Lolita

Ninfetas (em 15 filmes)

Um grupo de belas jovens do cinema, a fazer pencas de marmanjos saírem dos trilhos. Uma lista com 15 meninas de filmes variados, do noir ao universo violento do cinema americano atual. Não se tratam de formas a representar o sexo fácil, ainda que em vários filmes elas remetam a desejos ocultos e ao erotismo comum ao cinema moderno.

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Carmen Sternwood (Martha Vickers) em À Beira do Abismo

Antes de encontrar seu contratante, ainda no início da obra-prima de Howard Hawks, o detetive Philip Marlowe (Humphrey Bogart) depara-se com a pequena e aparentemente indefesa Carmen. Algo está errado por ali: a menina não demorada a se lançar nos braços do herói, que, como sempre, ironiza. Ao longo do filme, ela mostra-se apenas uma peça da trama intrincada, cheia de idas e vindas, de dúvidas, com Lauren Bacall no elenco.

à beira do abismo

Baby Doll (Carroll Baker) em Baby Doll

O trabalho de Elia Kazan vem carregado de ousadia: é sobre um homem (Karl Malden) impotente unido a uma bela menina, em uma casa aos cacos, enquanto não consegue consumir seu desejo por ela. Ela grita do lado de fora enquanto a aguarda, para a graça dos velhos senhoras negros por ali. Mais tarde, seu rival (Eli Wallach) vai à mesma casa e passa a jogar charme na menina. Como em Uma Rua Chamada Pecado, Tennessee Williams também assina o roteiro.

baby doll

Colette (Marie-France Pisier) em Antoine e Colette

O espectador entende por que Colette capta a atenção de Antoine e desvia seu olhar, do palco do concerto à bela menina, algumas poltronas à frente. A maneira como arruma o vestido, como passa o dedo nos lábios, torna-a seu objeto de desejo. Logo está apaixonado, em seu possível primeiro amor. Ele fará de tudo para tê-la por perto no segundo filme de Truffaut sobre Antoine Doinel, que integra o longa Amor aos 20 Anos. Pisier mescla juventude com jeito de mulher.

antoine e colette

Lolita (Sue Lyon) em Lolita

A partir do livro de Nabokov, Kubrick levou à tela um estranho romance carregado de ressentimento, de dor, com o homem mais velho cheio de problemas, desconfiado, vivido na medida pelo mestre James Mason. A bela Lyon não precisa de muito para encantar, e em alguns momentos chega a não ter qualquer tempero: às vezes é até difícil compreender por que esse homem mais velho e inteligente fica de joelhos à menina. É uma boneca cuja imagem, ao fim, esvai-se: não é mais a Lolita de sempre.

lolita

Agnese Ascalone (Stefania Sandrelli) em Seduzida e Abandonada

Após o incrível Divórcio à Italiana, o diretor Pietro Germi retorna ao campo da comédia que revela outro lado da sociedade italiana de bons costumes. A saída é rir do absurdo, das perseguições à menina que teria perdido a juventude, para a desgraça do pai, da Igreja, de todos ao redor. Há a sequência delirante em que ela é perseguida pelos moradores da cidade. De beleza ímpar, como outras musas italianas da época, Sandrelli ganha pela presença, ao mesmo tempo em que o espectador ri dos homens que a cercam.

seduzida e abandonada

Delilah “Delly” Grastner (Melanie Griffith) em Um Lance no Escuro

O detetive de Gene Hackman é contratado para encontrar essa garota no grande filme de Arthur Penn. A trama envolve uma atriz de cinema decadente (mãe dela) e o lado obscuro dessa arte, atrás das câmeras, com os dublês e os riscos do ofício. Logo Harry (Hackman) percebe que a menina é apenas a ponta do iceberg. Suas andanças levam-no ao inimaginável, ao fim, com um encerramento misterioso. É o primeiro trabalho de Griffith que lhe valeu crédito, muito antes do sucesso de Uma Secretária de Futuro, de Mike Nichols.

um lance no escuro

Iris (Jodie Foster) em Taxi Driver

A raquítica Foster cai nos braços da personagem de Harvey Keitel, o cafetão, na única sequência do filme de Martin Scorsese em que Robert De Niro não está em cena. Em outros momentos, a menina passa pelas ruas e sempre atrai a atenção do taxista Travis, em suas andanças pela cidade, em seus momentos de solidão. Seu desejo de “limpar” a metrópole leva-o a encontrar a menina de novo, em encerramento traumático. Foster já havia feito um pequeno papel em Alice Não Mora Mais Aqui, de Scorsese.

jodie foster

Violet (Brooke Shields) em Menina Bonita

A ninfeta é servida como banquete nesse polêmico filme de Louis Malle, quando alguns diretores europeus eram atraídos a Hollywood com a possibilidade de realizar trabalhos interessantes. Crescida no bordel, a menina de Shields logo chama a atenção de um jovem fotógrafo que passa por ali, interpretado por Keith Carradine. Malle capta o universo de libertinagem do início do século 20. O elenco conta com Susan Sarandon, como mãe da menina e também prostituta.

menina bonita

Suzanne (Sandrine Bonnaire) em Aos Nossos Amores

Em seu primeiro papel de destaque e com crédito, Bonnaire é uma revelação. O diretor Maurice Pialat nunca trata o sexo como momento difícil ou leva a jovem a algum questionamento que envolva culpa. Ao contrário, é natural. Os problemas da menina são outros e envolvem sua família, a separação dos pais, as brigas com o irmão. Há também o relacionamento que não deu certo, com diálogos cortantes e o realismo do diretor.

aos nossos amores

Cécile de Volanges (Uma Thurman) em Ligações Perigosas

A trama envolve a destruição de uma jovem (Michelle Pfeiffer) por um casal de amigos íntimos, vivido por Glenn Close e John Malkovich. Em meio à trama, em jogos de diversão e prazer, eles encontram a bela Cécile. Thurman já havia feito outros filmes, como As Aventuras do Barão de Münchausen, do mesmo ano, e mais tarde ganharia destaque por sua personagem descontrolada em Pulp Fiction, de peruca e mulher de um perigoso mafioso.

ligações perigosas

Christina (Mia Kirshner) em Exótica

A casa de shows de stripper é decorada como selva. Homens vão ao local para observar as belas mulheres que dançam ali. Entre elas está a misteriosa Christina, alvo, quase todas as noites, das investidas de um cliente fiel (Bruce Greenwood). O belo filme de Atom Egoyan mescla diferentes personagens, como o dono de uma loja de animais exóticos interpretado por Don McKellar, e outros que compõem a estranheza da obra, como o DJ de frases de efeito de Elias Koteas.

exotica

Angela Hayes (Mena Suvari) em Beleza Americana

O objeto de desejo do protagonista (Kevin Spacey) surge, em sonhos, coberto de pétalas de rosa, quando retira o casaco de líder de torcida, ou quando se insinua para ele do alto do teto de seu quarto. Como nada é o que parece nesse filme de Sam Mendes, ganhador do Oscar, mais tarde a moça fará uma revelação capaz de demolir seu sonho. Retorna à realidade, ao ambiente que inclui as traições da mulher, as descobertas da filha, o contato com o vizinho traficante e os embates com o pai do garoto, militar linha dura.

beleza americana

Junie (Léa Seydoux) em A Bela Junie

O título não mente: Seydoux é bela demais, com seu olhar de lince, o que leva o espectador a não despregar os olhos. Faz pensar na Anna Karina de Godard, na menina como fonte de atenção de seus bandidos e fugitivos. Como outros de sua geração, Christophe Honoré bebe na fonte da nouvelle vague. Faz de Seydoux uma musa em formação: tem o olhar trágico e ao mesmo tempo distante. Difícil saber no que está pensando ou o que deseja, o que assegura seu mistério.

a beça junnie

Dottie Smith (Juno Temple) em Killer Joe – Matador de Aluguel

A menina rouba a atenção do matador de aluguel interpretado por Matthew McConaughey no surpreendente e violento filme de William Friedkin. Ao aceitar matar a mãe do menino que o contrata, ele coloca a irmã do pagador como parte do negócio. E Temple sai-se bem como a adolescente perdida de uma família disfuncional. O filme leva ao insuportável quando, ao fim, todas as personagens reúnem-se à mesa, quando o assassino fala de suas intenções, e quando o fechamento leva ao corte seco.

killer joe

Joe (Stacy Martin) em Ninfomaníaca – Parte 1

Nas histórias da experiente Joe vem à tona seu passado, quando se aventurava em baladas sexuais, com parceiros diversos. O período é preenchido pela presença da bela Martin, cujo olhar de certeza comprova a boa escolha para o papel. Sozinha ou com alguma amiga, ela dá vez aos desejos. A direção de Lars von Trier é certeira e o filme, claro, criou alguma polêmica. Não é sobre sexo fácil. Prefere suas entranhas, ao passo que a madura Joe (Charlotte Gainsbourg) é bombardeada pelas ideias de seu interlocutor (Stellan Skarsgård).

ninfomaníaca

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Dez beldades em dez grandes aparições na tela

As aparições abaixo dão ideia do poder feminino na tela. É a capacidade do cinema em mitificar seres – que, como se vê aqui, à primeira vista não vão além do olhar, do pequeno gesto. São mulheres apaixonantes que podem até destruir seus companheiros.

Com exceção de uma, todas têm algo em comum: são para os homens em cena objetos de desejo. Outro dado importante deve ser ressaltado: algumas fisgaram o coração de seus diretores. Por isso, suas primeiras imagens são também imagens de amor. À lista.

Lauren Bacall em Uma Aventura na Martinica

É famosa a história de que o diretor Howard Hawks teria se apaixonado por Bacall, cuja primeira aparição, à porta do quarto do herói, inclui o pedido por fogo.

uma aventura na martinica

Rita Hayworth em Gilda

O marido e vilão apresenta Gilda ao seu capanga. Ela lança o cabelo para trás e responde a ele, em cena que seria homenageada em Um Sonho de Liberdade.

gilda

Silvana Mangano em Arroz Amargo

A beldade dança enquanto troca olhares com o bandido vivido por Vittorio Gassman. Eles voltam a se encontrar em plantações de arroz nesse grande filme italiano.

arroz amargo

Grace Kelly em Janela Indiscreta

Como sonho, Kelly aparece ao protagonista que então dormia e que talvez tenha descoberto um crime. E talvez seja este o close mais belo da história do cinema.

janela indiscreta

Sue Lyon em Lolita

Depois de ver Lolita, o professor interpretado por James Mason não pode fazer mais nada: rende-se à pequena beldade e até aceita casar com sua mãe possessiva para estar perto dela.

lolita

Claudia Cardinale em O Leopardo

Mais de um homem percebe o magnetismo da bela que cruza o salão e que, depois, sorri em excesso entre os convidados do jantar – de acordo com as mudanças que pairam por ali.

o leopardo

Anna Karina em Alphaville

Como Bacall, ela pede por fogo nesse filme de Godard, que retira algo do cinema noir, e talvez por isso próximo de Hawks. Karina era a musa do diretor e sua companheira.

alphaville

Claude Jade em Beijos Proibidos

A bela ainda retornaria em Domicílio Conjugal e Amor em Fuga. É por essa bela comédia romântica, contudo, que ficaria eternizada: a companheira perfeita para Antoine Doinel.

beijos proibidos

Candice Bergen em Ânsia de Amar

Após os créditos, quando os rapazes falam de sexo, surge a personagem de Bergen, entre sombras, na primeira imagem do filme (sob a fotografia do mestre Giuseppe Rotunno).

ânsia de amar

Barbara Hershey em Hannah e Suas Irmãs

“Ela é linda”, diz a personagem de Michael Caine ao se deparar Hershey, à porta, na abertura do filme de Woody Allen. O público não deverá discordar.

hannah e suas irmãs

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Dez grandes filmes sobre amor obsessivo

O amor tem diferentes faces. No cinema, há ternura e loucura, com pertencimento ou repelência. Em exagero, o amor pode ser destrutivo. Alguns amantes, como se vê nos filmes abaixo, estão dispostos a morrer pelo outro, ou mesmo a amar um espírito. Estão à beira da loucura, às vezes sem caminho, às vezes sem respostas. Abaixo, dez exemplos de grandes filmes nos quais o amor é colocado de cabeça para baixo. Contudo, continua por ali, ainda que difícil de enxergar.

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O Morro dos Ventos Uivantes, de William Wyler

Apesar de tanto amor, o filme de Wyler tem pitadas de vingança – com Laurence Olivier como o pobretão que retorna rico para tomar seu grande amor. Um clássico sobre amores e fantasmas, sobre eternidade.

o morro dos ventos uivantes

O Retrato de Jennie, de William Dieterle

Mais do que sobre amor, é sobre um homem obcecado pela beleza, pela mulher de outro tempo que aparece para ele e por quem se vê apaixonado. De encerramento delirante, foi elogiado por Luis Buñuel.

o retrato de jennie

Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock

A história de uma mulher obcecada por um quadro, de um homem obcecado por ela e pelo medo de altura. Os caminhos inusitados dão vez a uma grande história de amor. Com a linda Kim Novak.

um corpo que cai

Lolita, de Stanley Kubrick

O homem mais velho faz de tudo para estar perto da adolescente, antes sua enteada e depois sua amante. À época, no começo dos anos 60, Kubrick tratou o romance até com certa leveza para driblar a censura.

lolita

A História de Adèle H., de François Truffaut

O amor em suas últimas consequências. A personagem-título, filha do escritor Victor Hugo, sai da Europa e vai para o Canadá tentar encontrar seu grande amor. É quando começa a jornada de sofrimento.

a história de adèle h

O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima

Considerado pornográfico, é um dos filmes mais corajosos e controversos da história do cinema. Oshima funde amor à loucura e leva os amantes à tragédia, forma de possuir o outro por inteiro.

império dos sentidos

Esse Obscuro Objeto de Desejo, de Luis Buñuel

Como no poderoso e anterior O Alucinado, o diretor narra a vida de um homem impotente, em desespero e dominado por uma mulher. Buñuel utiliza duas atrizes diferentes para a mesma personagem.

esse obscuro objeto de desejo

A Garota de Trieste, de Pasquale Festa Campanile

Pintor solitário presencia o resgate de uma garota, retirada da água quase morta. Mais tarde obcecado, ele passa a perseguir a jovem (a bela Ornella Mutti) que, com frequência, mostra-se descontrolada.

garota de trieste2

Ondas do Destino, de Lars Von Trier

Uma mulher aceita sair com outros homens apenas para satisfazer os desejos do marido tetraplégico, que depois ouve seus relatos. Os limites do amor e a hipocrisia religiosa fazem parte desse grande filme.

ondas do destino

Fale com Ela, de Pedro Almodóvar

Enfermeiro efeminado e amante da arte apaixona-se por sua paciente. O problema é que ela encontra-se presa a uma cama, em coma. Isso não o impede de lhe contar histórias. O melhor filme de Almodóvar.

fale com ela

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