Laurence Olivier

Michael Powell vai à guerra

O caminho é aberto antes aos alemães, depois aos britânicos. Em Invasão de Bárbaros e E um Avião não Regressou, feitos no calor da hora, durante a Segunda Guerra Mundial, homens de diferentes lados da batalha tentam retornar a seus países. O diretor Michael Powell oferece filmes irmãos, que se completam pelas semelhanças e diferenças.

O primeiro é ambientado no Canadá, quando um grupo nazista, em terra, tenta sobreviver a imprevistos após a explosão do submarino em que estava. O segundo passa-se na Holanda ocupada pelos alemães, momento em que um grupo de soldados britânicos, com a ajuda da população local, tenta alcançar o oceano e retornar à Inglaterra.

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Torce-se antes contra os inimigos, depois a favor dos heróis. As bandeiras são claras. As interpretações gritam a favor de um lado, contra outro. As situações revelam assassinos, primeiro, e bons homens patriotas, depois. Podem até ser chamados de “filmes de propaganda”, ainda que as qualidades transcendam essa pecha.

À selvageria dos alemães, antes, Powell responde – em ambos os casos com roteiros de Emeric Pressburger, que assinaria também a direção do segundo – com a cordialidade dos britânicos. Mais que a caminhada de um ou outro, importa o que há pelo caminho, obstáculos ou apoios: estão ali pessoas pacatas, inimigos ou mesmo a religião.

O cineasta, com ou sem Pressburger, aposta no realismo. A fotografia em preto e branco, granulada, expõe a apreensão, homens em constante movimento, a vida estampada nos rostos de pessoas comuns, ao fundo, em meio ao grupo, ou no escuro do avião em que os heróis atuam em mais um dia de ataque, como se fosse outra data para voar.

Em Invasão de Bárbaros, esquimós e índios ganham espaço. Os alemães, presos às terras canadenses, matam homens de uma estação militar e depois abrem fogo contra os esquimós. Poucas imagens em filmes sobre a Segunda Guerra Mundial conseguem efeito tão brutal. Entre as vítimas, uma esquimó é vista com seu bebê, morta ao chão.

Durante a fuga em avião roubado, após matarem os nativos, os inimigos tentam escapar e terminam de novo no solo. São integrados a uma comunidade de imigrantes. A ironia é maior: essas pessoas simples aprenderam o quanto a intolerância ao diferente não funciona. São vítimas de perseguições, na sociedade que se forma à base da compreensão mútua, embalada pela religiosidade negada pelos visitantes.

A cada parada os alemães encontram os verdadeiros heróis. O roteiro de Pressburger, ganhador do Oscar, dá voz aos inimigos. Não pretende aliviá-los, ainda que um deles seja sentenciado à morte por não concordar com práticas nazistas. Heróis surgem e desaparecem, com pouco tempo na tela: as personagens de Laurence Olivier, Anton Walbrook, Leslie Howard, Raymond Massey, entre outras.

Sinal de que todos, de diferentes cantos, opõem-se aos nazistas, ou ao nazismo representado pela tempestade ao fundo, do lado de fora, na sequência do discurso do vilão (Eric Portman) às pessoas comuns, na mesma comunidade em que todos, sem exceção, não deixam ver empolgação pela ideologia do visitante ou invasor, a louvar o Führer.

E se os alemães caem pouco a pouco, os britânicos mantêm-se unidos até o fim na Holanda ocupada, ajudados pelo povo, cruzando espaços – estradas e lagos – com o inimigo à espreita. E um Avião não Regressou chega ao humanismo sem esforço: bem da verdade, seus homens parecem sequer sofrer, como se estivessem certos da jornada, de sua conclusão.

A beleza desse filme é, a começar por isso, estranha: nem sempre é fácil explicar de onde vem o fascínio pelos filmes de Powell e Pressburger, que, antes de mergulharem nas cores que os colocariam na linha da história, reproduziam um pouco (nem tanto) o que a guerra tem de pior. O que explica a ausência do tom pesado: é guerra, e é suficiente.

Leva a pensar, com E um Avião não Regressou, em Jean Renoir. Seu A Grande Ilusão chega à parte final com dois franceses em terra hostil. Estavam presos, conseguem escapar. Terminam na casa de uma camponesa que lhes dá abrigo. Sem o marido, morto na guerra, ela apaixona-se por um deles. O ambiente impregna-se de risco e amor, do material que, como no filme de Powell e Pressburger, dispensa novos confrontos.

A obra de Renoir é ambientada na Primeira Guerra, quando alemães e franceses ainda conservavam – ao menos no reino da ficção, à qual se pede um bocado de fé – o diálogo, a cordialidade. Powell, em guerra, com ou sem Pressburger em codireção, sabe que seu cinema para além da propaganda não inclui essa aproximação. Seus britânicos em fuga, no segundo filme, vivem a guerra, brotam dela, não precisam apontar à mesma. Retornam ao fim, entre aviões, para novo voo, novo confronto, em mais um dia de trabalho.

(49th Parallel, Michael Powell, 1941)
(One of Our Aircraft Is Missing, Michael Powell, Emeric Pressburger, 1942)

Notas:
Invasão de Bárbaros: ★★★★☆
E um Avião não Regressou: ★★★★☆

Foto 1: Invasão de Bárbaros
Foto 2: E um Avião não Regressou

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Merle Oberon: matéria lunar

A jovem atriz parece fisicamente com a Lua. Eu não me espantaria se a visse, de noite, iluminando com sua pele fosforescente uma superfície do céu, reclinada entre duas nuvens como um crescente, ou mostrando somente o rosto esférico, fugidio, como uma lua cheia. Essa matéria lunar, que Merle Oberon possui, a cor, a substância, a forma capitosa arredondada, como a desprender luz, fazem dela a mulher mais telúrica da tela.

Vinicius de Moraes, poeta, que também escreveu crônicas sobre cinema e algumas críticas de cinema. O texto, do qual o trecho acima é destacado, foi publicado em outubro de 1942 no jornal A Manhã e está em O Cinema de Meus Olhos (Organização de Carlos Augusto Calil; Companhia das Letras; pg. 281). Abaixo, Oberon com Laurence Olivier em O Morro dos Ventos Uivantes, filme mais lembrado da atriz.

o morro dos ventos uivantes

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16 grandes duplas indicadas ao Oscar na mesma categoria

Ao longo de décadas, atores de um mesmo filme disputaram diversas vezes entre si a sonhada estatueta do Oscar. São confrontos memoráveis. Com tamanho peso, nenhum deles terminou como coadjuvante (ainda que Barry Fitzgerald, em 1945, seja uma exceção, quando foi indicado como ator e ator coadjuvante pelo mesmo papel, ganhando na segunda categoria).

Duplas excelentes, grandes interpretações. Por outro lado, tais casos são cada vez mais incomuns: a última vez em que uma dupla dividiu a mesma categoria ocorreu em 1992. Desde então, os estúdios têm optado em indicar atores com peso de protagonista como coadjuvantes. A intenção é faturar mais prêmios. Ou alguém acredita que Jake Gyllenhaal, em O Segredo de Brokeback Mountain, e Rooney Mara, em Carol, são coadjuvantes?

Barry Fitzgerald e Bing Crosby em O Bom Pastor (1944)

Quem venceu? Bing Crosby

o bom pastor

Anne Baxter e Bette Davis em A Malvada (1950)

Quem venceu? Judy Holliday em Nascida Ontem

a malvada

Burt Lancaster e Montgomery Clift em A Um Passo da Eternidade (1953)

Quem venceu? William Holden em O Inferno Nº 17

a um passo da eternidade

James Dean e Rock Hudson em Assim Caminha a Humanidade (1956)

Quem venceu? Yul Brynner em O Rei e Eu

assim caminha a humanidade

Sidney Poitier e Tony Curtis em Acorrentados (1958)

Quem venceu? David Niven em Vidas Separadas

acorrentados

Elizabeth Taylor e Katharine Hepburn e De Repente, No Último Verão (1959)

Quem venceu? Simone Signoret em Almas em Leilão

de repente no último verão

Maximilian Schell e Spencer Tracy em Julgamento em Nuremberg (1961)

Quem venceu? Maximilian Schell

o julgamento de nuremberg

Peter O’Toole e Richard Burton em Becket, O Favorito do Rei (1964)

Quem venceu? Rex Harrison em Minha Bela Dama

Becket

Dustin Hoffman e Jon Voight em Perdidos na Noite (1969)

Quem venceu? John Wayne em Bravura Indômita

perdidos na noite

Laurence Olivier e Michael Caine em Jogo Mortal (1972)

Quem venceu? Marlon Brando em O Poderoso Chefão

jogo mortal1

Peter Finch e William Holden em Rede de Intrigas (1976)

Quem venceu? Peter Finch

rede de intrigas

Anne Bancroft e Shirley MacLaine em Momento de Decisão (1977)

Quem venceu? Diane Keaton em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

momento de decisão

Albert Finney e Tom Courtenay em O Fiel Camareiro (1983)

Quem venceu? Robert Duvall em A Força do Carinho

o fiel camareiro

Debra Winger e Shirley MacLaine em Laços de Ternura (1983)

Quem venceu? Shirley MacLaine

laços de ternura1

F. Murray Abraham e Tom Hulce em Amadeus (1984)

Quem venceu? F. Murray Abraham

amadeus

Geena Davis e Susan Sarandon em Thelma & Louise (1991)

Quem venceu? Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes

thelma e louise

Para lembrar: Franchot Tone, Charles Laughton e Clark Gable em O Grande Motim (1935)

Caso único na história do Oscar, com três atores indicados na mesma categoria principal. Em 1936, a Academia ainda não havia criado as categorias de coadjuvante.

Quem venceu? Victor McLaglen em O Delator

o grande motim

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Jogo Mortal, de Joseph L. Mankiewicz

O elegante Andrew Wyke convida Milo Tindle para um jogo pouco engraçado. Suas mentiras dizem muito sobre o que pensa e o que pode causar ao outro. As trapaças, em Jogo Mortal, despem esses homens ao centro, de mundos distintos.

A engenhosa história, a partir da peça de Anthony Shaffer, com roteiro do próprio, guarda ao fundo a disputa de classes: o jogo proposto é apenas uma desculpa para que Wyke coloque à frente seus contornos nobres, seu poderio, contra a aparente fragilidade do descendente de italianos que deseja prosperar na Inglaterra.

jogo mortal1

O último filme de Joseph L. Mankiewicz começa com a chegada do cabeleireiro Tindle à mansão, labirinto de seu oponente. Ele tem certa dificuldade para encontrar o escritor. O convite à bebida leva ambos ao interior do local.

Tindle é o amante da mulher de Wyke. O jogo espreita as relações: pode ser visto no labirinto, na mesa de bilhar, nos tabuleiros, cercado pela farsa dos bonecos eletrônicos, dos pequenos enfeites que fazem do local a casa dos sonhos de qualquer criança.

Por outro lado, Mankiewicz faz com que pareça pesadelo, palco perfeito a um jogo cujas regras não são reveladas. E jogos podem ser levados a sério. Wyke, o criador, talvez não tenha se atentado a isso em sua posição privilegiada, sobre o tabuleiro.

Não por acaso, o cineasta mostra os homens como peças. Ora ou outra leva a câmera ao alto, captura o movimento e os espaços, passa por salas diferentes, como se um calabouço pudesse conviver com a bela entrada e seus móveis confortáveis.

jogo mortal3

O escritor experiente pede que Tindle furte as joias de sua mulher, amante do outro. A ideia é receber o seguro dos objetos valiosos, enquanto o cabeleireiro poderá vendê-los a um terceiro. “Em dinheiro, livre de impostos”, observa Wyke, para fazer brilhar os olhos do ladrão. O escritor sabe que sua mulher custa caro.

O que poderia ser verdadeiro revela-se farsa: Tindle, mais do que perder, tem as fraquezas expostas. Wyke não suporta as raízes italianas do outro, sua tentativa de pertencer à alta classe britânica. Ao aceitar o crime, o jovem revela suas ambições.

Chora ao acreditar em sua própria morte. Para se vingar, fantasia-se, torna-se o policial saído justamente de um livro de Wyke. Os jogos não terminam nunca, cada um dando espaço a outro, sem parar. Com a tragédia, ao fim, vê-se ainda um sorriso de Tindle, talvez vitorioso: é a chegada de outras pessoas, do lado de fora. É a vida real.

jogo mortal2

Não há outros atores em cena, apenas Laurence Olivier e Michael Caine. Outras personagens são vistas apenas em fotos ou pinturas. As amantes nunca aparecem. O show pertence a esses dois mestres da atuação, em constante mutação.

A comédia dá vez à tragédia. É um filme sobre falsidades. Olivier e suas certezas seduzem o espectador, mas avisam sobre o que vem a seguir: aquilo não é apenas um jogo. Do outro lado, Caine, contra expectativas, mostra-se um competidor à altura.

Duelo de atores, de personagens. Timing perfeito na condução das situações, entre o choro, o desespero, a corrida de um cômodo ao outro, enquanto Wyke suja-se com carvão, enquanto Tindle tenta, ao fim, vencer o refinado escritor.

Nota: ★★★★☆

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30 grandes filmes, há 60 anos

Não é exagero: 1955 tem tanto peso ao cinema quanto 1939. Talvez não tenha o mesmo número de filmes americanos importantes, mas tem todos os ingredientes que dariam vez ao cinema moderno, além de filmes com contornos clássicos.

Lançados há 60 anos, alguns desses filmes abordam a juventude, têm grandes diretores que ainda não tinham chegado ao topo, outros que terminavam a carreira, além da façanha de antecipar movimentos como a nouvelle vague e o cinema novo. Ano para não esquecer.

30) Sementes de Violência, de Richard Brooks

Professor pacato tem de conviver com os conflitos de uma nova geração. O filme de Brooks marcou época e tem na abertura o som de “Rock Around The Clock”.

sementes de violência

29) Geração, de Andrzej Wajda

Primeiro filme de Wajda, sobre a luta de resistência polonesa contra tropas nazistas. É o primeiro da Trilogia da Guerra, da qual fazem parte Kanal e Cinzas e Diamantes.

geração

28) A Trapaça, de Federico Fellini

Trapaceiros profissionais encabeçados pelo bonachão Broderick Crawford fingem ser homens da igreja para levar dinheiro de fieis em pequenas vilas pobres da Itália.

a trapaça

27) Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos

Filme brasileiro que abriu caminho ao cinema novo da década seguinte, com um panorama da “cidade maravilhosa”, seus abismos e, claro, o futebol.

rio 40 graus

26) As Diabólicas, de Henri-Georges Clouzot

Para compensar a falta de talento de Véra Clouzot há a presença de Simone Signoret nesse suspense sobre duas mulheres (amante e esposa) unidas para matar um homem.

as diabólicas

25) Noite e Neblina, de Alain Resnais

Marcante documentário sobre a memória do Holocausto, com imagens em cores dos campos de concentração e outras da época dos fatos, com doses de horror.

noite e neblina

24) Conspiração do Silêncio, de John Sturges

Homem misterioso e correto desembarca em pequena cidade perdida no mapa para investigar um assassinato. É o suficiente para deflagrar diferentes conflitos.

conspiração do silêncio

23) Ricardo 3º, de Laurence Olivier

Mais lembrado pela adaptação de Hamlet, Olivier levou às telas – com fotografia extraordinária – essa exuberante história de cobiça a partir de Shakespeare.

ricardo 3

22) O Homem do Braço de Ouro, de Otto Preminger

O diretor só conseguiu fazer esse trabalho graças à presença de Frank Sinatra. À época, tratar o uso de drogas ilícitas no cinema era algo novo e poderia causar afronta.

o homem do braço de ouro

21) Ensaio de um Crime, de Luis Buñuel

Filme de serial killer que segue a mania de Buñuel sobre a impossibilidade de concretizar um ato. Algo sempre dá errado quando a personagem tenta matar alguém.

ensaio de um crime

20) Sorrisos de Uma Noite de Amor, de Ingmar Bergman

Traições entre diferentes casais embalam a comédia de Bergman, com a presença luminosa de Harriet Andersson, empenhada a provocar um rapaz puritano.

sorrisos de uma noite de amor

19) A Morte de um Ciclista, de Juan Antonio Bardem

Grande filme mexicano sobre um casal que mata acidentalmente um ciclista, à estrada, e tem a vida transformada quando há a suspeita de que alguém teria presenciado o crime.

a morte de um ciclista

18) Quinteto da Morte, de Alexander Mackendrick

Contra os experientes bandidos está o impensável: a pacata senhora que acredita se tratar de um grupo de músicos profissionais. Última comédia dos Estúdios Ealing.

quinteto da morte

17) Abandonada, de Francesco Maselli

Rapaz burguês tem a vida transformada ao hospedar uma família pobre em sua fazenda, nos tempos de guerra. A certa altura, ele vê-se obrigado a lutar com a resistência.

abandonada

16) A Rosa Tatuada, de Daniel Mann

Presença de força, Anna Magnani é a mulher deixada pelo marido e que tem de cuidar da filha. A certa altura, conhece outro homem, vivido pelo ótimo Burt Lancaster.

a rosa tatuada

15) Stella, de Mihalis Kakogiannis

A presença da atriz Melina Mercouri entrou para a história do cinema, interpretando uma cantora que seduz homens diversos e não aceita ser domada.

stella

14) Grilhões do Passado, de Orson Welles

O mestre Welles interpreta mais uma figura curiosa, Gregory Arkadin, com um trabalho estranho a um homem perdido no mundo: investigar sua própria vida.

grilhões do passado

13) Império do Crime, de Joseph H. Lewis

Com toques expressionistas, a obra de Lewis tem sequências magistrais. Segue a corrida do policial vivido por Cornel Wilde, no rastro do chefão do crime e preso às sombras.

império do crime

12) Juventude Transviada, de Nicholas Ray

Com O Selvagem e Sementes de Violência, o filme de Ray coloca o jovem definitivamente nas telas do cinema. Nesse caso, o rebelde sem causa.

juventude transviada

11) Férias de Amor, de Joshua Logan

O forasteiro recém-chegado à cidade arranca suspiros das mulheres: com o peito nu, sem raízes, ele logo se envolve com a garota mais bela do local.

férias de amor

10) La Pointe-Courte, de Agnès Varda

Antes dos filmes que deram vez à nouvelle vague, no fim dos anos 1950, a diretora Varda utilizou parcos recursos e conseguiu antecipar o movimento.

La Pointe-Courte

9) Rififi, de Jules Dassin

Após ir embora dos Estados Unidos, perseguido pelo macarthismo, Dassin realiza esse grande filme de assalto. A sequência do roubo, meticulosa, entrou para a história.

rififi

8) Tudo o que o Céu Permite, de Douglas Sirk

Melodrama classe A, talvez o melhor de Sirk ao lado de Palavras ao Vento, sobre o amor (quase) impossível entre uma mulher madura e seu jardineiro.

tudo que o céu permite

7) Casa de Bambu, de Samuel Fuller

No Japão cheio de americanos do pós-guerra, a bandidagem ianque lucra alto enquanto policiais infiltrados tentam descobrir os tentáculos dessa organização.

casa de bambu

6) A Morte Num Beijo, de Robert Aldrich

Como o típico filme noir, as mulheres são inconfiáveis, o chão é um tabuleiro de xadrez e a surpresa final, nesse caso, ainda permite a abertura da Caixa de Pandora.

a morte num beijo

5) Lola Montes, de Max Ophüls

Último filme do mestre Ophüls, mais uma de suas obras-primas. Chegou a ser mutilado na época e só mais tarde ganhou a versão que o diretor desejava.

lola montes

4) Vidas Amargas, de Elia Kazan

O rapaz deslocado de James Dean é um inconformado: deseja ajudar o pai a todo custo e reencontrar a mãe. De quebra, talvez acabe apaixonado pela namorada do irmão.

vidas amargas

3) A Palavra, de Carl Theodor Dreyer

A religião divide mais do que une nesse grande filme de Dreyer, com a incrível sequência final, capaz de emocionar até os espectadores mais céticos.

a palavra

2) A Canção da Estrada, de Satyajit Ray

A primeira parte da Trilogia de Apu é também o primeiro filme de seu diretor, sobre a difícil vida de um garoto em região rural da Índia, em meio à pobreza absoluta.

a canção da estrada

1) Mensageiro do Diabo, de Charles Laughton

Com os dedos tatuados e amedrontador, às vezes até engraçado, Mitchum é o vilão perfeito, o falso pregador que persegue duas crianças inocentes.

o mensageiro do diabo

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