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Os 20 melhores filmes de 2017

Até a metade, o ano não parecia ser dos melhores. Fala-se aqui, claro, do cinema. Mas algo mudou e grandes obras começaram a estrear, incluindo a primeira posição da lista abaixo – da qual muita coisa ficou de fora. Esse apanhado prova que o cinema atual respira bem. Grandes diretores continuam a fazer filmes e surpreender. Que venha 2018!

20) Manifesto, de Julian Rosefeldt

Cate Blanchett pula de cenário em cenário, de vida em vida, para dar voz a diferentes manifestos artísticos nesse filme original e sem saídas fáceis. Ao fundo repousa um mundo estranho, futurista, de salas lustradas ou de espaços em cacos, de gente bela ou miserável.

19) Últimos Dias em Havana, de Fernando Pérez

O que resiste é a amizade. E é sobre seu fim, a certeza de se ir embora – da vida ou de um país. Em cena, dois homens dividem a mesma casa em Havana, Cuba. Um fala muito, o outro quase nada. Um sonha em ir para os Estados Unidos, o outro tem aids e está acamado.

18) Eu, Daniel Blake, de Ken Loach

Davi contra Golias, o homem comum contra o Estado. Uma trajetória tocante que venceu a Palma de Ouro em Cannes. Ao centro, o simpático e às vezes difícil Daniel Blake, que não pode voltar a trabalhar e cuja vida é dificultada pelas autoridades, que insistem em não lhe ajudar.

17) Guerra do Paraguay, de Luiz Rosemberg Filho

O lendário diretor integrou o grupo de realizadores do cinema marginal. Trabalha aqui com o preto e branco, elenco e recursos mínimos. Conta a história de um soldado que retorna cheio de patriotismo da vitória no Paraguai e se depara com uma diligência guiada por mulheres.

16) Uma Mulher Fantástica, de Sebastián Lelio

O cotidiano da transsexual Marina Vidal fica de cabeça para baixo quando seu companheiro morre. É apenas o início do filme. O que vem a seguir é uma jornada por reconhecimento próprio contra a família do homem, que insiste em ignorá-la e tratá-la com preconceito.

15) Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky

Retrato da vida de uma mulher presa às exigências da família – à medida que assiste às fugas e à boa vida do marido e à morte da mãe. Bodansky recheia sua história, outra vez, com sensibilidade. Em cena, o brasileiro que se descobre impotente, entre gerações diferentes demais.

14) Dunkirk, de Christopher Nolan

O espetáculo de guerra de Nolan. O filme é pulsante, empolga, não deixa cair no desinteresse em momento algum. Divide-se em três tempos: a semana de um rapaz que tenta escapar da França, o dia de um homem que ajuda os soldados no mar e as horas de um piloto contra os inimigos.

13) Nocturama, de Bertrand Bonello

Inédito nos cinemas, o filme foi direto para a Netflix. Os jovens em cena se reúnem para promover o caos: em um dia como qualquer outro, espalham bombas em Paris e sequer explicam suas reais motivações. Em seguida, juntam-se em uma loja de departamentos, à espera do fim.

12) Afterimage, de Andrzej Wajda

Outra luta de Davi e Golias, a do artista contra o sistema comunista polonês após a Segunda Guerra Mundial. Aos olhos do Estado, a arte de Wladyslaw Strzeminski não interessa: parece intelectual ou burguesa demais a esses tempos de “arte política”. Último filme do mestre Wajda.

11) Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve

O que parecia impossível aconteceu: Villeneuve fez um novo Blade Runner sem que parecesse cópia do primeiro e, de quebra, sem deixar de lado as características do anterior. O diálogo entre ambos é pleno. Ainda assim, o cineasta vai em frente e faz um filme com sua assinatura.

10) Na Praia à Noite Sozinha, de Hong Sang-soo

Um dos mais belos trabalhos do coreano Sang-soo. Com muito diálogo e aparência de improviso, além do uso constante do zoom, o diretor trilha caminho autoral. Trabalha de maneira rápida, é incansável. E mais outros dois filmes do cineasta devem desembarcar em breve no Brasil.

9) O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues

A situação do protagonista tem algo onírico: ele perde-se pela floresta, é perseguido por mulheres que o torturam e assombrado por animais empalhados. O homem torna-se refém e presa nessa obra original do português João Pedro Rodrigues, com coprodução brasileira.

8) Z: A Cidade Perdida, de James Gray

Outro grande filme esquecido pelas premiações. Os homens do establishment hollywoodiano insistem em ignorar Gray, talvez o melhor cineasta americano em atividade. Aqui, ele conta a história real do explorar Percival Fawcett, em busca de uma cidade perdida.

7) Na Vertical, de Alain Guiraudie

A França profunda deixa ver os lobos. Nada pode ser previsto nesse filme do diretor de Um Estranho no Lago. A misè-se-scene de Guiraudie é direta, às vezes fria, dispensa firulas. Seu protagonista, um roteirista de cinema, torna-se pai e se vê sozinho com seu bebê.

6) O Apartamento, de Asghar Farhadi

A vida de um casal transforma-se ao mudar para outro apartamento. A cena inicial resume muito: o antigo prédio em que vivia apresenta tremores. No prédio seguinte, o casal passa a morar no apartamento em que residia uma prostituta, onde a nova moradora é agredida.

5) A Vida de uma Mulher, de Stéphane Brizé

Filme triste e realista, em época passada, ainda sob a regra dos bons modos. À frente, a vida da mulher é feita mais dos momentos tristes, menos dos felizes. Ela é vítima dos homens que a cercam: primeiro o marido, depois o filho. Ela resiste. Brizé é cruel e delicado.

4) Toni Erdmann, de Maren Ade

Os pontos altos dessa comédia ocorrem em situações inesperadas. A cineasta apresenta a difícil relação entre pai e filha, e como a segunda é levada a se transformar – a se despir, o que inclui o gesto literal – para seguir em frente. O momento em que canta é um achado.

3) Além das Palavras, de Terence Davies

Nova incursão pela vida de uma mulher. Personagem verdadeira, a poetisa Emily Dickinson passa da educação religiosa à vida de festas e alguma clausura. Sempre cercada pelas pessoas e, claro, pelas palavras. Davies é um daqueles mestres que merece mais reconhecimento.

2) Paterson, de Jim Jarmusch

A poesia, outra vez. O poeta urbano, escondido, à frente do volante de um ônibus. Os dias, para ele, só podem escapar da repetição – e das repetições sinalizadas pelos gêmeos – a partir da escrita, da possibilidade de ser poeta. Possivelmente o melhor filme do independente Jarmusch.

1) Corpo e Alma, de Ildikó Enyedi

A medalha de ouro fica com esse pequeno grande filme sobre o amor entre pessoas aparentemente diferentes, em lugar difícil de imaginar: um abatedouro de bovinos. Ali, ele observa a moça que tenta se desviar. Ambos passam a sonhar o mesmo sonho e relatam essa experiência a cada novo dia. Algo mágico, para dizer o mínimo.

E outros dez que merecem menções honrosas: Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé; Martírio, de Vincent Carelli; Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins; A Tartaruga Vermelha, de Michael Dudok de Wit; Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan; Mimosas, de Oliver Laxe; Joaquim, de Marcelo Gomes; Eu Não Sou Seu Negro, de Raoul Peck; Fragmentado, de M. Night Shyamalan; e O Filho de Joseph, de Eugène Green.

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Dez grandes filmes (há dez anos)

Alguns grandes filmes chegavam às telas do Brasil e do mundo há aproximadamente 10 anos. Inegável que 2007 foi um ano desigual ao cinema moderno, levando em conta o número de trabalhos memoráveis. Os dez preferidos do blog seguem abaixo, em ranking, para recordar a frase que virou clichê: “parece que foi ontem”. À lista.

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10) Sol Secreto, de Lee Chang-dong

Após perder o filho pequeno, mulher descobre a bondade da religião, mas confronta Deus ao perceber que o criminoso recebeu a absolvição divina. O diretor coreano é um dos mais talentosos de sua geração e, sem concessões, revela nos filmes o cotidiano de pessoas que tentam encontrar alguma fuga e invariavelmente fracassam.

9) Desejo e Perigo, de Ang Lee

As cenas de sexo são impactantes, ainda que o filme ultrapasse o limite do prazer. As personagens sentem algo a mais. E o fundo político ajuda no resultado, quando a China via-se sob dominação japonesa. Na trama, uma jovem revolucionária (Wei Tang) infiltra-se no universo de prazeres do “inimigo”, um político poderoso.

8) Zodíaco, de David Fincher

Quem esperar por respostas e pela revelação do assassino pode se frustar. O resultado é o melhor filme do cineasta, com condução segura, elenco afiado e ótima reprodução de época. Aborda a paranoia, a dificuldade de um cartunista (Jake Gyllenhaal) em se afastar da teia de assassinatos ligada ao tal Zodíaco.

7) O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel

Preso ao próprio corpo, Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) revisita sua vida, a de um homem mulherengo tomado pelo desejo de liberdade, até o dia que se vê imóvel. Sua forma de comunicação resume-se a uma pálpebra, forma que encontra para dizer o que sente, para escapar daquele escafandro ao qual foi confinado.

6) Santiago, de João Moreira Salles

A história do mordomo Santiago, que trabalhou por 30 anos para a família do cineasta e que, na grande casa em que viveram, viu desfilar figuras importantes da história. Também o retorno, pelos olhos do mesmo, ao cinema, de Fred Astaire a Yasujiro Ozu. Obra de redescoberta, verdadeiro tesouro que quase se perdeu.

5) Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas

A abertura, com sua calmaria rumo à luz, explica um pouco do que vem pela frente. Em cena está um homem da comunidade menonita mexicana. Vive isolada com a família, com pouco contato com o mundo externo, a recusar o progresso. Tudo muda quando ele envolve-se com outra mulher. Belo filme com ecos de Dreyer.

4) Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho

O diretor brasileiro leva diferentes atrizes e mulheres à frente da câmera para uma entrevista, enquanto deixa ver o difícil ato de ouvir, de dialogar. Não se trata, é verdade, de uma verdadeira entrevista, e nem tudo é real como se imagina. A certa altura, mulheres podem ser atrizes, atrizes podem estar falando de si mesmas.

3) Onde os Fracos Não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen

Longe do filme policial esperado, ou do faroeste de fronteira regado a combates entre mocinhos e bandidos, índios e brancos. O caminho é imprevisível, sobretudo, a partir da metade: alguns homens correm atrás de uma mala cheia de dinheiro enquanto um xerife, perto de se aposentar, lamenta a mudança dos tempos.

2) 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu

A contagem regressiva do título traduz a corrida contra o tempo de duas moças na Romênia ainda à sombra de Nicolae Ceaușescu e da Cortina de Ferro. Uma delas recorre ao aborto clandestino, a outra decide ajudar a amiga. O cinema romeno chega à sua consagração, com a Palma de Ouro em Cannes, com esse drama feminino e poderoso.

1) Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson

O título nacional refere-se ao petróleo. O original é também instigante: Haverá Sangue. Em cena, a cobiça de um homem, o vilão interpretado por Daniel Day-Lewis, a quem nada é mais importante que o poder, nem mesmo o filho pequeno. Com fotografia em tons escuros, o americano Paul Thomas Anderson realiza seu melhor trabalho.

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As 50 melhores comédias do cinema nos últimos dez anos

Por muito tempo, comédias têm sido associadas apenas a filmes que fazem rir. Ou que fazem rir em excesso a partir de gestos físicos e piadas fáceis. Há também a ideia de que a comédia não pertence ao plano real: vale rir de tudo, claro, pois tudo é assumidamente falso. Tais ideias, em certa medida, ligam-se à forma americana de fazer comédia, que legou o pastelão, a screwball, a comédia física que não se faz mais.

Mas a comédia vai além: a constatação do absurdo, até o espectador corar, também é fazer comédia. Absurdo que tem inegável dívida com a realidade, e que pode ser tão cruel, tão estranhamente atual, que o espectador não tem gargalhadas, mas o leve sorriso de canto de boca. A constatação do sarcasmo. E talvez deixe o cinema até um pouco triste, em alguns casos com a certeza de ter assistido a um gênero nobre. (Observação: a lista abaixo é puramente pessoal.)

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50) Frank, de Lenny Abrahamson

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49) Trapaça, de David O. Russell

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48) O que Resta do Tempo, de Elia Suleiman

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47) Meia-Noite em Paris, de Woody Allen

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46) O Palácio Francês, de Bertrand Tavernier

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45) Além do Arco-Íris, de Agnès Jaoui

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44) Casamento Silencioso, de Horatiu Malaele

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43) Soul Kitchen, de Fatih Akin

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42) Minhas Tardes com Margueritte, de Jean Becker

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41) Contos da Era Dourada, de vários diretores

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40) Tangerina, de Sean Baker

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39) Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, de Helena Ignez e Ícaro C. Martins

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38) Mistress America, de Noah Baumbach

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37) Moonrise Kingdom, de Wes Anderson

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36) Tudo Pode dar Certo, de Woody Allen

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35) Eu, Mamãe e os Meninos, de Guillaume Gallienne

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34) Vocês, os Vivos, de Roy Andersson

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33) Nebraska, de Alexander Payne

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32) Rainha & País, de John Boorman

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31) Dois Caras Legais, de Shane Black

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30) Um Conto Chinês, de Sebastián Borensztein

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29) Marguerite, de Xavier Giannoli

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28) Na Mira do Chefe, de Martin McDonagh

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27) Café Society, de Woody Allen

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26) Queime Depois de Ler, de Ethan Coen e Joel Coen

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25) O Lagosta, de Yorgos Lanthimos

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24) O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson

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23) Ela, de Spike Jonze

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22) Um Amor a Cada Esquina, de Peter Bogdanovich

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21) Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson

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20) O Novíssimo Testamento, de Jaco Van Dormael

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19) A Grande Aposta, de Adam McKay

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18) O Porto, de Aki Kaurismäki

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17) Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro González Iñárritu

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16) Em Outro País, de Hong Sang-soo

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15) Frances Ha, de Noah Baumbach

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14) Blue Jasmine, de Woody Allen

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13) Amor & Amizade, de Whit Stillman

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12) Relatos Selvagens, de Damián Szifrón

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11) Ervas Daninhas, de Alain Resnais

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10) O Artista, de Michel Hazanavicius

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9) Força Maior, de Ruben Östlund

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8) Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência, de Roy Andersson

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7) Toni Erdmann, de Maren Ade

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6) Chatô, O Rei do Brasil, de Guilherme Fontes

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5) O Pequeno Quinquin, de Bruno Dumont

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4) O Homem ao Lado, de Mariano Cohn e Gastón Duprat

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3) Sieranevada, de Cristi Puiu

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2) O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese

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1) Habemus Papam, de Nanni Moretti

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Os 20 melhores filmes de 2016

O ano que terminou deixou grandes filmes. Fechar a lista com 20 revelou-se tarefa difícil. Poderiam ser 30, até 40. Obras relevantes não faltaram. O cinema que desfila abaixo, do 20º ao primeiro colocado, espelha o que há de melhor no mundo recente da sétima arte.

Sim, faltaram algumas obras, não houve espaço para todas. Uma lágrima para Carol, Francofonia e Sully. Listas são sempre injustas. Recado: só entraram na lista filmes lançados comercialmente no Brasil em 2016.

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20) Elle, de Paul Verhoeven

O diretor que flagrou a cruzada de pernas de Sharon Stone volta ousado, com Isabelle Huppert em um de seus melhores momentos como uma mulher abusada que se aproxima do criminoso, homem de máscara preta que invade sua casa e talvez até lhe excite.

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19) As Montanhas se Separam, de Jia Zhangke

A relação entre três personagens – dois homens e uma mulher – em três tempos. Ou como essa relação de união e rompimento desencadeia tudo o que vem a seguir. Zhang-ke debruça-se novamente sobre as transformações da China – no passado, presente e futuro.

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18) A Passageira, de Salvador del Solar

A viagem de um taxista pelas ruas faz com que retorne ao passado militar no Peru: ele reencontra uma mulher que foi abusada por um coronel. O protagonista, vivido por Damián Alcázar, tenta reparar os erros do passado e volta a procurar a vítima.

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17) A Assassina, de Hou Hsiao-Hsien

Um dos principais nomes do novo cinema taiwanês, Hsiao-Hsien volta-se à tradição das artes marciais em obra misteriosa sobre uma assassina profissional (Qi Shu) e seus embates para levar à frente seu próximo trabalho: matar o próprio primo, por quem é apaixonada.

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16) Amor & Amizade, de Whit Stillman

A melhor adaptação de Jane Austen para o cinema. Comédia adulta cheia de ironia e classe. Realizador do ótimo Metropolitan, Stillman traz relacionamentos diversos, sempre a circular a personagem de Kate Beckinsale, a imponente Lady Susan Vernon.

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15) Spotlight – Segredos Revelados, de Tom McCarthy

Feito de diálogos, pulsante, sobre os inúmeros casos de abuso a crianças pelos padres da Igreja Católica. Começou em Boston, depois ganhou o mundo. O filme não recorre aos abusos. Prefere o trabalho de jornalistas, de porta em porta, atrás de informações.

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14) Certo Agora, Errado Antes, de Hong Sang-soo

Duas histórias com o mesmo ponto de partida: a chegada de um diretor de cinema a uma cidade para a apresentação de seu filme. Ele conhece uma garota, a relação não progride. Vem a segunda história: ele conhece a mesma garota, as palavras mudam, e o resultado é outro.

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13) O Abraço da Serpente, de Ciro Guerra

O índio observa o nada, a natureza, espera algo. Feito em belíssimo preto e branco, esse filme aborda a relação do homem com a natureza. Há também a crítica à exploração dos índios, inclusive pela Igreja Católica, na jornada para tentar encontrar a cura para um homem branco.

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12) A Bruxa, de Robert Eggers

Filme de terror que pede um mínimo de paciência, sem os sustos fáceis comuns ao cinema atual e ao gênero em questão. Sim, há um bode falante, um bebê que desaparece à base de um corte e mulheres levitando no plano final. Belo, de arrepiar.

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11) Belos Sonhos, de Marco Bellocchio

O título refere-se ao desejo da mãe dirigido ao filho enquanto dorme. Ao acordar com um barulho, no meio da noite, ele, ainda uma criança, descobre que ela está morta. Entre tempos que expõem sua infância e sua maturidade, ele terá de lidar com essa perda.

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10) O Valor de um Homem, de Stéphane Brizé

O grande Vincent Lindon é o homem ao centro, cujo valor é ressaltado, posto à prova, cuja forma – o corpo, mas também a alma – deverá ou não ser tomada pelo sistema. Ele busca um emprego e termina como vigilante em um supermercado, sufocado pelas regras.

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9) Sangue do Meu Sangue, de Marco Bellocchio

Muita gente disse que Bellocchio fez um filme de vampiros. Não é bem isso. Aborda dois tempos: no primeiro, padres tentam descobrir se uma mulher está possuída pelo diabo; no segundo, um velho homem (o vampiro) vê-se frente a frente com um novo tempo.

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8) Fogo no Mar, de Gianfranco Rosi

Documentário sobre os refugiados que tentam chegar à Itália pelo mar. Realizador do também ótimo Sacro GRA, Rosi prefere as palavras soltas e os movimentos de seus seres à narração ou qualquer manobra explícita da narrativa. Humano e inesquecível.

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7) Cemitério do Esplendor, de Apichatpong Weerasethakul

O diretor tailandês mergulha novamente no espaço de homens e espíritos em uma escola abandonada que serve como hospital. Abaixo dela, dizem, havia um antigo cemitério de reis, que estariam usando a energia dos soldados vivos, acima, tomados pelo sono.

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6) Os Campos Voltarão, de Ermanno Olmi

Olhar sobre o confinamento nas trincheiras, sob frio intenso, durante a Primeira Guerra Mundial. O mestre Olmi, realizador de obras como O Posto e A Árvore dos Tamancos, leva a homens amedrontados, à proximidade da morte, à bestialidade do autoritarismo.

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5) Boi Neon, de Gabriel Mascaro

As vaquejadas dão espaço às personagens desse filme extraordinário, feito de contrastes: o protagonista (Juliano Cazarré) investe em figurinos; a companheira de viagem (Maeve Jinkings) dirige o caminhão. A proximidade dos corpos, o sexo, os currais.

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4) O Botão de Pérola, de Patricio Guzmán

Após o extraordinário A Nostalgia da Luz (talvez superior), o diretor chileno mostra a relação entre a água, os nativos da Patagônia e os mortos da ditadura, dos quais restaram apenas os botões. Extraordinária reflexão sobre o oceano como espaço da memória.

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3) Aquarius, de Kleber Mendonça Filho

O apartamento de Clara (Sonia Braga) é um baú de memórias. Um espaço de vida que os especuladores de fala mansa não conseguem entender: guarda não só seu passado, com suas dores e momentos de descontração, mas também a memória dos outros.

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2) O Filho de Saul, de László Nemes

O ambiente é o pior possível, a tragédia pode ser vista em todos os cantos. Em um campo de concentração, o protagonista encontra um cadáver que pode ser de seu filho. A partir daí, corre contra o tempo – e arrisca a vida – para levar à frente o enterro.

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1) O Cavalo de Turim, de Béla Tarr e Ágnes Hranitzky

Pai e filha convivem sob o som do vento, do lado de fora, em uma casa afastada. O pai diz ouvir o som dos cupins, à noite, enquanto dorme, e a filha alerta que o cavalo – o único da família – deixou de comer. Algumas pessoas passam por ali, em uma carroça, outro homem também surge, enquanto os diretores compõem um dos filmes mais belos dos últimos anos, ou da década que ainda corre. Obra de mestre.

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Os dez melhores filmes com Isabelle Huppert

O velho clichê das coisas que melhoram com o tempo, a exemplo do vinho, cabe a Isabelle Huppert. A pequena senhora agiganta-se em papéis desafiadores, como se vê no recente Elle, de Paul Verhoeven, que lhe garante uma posição entre as melhores atrizes de 2016. E o longa é muito mais que um retrato da mulher abusada.

Sua carreira atravessa décadas, sempre com diretores conhecidos e mesmo em outros países, como os Estados Unidos. Filmou com Michael Cimino, por exemplo, o desastroso – porém monumental – O Portal do Paraíso. Nas filmagens, recebeu a visita de ninguém menos que Jean-Luc Godard, que a convidou para trabalhar em Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado em 1980.

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Também esteve em filmes de grandes cineastas como Claude Chabrol, Bertrand Tavernier, Maurice Pialat, André Téchiné, Benoît Jacquot e Michael Haneke. Tornou-se comum esperar, todo ano, por novos filmes com Huppert. O público é sempre recompensado.

10) Um Amor Tão Frágil, de Claude Goretta

A atriz já havia aparecido em uma porção de filmes até chegar à obra inesquecível de Goretta, como a protagonista, a jovem cabeleireira que se relaciona com um rapaz intelectual. A diferença entre eles impõe obstáculos e o fim do relacionamento, mais tarde, é um pouco inexplicável ao espectador. Sensível, merece a descoberta.

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9) Minha Terra, África, de Claire Denis

Filme extraordinário sobre uma mulher que não aceita deixar sua propriedade, em uma África atolada na guerra civil. Seus funcionários já deixaram o local, e a isso se somam problemas familiares e a presença de guerrilheiros armados pela região. Denis, discípula do grande Jacques Rivette, faz um de seus melhores trabalhos.

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8) Paixão, de Jean-Luc Godard

O melhor Godard dos anos 80, no qual Huppert interpreta uma operária, companheira de um cineasta (Jerzy Radziwilowicz) e explorada pelo dono da fábrica (Michel Piccoli). Huppert já havia trabalhado com o diretor francês no anterior e também excelente Salve-se Quem Puder – A Vida, lançado dois anos antes.

paixão

7) A Bela que Dorme, de Marco Bellocchio

As várias personagens fictícias circundam um fato real: a morte de Eluana Englaro, em 2009, levada a cabo por sua família após uma batalha judicial. Bellocchio registra uma Itália dividida. Huppert interpreta uma mulher religiosa que se dedica 24 horas à filha, que se encontra presa à cama, em estado vegetativo.

bela que dorme

6) Loulou, de Maurice Pialat

Difícil compreender a atração por Loulou, a personagem errática de Gérard Depardieu. Esse homem mulherengo capta a atenção de Nelly (Huppert) durante uma festa. Não se separam mais. É o suficiente para ela deixar o antigo companheiro e viver com ele. Os atores voltariam a atuar juntos no recente O Vale do Amor.

loulou

5) Um Assunto de Mulheres, de Claude Chabrol

Nos tempos de guerra, quando a França estava ocupada pelos alemães, a protagonista destaca-se fazendo abortos e vive bem, com roupas caras e sem dar muita bola ao marido militar. Um dos vários trabalhos interessantes que a atriz fez em parceria com o cineasta, com quem voltaria a se encontrar em Madame Bovary e A Comédia do Poder.

um assunto de mulheres

4) A Professora de Piano, de Michael Haneke

A pianista Erika Kohut (Huppert) mantém uma relação conflituosa com a mãe (Annie Girardot) ao mesmo tempo em que passa a ter um caso com um jovem aluno (Benoît Magimel). Ela quebra seu jeito contido com masoquismo e desejos reprimidos. Belo filme de Haneke. Prêmio de melhor atriz em Cannes para Huppert.

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3) O Portal do Paraíso, de Michael Cimino

O fracasso de bilheteria não impediu que fosse redescoberto e, por alguns, colocado no alto das listas de melhores filmes de todos os tempos. Huppert está em meio a um elenco grande, em uma história sobre a luta de estrangeiros contra proprietários de terras cheios de xenofobia – tema que continua atual.

portal do paraíso

2) As Irmãs Brontë, de André Téchiné

Huppert interpreta uma das três escritoras e irmãs, Anne, ao lado de Emily (Isabelle Adjani) e Charlotte (Marie-France Pisier). Há algo misterioso nesse grande filme, com três mulheres reclusas que, a certa altura, tomam rumos distintos. Mas, com suas fotografia em tons escuros, não se trata de uma cinebiografia comum.

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1) Mulheres Diabólicas, de Claude Chabrol

O clima hitchcockiano acompanha certa frieza. Duas mulheres – amigas e talvez um pouco mais – combinam um crime: matar a família que emprega uma delas, a personagem de Sandrine Bonnaire. Huppert é a outra, a companheira que conduz a esse jogo perigoso, no qual ninguém é confiável e cheio de perversão.

mulheres diabólicas

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