Magali Noël

Bastidores: Amarcord

Fellini não quis filmar em Rimini porque, segundo ele, não existia mais a Rimini que ele tinha na memória. A cidade foi bastante bombardeada durante a Segunda Guerra. Foi totalmente reconstruída, mas segundo Fellini, não tem mais nada a ver com a Rimini de sua infância. A “Rimini” deste filme foi reconstruída nos estúdios de Cinecittà.

Ao ouvir que Amarcord era autobiográfico, Fellini dizia que o filme não era sobre sua vida. Mas não tinha mais certeza se as situações narradas aconteceram com ele ou não.

Roberto de Castro Neves, consultor e cinéfilo, em O Cinema de (Mauad Editora; pg. 139), sobre o filme de Federico Fellini, baseado em experiências de sua infância na cidade de Rimini. Na foto abaixo, o diretor conversa com a atriz Magali Noël.

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A Trapaça, de Federico Fellini

Magali Noël (1932–2015)

Ela já havia trabalhado antes com Fellini, mas foi no papel de Gradisca, em Amarcord, que Magali Noël eternizou-se. Grande, com curvas à mostra, como as típicas mulheres fellinianas; ao mesmo tempo de jeito experiente, capaz de seduzir os mais jovens.

Na história nostálgica de Amarcord, há justamente o jovem encantado. A cena que dá ideia do fascínio ocorre no interior de um cinema, quando ele tenta se aproximar de Gradisca. Estão sozinhos, sob as luzes do projetor, sob os sonhos da tela.

Nesse filme memorável sobre o próprio diretor (como parece ter sido boa parte de suas obras), Gradisca, de certa forma, é o oposto de Volpina (Josiane Tanzilli), entregue ao desejo selvagem, de todos e de ninguém, a ninfomaníaca. Gradisca, nos tempos difíceis de Mussolini, precisa terminar casada, reforçar a ordem e a tradição.

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