O Espírito da Colmeia

Verão 1993, de Carla Simón

A câmera avança à criança que caminha. Suas costas estão próximas, também os cachos. O fundo não é visto facilmente. Há pouca profundidade em Verão 1993, sobre uma menina que perde os pais, vítimas da aids, e, sem saber, carrega o mesmo vírus nesse filme tocante, realista, à base de movimentos e reações verdadeiras.

Para a felicidade do espectador, a criança é criança: sem enfeites, sem frases artificiais, sem aparente interpretação. A câmera está a seu serviço, não o oposto; há momentos em que se vale do registro, do olhar, o da menina real. À casa de campo em que é levada, a menina passa a viver com os tios e a prima, a nova família.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Adaptar-se é o passo seguinte. Observar o novo mundo, a natureza, os muros artificiais, o sangue que sai do joelho e põe medo, a certa altura, na mãe de outra criança, na escola. O sangue é, ao mesmo tempo, sinal de perigo a alguns, sinal de rompimento, de descoberta a essa menina que se depara com o mundo bruto.

Mais tarde, com olhar magnético, ela observa o sacrifício do cordeiro, a maneira como os homens seguram o pescoço do animal até vazar todo sangue. O vermelho é mostrado, posto à cena para se entender do que trata a obra de Carla Simón: a criança fará descobertas sozinha, em silêncio, como se viu em outros grandes filmes da história, como os franceses Brinquedo Proibido e Os Incompreendidos, para ficar em dois exemplos.

Pelo verde que cerca sua nova casa, no campo, ela percorre uma trilha que leva ao buraco de uma árvore, no qual está uma santa. Por ali, espera pelos sinais da mãe morta. Sinais que não surgem, e nem poderiam. O filme é realista, feito do registro, à espera do milagre traduzido pelos menores sinais da infância – milagre nada impossível a essa fase da vida.

É o que resume um filme aparentemente sem conflitos: é da realidade desse pequeno ser curioso, atento às trovoadas, aos movimentos dos novos pais, com ciúme da nova irmã, que trata. Mais tarde, quando cansa de esperar para ir embora, resolve tomar a mochila e partir no meio da noite. Fracassa, claro, para retornar à mesma casa, prometendo tentar de novo – no espírito típico dessa infância de descobertas.

As crianças, entende Simón, como entendia François Truffaut, dispensam interpretações: são, sozinhas, sem esforços, feitas para a câmera. Retorna-se assim ao já citado milagre, à pequenez que dá vez a algo não raro assombroso, à vida que se expõe e à qual não se pede nada senão que se desloque, que observe, que espreite o real.

Não custa lembrar o olhar assustado, inesquecível, da pequena Ana Torrent em O Espírito da Colmeia ou Cria Corvos, grandes filmes espanhóis dos anos 70. O olhar ao fantasma, ao cinema de horror, o olhar que traduz o medo nos tempos de Franco. Na Espanha de Verão 1993, a expressão da menina em cena leva às décadas seguintes, à sombra da aids, ao mesmo tempo à descoberta do sangue, da dor, da ausência dos espíritos.

É contra o mundo real que a criança debate-se. Ao espectador cabe a proximidade, saber de sua doença sem que a mesma saiba. Frida (Laia Artigas) não tem consciência dos problemas. O espectador, por sua vez, assiste às conversas e reações dos adultos, tem acesso ao inesperado, a essa odisseia de momentos extraordinários, ainda assim contidos.

(Estiu 1993, Carla Simón, 2017)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Campo Grande, de Sandra Kogut

A busca pela eternidade em dois filmes de Guillermo del Toro

O desejo de viver mais, ou para sempre, move dois filmes do mexicano Guillermo del Toro, Cronos e A Espinha do Diabo. O primeiro é sobre vampiros, ou sobre um amuleto que converte as pessoas em mortas-vivas, em busca de sangue e condenadas à eternidade; o outro, sobre a presença do limbo, sobre fantasmas.

Há personagens, nos dois casos, que não aceitam a morte. E há crianças que assistem a tudo – e, capazes de encarar o sobrenatural e acreditar, elas compreendem melhor os problemas que os adultos.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

O homem que deseja viver para sempre, em Cronos, é De la Guardia (Claudio Brook), poderoso e preso à sua empresa, castelo de metal onde se guarda em uma sala com estátuas de arcanjos penduradas, em que reveste o religioso. Nesse sentido, talvez duvide de Deus, talvez não tenha crenças. Tenta encontrar o remédio para continuar vivendo, um inseto de metal que pode lhe conferir a eternidade.

Esse objeto é, ao mesmo tempo, mecânico e vivo, dependente do sangue e hospedeiro de um monstro. Objeto pequeno, escondido em um arcanjo, nas mãos de outra importante personagem, Jesus Gris (Federico Luppi). Ao contrário do que aponta seu nome, ela não deseja viver para sempre, está pronta para a morte.

A religião marca presença nos filmes de del Toro. Suas personagens situam-se entre a materialidade e os sinais que chegam por profecias, livros antigos, fantasmas. Contra Jesus, a personagem, está o capanga de De La Guardia, Angel (Ron Perlman), tão asqueroso e violento quanto o vilão de A Espinha do Diabo, o funcionário do internato em que vivem crianças órfãs, Jacinto (Eduardo Noriega).

São seres estranhos que rondam os cantos, que não ligam para quase nada: como vampiros, ainda assim humanos, nutrem-se dos outros, sem que precisem cruzar a linha que separa a realidade do impossível.

Nos dois filmes há também o olhar infantil: para o diretor mexicano, apenas as crianças parecem aceitar com facilidade o universo místico, o outro lado, sem necessariamente lutar contra ele. Talvez por entenderem tal espaço como esperança possível – o que se veria mais tarde no incrível O Labirinto do Fauno.

Em Cronos, a criança é Aurora (Tamara Shanath), neta de Jesus. Criança verdadeira, de olhar curioso, sem que necessite dos típicos gestos orquestrados, comuns ao cinema americano, à imagem que moldou as crianças no cinema. Ela silencia com frequência e pode, a certa altura, praticar um gesto de violência para salvar o avô – morto, depois ressuscitado, e disposto a morrer outra vez.

As crianças representam esperança, tocam bombas sem que estas explodam, tocam monstros sem medo que estes partam para o ataque – o que, é provável, esteja ligado à imagem mais famosa de uma criança e um monstro no cinema, em Frankenstein. No clássico de James Whale de 1931, o monstro, ao que parece, não quer matar a pequena menina. Na tela, nasce uma atração entre opostos: o morto-vivo, ser remendado, ao mesmo tempo um e vários, e a menina que pouco sabe sobre a existência.

Mais tarde, nos anos 70, o diretor espanhol Víctor Erice realizaria O Espírito da Colmeia, passado no período da Guerra Civil Espanhola, quando uma garota, após assistir a Frankenstein, vê-se fascinada pelo monstro.

Nesses tempos difíceis em que a religiosidade, ao fundo, flertava com o fascismo, o cinema revelava monstros. As crianças sentiam-se fascinadas pelo grotesco. Pois em A Espinha do Diabo, passado também no período da Guerra Civil Espanhola, a criança volta a flertar com o monstro. Nesse caso, com o espírito de outra criança, “aquele que sussurra”, que faz a madeira ranger à noite, que visita amigos vivos.

O incrível filme de del Toro de 2001 passa-se em um internato. O jovem Carlos (Fernando Tielve) chega ao local com a mala abarrotada de histórias. É filho de combatentes da guerra civil, colocado ali sob o olhar do médico Casares (também vivido por Federico Luppi) e de Carmen (Marisa Paredes).

O local é afastado. Com frequência, del Toro volta a câmera às grandes portas e janelas. Apresenta o deserto, o horizonte. Para fora só há incertezas. Para dentro, em oposição, há o desejo de fuga, intrigas, medo, ciência e espíritos. O título refere-se às crianças que não conseguiram nascer. Ou que não deveriam ter nascido. Crianças condenadas, utilizadas pela ciência, presas a experiências humanas, conservadas em líquido.

Segundo Casares, há quem acredite que esse líquido – chamado justamente de “águas do limbo” – pode ajudar a rejuvenescer. Mais ainda, há aqueles que creem no sangue das crianças como remédio para prolongar a vida. O tema de Cronos volta à baila.

Carlos, tão curioso, sabe que um espírito vaga por ali. Primeiro sente medo, depois tenta se aproximar. Sabe que se trata de um espírito atormentado, entre dois mundos, disposto a vingar a própria morte nesse estranho “limbo” que leva ao tanque d’água.

As crianças fantasmas são filhos da Guerra Civil Espanhola, condenadas a viver pela eternidade em um meio em que as imagens religiosas e seus templos não resistem às bombas, em que os homens da ciência mostram-se cegos. Como se vê em Cronos, o tempo, para del Toro, é sempre efêmero: enquanto lutam para viver mais e rejuvenescer, algumas personagens estão próximas à morte. A pele apodrece, surgem moscas.

Nos dois filmes, o diretor mostra total controle do suspense. Não se preocupa em exagerar no sangue ou na violência, tampouco dar vida a personagens fáceis. Exemplo disso é a Carmen de Marisa Paredes, que conta com os serviços sexuais de Jacinto e nutre a mente com a poesia e o conhecimento de Casares. Sem saídas, ela vive um inferno de incertezas, ao lado de uma guerra, de crianças inocentes e de espíritos.

(Cronos, Guillermo del Toro, 1993)
(El espinazo del diablo, Guillermo del Toro, 2001)

Notas:
Cronos: ★★★★☆
A Espinha do Diabo: ★★★★☆

Fotos 1 e 3: A Espinha do Diabo
Foto 2: Cronos

Veja também:
Deuses e Monstros, de Bill Condon

Os 100 melhores filmes dos anos 70

Resumir dez anos de grandes filmes em 100 títulos é um desafio. A década de 70 oferece misturas, cinemas variados, como a Novo Hollywood, o Novo Cinema Alemão, os filmes pipoca de Hollywood, o cinema político italiano, além de produções que refletiram, no calor da hora (ou quase), os conflitos do Vietnã. Destaque para cineastas como Coppola, Altman, Fassbinder, Herzog e muitos outros. Uma década para não esquecer. (Atualizado em 11/02/2018)

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

100) Três Mulheres, de Robert Altman

três mulheres foto

99) Tubarão, de Steven Spielberg

tubarão

98) Esta Terra é Minha Terra, de Hal Ashby

esta terra é minha terra

97) Um Lance no Escuro, de Arthur Penn

um lance no escuro

96) As Irmãs Brontë, de André Téchiné

95) Cría Cuervos, de Carlos Saura

cria cuervos

94) Um Dia de Cão, de Sidney Lumet

um dia de cão

93) Esse Obscuro Objeto de Desejo, de Luis Buñuel

esse obscuro objeto de desejo

92) Espantalho, de Jerry Schatzberg

espantalho

91) O Homem de Mármore, de Andrzej Wajda

o homem de mármore

90) Loucuras de Verão, de George Lucas

loucuras de verão

89) Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia, de Sam Peckinpah

tragam-me a cabeça de alfredo garcia

88) A Tocha de Zen, de King Hu

87) Operação França, de William Friedkin

operação frança

86) Um Dia Muito Especial, de Ettore Scola

um dia muito especial

85) O Show Deve Continuar, de Bob Fosse

o show deve continuar

84) A Batalha do Chile – A Luta de um Povo sem Armas, de Patricio Guzmán

1973, AGOSTO 15.- PARO DE CAMIONEROS

83) A Honra Perdida de Katharina Blum, de Volker Schlöndorff e Margarethe von Trotta

a honra perdida de katharina blum

82) Lacombe Lucien, de Louis Malle

lacombe lucien

81) Iracema, Uma Transa Amazônica, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna

iracema

80) Valerie e Sua Semana de Deslumbramentos, de Jaromil Jires

79) Sob o Domínio do Medo, de Sam Peckinpah

sob o domínio do medo

78) Bye Bye Brasil, de Carlos Diegues

bye bye brasil

77) Manhattan, de Woody Allen

manhattan

76) Amor e Anarquia, de Lina Wertmüller

amor e anarquia

75) Manila nas Garras de Néon, de Lino Brocka

74) Trágica Separação, de Claude Chabrol

trágica separação

73) Muito Além do Jardim, de Hal Ashby

muito além do jardim

72) Jeanne Dielman, de Chantal Akerman

jeanne dielman

71) Lenny, de Bob Fosse

lenny

70) Mad Max, de George Miller

mad max

69) Uma História de Amor Sueca, de Roy Andersson

uma história de amor sueca

68) Suspiria, de Dario Argento

67) Barry Lyndon, de Stanley Kubrick

barry lyndon

66) O Franco Atirador, de Michael Cimino

o franco atirador

65) M.A.S.H, de Robert Altman

mash

64) Prelúdio para Matar, de Dario Argento

63) O Enigma de Kaspar Hauser, de Werner Herzog

enigma de kaspar hauser

62) Violência de Paixão, de Luchino Visconti

violência e paixão

61) Diabel, de Andrzej Zulawski

diabel

60) Saló ou Os 120 Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini

saló

59) Cenas de um Casamento, de Ingmar Bergman

cenas de um casamento

58) O Espelho, de Andrei Tarkovski

espelho

57) Os Duelistas, de Ridley Scott

duelistas

56) A Noite Americana, de François Truffaut

a noite americana

55) Performance, de Donald Cammell e Nicolas Roeg

performance

54) Providence, de Alain Resnais

providence

53) A Última Ceia, de Tomás Gutiérrez Alea

a última ceia

52) Os Emigrantes, de Jan Troell

Max von Sydow, Liv Ullman

51) Lilian M: Relatório Confidencial, de Carlos Reichenbach

lilian m

50) A Confissão, de Costa-Gavras

confissão

49) O Mensageiro, de Joseph Losey

mensageiro

48) A Árvore dos Tamancos, de Ermanno Olmi

árvore dos tamancos

47) Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci

último tango

46) O Mercador da Quatro Estações, de Rainer Werner Fassbinder

o mercador das quatro

45) A Longa Caminhada, de Nicolas Roeg

longa caminhada

44) Guerra nas Estrelas, de George Lucas

guerra nas estrelas

43) Corações e Mentes, de Peter Davis

corações e mentes

42) Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni

profissão repórter

41) As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, de Rainer Werner Fassbinder

lágrimas amargas de petra

40) O Garoto Selvagem, de François Truffaut

o garoto selvagem

39) O Último Magnata, de Eli Kazan

LastTycoon_Still_019.tif

38) Cerimônias, de Nagisa Oshima

37) O Discreto Charme da Burguesia, de Luis Buñuel

discreto charme da burguesia

36) Amor de Perdição, de Manoel de Oliveira

35) Domingo Maldito, de John Schlesinger

domingo maldito

34) O Sopro no Coração, de Louis Malle

sopro no coração

33) Caminhos Perigosos, de Martin Scorsese

caminhos perigosos

32) O Medo Devora a Alma, de Rainer Werner Fassbinder

medo devora a alma

31) A Mãe e a Puta, de Jean Eustache

a mãe e a puta

30) O Açougueiro, de Claude Chabrol

o açougueiro

29) Amargo Pesadelo, de John Boorman

amargo pesadelo

28) Solaris, de Andrei Tarkovski

solaris1

27) Um Estranho no Ninho, de Milos Forman

estranho no ninho

26) Cabaret, de Bob Fosse

cabaret

25) Amarcord, de Federico Fellini

amarcord

24) A Viagem dos Comediantes, de Theodoros Angelopoulos

a viagem dos comediantes

23) O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima

império dos sentidos

22) Uma Mulher Sob Influência, de John Cassavetes

uma mulher sob

21) Cada um Vive Como Quer, de Bob Rafelson

cada um vive como quer

20) O Amigo Americano, de Wim Wenders

o amigo americano

19) Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen

noivo neurótico

18) S. Bernardo, de Leon Hirszman

s bernardo

17) Cinzas no Paraíso, de Terrence Malick

cinzas no paraíso

16) Rede de Intrigas, de Sidney Lumet

rede de intrigas

15) Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick

laranja mecânica

14) A Última Sessão de Cinema, de Peter Bogdanovich

última sessão de cinema

13) Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola

apocalypse now

12) Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman

gritos e sussurros

11) Inverno de Sangue em Veneza, de Nicolas Roeg

inverno de sangue

10) Taxi Driver, de Martin Scorsese

De Niro, como Travis, passa suas noites no interior daquele táxi, com diferentes passageiros: com políticos, prostitutas e homens traídos.

taxi driver

9) A Conversação, de Francis Ford Coppola

O protagonista é o paradoxo: ao mesmo tempo plugado em tudo, ao mesmo tempo separado de todos, solitário, fechado em seu próprio universo. E perseguido.

conversação

8) O Espírito da Colmeia, de Victor Erice

A criança assiste o clássico Frankenstein e tem sua vida transformada em plena época da Guerra Civil Espanhola. Obra-prima sobre o universo infantil.

espírito da colmeia

7) Nashville, de Robert Altman

Para Pauline Kael, este é o filme que mais bem revela a loucura da América. Passa-se na cidade-título, com música country e uma campanha política ao fundo.

nashville

6) O Poderoso Chefão – Parte 2, de Francis Ford Coppola

A continuação é tão boa quanto a primeira parte: tem Pacino mais malvado e, de quebra, De Niro como o jovem Corleone pai, sobre os telhados, transformando-se em assassino.

o poderoso chefão2

5) Aguirre, A Cólera dos Deuses, de Werner Herzog

A viagem a lugar nenhum não poderia terminar bem: uma jangada à deriva e o suposto desbravador sozinho, sobre águas escuras, rodeado de macacos, quase morto.

aguirre

4) O Conformista, de Bernardo Bertolucci

É sobre a alienação humana, também sobre a viagem de descoberta de um soldado de Mussolini e a invasão da libertinagem em tempos hostis. O melhor de Bertolucci.

conformista

3) Chinatown, de Roman Polanski

O diretor de origem polonesa realiza um dos grandes filmes noir americano fora do período noir – e ainda faz a inesquecível cena da faca no nariz de Jack Nicholson.

chinatown

2) Quando os Homens são Homens, de Robert Altman

O faroeste gélido de Altman parece às vezes calculado, às vezes livre. Passa-se em um local cheio de lama, com atiradores, cafetões e prostitutas.

quando os homens

1) O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola

Já foi descrito como um filme de salas fechadas, de sussurros, de mortes nem sempre às claras. É uma obra-prima à qual todo mundo recorre, ora ou outra, para lembrar o cinema perfeito. Começa com uma frase irônica – “Eu acredito na América” – e termina com uma mentira.

o poderoso chefão

Os diretores mais presentes na lista:
Quatro filmes: Francis Ford Coppola e Robert Altman.
Três filmes: Bob Fosse, Nicolas Roeg e Rainer Werner Fassbinder.

Veja também:
Os 100 melhores filmes dos anos 80

Os 40 melhores filmes sobre o cinema

Afinal, o que é o cinema? Pensadores já se debruçaram sobre essa pergunta. Em linhas gerais, é a arte na qual a imagem ganha movimento, em que os sonhos aproximam-se da realidade – ou ganham esse aspecto real, fantástico, que apenas o cinema – a sétima das artes – é capaz de captar. Ou, tecnicamente falando: 24 quadros por segundo.

Às vezes, e de forma brilhante, o cinema fala sobre si mesmo. Mestres de países e estilos variados – de Dziga Vertov a Robert Altman – já se dedicaram a colocar na tela a arte e as particularidades de um meio que conheciam tão bem. Abaixo, uma lista sobre filmes que abordam o cinema – da paixão à realização. Também, vale registrar, uma lista que já nasce apaixonante, de alguém apaixonado. Uma lista que demorou certo tempo para ser feita, com pesquisa e cabeça a pensar. O resultado segue abaixo.

40) Serbis, de Brillante Mendoza

serbis

39) Adaptação, de Spike Jonze

adaptação

38) Salve o Cinema, de Mohsen Makhmalbaf

salvem o cinema

37) Barton Fink – Delírios de Hollywood, de Joel Coen

barton fink

36) A Mulher Pública, de Andrzej Zulawski

a mulher pública

35) Sonhos de um Sedutor, de Herbert Ross

sonhos de um sedutor

34) Um Truque de Luz, de Wim Wenders

um truque de luz

33) Depois da Vida, de Hirokazu Koreeda

depois da vida

32) No Decurso do Tempo, de Wim Wenders

no decurso do tempo

31) O Artista, de Michel Hazanavicius

o artista

30) Na Mira da Morte, de Peter Bogdanovich

na mira da morte

29) A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese

a invenção de hugo cabret

28) The Last Movie, de Dennis Hopper

último filme

27) Dia de Estreia, de George Nichols

dia de estreia

26) Ed Wood, de Tim Burton

ed wood

25) Irma Vep, de Olivier Assayas

irma vep

24) Amador, de Krzysztof Kieslowski

amador

23) Corridas de Automóveis para Meninos, de Henry Lehrman

corrida de automóveis para meninos

22) Belíssima, de Luchino Visconti

belíssima

21) King Kong, de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack

king kong

20) Cidade dos Sonhos, de David Lynch

cidade dos sonhos

19) Um Homem com uma Câmera, de Dziga Vertov

um homem com uma câmera

18) No Silêncio da Noite, de Nicholas Ray

no silêncio da noite

17) A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen

a roda púrpura

16) O Desprezo, de Jean-Luc Godard

o desprezo

15) Close-Up, de Abbas Kiarostami

close up

14) A Cidade dos Desiludidos, de Vincente Minnelli

a cidade dos desiludidos

13) O Último Magnata, de Elia Kazan

último magnata

12) A Tortura do Medo, de Michael Powell

a tortura do medo

11) Assim Estava Escrito, de Vincente Minnelli

assim estava escrito

10) O Jogador, de Robert Altman

o jogador

9) Através das Oliveiras, de Abbas Kiarostami

atravès das oliveiras

8) Cantando na Chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen

cantando na chuva

7) Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho

cabra marcado para morrer

6) Contrastes Humanos, de Preston Sturges

contrastes humanos

5) A Noite Americana, de François Truffaut

a noite americana

4) O Espírito da Colmeia, de Víctor Erice

o espírito da colmeia

3) O Homem das Novidades, de Edward Sedgwick e Buster Keaton

o homem das novidades

2) Oito e Meio, de Federico Fellini

oito e meio

1) Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder

crepúsculo dos deuses

Os 25 melhores filmes sobre a infância

Esse doce período da vida, no cinema, nem sempre foi fácil. Jovens esbofeteados, marginalizados, largados pelos pais – às vezes com tudo ao mesmo tempo. Os filmes abaixo captam a infância como ela é: longe dos contornos belos que Hollywood tentou perpetrar em alguns clássicos, distante da eterna bondade à qual os pequeninos sempre são associados. Veja qualquer um deles e encontre um grande filme. À lista.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

25) Tomboy, de Céline Sciamma

tomboy

24) Minha Vida de Cachorro, de Lasse Hallstrom

minha vida de cachorro

23) O Labirinto do Fauno, de Guillermo Del Toro

o labirinto do fauno

22) Filhos do Paraíso, de Majid Majidi

filhos do paraíso

21) O Garoto da Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

o garoto da bicicleta

20) Vítimas da Tormenta, de Vittorio De Sica

vítimas da tormenta

19) Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini

alemanha ano zero

18) A Infância de Ivan, de Andrei Tarkovski

IVAN'S CHILDHOOD

17) Brinquedo Proibido, de René Clement

brinquedo proibido

16) Adeus, Meninos, de Louis Malle

adeus meninos

15) Meu Amigo Totoro, de Hayao Miyazaki

meu amigo totoro

14) O Pequeno Fugitivo, de Ray Ashley, Morris Engel e Ruth Orkin

o pequeno fugitivo

13) Cria Cuervos, de Carlos Saura

cria cuervos

12) Zero em Comportamento, de Jean Vigo

zero em comportamento

11) Onde Fica a Casa de Meu Amigo?, de Abbas Kiarostami

onde fica a casa do meu amigo

10) Infância Nua, de Maurice Pialat

infância nua

9) Corvos, de Dorota Kedzierzawska

corvos

8) Eu Nasci, Mas…, de Yasujiro Ozu

eu nasci mas

7) Os Esquecidos, de Luis Buñuel

os esquecidos

6) O Balão Vermelho, de Albert Lamorisse

o balão vermelho

5) Kes, de Ken Loach

kes

4) O Espírito da Colmeia, de Víctor Erice

o espírito da colmeia

3) Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco

pixote

2) Os Incompreendidos, de François Truffaut

os incompreendidos

1) A Canção da Estrada, de Satyajit Ray

a canção da estrada

Curta o Palavras de Cinema no Facebook