Operação França

Bastidores: Operação França

Operação França foi filmado em Nova York durante cinco semanas ao longo do inverno de 1970 e 1971. O produtor Philip D’Antoni acreditava que Bullit tinha feito sucesso por causa de sua eletrizante sequência de perseguição pelas ruas de São Francisco, e insistiu com Friedkin para que incluísse uma no filme também. Friedkin concordou, filmando a vertiginosa perseguição entre um carro e o metrô de superfície que tornou Operação França merecidamente famoso. Foi uma filmagem difícil, e Friedkin estava frequentemente instável e deprimido.

Peter Biskind, escritor, em Como a Geração Sexo, Drogas e Rock and Roll Salvou Hollywood (Editora Intrínseca; pg. 214). Abaixo, William Friedkin durantes as filmagens, ao lado dos atores Gene Hackman e Roy Scheider.

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Oito grandes filmes que terminam com portas fechando

De dentro para fora ou o oposto, para se sentir preso ou para ver a prisão dos outros. São assim as cenas da lista abaixo, de filmes variados, dirigidos por gênios da sétima arte. Certamente há milhares de obras com encerramentos semelhantes. A lista é apenas um apanhado rápido, de grandes filmes que seguem na memória do cinéfilo.

O Testamento do Dr. Mabuse, de Fritz Lang

Lang teve tempo de dirigir essa grande produção antes de fugir da Alemanha nazista. Seu filme mostra muitos problemas da época: como o nazismo e seu líder, Mabuse é onipresente. Suas forças agem como um vírus, um fantasma perseguidor, e o final mostra que a loucura segue viva em outro homem enclausurado.

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Interlúdio, de Alfred Hitchcock

O mestre do suspense, ao fim de Interlúdio, seu melhor filme dos anos 40, não precisa mostrar a morte do vilão. Prefere a sutiliza da porta fechada e, pouco antes, o caminhar do nazista (Claude Rains) ao covil dos comparsas, na bela mansão. O herói (Cary Grant) não lhe deu espaço em seu carro ao salvar a amada indefesa (Ingrid Bergman).

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Rastros de Ódio, de John Ford

Para alguns, o maior filme de Ford. Começa com a imagem da porta que se abre, do homem (John Wayne) que retorna da Guerra Civil e é recebido pela família. Mais tarde, ele encontra nova tragédia: os índios matam e raptam seus parentes. Ele sai em busca de justiça, da pequena sobrinha (transformada em índia) e, ao fim, volta ao isolamento.

rastros de ódio

Estranho Acidente, de Joseph Losey

O mestre Losey volta a trabalhar com um roteiro de Harold Pinter depois do magistral O Criado e explora um curioso jogo de desejos e relacionamentos sob o verniz de belos ambientes. O encerramento leva ao esconderijo: o pai de família (Dirk Bogarde) retorna para sua mansão e o espectador ainda ouve o som do acidente de carro.

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Os Rapazes da Banda, de William Friedkin

Antes de alcançar fama mundial com Operação França e O Exorcista, Friedkin dirigiu esse drama intimista sobre um grupo de amigos gays que se reúne para comemorar o aniversário de um deles. Após muitas discussões, jogos e velhas histórias, Michael (Kenneth Nelson) pede que seu companheiro apague a luz antes de sair.

os rapazes da banda

O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola

É o momento em que, ao olhar da mulher (Diane Keaton), o marido (Al Pacino) assume o posto de chefão da máfia, da família, e recebe os comparsas para ter a mão beijada. Leva à escuridão e à não menos genial música de Nino Rota, além de confirmar a ideia geral de Coppola: uma obra sobre salas fechadas, apenas para alguns convidados.

o poderoso chefão

Kramer vs. Kramer, de Robert Benton

Drama belo e sincero, às vezes feito apenas de olhares, como no momento em que Ted (Dustin Hoffman) conta com a ajuda do pequeno filho Billy (Justin Henry) para fazer o café da manhã. Eles aguardam a chegada da mãe, que deverá levar o menino embora. Após um diálogo revelador, o elevador fecha-se e a obra chega ao fim.

kramer vs kramer

O Jogador, de Robert Altman

No reino de Hollywood, os criminosos saem pela porta da frente. Aqui, o protagonista (Tim Robbins) é um produtor de cinema perseguido por um roteirista vingativo, alguém que precisa se salvar. Na cena final, antes de caminhar para sua mansão, ele confere a barriga da mulher grávida e anuncia assim a chegada do herdeiro. Ele venceu.

o jogador

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Dez grandes filmes americanos esquecidos pelo Oscar (2006-2014)

Acostumado a esquecer, ou simplesmente ignorar, as produções estrangeiras, o Oscar também tem cometido injustiças com produções americanas. Não se trata de esquecê-las em uma ou em outra categoria, mas em todas.

A situação ainda é mais complicada quando se constata que nenhum dos filmes abaixo faria feio na categoria principal. Ainda pior é pensar que mesmo com a mudança nas regras – de cinco para até dez indicados para melhor filme – alguns desses filmes terminaram de fora da festa – isso, claro, sem falar dos atores e de toda a produção.

A Última Noite, de Robert Altman

O capítulo final de Altman passa-se na última apresentação de um programa de rádio, com seus tipos americanos e um anjo que passa por ali para visitar esses artistas.

a última noite

Zodíaco, de David Fincher

A reconstrução do caso envolvendo um suposto serial killer chamado Zodíaco. Ainda mais, a oportunidade de Fincher em explorar a paranoia e fazer algo oposto a Seven.

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Amantes, de James Gray

Pela janela do quarto, o rapaz judeu interpretado por Joaquin Phoenix tem uma visão apaixonante: é a bela e problemática vizinha, por quem ele está interessado.

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Ilha do Medo, de Martin Scorsese

O diretor diz ter se inspirado em filmes de Fuller e de outros mestres para compor essa obra sobre um homem preso a si mesmo, em uma ilha, em meio a um labirinto.

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Killer Joe – Matador de Aluguel, de William Friedkin

O diretor de Operação França tem um momento inspirado ao abordar as relações de uma família disfuncional com o matador implacável vivido por Matthew McConaughey.

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O Abrigo, de Jeff Nichols

Poderoso estudo sobre o medo, em clima pós-11 de setembro: a história de um pai de família que constrói um abrigo e é visitado pela imagem de uma tempestade.

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Frances Ha, de Noah Baumbach

Comédia leve sobre a amizade, sobre a menina do título, que tem a vida transformada quando sua melhor amiga arruma um namorado – o que ela entende como traição.

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Era Uma Vez em Nova York, de James Gray

Talvez o melhor filme de Gray, sobre uma imigrante na Nova York do início da década de 20, confrontada pelo inesperado e entre dois homens diferentes.

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O Ano Mais Violento, de J.C. Chandor

Nova York novamente ganha espaço: é o terreno no qual um empresário tenta sobreviver e ser honesto – apesar das ambições da mulher e dos inimigos.

o ano mais violento

Dívida de Honra, de Tommy Lee Jones

Faroeste extraordinário com um protagonista pouco cativante. É sobre um beberrão e uma solteirona em uma diligência com três mulheres enlouquecidas.

dívida de honra

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Acelerando nos bastidores

À medida que os filmes ganhavam realismo, foram necessárias adaptações para captar o movimento de forma convincente, de colocar o espectador no meio da ação. Às vezes, correr riscos. É o que se vê abaixo, em diferentes filmes.

Ben-Hur, de William Wyler

A famosa sequência da corrida de bigas é o ponto alto e, diz a lenda, não teria sido conduzida por Wyler. São alguns dos minutos mais emocionantes da sétima arte.

ben-hur

Operação França, de William Friedkin

O jovem diretor – que depois faria O Exorcista – foi às ruas de Nova York com poucos recursos, com a intenção de superar a sequência de perseguição de Bullitt. Fez história.

operação frança

Mad Max, de George Miller

Mais uma obra que ficou famosa pelas peripécias dos dublês, com sequências de tirar o fôlego. Acabou rendendo boa bilheteria e algumas continuações.

mad max

Os Caçadores da Arca Perdida, de Steven Spielberg

Sequências como essa ficaram manjadas: a personagem, em plena perseguição, segura-se como pode na frente do veículo em movimento. Era o tempo de glória de Spielberg.

caçadores da arca perdida