O Falcão Maltês

Bastidores: Grande Hotel

No início dos anos 1930, cansada da imagem de melindrosa, ela decidiu mudar. Queria lábios grossos. O seu olhar também passaria a ser sua marca registrada. Durante toda essa década foi uma das mais populares estrelas da M-G-M, atuando em muitas ocasiões com Clark Gable. Eles fizeram oito filmes juntos, sempre provocando faíscas sensuais. Em 1932, no elenco de estrelas do mítico Grande Hotel, a atriz partiu para a guerra com a divina Greta Garbo, que reagiu e tentou substituí-la. Como vingança, Joan tocava bem alto os discos de Marlene Dietrich no seu camarim, apenas para Garbo ouvir.

Antonio Nahud, escritor e jornalista, em seu blog O Falcão Maltês (setembro de 2014; leia aqui o texto completo e também uma entrevista feita com Nahud em 2012 pelo autor deste blog).

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Grandes coadjuvantes do cinema clássico

Os atores abaixo foram secundários e marcantes. Alguns, inesquecíveis. E o fato de não terem ganhado um papel central para entrar na memória não fez com que caíssem no esquecimento. Eles são parte indissociável do efeito especial, da magia do cinema clássico. Viveram coadjuvantes de peso, às vezes para dizer besteiras que não podiam ser ditas pelo herói, ou para servirem de vítima ou vilão.

Charles Coburn

Perfeito como o velho bobo e endinheirado, que se deixa levar pelo encanto de belas mulheres – como se viu no divertido Os Homens Preferem as Loiras.

os homens preferem as loiras

Donald Crisp

Em Como Era Verde Meu Vale, que lhe valeu o Oscar, viveu o chefe da família Morgan. Ainda antes, esteve em O Grande Motim e O Nascimento de uma Nação.

o grande motim

Edward Everett Horton

Alguns de seus melhores momentos ocorreram ao lado de Fred Astaire, em musicais. Não sabia dançar, o que não impedia de fazer graça na pele do amigo efeminado.

o picolino

Louis Calhern

Servia bem ao vilão cínico e cafajeste, o que desempenhou em O Segredo das Joias. Teve destaque ainda em Interlúdio e, antes, no delicioso Diabo a Quatro.

o segredo das joias

Sydney Greenstreet

Os poucos filmes não o impediram de deixar sua marca: era misterioso, sob medida ao cinema noir, distante e inconfiável. Ainda assim, surpreendeu em O Intrépido General Custer.

o falcão maltês

Thomas Mitchell

Em 1939, considerado o melhor ano para o cinema, esteve em E o Vento Levou, A Mulher Faz o Homem, O Paraíso Infernal e No Tempo das Diligências. O último lhe rendeu o Oscar.

a mulher faz o homem

Walter Brennan

Amigo beberrão e falador de Bogart ou John Wayne, lembrado pelos filmes de Hawks. Ganhou o Oscar três vezes como coadjuvante, o que o torna um recordista.

onde começa o inferno

Ward Bond

Coadjuvante de ouro de John Ford, Bond esteve em várias produções do cineasta, como Rastros de Ódio e Paixão dos Fortes. Também foi dirigido por Capra e Huston, entre outros.

rastros de ódio

Os cinco melhores personagens coadjuvantes de Humphrey Bogart

Antes de se tornar um astro e ter seu nome em primeiro lugar nos créditos, o que só ocorreu em O Falcão Maltês, Humphrey Bogart fez vários coadjuvantes importantes e lutou para ser reconhecido. Quem deu o empurrão foi seu amigo e ator Leslie Howard, que convenceu a Warner a lhe entregar o papel do temido vilão Duke Mantee, no ótimo A Floresta Petrificada, ainda em 1936. Começava então a nascer o grande ator.

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5) Paul Fabrini, em Dentro da Noite (1940)

Ao lado do irmão vivido George Raft, Fabrini adquire um caminhão, com o qual ambos trabalham. A obra de Raoul Walsh aborda a América injusta, próxima do cinismo do cinema noir. E, de quebra, tem Ida Lupino como vilã.

dentro da noite

4) Michael O’Leary, em Vitória Amarga (1939)

Nesse belo melodrama da safra de 1939, Bogart é o criado da moça rica vivida por Bette Davis. Ambos têm uma relação difícil: ela sabe que vai morrer e ele mostra seu amor de forma bruta. O filme é mais interessante quando estão juntos.

vitória amarga

3) George Hally, em Heróis Esquecidos (1939)

Dois homens retornam da Primeira Guerra Mundial e prosperam nos tempos da Lei Seca. À frente, o homem de James Cagney muda, enquanto Bogart assume a face do vilão. Não é sempre que dois atores desse porte dividem a mesma tela.

heróis esquecidos

2) Baby Face Martin, em Beco Sem Saída (1937)

Sem o amor da mãe e rodeado por alguns moleques malandros, o bandido interpretado pelo ator muda de rosto para retornar ao velho bairro e planeja um sequestro. E ainda encontra tempo para reencontrar um velho amor. No entanto, tudo está diferente.

beco sem saída

1) Duke Mantee, em A Floresta Petrificada (1936)

Todos falam de Mantee antes de sua aparição, naquele bar à beira de estrada. É uma lenda, bandido procurado pela polícia, que cruza o caminho das várias personagens e comprova, em poucos momentos, ser um dos grandes vilões do cinema.

a floresta petrificada

Veja também:
O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston

Os dez melhores indicados ao Oscar que não venceram o prêmio (anos 40)

Durante a Segunda Grande Guerra, Hollywood tratou logo de se engajar. Com o Oscar não foi diferente: veio atrás e premiou produções sobre o conflito, durante e depois. É o caso de Casablanca e, mais tarde, de Os Melhores Anos de Nossas Vidas. Foi também nessa década que o prêmio teria cometido um de seus grandes erros: premiou Como Era Verde Meu Vale e não Cidadão Kane, que ficou com a estatueta na categoria de roteiro. O jovem Orson Welles seria demonizado e perseguido ao retratar a vida de um magnata, baseado em William Randolph Hearst. O resto é história.

10) Os Sapatinhos Vermelhos, de Michael Powell e Emeric Pressburger

A dupla Powell e Pressburger constrói o mundo do teatro com perfeição, com uma jovem bailarina, um produtor obsessivo e um compositor talentoso.

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9) Núpcias de Escândalo, de George Cukor

Um filme que tem Cary Grant, Katharine Hepburn e James Stewart não precisa de mais nada. A história envolve uma garota que quer casar e ainda ama o homem “errado”.

núpcias de escândalo

8) Alma em Suplício, de Michael Curtiz

Em cena, a mãe capaz de tudo. É Mildred Pierce, que chega ao sonho americano, depois ao pesadelo: consegue ascender socialmente e, por isso, acaba perdendo a filha.

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7) Vinhas da Ira, de John Ford

Chamado de diretor de faroestes, Ford, aqui, dá vez aos oprimidos: é a história de uma família que tenta sobreviver e consegue, apesar dos problemas. É o povo.

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6) Pérfida, de William Wyler

Bette Davis brilha no papel da vilã Regina Giddens, mulher de pulso nesse grande filme de Wyler. A obra tem ainda Teresa Wright como a filha que condena os atos da mãe.

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5) O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston

Três maltrapilhos perdidos no México, com os corpos cobertos de poeira, saem em busca do ouro. Tudo teria corrido bem não fosse o mesmo ouro – ou o homem.

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4) Pacto de Sangue, de Billy Wilder

O corretor grandalhão de Fred MacMurray deixa-se levar pelas facilidades de Barbara Stanwyck. É a combinação perfeita para tudo dar errado, como já aponta a narração.

Barbara Stanwyck

3) A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra

Entre os filmes de Natal, talvez seja o mais famoso. Envolve um homem correto que, por meio de um anjo, descobre como seria o mundo caso não existisse.

a felicidade não se compra

2) O Falcão Maltês, de John Huston

O jovem Huston entrega a Bogart seu primeiro filme com o nome no primeiro lugar dos créditos, perfeito exemplo de noir, com a dama de moral duvidosa e o nascimento do anti-herói.

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1) Cidadão Kane, de Orson Welles

Após apavorar os Estados Unidos com a narração de Guerra dos Mundos, Welles ganhou um presente: a possibilidade de dirigir, com total liberdade, seu primeiro filme.

cidadão kane

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Os melhores indicados dos anos 30