Lawrence da Arábia

Bastidores: Lawrence da Arábia

Fiquei obcecado por esse homem, e isso foi ruim. Um verdadeiro artista devia ser capaz de pular num balde de merda e sair cheirando a violetas, mas passei dois anos e três meses fazendo aquele filme, e foram dois anos e três meses pensando em nada além de Lawrence, e eu era ele, era assim dia após dia, foi ruim para mim, pessoalmente, e prejudicou minha atuação posterior.

Peter O’Toole, em declaração a Gay Talese, no perfil Peter O’Toole de volta à terrinha, publicado no livro Fama & Anonimato (Companhia das Letras).

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20 frases inesquecíveis de 20 ganhadores do Oscar

Basta pensar em algumas frases e os filmes vêm logo à cabeça: “Eu sou o rei do mundo!”, dita por Leonardo DiCaprio em Titanic, por exemplo, ou “A vida é como uma caixa de chocolates…”, de Tom Hanks em Forrest Gump. São textos que todos conhecem e talvez sem o mesmo poder se retirados de seus contextos.

Com a aproximação da festa do Oscar, o blog relembra frases marcantes de antigos vencedores da principal estatueta da noite: melhor filme. A lista passa por décadas da história da festa – e do cinema – para mostrar o quanto algumas falas sobrevivem ao tempo. E o quanto algumas, um pouco esquecidas, merecem agora devido destaque.

“Eu quero ficar só.”

Greta Garbo em Grande Hotel (1932)

grande hotel

“Contemple os muros de Jericó, não tão espessos como aquele que Josué derrubou com a corneta, porém mais seguros. Não tenho corneta, mas como tenho bom coração, você vai receber o melhor pijama.”

Clark Gable, dividindo o quarto com Claudette Colbert, em Aconteceu Naquela Noite (1934)

aconteceu naquela noite

“Vovô diz que hoje a maioria das pessoas é movida pelo medo. Medo do que comem, medo do que bebem, medo de perder o emprego, medo do futuro, medo de perder a saúde, medo de guardar dinheiro, medo de gastá-lo. Sabe o que o vovô mais odeia? Aqueles que lucram explorando o medo. Assustado, você compra aquilo de que não precisa.”

Jean Arthur, para James Stewart, em Do Mundo Nada se Leva (1938)

do mundo nada se leva

“Tara! Lar. Eu vou voltar para casa. E pensarei em alguma maneira de trazê-lo de volta. Afinal, amanhã é outro dia.”

Vivien Leigh no encerramento de E o Vento Levou (1939)

e o vento levou

“De todos os bares do mundo, ela tinha que entrar logo no meu?”

Humphrey Bogart em Casablanca (1942)

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“É engraçada a carreira de uma mulher; pense nas coisas de que você tem que se livrar, quando está no topo da escada, para ter mais liberdade de movimento. Mas quando faz isso esquece que vai precisar delas quando voltar a ser uma mulher. Há uma carreira que todas as mulheres têm em comum, gostem ou não, por serem mulheres. E mais cedo ou mais tarde, temos que exercê-la.”

Bette Davis em A Malvada (1950)

a malvada

“Você não entende! Eu poderia ter classe. Podia ter sido um competidor. Eu poderia ter sido alguém, ao invés de um vagabundo, que é o que eu sou.”

Marlon Brando, para Rod Steiger, em Sindicato de Ladrões.

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“As pessoas que dizem que fazem amor o tempo todo são mentirosas.”

Louis Jourdan em Gigi (1958)

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“Pode haver honra entre ladrões, mas não entre políticos.”

Peter O’Toole em Lawrence da Arábia (1962)

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“Eu vendi flores. Não me vendi. Agora que você me transformou em uma dama, não consigo vender mais nada.”

Audrey Hepburn, para Rex Harrison, em Minha Bela Dama (1964)

ÒMy Fair LadyÓ and ÒThe Great RaceÓ will screen at the Academy of Motion Picture Arts and SciencesÕ Linwood Dunn Theater in Hollywood on Friday, March 27, and Saturday, March 28, respectively. Screenings will begin at 8 p.m. The programs are presented by the AcademyÕs Science and Technology Council in conjunction with its ÒDressed in Color: The CostumesÓ exhibition, which includes costumes from both films. Pictured: Audrey Hepburn and Rex Harrison as they appear in MY FAIR LADY, 1964.

“O povo me segue porque segue tudo o que se move.”

Robert Shaw, como Henrique 8º, em O Homem que Não Vendeu Sua Alma (1966)

o homem que não vendeu sua alma

“Eu amo a guerra, que Deus me ajude, amo de verdade. Mais do que minha vida.”

George C. Scott em Patton – Rebelde ou Herói?

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“Mantenha seus amigos por perto e seus inimigos, mais perto ainda.”

Al Pacino em O Poderoso Chefão – Parte 2 (1974)

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“Eu sinto que a vida se divide entre o horrível e o miserável.”

Woody Allen em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

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“Podem torturar meu corpo, quebrar meus ossos, podem até me matar. Eles terão meu cadáver, mas não a minha obediência.”

Ben Kingsley em Gandhi (1982)

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“O progresso baseia-se mais no fracasso do que no sucesso.”

Kevin Costner em Dança com Lobos (1990)

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“Gostaria de conversar com você, mas tenho um velho amigo para jantar.”

Anthony Hopkins, para Jodie Foster, no encerramento de O Silêncio dos Inocentes (1991)

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“É uma coisa infernal matar um homem. Você tira tudo o que ele tem e tudo o que ele poderia ter um dia.”

Clint Eastwood em Os Imperdoáveis (1992)

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“Poder é quando temos justificativa para matar e não matamos.”

Liam Neeson, para Ralph Fiennes, em A Lista de Schindler (1993)

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“Só conheci um homem com o qual não queria lutar. Quando eu o conheci, ele já era o melhor “cut man” do ramo. Começou treinando e empresariando nos anos 60, mas nunca perdeu o dom.”

Morgan Freeman, sobre Clint Eastwood, na abertura de Menina de Ouro (2004)

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Omar Sharif (1932–2015)

Quando soube que David Lean faria um filme de Doutor Jivago, comprei o livro e comecei a lê-lo, para ver se havia um papel para mim. Nunca imaginei que me pediriam para fazer o papel central, porque pensava que as pessoas me conheciam como um árabe em um camelo e que não poderiam pensar em mim como um poeta russo.

O que era difícil imaginar aconteceu: o papel de Yuri Jivago terminou no colo de Omar Sharif, lembrado até então como o Ali de Lawrence da Arábia – também do mestre David Lean. Ninguém esquece sua aparição neste épico, com o camelo no “fim” da paisagem do deserto, lentamente à frente, aos olhos do herói de Peter O’Toole.

Ambos – um egípcio e um inglês – eram pouco conhecidos. Na tela, a química perfeita, entre a rudeza e a aparente sensibilidade do escritor, o que Sharif deveria levar a sua personagem seguinte, Yuri. O terreno, então, era o da Revolução Russa. Mais de uma vez é possível ver seu rosto de desespero, às vezes sem saber o que fazer. Homem forte, ao mesmo tempo deslocado, humano demais a tantas convulsões.

Ao analisar Lawrence da Arábia, a crítica Pauline Kael observou em Ali um “xeque bonitão, de líquidos olhos castanhos e falas convencionalmente simples de dizer”. A presença forte do ator quase dispensa essas palavras, como se tudo soubesse sobre o deserto e suas guerras.

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Dez grandes filmes sobre a Primeira Guerra Mundial

Longe de ter produzido tantos filmes quanto a Segunda Guerra Mundial, a Primeira inspirou obras marcantes. Algumas, inclusive, feitas entre os dois grandes conflitos. A maior parte dessas produções faz críticas às besteiras da guerra e isso talvez tenha uma explicação: a Primeira Guerra Mundial é considerada o conflito que forjou a total desumanização, com o fim da camaradagem entre homens e o respeito entre os lados. É considerada a chegada à “guerra total”, com um modelo a ser seguido.

A realizar A Grande Ilusão, não por acaso Renoir faria ataque com sua defesa: a camaradagem possível entre um oficial alemão e um francês. Esse respeito entre homens de diferentes lados marca o fim de um tempo, e talvez já anunciasse o que vinha pela frente. Ao invadir a França durante a Segunda Guerra, os nazistas logo trataram de destruir as cópias do filme de Renoir. Felizmente, uma restou. A história é cheia de voltas. Abaixo, a lista com grandes obras sobre o conflito, talvez as melhores.

E é importante recordar: o conflito completou 100 anos em 2014.

O Grande Desfile, de King Vidor

O realizador de A Turba faz aqui outro filme extraordinário, sobre descobrir a maturidade e no qual, curiosamente, metade aproxima-se da comédia.

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Asas, de William A. Wellman

Primeiro ganhador do Oscar da história e único completamente mudo, Asas é extraordinário até mesmo quando leva ao drama pesado, às despedidas e amores.

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Sem Novidade no Front, de Lewis Milestone

Tem a famosa sequência do soldado tentando alcançar a borboleta, momento que resume tudo: a sensibilidade ainda persiste apesar de tanto mal.

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Cruzes de Madeira, de Raymond Bernard

É a resposta francesa ao filme de Milestone, sobre jovens inocentes abatidos no conflito, sobre imagens de cruzes que se sobrepõem à avalanche de homens.

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A Grande Ilusão, de Jean Renoir

Talvez o maior filme de guerra da história, a obra de Renoir tem poucos tiros e ataca o conflito de forma até mesmo singela, porém certeira: na camaradagem entre homens.

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Uma Aventura na África, de John Huston

Bogart faz o beberrão que encontra a mulher pacata – porém forte – de Hepburn nesse clássico absoluto com direito a final feliz. Nem tudo está perdido.

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Glória Feita de Sangue, de Stanley Kubrick

Tem as lágrimas finais que levam à reflexão, e tem também algumas das melhores sequências já feitas em trincheiras, com homens sujos como ratos.

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A Grande Guerra, de Mario Monicelli

O diretor italiano é o mestre do humor em meio à tragédia, um dos melhores da comédia à italiana. Aqui, ele põe em cena os pesos pesados Alberto Sordi e Vittorio Gassman.

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Lawrence da Arábia, de David Lean

O protagonista efeminado está em um filme sem uma história de amor, passado no pior lugar do mundo e com quatro horas de duração. Sem dúvida, um épico.

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Johnny Vai à Guerra, de Dalton Trumbo

Anos após figurar na Lista Negra, Trumbo realizou esse filme sobre as besteiras da guerra, passada na Primeira, mas fazendo sentir os problemas do Vietnã.

Johnny vai à Guerra

Não encontrou seu filme favorito sobre a Primeira Guerra Mundial? Não se preocupe: listas são sempre pessoais e, aos olhos alheios, sempre imperfeitas. Deixe seu recado, com seu filme favorito desse conflito.