espectador a momentos inimagináveis e de rara beleza. Abaixo, dez planos-sequência que estão entre os melhores já feitos.

10) A caçada no estádio (O Segredo de Seus Olhos, de Juan José Campanella)

9) A Caminhada (Sátántangó, de Béla Tarr)

8) A chegada no restaurante (Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese)

7) O assalto ao banco (Mortalmente Perigosa, de Joseph H. Lewis)

6) Fuga na estação (O Pagamento Final, de Brian De Palma)

5) Incêndio lá fora (O Espelho, de Andrei Tarkovski)

4) Dentro do estúdio (O Jogador, de Robert Altman)

3) Através da janela (Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni)

2) Funeral (Eu Sou Cuba, de Mikhail Kalatozov)

1) Na fronteira (A Marca da Maldade, de Orson Welles)