Krzysztof Kieslowski

Os 100 melhores filmes dos anos 90

Há um filme ou mesmo uma cena capaz de definir uma década? Nos anos 90, há Pulp Fiction e a sequência de dança de John Travolta e Uma Thurman. Ou uma cadeira de rodas em chamas, a circular o Cristo invertido, em plena Guerra da Bósnia, em Underground – Mentiras de Guerra. Ou a chuva sobre Tim Robbins, enfim livre, em Um Sonho de Liberdade. Ou um homem com a perna levantada, prestes a dar um passo, ultrapassar uma fronteira, em O Passo Suspenso da Cegonha.

Há, ao longo de dez anos, uma coleção de momentos marcantes. Nos anos 90 não é diferente: é a década de Tarantino, do retorno triunfal de Robert Altman e Terrence Malick, da revelação do cinema iraniano ao mundo todo, como também a do mestre polonês Kieslowski (que logo morreria). A década do movimento Dogma 95 e da revelação dos orientais Tsai Ming-liang, Jia Zhangke e Naomi Kawase. Não restam dúvidas sobre a grandeza da década, como confirma a lista abaixo.

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100) Temporada de Caça, de Paul Schrader

99) Amateur, de Hal Hartley

98) Contato, de Robert Zemeckis

97) O Paciente Inglês, de Anthony Minghella

96) Uma Garota Solitária, de Benoît Jacquot

95) Despedida em Las Vegas, de Mike Figgis

94) Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick

93) Depois da Vida, de Hirokazu Kore-eda

92) Bom Trabalho, de Claire Denis

91) Magnólia, de Paul Thomas Anderson

90) Baraka, de Ron Fricke

89) Ghost in the Shell: O Fantasma do Futuro, de Mamoru Oshii

88) E a Vida Continua, de Abbas Kiarostami

87) Medo e Delírio, de Terry Gilliam

86) Dois Córregos – Verdades Submersas no Tempo, de Carlos Reichenbach

85) Xiao Wu – Um Artista Batedor de Carteira, de Jia Zhangke

84) A Estrada Perdida, de David Lynch

83) O Ferrão da Morte, de Kôhei Oguri

82) Quando Tudo Começa, de Bertrand Tavernier

81) Cidade das Sombras, de Alex Proyas

80) Maridos e Esposas, de Woody Allen

79) O Passo Suspenso da Cegonha, de Theodoros Angelopoulos

78) Mal do Século, de Todd Haynes

77) Videogramas de uma Revolução, de Harun Farocki e Andrei Ujica

76) Exótica, de Atom Egoyan

75) A Isca, de Bertrand Tavernier

74) Leolo, de Jean-Claude Lauzon

73) O Sucesso a Qualquer Preço, de James Foley

72) eXistenZ, de David Cronenberg

71) O Vício, de Abel Ferrara

70) Festa de Família, de Thomas Vinterberg

69) Na Companhia de Homens, de Neil LaBute

68) Fogo Contra Fogo, de Michael Mann

67) A Igualdade é Branca, de Krzysztof Kieslowski

66) Felicidade, de Todd Solondz

65) Violência Gratuita, de Michael Haneke

64) Vive L’Amour, de Tsai Ming-liang

63) Violento e Profano, de Gary Oldman

62) Sonatine, de Takeshi Kitano

61) De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick

60) Gosto de Cereja, de Abbas Kiarostami

59) Um Homem Com Duas Vidas, de Jaco Van Dormael

58) Mistérios e Paixões, de David Cronenberg

57) Suzaku, de Naomi Kawase

56) Central do Brasil, de Walter Salles

55) À Beira da Loucura, de John Carpenter

54) Conto de Inverno, de Eric Rohmer

53) Alma Corsária, de Carlos Reichenbach

52) Forrest Gump – O Contador de Histórias, de Robert Zemeckis

51) Todas as Coisas São Belas, de Bo Widerberg

50) A Eternidade e um Dia, de Theodoros Angelopoulos

49) Segredos e Mentiras, de Mike Leigh

48) JFK – A Pergunta que Não Quer Calar, de Oliver Stone

47) Água Fria, de Olivier Assayas

46) Tudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar

45) Vale Abraão, de Manoel de Oliveira

44) O Processo do Desejo, de Marco Bellocchio

43) O Espelho, de Jafar Panahi

42) O Pagamento Final, de Brian De Palma

41) Felizes Juntos, de Wong Kar-Wai

40) Los Angeles – Cidade Proibida, de Curtis Hanson

39) A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforo, de Aki Kaurismäki

38) Corvos, de Dorota Kedzierzawska

37) Flores de Xangai, de Hou Hsiao-Hsien

36) Rosetta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

35) Mulheres Diabólicas, de Claude Chabrol

34) O Sonho Azul, de Tian Zhuangzhuang

33) Os Imorais, de Stephen Frears

32) Lanternas Vermelhas, de Zhang Yimou

31) Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont

30) O Rei de Nova York, de Abel Ferrara

29) Fargo, de Joel Coen

28) Ondas do Destino, de Lars Von Trier

27) Adeus ao Sul, de Hou Hsiao-Hsien

26) Vício Frenético, de Abel Ferrara

25) Basquete Blues, de Steve James

24) A Liberdade é Azul, de Krzysztof Kieslowski

23) A Lista de Schindler, de Steven Spielberg

22) Sátántangó, de Béla Tarr

21) O Tempo Redescoberto, de Raoul Ruiz

20) Um Olhar a Cada Dia, de Theodoros Angelopoulos

19) Naked, de Mike Leigh

18) A Dupla Vida de Véronique, de Krzysztof Kieslowski

17) O Fim de um Longo Dia, de Terence Davies

16) Amores Expressos, de Wong Kar-Wai

15) Underground – Mentiras de Guerra, de Emir Kusturica

14) O Jogador, de Robert Altman

13) Van Gogh, de Maurice Pialat

12) O Piano, de Jane Campion

11) Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood

10) O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme

A jovem Clarice Starling é colocada para investigar os ataques de um assassino em série e, para solucionar o caso, vê-se envolvida com outro assassino, o temido Hannibal Lecter. Assustador e hipnótico, quase não deixa retomar o fôlego. Vencedor de cinco Oscar.

9) Close-Up, de Abbas Kiarostami

Homem passa-se por um diretor de cinema, o conhecido Mohsen Makhmalbaf, em história baseada em caso real. O mestre Kiarostami convida o verdadeiro impostor a reviver o caso, em mais um grande filme iraniano que retorna o foco para o próprio cinema.

8) Pulp Fiction – Tempo de Violência, de Quentin Tarantino

Cães de Aluguel foi apenas a antessala para esse filme explosivo e original, que valeu a seu jovem diretor – cuja trajetória mítica ora ou outra aponta ao balconista de vídeo-locadora – a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Violento, rápido e embalado por uma narrativa não linear.

7) A Fraternidade é Vermelha, de Krzysztof Kieslowski

A terceira e melhor parte da incrível Trilogia das Cores. É também o último filme de seu diretor, que morreria pouco depois. Na trama, uma modelo atropela um cão. Em sua busca pelo dono, ela termina na casa de um juiz ranzinza que tem o hábito de espionar os próprios vizinhos.

6) Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese

Talvez seja a última obra-prima de Scorsese. Um de seus filmes mais completos, no qual se lança em terreno que conhece bem: a máfia. Tem Ray Liotta no papel do jovem apaixonado pelo mundo do crime, De Niro à vontade como um chefão e assassino, além do demoníaco Joe Pesci.

5) Um Dia Quente de Verão, de Edward Yang

Um filme sobre a memória, sobre um grupo de jovens envolvidos com gangues, mas também descobrindo o primeiro amor. Yang faz um belo retrato da juventude sem esquecer as dores familiares. Um dos pontos altos é a sequência da chacina noturna, filmada com pouca luz.

4) A Bela Intrigante, de Jacques Rivette

O que procura todo artista? A obra perfeita? A necessidade de dividi-la com o público? Rivette questiona tudo isso na relação de um pintor com sua musa. É também um filme sobre o corpo, sobre a criação artística, com longas cenas nas quais a câmera limita-se a captar o tempo.

3) Short Cuts – Cenas da Vida, de Robert Altman

Mais uma vez debruçado sobre uma penca de personagens, Altman entrega um filme com vidas cruzadas. Começa com helicópteros fazendo uma pulverização sobre Los Angeles e termina com um terremoto. Mistura comédia à tragédia a partir das histórias de Raymond Carver.

2) Através das Oliveiras, de Abbas Kiarostami

O terceiro filme de uma trilogia iniciada com Onde Fica a Casa do Meu Amigo? e cuja parte do meio é E a Vida Continua. Em cena, um rapaz tenta se declarar e se aproximar da mulher que ama durante a realização de um filme. É a única oportunidade para revelar seus sentimentos.

1) Crash – Estranhos Prazeres, de David Cronenberg

Pode-se esperar qualquer coisa de Cronenberg, menos um universo de pessoas normais, ou próximas a isso. Em Crash, sua obra-prima, ele une com perfeição o universo do desejo carnal à tara pela velocidade, pelo risco, pela morte. Em cena, um rapaz vê-se enredado a um grupo que tem como prazer a reconstituição de famosos acidentes de carro e o risco que oferecem. Carne e máquina, ao gosto de Cronenberg.

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Sete grandes filmes nos quais o vermelho tem papel fundamental

A interpretação do vermelho aparece com certa frequência em análises de filmes. No cinema de Scorsese, por exemplo, fala-se do vermelho como aproximação da violência e mesmo da culpa católica. Há uma infinidade de exemplos. A lista abaixo traz apenas sete, a partir de filmes que se servem dessa cor – alguns mais, outros menos – como elemento de linguagem, com papel fundamental na história retratada.

Tudo o que o Céu Permite, de Douglas Sirk

Desde os créditos é possível ver tons avermelhados entre as folhas da árvore, mais tarde pela luz da pequena janela, quando a mãe consola a filha; ou o vermelho do vestido de Cary (Jane Wyman), ainda no início, ou o da roupa xadrez do homem que ela ama (Rock Hudson). E, ao fim, o vermelho que recobre a televisão e emoldura a mulher.

A Orgia da Morte, de Roger Corman

Vincent Price é o príncipe Próspero e talvez o próprio Demônio neste que pode ser o melhor filme de Corman. O vermelho chega primeiro em seu traje, na floresta entre sombras, quando dá uma rosa aos condenados que passam por ali. Também o vermelho do cômodo secreto, do figurino de uma protegida, a cor como aproximação da morte.

Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman

O filme envolve uma família monstruosa e tem direção de fotografia de Sven Nykvist, colaborador habitual de Bergman. O vermelho recobre os cenários. Entre suas possíveis representações, uma frase do cineasta sueco talvez forneça a mais exata: “Acho que o interior da alma humana se parece com uma membrana vermelha”.

Inverno de Sangue em Veneza, de Nicolas Roeg

Em um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, o vermelho persegue as personagens a todo o momento: da tinta que cai sobre a foto, na abertura (e que antecipa a morte da filha), à capa vermelha que surge com frequência pelas vielas e espaços de Veneza. O vermelho como sinal do terror, do espírito da filha ou de algum psicopata.

Prelúdio para Matar, de Dario Argento

Do sangue na faca ao sangue no vidro, com a mulher morta, o vermelho em questão é o escuro, como aponta o título original. Ou seja, o vermelho sangue. Entre os tantos momentos que evocam a cor, nenhum consegue resultado semelhante ao da palestra, na abertura, em um teatro, quando a médium (Macha Méril) entra na mente do assassino.

Sorgo Vermelho, de Zhang Yimou

O vermelho que recobre a heroína (Gong Li), no início, denota seu aprisionamento, seu sacrifício. O vermelho, no encerramento, estará por todos os lados quando os homens do campo decidem confrontar os japoneses que invadiram a China, momento em que a cor ocupa o céu e a terra, ao passo que pai e filho caminham sobre o sangue.

A Fraternidade é Vermelha, de Krzysztof Kieslowski

O projeto de Kieslowski, com três filmes banhados nas cores da bandeira francesa, termina com o vermelho. É o melhor dos três. Em cena, uma modelo (Irène Jacob) sente-se atraída ao mundo de sombras de um juiz aposentado (Jean-Louis Trintignant). Essa aproximação provoca mudanças em sua vida, em um filme sobre unificação.

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15 grandes cineastas que foram indicados ao Oscar, mas nunca ganharam o prêmio

A lista poderia ser maior. Há outros mestres que receberam indicações, perderam e devem ser lembrados, nomes como Krzysztof Kieslowski e Hiroshi Teshigahara. Na outra ponta há figuras medíocres que já levaram o prêmio. Vão dizer que são coisas do momento, com filmes que estavam na crista da onda e ganharam tudo (ou quase). Pode ser.

E há outros casos curiosos, não menos injustos. Um deles é o de Charles Chaplin. Apesar de ter vencido pela música de Luzes da Ribalta e ter ganhado um merecido honorário, Chaplin nunca foi indicado como melhor diretor. O que explica sua ausência nesta lista – como a de realizadores como Buñuel, Visconti, entre tantos outros.

Robert Altman

A carreira de Altman é extensa, cheia de momentos geniais, entre comédias, dramas e até faroestes. Poderia ter ganhado o Oscar em diferentes momentos. E merecia por alguns, como em 1976, quando concorria por Nashville, ou em 2002, quando viu Ron Howard abocanhar a estatueta pelo drama Uma Mente Brilhante, ocasião em que concorria pelo extraordinário Assassinato em Gosford Park.

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Michelangelo Antonioni

O mestre da melancolia, realizador com extremo controle do tempo e que atravessou diferentes países com filmes provocadores e que captaram o espírito de seu tempo. Blow-Up passa-se na agitada Londres dos anos 60. Deu ao diretor sua única indicação. O filme acompanha os passos de um fotógrafo de moda (David Hemmings) em busca de realidade, em noites em albergues ou no possível registro de um assassinato.

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Ingmar Bergman

Indicado três vezes como melhor diretor, por Gritos e Sussurros, Face a Face e Fanny & Alexander, Bergman é um gênio. Quase ninguém duvida disso. No entanto, o Oscar nunca o premiou na categoria, preferindo cineastas hoje pouco lembrados, George Roy Hill, John G. Avildsen e James L. Brooks, respectivamente. Se é possível compensar, os filmes de Bergman ganharam quatro vezes na categoria de estrangeiro.

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John Cassavetes

O pai do cinema independente americano chegou ao Oscar primeiro como ator, com a indicação de coadjuvante por Os Doze Condenados. Pouco depois, em 1975, recebeu sua única indicação como diretor, dessa vez pelo incrível Uma Mulher Sob Influência. O filme, contudo, ficou fora da categoria principal. Na ocasião, a Academia preferiu indicar o quadradão Inferno na Torre, filme catástrofe de grande orçamento.

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Federico Fellini

Talvez o diretor italiano mais importante da história, indicado quatro vezes ao Oscar, por quatro obras-primas: A Doce Vida, Oito e Meio, Satyricon e Amarcord. Seu estilo tornar-se-ia adjetivo: o felliniano. E são vários os diretores que ainda tentam perseguir a marca. Alguns resolveram adaptar suas histórias para os palcos ou mesmo para o cinema, como é o caso de Bob Fosse, em diferentes momentos.

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Howard Hawks

Amado pelos críticos da revista Cahiers du Cinéma, nem sempre foi reconhecido como um autor nos Estados Unidos. Indicado ao Oscar uma única vez, pelo belo Sargento York. Foi parceiro de atores como Bogart e dirigiu um pouco de tudo: filmes de gangster, screwball, dramas de guerra e alguns dos melhores faroestes americanos. Os franceses estavam certos: Hawks não era mero diretor de encomenda.

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Alfred Hitchcock

Outro cuja marca virou adjetivo. Outro que ora ou outra aparece copiado, ou repaginado em filmes modernos, sobretudo os que investem no suspense. Hitchcock foi indicado ao Oscar em diferentes momentos de sua carreira nos Estados Unidos, entre eles por seu primeiro filme em Hollywood, Rebecca, a Mulher Inesquecível, e, mais tarde, pelo sucesso comercial Psicose. Ganhou em 1968 o prêmio Irving G. Thalberg.

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Stanley Kubrick

O cineasta ganhou o Oscar apenas uma vez, pelos efeitos especiais de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Foi nomeado quatro vezes como diretor, por Doutor Fantástico, 2001, Laranja Mecânica e Barry Lyndon. Seria lembrado, ainda mais uma vez, pelo roteiro de Nascido para Matar. Nenhuma vez agraciado com um honorário. Kubrick tem uma carreira exemplar e que atravessa décadas, dos anos 50 aos 90.

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Akira Kurosawa

O prêmio de filme estrangeiro caiu no colo de Kurosawa quando a categoria nem existia, no anos 50, por Rashomon. Venceu na mesma categoria com a produção soviética Dersu Uzala, de 1975, e a única indicação do “imperador” chegou tarde, em 1986, pelo monumental RAN. O cineasta recebeu o honorário em 1990, entregue por George Lucas e Steven Spielberg, que inegavelmente beberam em sua fonte.

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Ernst Lubitsch

De tão bom com as comédias, acabou sendo identificado pelo “toque de Lubitsch”. Tornou-se marca. E, não raro, sinônimo de sofisticação. Foi indicado ao Oscar três vezes, incluindo por um de seus últimos filmes – não o mais inspirado –, O Diabo Disse: Não! Como outros desta lista, contentou-se com um honorário, entregue em 1947. Morreu no mesmo ano, em novembro, em Hollywood.

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Sidney Lumet

Também fez um pouco de tudo, navegou entre gêneros. Já disseram, por isso, que não era um autor. Mas Lumet, pelo menos entre indicados, nunca foi esquecido pelos membros da Academia. Faltou o prêmio, veio apenas o honorário. Esteve quatro vezes no páreo como diretor: 12 Homens e uma Sentença, Um Dia de Cão, Rede de Intrigas e O Veredicto. Diversos atores ganharam a estatueta trabalhando em seus filmes.

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Otto Preminger

Indicado por Laura e, quase vinte anos depois, pelo belo drama O Cardeal, Preminger é um dos mestres do cinema americano que, como Hawks, merecia ser mais lembrado, principalmente em sua época. O incrível Anatomia de um Crime foi indicado como melhor filme em 1960, mas o cineasta, na ocasião, injustamente ficou de fora da categoria de direção. A obra recebeu sete indicações, mas não ganhou nada.

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Jean Renoir

Caso curioso: o francês foi indicado apenas uma vez, e por uma produção americana. Amor à Terra é de 1945 e não foi nomeado a melhor filme. Mestre absoluto, filho do pintor Pierre-Auguste Renoir, o diretor fez obras-primas como A Grande Ilusão, A Besta Humana, A Regra do Jogo e, mais tarde, O Rio Sagrado – no qual um certo Satyajit Ray aparece como assistente de direção. Veio, como consolo, um honorário em 1975.

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François Truffaut

Outro francês indicado apenas uma vez, em 1975, por A Noite Americana. A indicação veio um ano depois de o filme ter vencido o prêmio na categoria de estrangeiro. À época, Truffaut já havia realizado grandes obras e era um nome conhecido na América. Fez, entre outros, Os Incompreendidos, Jules e Jim e O Garoto Selvagem. A Noite Americana é um de seus melhores, no qual também se vê o Truffaut ator.

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Orson Welles

No já citado A Noite Americana há uma homenagem a Welles: Truffaut sonha que está roubando os stills de Cidadão Kane, na porta do cinema, quando era apenas uma criança. Pois Kane ainda povoa o imaginário cinéfilo: é um dos maiores de todos os tempos e deu a Welles sua única indicação ao Oscar de diretor. Perdeu, e só voltou aos holofotes da Academia em 1971, quando ganhou uma estatueta honorária.

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