linguagem cinematográfica

Bastidores: Asas do Desejo

Wenders foi um dos grandes renovadores da linguagem cinematográfica nos anos 80. Levou a experiência formal dos Cinemas Novos dos anos 60 um passo adiante, para a paisagem americana, a partir dos anos 70. Apaixonado pelo cinema clássico dos Estados Unidos, em especial pelo western e pelo filme noir dos anos 40 e 50, reinventou conceitualmente os cinemas de gênero.

Marcos Strecker, sobre o cineasta Wim Wenders, em Na Estrada – O Cinema de Walter Salles (Publifolha; pág. 177). Abaixo, Wenders no set de Asas do Desejo, que lhe valeu o prêmio de direção em Cannes.

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Pina, de Wim Wenders

100 anos de O Nascimento de uma Nação

Ele realizou o que nenhum outro homem realizou. Admirar sua obra é como testemunhar o início da melodia, ou o primeiro uso consciente da alavanca ou da roda; o surgimento, a coordenação e a primeira eloquência da linguagem; o nascimento de uma arte – e constatar que tudo isso é obra de um único homem.

James Agee, escritor, roteirista e crítico de cinema.

Para entendermos O Nascimento de uma Nação precisamos primeiro entender a diferença entre o que trazemos para o filme e o que o filme traz para nós. Cedo ou tarde, todo espectador sério chegará ao ponto de ver um filme pelo que é, e não simplesmente pelo que sente a respeito. O Nascimento de uma Nação não é um mau filme pelo fato de defender um erro. Assim como O Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl, é um grande filme apesar de defender um erro. Entender como isso acontece significa aprender muito sobre cinema, inclusive um pouco sobre o erro.

Roger Ebert, crítico de cinema.

Desde o início, o filme magnetizou e enganou os americanos, revelando o extraordinário poder do cinema para “ensinar” História, para refletir ou formar hábitos e estereótipos entre o público. Anteriormente, diversões populares como espetáculos de variedades, canções e vaudeville retratavam os negros como palhaços e bufões, essencialmente como objetos passivos. O Nascimento de uma Nação, entretanto, introduziu uma nova dimensão: o comportamento estóico e servil de homens negros escondendo, não raro, uma bestialidade depravada que nunca se viu tão viva e manifesta quanto depois da abolição.

Leon F. Litwack, professor de história.

o nascimento de uma nação

o nascimento de uma nação

Os seis mandamentos do filme de guerra, por Samuel Fuller

A guerra é o principal tema dos filmes de Samuel Fuller. Considerado um marginal em meio ao sistema de estúdios, às vezes trabalhando com atores desconhecidos e orçamentos limitados, o diretor soube como poucos explorar o poder da linguagem cinematográfica.

Seu primeiro filme sobre a guerra é o poderoso Capacete de Aço, passado na Guerra da Coreia. Depois vieram Baionetas Caladas, Os Mortos Caminham e, claro, Agonia e Glória (foto abaixo), no qual o próprio diretor aparece em cena, como ele mesmo. Abaixo, uma rápida lista de autoria do próprio Fuller, com seus seis mandamentos básicos para filmes do tipo. (Foi publicada na revista francesa Présence du Cinema, na edição de dezembro de 1963 e janeiro de 1964. A tradução é de Bruno Andrade e a versão em português foi publicada em Foco – Revista de Cinema.)

1) Nunca cesse o combate quando alguém é atingido. Se um homem cai, continue. O que se pode fazer?

2) Nunca permita que um G.I. moribundo tire sua carteira para olhar a foto de sua noiva. Isso nunca se passa desta forma.

3) Que vossos soldados estejam sujos, cansados e barbudos. Quando se está no front, não se faz a barba.

4) Não coloque meninas nos filmes de guerra. Nada de mulheres vistas em flashbacks, aguardando em casa o regresso de seus homens. Se você é incapaz de dizer que tipo de pessoa é o seu personagem, sem mostrar como ele é na sua casa, tire ele do script.

5) Não deixe que os atores exagerem. 80% dos atores nos filmes de guerra são canastrões. Eles não querem ser soldados, eles só querem desfilar.

6) Faça com que seus atores passem por um período de treinamento como recrutas e nada de mimos.

agonia e glória