música

Rocketman, de Dexter Fletcher

O pequeno Reginald Kenneth Dwight encontra o excêntrico Elton John trajado de Diabo. Ambos são os mesmos, a criança e o adulto. Ambos vivem em polos opostos, apesar de habitarem o mesmo corpo: em determinado ponto de Rocketman, alguém sugere que o primeiro precisa ser sacrificado para deixar nascer o segundo.

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No caso de outros artistas, essa “morte” poderia soar apenas golpe publicitário; no caso de Elton John, ou de Reginald, é necessária. Sem o amor de pai e mãe, visto como um peso à relação que não deu certo, a uma família formada à força e destinada ao fim, o pequeno precisa ser outro e, a calhar, vêm o rock e a agitação dos anos 1960.

Nasce o Diabo Elton, ou o performer de roupas brilhantes, ou a rainha decadente com o rosto coberto de pó, ou apenas o rapaz de óculos coloridos, shorts e roupão de banho, de um lado para outro, como se conseguisse se teletransportar – no filme, um musical, ele consegue – de palco para palco, viagem para viagem, mansão para mansão.

O acerto do filme de Dexter Fletcher consiste na incursão sem freios à imaginação do homem, ou do menino, para dizer quem é àqueles que o ouvem. Terá de confiar na “bondade de estranhos”, como diz seu agente, amante e futuro algoz; para o bem ou para o mal, sem a família para confortá-lo, restam os estranhos.

Natural que se converta no Diabo que se confessa à roda de dependentes químicos de um hospital, que aos poucos revela o que o levou às bebedeiras e às drogas pesadas, à fuga constante do mesmo menino Reginald – curiosamente retraído, espécie de nerd que aprende a tocar piano com facilidade invejável, nada a ver com o futuro rock star.

Diabo para condenar os pais, os outros, para servir o público com o inesperado, seu outro lado: no palco, flutua, faz os outros flutuarem, em uma das várias licenças ao sonho que o filme toma, sem soar exagerado ou repetitivo. Ao contrário, a incursão constante pelo sonho dá-lhe agradável ar delirante, sem nada dever à realidade.

O que não significa que não se tenha Elton John. Na pele de Taron Egerton, o endiabrado nunca é mau demais, nem poderia; como outros músicos e figuras famosos em cinebiografias recentes, esbarra em um natural pedido de perdão: em seu rosto bondoso, na rabeira do terno e pequeno Reginald, será facilmente desculpado.

O espectador aprende a confiar nele: na sala em que conta toda sua história a diferentes interlocutores, no hospital em que fica internado – pessoas com todo o tempo do mundo para ouví-lo, como se vários encontros fossem um -, aos poucos se despe do Diabo e, para a surpresa geral, será visto varrendo um dos corredores do prédio, à frente.

Fletcher oferece o produto do menino, agora feito homem, sem que recorra aos figurinos exagerados: o Elton John que ainda guarda seus óculos reluzentes, o “jeito artista”, mas que chega à estatura do homem, para além do adolescente em busca da própria identidade, o garoto sem amor que precisava de festas e drogas para se preencher.

Que fique claro: o filme não é moralista. Os excessos do protagonista são parte da jornada, do ser feito ao espetáculo, sem que pareça um predestinado (outro pecado comum às cinebiografias). Elton revela-se incorreto, confuso, dedicado aos gritos e brigas, alguém que, mais que matar seu Diabo interno, precisa conviver com ele.

O que resulta ao fim – após a confissão, a confiança em estranhos que talvez vivam problemas semelhantes, humanos como são – é um artista adulto consciente de seu papel, alguém que não renunciou por completo à máscara que viveu para vestir, e sobreviver.

(Idem, Dexter Fletcher, 2019)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer

Música e Lágrimas, de Anthony Mann

Alguém dirá, não sem razão, que o Glenn Miller de James Stewart tem algo falso: em sua investida ao músico, o ator segue como sempre foi, bom camarada, rapaz certinho e homem de família que remetem a outras personagens clássicas que desenvolveu, como no natalino A Felicidade Não se Compra ou no político A Mulher Faz o Homem.

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Em cena, o músico não reclama de quase nada, seu universo é feito de poucos obstáculos. Stewart apenas desliza em um mundo fácil, de uma lembrança agradável, em Música e Lágrimas. Outra vez sob a direção de Anthony Mann, ele confunde-se com o clássico: mata-se, em certo sentido, a ligação com o real em nome da idealização.

Não que o filme não transmita Glenn Miller. Sua vida, representada, está lá. Seu swing, a busca pelo arranjo correto e novo, a insistência no diferente, em algo mais, em ser alguém para além de uma pequena parte de uma banda qualquer. Sonha alto à medida que o semblante do homem comum ocupa a tela.

O tempo de transformações em que vive pulsa com força até certo ponto, até o limite em que o próprio Stewart pode sustentar. Na verdade, trata-se de um limite natural ao homem do cinema clássico, rodeado pelas formas do cinema clássico, ao olhar de Mann, diretor que, a exemplos de mestres como Ford e Hawks, via-se cria do clássico.

O grande músico prepara-se para ser o herói de guerra, para cumprir uma missão com encerramento dado, despedida antes de sumiço estranho, ao tomar um avião da Inglaterra para Paris. Morte que até hoje gera especulação, boatos. Para Mann, será a despedida de um cidadão comum, heroico sem exagero, americano que, como tantos, morreu em guerra.

A despeito das imposições de um tempo, ou de um cinema, o resultado produz um filme inesquecível. Não parece tomar, por completo, partido a favor da lenda; não se preocupa, contudo, em exagerar nos tropeços, nos conflitos, em suma, no mundo real.

O Miller da tela ainda é o rapaz bondoso que chama a amada a certa hora da madrugada, pela janela, para convidá-la a viajar. Sem medo, mesmo sem vê-la a meses, dono de suas certezas. Logo a moça sai ao encontro dele e, não demora, estarão casados. O sucesso chega depois, o que resulta nos três centavos por disco vendido, garantindo fortuna.

Mann dá vida a sequências musicais extraordinárias. Em uma delas, Miller e a esposa Helen (June Allyson) saem para comemorar com os amigos no dia do casamento. Vão parar em um bar ao som de Louis Armstrong (o próprio), também à variação de cores a partir de um canhão de luzes. Verde, amarelo, azul, vermelho alternam-se na tela. A película transforma-se. Mann aponta a um universo de mistura.

Curioso notar que as alternâncias, em momento brilhante, não estão ali para representar a passagem do homem a outro estágio, ou sua confusão: Miller – do rapaz sem dinheiro à porta da loja de penhores ao militar trajado – será sempre o mesmo. A alternância das cores dá a tônica de um tempo de negros e brancos sobre um mesmo palco, encontro que a música possibilita contra a cor única – ou inexistente – de um tempo de guerra.

No conflito, o swing para um mesmo lado, uma mesma cor – ou contra outra. A música como alimento ao ânimo do soldado, feita pelo símbolo da integridade americana. Em momento emocionante, a música de Miller confronta os sons do avião e da bomba sobre solo britânico. Rapazes permanecem, aglomeram-se à frente do palco, oferecem o colo para belas enfermeiras. O artista resiste ao som inimigo, faz mágica.

(The Glenn Miller Story, Anthony Mann, 1954)

Nota: ★★★★☆

Veja também:
A Mulher do Dia, de George Stevens

Nasce uma Estrela, de Bradley Cooper

A transformação de uma cantora de talento em Lady Gaga diz muito sobre a nova versão de Nasce uma Estrela: os candidatos e candidatas ao posto precisam se adaptar aos palcos, servir a uma monstruosidade chamada “mundo do espetáculo”. Não que não fosse assim há décadas. As regras do jogo feito à purpurina são antigas.

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A nova versão é dirigida por Bradley Cooper, também um dos roteiristas e à frente do elenco, ao lado de Gaga. As linhas gerais continuam intactas: astro da música entra em decadência enquanto sua parceira de palco emerge como estrela. Linhas da versão de 1976, que levou a história ao mundo da música com Barbra Streisand e Kris Kristofferson.

Se Streisand pode ser a mesma o tempo todo, do anonimato à condição de artista famosa, Gaga não tem o mesmo privilégio: ao longo da obra, ela precisa se tornar algo distante do natural – e, é verdade, algo que alimenta a crítica ao mundo dos famosos. É, em cena, a Gaga conhecida, que precisou se despir para ser a mesma.

Nem nos créditos deixará de lado o nome de sucesso. Diferente de Streisand, que nunca chega a parecer um produto mecanizado, Gaga, ainda que com inegável voz para a música e presença forte na tela, reforça o limbo em que vivem as estrelas.

Cooper mostra que não basta ter talento: de uma forma ou outra, a depender de quem projeta o artista ao sucesso, é necessário vestir uma personagem. É preciso se submeter às chamadas “tendências”, ao império da moda. Gaga, por isso, terá de ser Gaga – como uma obrigação, ao passo que o público fica cansado com tamanha falsidade.

O filme cai. Da naturalidade, do jeito menina que se descobre, que enfrenta o grande público e se apaixona, passa à figura montada. Poderia ser uma crítica contundente, mas Cooper recua. Nunca assume por completo o problema, o de uma indústria que vive de mutações, de peças, de prêmios, de escândalos, de hits passageiros.

Desvia, mira sua personagem, Jack, cantor afundado na bebida, a certa altura sem poder sobre si mesmo. A moça ama-o. O sentimento é recíproco. Sobre ambos está o peso do mundo do espetáculo, massa de moer carne feita aos mais equilibrados, ou àqueles que aceitam perder os cabelos – um pouco da alma – e servir com profissionalismo.

Como Gaga, talvez perto do que seja de verdade (sugestão ao risco do erro); diferente de Jack, homem que existe aos montes, que não aguentou esse mesmo mundo cruel. A ele soma-se o passado de problemas familiares, com o pai e o irmão, refúgio dramático da versão de Cooper – sem lançar toda a culpa no meio em que vive.

Para estar ali ele precisa da bebida. Eis a ironia de Nasce uma Estrela: o mais autêntico é o mais desequilibrado. Desde o início, ele recolhe-se, como se quisesse se esconder; a fala grossa ajuda no tom dramático, trágico; com o motorista, sai em busca de um bar, qualquer um, justamente o local em que se depara com a amada.

A versão de Cooper tem méritos. A falsidade do universo que traz à tona está mais alinhada à versão de 1954, com Judy Garland e James Mason, menos à de 1976. Diferente das duas anteriores, consegue colocar na tela um casal com química. Cooper e Gaga constroem, na primeira metade, uma história de amor convincente.

A versão de Frank Pierson é enfraquecida pela presença de um Kris Kristofferson desalmado, também por parecer apenas um veículo para Barbra Streisand soltar a voz. Neste caso, o cantor em decadência não carrega o mesmo drama e mais parece um adolescente revoltado que picha paredes por diversão e atira contra os indesejados.

Ainda assim, é preciso reconhecer o quanto a aparência suja, real, contribui à alma do filme: a versão de 76 é um retrato da época, na qual artistas revoltados não queriam ser apenas peças fabricadas. Podiam ser eles mesmos. O novo Nasce uma Estrela mostra que bastam o homem, a mulher e um pouco de música. O que vem depois estraga.

(A Star is Born, Bradley Cooper, 2018)

Nota: ★★★☆☆

Veja também:
Vídeo: Nasce uma Estrela (1954)

Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer

Levado pela energia do tributo, o espectador deixa-se enganar. O homem entregue na tela é o que se imagina: o amoroso às vezes acuado, o gigante da voz, o gênio que se esconde atrás da“imperfeição” dos dentes saltados, do porte físico magro, o rapaz homossexual que viveu para ser incompreendido e terminar como lenda da música.

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O guia ao espectador de Bohemian Rhapsody é também seu maior problema: Freddie Mercury. Feito para agradar, e por isso sem graça. Feito do material que se espera: aquele que não se explica, que não se deixa ver, coberto pela massa do mito, esculpido como o Freddie Mercury esperado, talvez a personagem criada pelo próprio.

Distante, com olhos de curiosidade, um pouco infantis, cedidos na medida por Rami Malek, como se dissesse: “não tenho controle do que ocorre ao redor, sou vítima dos desejos”. Ou de certa “vontade de viver”, em um universo louco ao qual é lançado para se perder, imaturo, manipulado, destinado ao sofrimento.

Da direção de Bryan Singer ao roteiro de Anthony McCarten, a obra é moldada para agradar os fãs do Queen. Seu desenrolar é feito de situações conhecidas, com pouca ou nenhuma naturalidade, outra vítima da maldição que com frequência recai sobre cinebiografias: a impossibilidade de ousadia em um mundo de mitos e propagandas.

Nesse sentido, vem com as imagens a confirmação, nunca a confrontação. E outra vez é importante retornar ao protagonista: suas experiências homossexuais são sempre vistas como descobertas, quase nunca como entregas; à personagem, fica a impressão de culpa, e não apenas por trair a mulher que ama, vivida por Lucy Boynton.

Alguém dirá que Singer prefere a sugestão. Ainda assim, sugerir não implica criar uma peça para agradar. E se com Mercury vem a face do menino inocente e manipulável, logo se elege o vilão, homossexual ao lado, serpente a desviá-lo, interpretado por Allen Leech. Há sempre a sensação de que o protagonista tomou o lado errado, ao contrário dos outros membros da banda, que escolheram se casar. Seu estilo de vida é regado a festas e drogas.

Não demora para Mercury descobrir que tem Aids. Sua saída do consultório médico absolve, as luzes não deixam mentir: o cantor caminha por território divino, abertamente irreal, às portas do paraíso. No mesmo corredor, um garoto doente canta para ele. A música sobrevive, alento ao público que sofre com a morte anunciada.

(Idem, Bryan Singer, 2018)

Nota: ★★☆☆☆

Veja também:
Os filmes de Todd Haynes

Ludwig: A Paixão de um Rei, de Luchino Visconti

Para defender a presença de Ludwig à frente do trono, um de seus súditos, a certa altura, argumenta que o povo gosta do rei. Difícil imaginar que o povo goste de um homem preso a seus castelos, a seus casulos, como é o caso do líder em questão, e que os governados aceitem, em silêncio, a ausência de alguém com fama de excêntrico.

Por outro lado, não se duvida da possibilidade de apreço popular a esse rei retirado, líder vampiresco coberto por casacos pesados, homem com traços de lince que, fosse outro caso, estaria pronto para esculpir o vilão. Em Ludwig: A Paixão de um Rei, evidencia-se o mito do líder intocado, feito aos próprios demônios, amado, dizem os súditos, pelo povo que nunca aparece, por isso mesmo mantido nos tronos que divide entre castelos.

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O drama de um rei preso à sua função, somente a ela, privado da liberdade dos homens comuns. Paradoxalmente, no que o filme revela, alguém que escapa à função de governante por optar pelo isolamento, pelo calor dos castelos que construiu para se esconder, pelo casamento negado ao farejar a desgraça iminente da vida a dois.

O Ludwig de Luchino Visconti é um rei que abre mão do humano para se tornar um fantasma, antes um monstro, alguém que se refugia em muralhas para não ser visto. O símbolo do poder em sua pior amostragem, a do recluso que nega a tudo, que se prende apenas à arte, essa suposta elevação espiritual da qual se alimenta.

O rei quer castelos, teatros, peças, música, uma gruta escura para percorrer com gôndola enquanto é cercado por cisnes. Quer Richard Wagner. Na verdade, manda buscá-lo, e está pronto para nele despejar uma boa quantia de dinheiro. Para alguns, excentricidade, moeda desperdiçada; para ele, forma de escape, talvez a liberdade.

O rei nasce rei. Em alguns casos, até pode deixar o fardo ao irmão. Em outros, como parece ser o caso de Ludwig, é obrigado a abraçar o trono. À frente saltam alguns conflitos, guerras, imposições do mundo real; a Ludwig, contra todos os golpes externos, restam seu cômodo fechado, seu estado de arte, sua vida de aparente falsidade.

Um dos subalternos alega que ele deseja encontrar a felicidade fora dos domínios de sua função. A arte – a música – pode lhe oferecer a saída. Ao que parece, Ludwig assemelha-se ao protagonista de Morte em Veneza, filme anterior de Visconti: a arte, creem, está no interior do homem, produto do espírito, não de sua relação com o mundo.

Mas o rei é rei, não um artista. E líderes como ele, argumenta sua prima, a rainha Elisabeth da Áustria (Romy Schneider), só são lembrados e deixados à posteridade quando assassinados. Por isso, pior ainda: enquanto vive, servirá ao estado da imagem, um corpo a servir a um posto, neste caso, um trono. Para muitos, a lenda nutre-se da morte.

Em outros filmes, o rei serve invariavelmente a duas formas: ou será o destemido de punho forte, a embarcar nos conflitos, ou o polido em excesso, por isso repugnante, a gerar asco até nos simpatizantes da monarquia. Visconti não vai nem a um nem a outro, o que torna seu Ludwig figura única. Seu rei oferece um pouco de consciência, a dor e a loucura que envolvem um trono, retrato interessante do poder sem qualquer graça, apenas peso.

O rei em questão está aprisionado à música de Wagner, limitado à obra dos outros, levado a casar com a irmã da mulher que ama, cercado por investigadores que não controla por completo e que chegam a pagar uma atriz – aqui feita prostituta – para ir para cama com o dono da coroa e dar informações de como teria sido a noite.

Em seu processo de loucura, Ludwig não consegue separar vida e arte. Como um vampiro que atrai a vítima ao seu castelo, que lhe serve o melhor champanhe e carnes selecionadas, quer algo em troca. Fala-se aqui do ator encaminhado ao covil, shakespeariano a quem os amigos entoam loas, a quem o rei pedirá interpretação constante.

“Pense em sua alma, Didier, não em seu corpo”, pede o rei ao ator, que não pode escapar da personagem, de seus verbos, que deve servir a autoridade sempre com uma de suas outras vidas. É desse processo de loucura – a do rei, sobretudo – que trata Visconti, somado ao luxo dos grandes castelos, modo de viver talvez extinto.

Inegável como o cineasta, servindo-se da presença de seu ator-fetiche, Helmut Berger, torna essa experiência ao mesmo tempo saborosa, ao mesmo tempo doentia. Oferece o acesso à vida impossível, à do homem que poderia ter tudo e terminou como monstro recluso. Os outros, testemunhas da história que se dirigem à câmera, tentam compreendê-lo, preencher lacunas, chegar ao rei que preferiu o escuro de seus quadrados ao calor do povo.

(Ludwig, Luchino Visconti, 1973)

Nota: ★★★★☆

Veja também:
Vídeo: Morte em Veneza