Los Angeles – Cidade Proibida

Dez grandes cenas em que as mulheres dominam os homens

Há inúmeras grandes cenas que abordam a dominação feminina no cinema. São momentos nos quais elas – à base da palavra, do olhar, do movimento – colocam os homens aos seus pés. São belas mulheres. Algumas, perigosas. E alguns deles, é verdade, percebem que estão pisando em terreno arenoso. Ainda assim vão em frente. Abaixo, uma lista com dez títulos e dez momentos inesquecíveis.

Nos dos bastidores (A Caixa de Pandora, de Georg Wilhelm Pabst)

A impressão de libertinagem, de leveza, explode na tela. Ao centro está a bela Lulu de Louise Brooks, cujo cabelo tigelinha seria copiado inúmeras vezes nas décadas seguintes. A cena de dominação ocorre nos bastidores de uma peça da qual a protagonista faz parte. É ali que mobiliza todos os olhares, de figuras masculinas e femininas, do elenco ou entre os visitantes. De frágil ela migra à predadora.

A “feiticeira” da cidade (Aurora, de F.W. Murnau)

Ela é descrita nos créditos como “a mulher da cidade”. O suficiente para entender sua função: enfeitiçar o homem do campo e fazer com que mate a própria mulher. É apenas o início da obra-prima de Murnau. Do lado de fora da casa, ela chama pela homem. Ele sofre em dúvida. Ela está próxima ao muro feito de pedras. Sob a luz da lua, ele caminha à amante. O plano-sequência é magnífico. Ele rende-se à mulher.

A dama do palco (Marrocos, de Josef von Sternberg)

A parceria entre o diretor von Sternberg e a estrela Marlene Dietrich rendeu grandes momentos e filmes. O que a bela faz em Marrocos – que, é verdade, não se trata do melhor filme da parceria – seria visto, com alguma diferença, no anterior O Anjo Azul. É quando ela, no palco, fisga o olhar do jovem soldado vivido por Gary Cooper. Ousada, chega a beijar outra mulher, como parte do show, como provocação.

“Ponham a culpa em Mame, rapazes” (Gilda, de Charles Vidor)

A essa altura, ao som de “Put The Blame On Mame”, os homens já conhecem Gilda. Já se dobraram aos seus encantos. É verdade: nunca houve uma mulher como ela. Para confirmar, canta e dança, flerta com todos, coloca cada um a seus pés. Ousa retirar a luva como se retirasse tudo. Desenrola-a pela pele, lentamente, enquanto canta. No fim, ainda retira a outra luva e lança ao público, que vem abaixo.

O batom pelo chão (O Destino Bate à Sua Porta, de Tay Garnett)

Com um lenço na cabeça, inteira de branco, Lana Turner tem uma entrada triunfal. É a dama que usará o homem recém-chegado, John Garfield, para matar o marido. Antes se tornam amantes. Ele não resiste aos seus encantos. Nessa primeira aparição, ela deixa cair o batom, que rola até os pés dele. O objeto indica o caminho até a dama, parada na porta, a encarar seu futuro companheiro nesse grande filme de Garnett.

Menina da alta roda (Um Lugar ao Sol, de George Stevens)

A bela e jovem Elizabeth Taylor não faz esforço algum. Está, nesse primeiro encontro, de passagem. Na verdade, é ele que a encontra. Seu olhar evidencia o desejo pelo que parece inalcançável: o novo mundo que pouco a pouco passa a conhecer, e no qual habita uma certa Angela Vickers. Ao olhar para trás, à moça que acaba de entrar na grande casa, o jovem vivido por Montgomery Clift deixa ver tudo.

Boneca de carne (Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder)

A cena é clássica. Os dois homens, vestidos de mulher, assistem à dama desfilar pela estação de trem. Jack Lemmon e Tony Curtis, procurados pelos mafiosos, conhecem ali a bela Sugar Kane, um pouco burra, irresistível, e que domina todas as cenas à maneira de Billy Wilder: Marilyn Monroe. Ao passar pelos homens, na mesma estação, a fumaça faz com que ela dê um salto à frente. O momento é mágico.

A mulher do outro (O Conformista, de Bernardo Bertolucci)

O comparsa diz uma frase importante ainda no início: “Precisa tentar entender as mulheres”. O fascista impotente vivido por Jean-Louis Trintignant não consegue. A mulher em questão é Dominique Sanda. O protagonista deve matar o marido dela, um subversivo. Antes que chegue a tanto, vê-se envolvido no momento em que se conhecem, quando ela impõe força com o cigarro à boca, a ele e a outros convidados.

Como Veronica Lake (Los Angeles: Cidade Proibida, de Curtis Hanson)

Na Los Angeles da era clássica, gângsteres mesclam-se a estrelas de Hollywood. Nos prostíbulos de luxo, mulheres são sósias dessas mesmas estrelas, e servem seus clientes, antes, com o sonho. Ao se deparar com a atraente e misteriosa Lynn Bracken (Kim Basinger), em uma loja de bebidas, ainda no início, o policial durão interpretado por Russell Crowe rende-se à musa. Toda sua fraqueza, de repente, é exposta.

Em casa de família (Ponto Final, de Woody Allen)

O protagonista poderia, em outro caso, ser um perdedor. Poderia se render o tempo todo àquela mulher. Quem viu o filme sabe que seu destino é moldado às reviravoltas. Ele resiste. Mas, no início, esse professor de tênis fraqueja frente à bela: ele, Jonathan Rhys Meyers, encontra Scarlett Johansson na casa de sua nova família. É a namorada de seu futuro cunhado. A atração entre ambos é imediata. Ela sabe de seu poder.

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O filme noir segundo James Ellroy

Para mim, filme noir é o seguinte: um legítimo movimento cinematográfico, genericamente americano, que foi de 1945 a 1958 e expôs um grande tema, no qual você está f… Você acabou de conhecer uma mulher, está a poucos passos da melhor transa da sua vida, mas nas seis semanas desde esse acontecimento você será acusado de um crime que não cometeu e acabará numa câmara de gás. E enquanto é amarrado e está a ponto de aspirar cianureto agradecerá pelas poucas semanas que passou com ela e também pela própria morte.

James Ellroy, escritor, na abertura do documentário Filme Noir: Iluminando a Escuridão, presente nos extras da coleção Filme Noir Vol. 6 (Versátil Home Vídeo). Ellroy escreveu livros que deram origem a filmes banhados no estilo noir, como Los Angeles: Cidade Proibida e Dália Negra. Abaixo, a dama fatal Jane Greer em Fuga do Passado.

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Dez loiras fatais do cinema

Elas compõem o grupo das damas fatais, ou femme fatales, que por muito tempo povoou o cinema noir americano. São mulheres perigosas, capazes de tornar a vida dos companheiros um verdadeiro inferno. Boa parte delas não ama. Algumas ainda mostram sentimentos e podem se transformar ao fim. Abaixo, dez loiras de filmes inesquecíveis.

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Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck) em Pacto de Sangue

O diretor Billy Wilder confessou que a peruca loira era proposital. A ideia era tornar Stanwyck uma “mulher barata”. Sua composição é assustadora e histórica.

Barbara Stanwyck

Cora Smith (Lana Turner) em O Destino Bate à Sua Porta

Difícil esquecer a primeira aparição de Smith, a loira aproveitadora em um restaurante à beira da estrada, casada com o homem errado, sob os flertes de John Garfield.

o destino bate à sua porta

Elsa Bannister (Rita Hayworth) em A Dama de Shangai

Tão perfeita quanto Hayworth no papel – o oposto da Gilda de cabelos volumosos – é o “pato” interpretado por Orson Welles, também diretor e então marido da atriz.

a dama de shangai

Gabrielle (Gaby Rodgers) em A Morte Num Beijo

A falsidade e o desejo ficam claros na forma como ela alisa a mala, a suposta Caixa de Pandora. Ela engana o anti-herói de Ralph Meeker e, a certa altura, ousa abrir a caixa.

a morte num beijo

Madeleine/Judy (Kim Novak) em Um Corpo que Cai

Em meio ao jogo que inclui o medo de altura do herói de James Stewart, ela terá novamente de assumir os cabelos loiros ao fim, ser sua velha personagem.

um corpo que cai

Marnie Edgar (Tippi Hedren) em Marnie, Confissões de uma Ladra

O terreno é, de novo, o de Hitchcock, com suas relações psicanalíticas, sobre uma ladra compulsiva e um ricaço que talvez deseje fazer amor com ela enquanto esteja roubando.

marnie

Alex Forrest (Glenn Close) em Atração Fatal

Não é muito bonita. Torna-se cada vez mais estranha, repulsiva: mata pequenos animais, faz jogos com a mulher do amante e até leva o filho dele para passear.

atração fatal

Catherine Tramell (Sharon Stone) em Instinto Selvagem

Lembrada pela cruzada de pernas, Stone está à vontade e se deixa levar pelo jogo perigoso. Paul Verhoeven acerta o tom nessa homenagem aos homens fracos do cinema.

instinto selvagem

Lynn Bracken (Kim Basinger) em Los Angeles: Cidade Proibida

Hollywood abriga figuras falsas, prostitutas com rostos de atrizes. É o caso de Bracken, sósia de Veronica Lake, que coloca os dois protagonistas e policiais a seus pés.

los angeles cidade proibida

Laure/Lily (Rebecca Romijn) em Femme Fatale

Os filmes de Brian De Palma sempre foram acusados de beber na fonte de Hitchcock. Os ingredientes são irresistíveis: a bela fatal, o mundo do cinema e identidades trocadas.

femme fatale

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Os cinco melhores filmes com Kevin Spacey

Desde seus primeiros papéis, como a inesquecível participação em Uma Secretária de Futuro, Spacey despontou entre os mais versáteis atores da atualidade. A consagração veio nos anos 90, com grandes papéis: ganhou dois Oscars, interpretou vilões e, como outros, também teve deslizes. Abaixo, seus melhores filmes.

5) Margin Call – O Dia Antes do Fim, de J.C. Chandor

Filmaço sobre Wall Street e sua podridão. Aqui, um jovem talento (Zachary Quinto) descobre que sua empresa de capital aberto está prestes a ir à bancarrota. Logo, em uma noite que deveria ser como outras, aciona os “cabeças” da companhia para tentar salvá-la. Ninguém escapa aos problemas, nem a personagem de Spacey, que, ao contrário de outras, ainda parece guardar algum pingo de humanidade. O texto é afiado e os diálogos, incríveis.

margin call

4) Seven: Os Sete Crimes Capitais, de David Fincher

Depois de interpretar um grande vilão em Os Suspeitos (e ganhar um Oscar de coadjuvante), Spacey foi escalado para viver o serial killer que aparece apenas na parte final da obra de Fincher, entre suas mais lembradas. Seu jeito frio e calculista chama a atenção: não é difícil entender o que faz o policial vivido por Brad Pitt perder a cabeça, ao fim, e concretizar o desejo do assassino. As expressões de John Doe são inesquecíveis.

seven

3) Beleza Americana, de Sam Mendes

Valeu ao ator seu segundo Oscar. Difícil imaginar outro na pele de Lester Burnham, narrador, cuja morte anuncia nos primeiros instantes. Enquanto joga tudo para o alto, Lester mantém relações com os vizinhos, também com a filha, com a mulher instável (Annette Bening) e enxerga pétalas de rosas vindas do corpo da ninfeta (Mena Suvari), a amiga da filha (Thora Birch). Nada é o que parece nessa América de mentira. Muito menos a beleza.

beleza americana

2) O Sucesso a Qualquer Preço, de James Foley

A partir da peça de David Mamet, o diretor Foley constrói a loucura de alguns homens dispostos a vender imóveis. Esses corretores são colocados na parede, precisam vender a qualquer custo. Como outras obras de Mamet, fala sobre corrupção e bandidagem. Passa-se em poucas horas, em noite chuvosa. Ao lado de várias estrelas, entre elas Al Pacino e Jack Lemmon, Spacey é John Williamson, tipo asqueroso e impotente que não sabe lidar com o poder.

o sucesso a qualquer preço

1) Los Angeles: Cidade Proibida, de Curtis Hanson

Na Los Angeles dos anos 50, estrelas do cinema misturam-se a policiais. Nesse híbrido está a personagem de Spacey, policial que serve de consultor às séries policiais, que circula e dança com atrizes, que sabe – como fez a outras personagens – ser cínico sem perder o sentido do drama. E esse sentido torna-o chave para o destino dos outros dois policiais idealistas, também diferentes, interpretados por Russell Crowe e Guy Pearce.

los angeles cidade proibida

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Os dez melhores indicados ao Oscar que não venceram o prêmio (anos 90)

Duas coisas difíceis de imaginar ocorreram nos anos 90, no prêmio Oscar: os astros Kevin Costner e Mel Gibson ganharam injustamente o prêmio de melhor diretor, ambos em típicos filmes que a Academia adora, Dança com Lobos e Coração Valente. Foi a década em que Clint Eastwood finalmente ganhou (Os Imperdoáveis) e Spielberg também (A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan). Outros, como Terrence Malick, voltaram à cena. Nessa época, a decadência do cinema americano era visível e bastava uma comparação com outras décadas para constatar isso. Ainda assim, grandes indicados saíram de mãos vazias.

10) Vestígios do Dia, de James Ivory

O velho mordomo da grande casa demonstra, com dificuldade, amor pela nova governanta nesse filme de emoções contidas.

Vencedor do ano: A Lista de Schindler

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9) Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick

Sem filmar desde Cinzas no Paraíso, Malick decide retornar com foco na guerra, com a convivência entre o cético e o religioso.

Vencedor do ano: Shakespeare Apaixonado

além da linha vermelha

8) Segredos e Mentiras, de Mike Leigh

Como em Naked, Leigh retorna às pessoas comuns, ao drama de “pia e cozinha” sobre a filha negra que reencontra a mãe.

Vencedor do ano: O Paciente Inglês

segredos e mentiras

7) JFK – A Pergunta que Não Quer Calar, de Oliver Stone

As tantas perguntas fazem a obra parecer uma grande colagem, algo cheio de ambição, de novo a incendiar o debate sobre Kennedy.

Vencedor do ano: O Silêncio dos Inocentes

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6) Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont

O rapaz rico percorre um cano com merda para sair limpo do outro lado. Preso por vinte anos, ele tem a chance de escapar.

Vencedor do ano: Forrest Gump: O Contador de Histórias

um sonho de liberdade

5) Los Angeles – Cidade Proibida, de Curtis Hanson

A certa altura, um policial certinho acredita estar lidando com uma sósia de Lana Turner. Mero engano: trata-se da verdadeira.

Vencedor do ano: Titanic

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4) Fargo, de Joel Coen

A policial grávida e bondosa persegue dois bandidos estranhos. Não há nada de muito complexo, o que não retira a profundidade da obra.

Vencedor do ano: O Paciente Inglês

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3) O Piano, de Jane Campion

O piano une as personagens e, ao fim, termina no fundo do mar. O drama inclui a pianista muda, sua filha, o marido malvado e o amante rústico.

Vencedor do ano: A Lista de Schindler

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2) Pulp Fiction – Tempos de Violência, de Quentin Tarantino

O diálogo da abertura dá o tom: é rápido, esperto, imprevisível como na famosa cena da injeção de adrenalina no coração.

Vencedor do ano: Forrest Gump: O Contador de Histórias

pulp fiction

1) Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese

O narrador revela-se, no início, após ele e os amigos esfaquearem um homem: “Até onde me lembro, eu sempre quis ser um gângster”.

Vencedor do ano: Dança com Lobos

os bons companheiros

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