Laços de Ternura

Jack Nicholson, 80 anos

Qual o segredo de seu apelo?

Eu não sei. Quando era adolescente e no começo de meus 20 anos, meus amigos costumavam me chamar de “O Grande Sedutor” – mesmo que eles soubessem que eu não era definitivamente nada atraente – porque parece que eu possuo alguma coisa invisível, mas infalível.

E agora, como ator, você é pago por isso. A sedução é seu negócio.

(Risos) Certo. Mas não quero forçar minha vontade em cima de ninguém. Quero ter a vontade. Quero que seja do modo que é, e acredite em mim, do jeito que é (abre um enorme sorriso) é bom pra caramba.

Jack Nicholson, ator e diretor, em entrevista para Nancy Collins, na revista Rolling Stone (29 de março de 1984; a entrevista foi reproduzida no livro As Melhores Entrevistas da Revista Rolling Stone, editora Larousse, pg. 198). A entrevista ocorreu às vésperas da cerimônia do Oscar de 1984, na qual Nicholson recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante por Laços de Ternura, de James L. Brooks. Abaixo, o ator em um de seus trabalhos mais famosos, Um Estranho no Ninho, de Milos Forman.

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Um Estranho no Ninho, de Milos Forman

16 grandes duplas indicadas ao Oscar na mesma categoria

Ao longo de décadas, atores de um mesmo filme disputaram diversas vezes entre si a sonhada estatueta do Oscar. São confrontos memoráveis. Com tamanho peso, nenhum deles terminou como coadjuvante (ainda que Barry Fitzgerald, em 1945, seja uma exceção, quando foi indicado como ator e ator coadjuvante pelo mesmo papel, ganhando na segunda categoria).

Duplas excelentes, grandes interpretações. Por outro lado, tais casos são cada vez mais incomuns: a última vez em que uma dupla dividiu a mesma categoria ocorreu em 1992. Desde então, os estúdios têm optado em indicar atores com peso de protagonista como coadjuvantes. A intenção é faturar mais prêmios. Ou alguém acredita que Jake Gyllenhaal, em O Segredo de Brokeback Mountain, e Rooney Mara, em Carol, são coadjuvantes?

Barry Fitzgerald e Bing Crosby em O Bom Pastor (1944)

Quem venceu? Bing Crosby

o bom pastor

Anne Baxter e Bette Davis em A Malvada (1950)

Quem venceu? Judy Holliday em Nascida Ontem

a malvada

Burt Lancaster e Montgomery Clift em A Um Passo da Eternidade (1953)

Quem venceu? William Holden em O Inferno Nº 17

a um passo da eternidade

James Dean e Rock Hudson em Assim Caminha a Humanidade (1956)

Quem venceu? Yul Brynner em O Rei e Eu

assim caminha a humanidade

Sidney Poitier e Tony Curtis em Acorrentados (1958)

Quem venceu? David Niven em Vidas Separadas

acorrentados

Elizabeth Taylor e Katharine Hepburn e De Repente, No Último Verão (1959)

Quem venceu? Simone Signoret em Almas em Leilão

de repente no último verão

Maximilian Schell e Spencer Tracy em Julgamento em Nuremberg (1961)

Quem venceu? Maximilian Schell

o julgamento de nuremberg

Peter O’Toole e Richard Burton em Becket, O Favorito do Rei (1964)

Quem venceu? Rex Harrison em Minha Bela Dama

Becket

Dustin Hoffman e Jon Voight em Perdidos na Noite (1969)

Quem venceu? John Wayne em Bravura Indômita

perdidos na noite

Laurence Olivier e Michael Caine em Jogo Mortal (1972)

Quem venceu? Marlon Brando em O Poderoso Chefão

jogo mortal1

Peter Finch e William Holden em Rede de Intrigas (1976)

Quem venceu? Peter Finch

rede de intrigas

Anne Bancroft e Shirley MacLaine em Momento de Decisão (1977)

Quem venceu? Diane Keaton em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

momento de decisão

Albert Finney e Tom Courtenay em O Fiel Camareiro (1983)

Quem venceu? Robert Duvall em A Força do Carinho

o fiel camareiro

Debra Winger e Shirley MacLaine em Laços de Ternura (1983)

Quem venceu? Shirley MacLaine

laços de ternura1

F. Murray Abraham e Tom Hulce em Amadeus (1984)

Quem venceu? F. Murray Abraham

amadeus

Geena Davis e Susan Sarandon em Thelma & Louise (1991)

Quem venceu? Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes

thelma e louise

Para lembrar: Franchot Tone, Charles Laughton e Clark Gable em O Grande Motim (1935)

Caso único na história do Oscar, com três atores indicados na mesma categoria principal. Em 1936, a Academia ainda não havia criado as categorias de coadjuvante.

Quem venceu? Victor McLaglen em O Delator

o grande motim

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Dez ganhadores do Oscar protagonizados por mulheres

Ao passar o olho pela lista dos vencedores do Oscar de melhor filme, o leitor perceberá a predominância de produções encabeçadas por homens ou com “histórias masculinas”.

O primeiro vencedor do Oscar, Asas (abaixo), tem uma personagem feminina de peso, vivida por ninguém menos que Clara Bow. Mas, em cena, ela é a mulher entre dois homens – em uma história à beira da relação gay. Um filme de guerra, e de homens. Não faltariam novos exemplos mais tarde, como Os Melhores Anos de Nossas Vidas, Lawrence da Arábia, entre outros.

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asas

Talvez haja explicação: em uma indústria na qual a direção sempre foi vista como ofício masculino, sobretudo no passado, tende-se a histórias de peso com protagonistas homens. Nos anos 70, época em que se reclamava da falta de personagens femininas interessantes, todos os ganhadores do Oscar foram protagonizados por homens.

Em alguns casos, mulheres e homens têm peso semelhante em tela, como em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Apesar de se voltar à mulher, a Annie Hall do título original, a obra de Woody Allen é relatada pelo ponto de vista masculino. Outros casais de destaque também podem ser vistos em premiados como Gigi e Minha Bela Dama. A lista abaixo traz ganhadores do Oscar com mais destaque para a mulher.

E o Vento Levou, de Victor Fleming

Ainda que Rhett Butler (Clark Gable) tenha destaque, o filme pertence à destemida Scarlett. E a Academia não pôde negar a Vivien Leigh o Oscar de atriz. Ela domina cada sequência, com seu olhar explosivo, ora tramando algo, ora frágil e verdadeira.

e o vento levou

Rebecca, A Mulher Inesquecível, de Alfred Hitchcock

A personagem-título não aparece. Pode ser um espírito. Contra ele, a ingênua senhora de Winter, interpretada por Joan Fontaine. E, contra esta, a poderosa vilã de Judith Anderson. O filme de Hitchcock tem um interessante subtexto gay.

rebecca

A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz

Uma disputa entre duas mulheres, no filme e no Oscar: de um lado a lendária Bette Davis, do outro a bela – e vilã – Anne Baxter. O filme situa-se no mundo do teatro, com a atriz novata que faz qualquer coisa para chegar ao sucesso, inclusive destronar a rival.

a malvada

A Noviça Rebelde, de Robert Wise

Um dos últimos musicais com jeito família a ganhar o Oscar, sucesso absoluto de bilheteria. A tal noviça é Julie Andrews, levada a amar um homem autoritário (Christopher Plummer), cantando e correndo com seus filhos, todos adoráveis.

a noviça rebelde

Laços de Ternura, de James L. Brooks

Na esteira dos dramas familiares dos anos 80, a Academia ficou de joelhos pelo filme do estreante Brooks e lhe conferiu cinco prêmios. Entre eles, o de melhor atriz para Shirley MacLaine, após quatro indicações na categoria principal.

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Entre Dois Amores, de Sydney Pollack

Como Karen Blixen, Meryl Streep está inesquecível: é a mulher forte que adquire uma fazenda na África, casa-se com o homem errado, relaciona-se com um aventureiro e ainda é aceita – não sem muito esforço – em um clube estritamente masculino.

entre dois amores

O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme

A novata policial Clarice Starling (Jodie Foster) investiga a morte de algumas garotas. Para chegar ao serial killer, conta com a ajuda de outro assassino (Anthony Hopkins). Demme proporciona momentos de tensão entre a moça e o experiente criminoso.

silêncio dos inocentes

Shakespeare Apaixonado, de John Madden

Não faltam detratores ao filme: ninguém (ou quase) concorda com o Oscar de atriz para Gwyneth Paltrow. Fora isso, a obra tem um roteiro delicioso, cheio de ficção, sobre o encontro de Shakespeare com a musa que lhe rendeu inspiração para Romeu e Julieta.

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Chicago, de Rob Marshall

Musical encabeçado por duas criminosas com algo em comum: ambas mataram seus companheiros. À frente do elenco está Renée Zellweger, a lourinha que sonha em fazer sucesso. O que poderia ser um problema torna-se a solução na Chicago dos anos 20.

chicago

Menina de Ouro, de Clint Eastwood

Treinador de boxe ranzinza (Eastwood) é levado a apadrinhar uma garota contra sua vontade. Sob seus comandos, ela não faz feio: ganha quase todas as lutas e, mesmo na pior, mais tarde, descobre que talvez tudo não tenha sido em vão. Tocante.

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