Kirk Douglas

50 grandes interpretações centrais que perderam o Oscar

Para cada atuação oscarizada existem quatro perdedoras. A lista abaixo não pretende apontar injustiças, mas alguns grandes momentos, de grandes atores, que não foram premiados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Outros concorrentes acabariam se impondo – seja pela qualidade, seja pelo momento.

Alguns atores ganhariam depois, como nos casos emblemáticos de James Stewart e Joan Fontaine, premiados logo no ano seguinte por atuações inferiores. Alguns já haviam ganhado antes – caso de Bette Davis, duas vezes. Alguns nunca ganhariam a estatueta, como Richard Burton (indicado sete vezes) e Liv Ullmann (indicada duas vezes).

A história do Oscar é cheia de momentos embaraçosos. É também uma corrida que, bem definiu Woody Allen, não faz sentido: segundo o cômico americano, a arte não é um esporte, a ser disputado ponto a ponto em uma arena. Seu resultado está ligado à subjetividade da banca avaliadora.

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Paul Muni em O Fugitivo

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Charles Laughton em O Grande Motim

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Wendy Hiller em Pigmalião

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James Stewart em A Mulher Faz o Homem

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Greta Garbo em Ninotchka

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Clark Gable em E o Vento Levou

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Henry Fonda em Vinhas da Ira

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Charles Chaplin em O Grande Ditador

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Joan Fontaine em Rebecca, a Mulher Inesquecível

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Orson Welles em Cidadão Kane

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Bette Davis em Pérfida

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Humphrey Bogart em Casablanca

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Barbara Stanwyck em Pacto de Sangue

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Gene Tierney em Amar Foi Minha Ruína

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Celia Johnson em Desencanto

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Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses

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Bette Davis em A Malvada

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Marlon Brando em Uma Rua Chamada Pecado

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Kirk Douglas em Assim Estava Escrito

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Frank Sinatra em O Homem do Braço de Ouro

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Kirk Douglas em Sede de Viver

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James Stewart em Anatomia de um Crime

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Paul Newman em Desafio à Corrupção

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Katharine Hepburn em Longa Jornada Noite Adentro

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Peter Sellers em Doutor Fantástico

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Anthony Quinn em Zorba, o Grego

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Rod Steiger em O Homem do Prego

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Richard Burton em Quem Tem Medo de Virginia Woolf?

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Peter O’Toole em O Leão no Inverno

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Peter Finch em Domingo Maldito

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Dustin Hoffman em Lenny

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Gena Rowlands em Uma Mulher Sob Influência

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Al Pacino em Um Dia de Cão

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Robert De Niro em Taxi Driver

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Liv Ullmann em Face a Face

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Marcello Mastroianni em Um Dia Muito Especial

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Peter Sellers em Muito Além do Jardim

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John Hurt em O Homem Elefante

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Burt Lancaster em Atlantic City

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Tom Courtenay em O Fiel Camareiro

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Anjelica Huston em Os Imorais

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Ian McKellen em Deuses e Monstros

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Javier Bardem em Antes do Anoitecer

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Ellen Burstyn em Réquiem para um Sonho

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Imelda Staunton em O Segredo de Vera Drake

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Felicity Huffman em Transamérica

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Joaquin Phoenix em O Mestre

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Emmanuelle Riva em Amor

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Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street

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Marion Cotillard em Dois Dias, Uma Noite

dois dias uma noite1

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16 grandes duplas indicadas ao Oscar na mesma categoria

Kirk Douglas, 100 anos

Não se pode dizer que Kirk Douglas será lembrado por um filme menor. Spartacus é uma grande obra. Stanley Kubrick, à época, não era um diretor das primeiras fileiras de Hollywood. Após ter trabalhado com o jovem cineasta em Glória Feita de Sangue – que é melhor que o seguinte – Douglas decidiu levá-lo para Spartacus.

Não apenas ele. O ator e coprodutor do épico de 1960 bancou o nome de Dalton Trumbo no roteiro. Uma ousadia: Trumbo integrava a Lista Negra de Hollywood, a apontar os comunistas “infiltrados” na indústria do espetáculo. Por anos, Trumbo teve de assinar roteiros com pseudônimos. Seu retorno marcou o início do fim do período.

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A ação de Douglas revela alguém tão combativo dentro das telas quanto fora. Algumas de suas melhores interpretações remontam à imagem: o homem intenso em cada ato, explosivo em diferentes personagens. Spartacus, de escravo a líder de uma revolução, é apenas um deles. Seus vilões também merecem lugar de destaque.

Mito vivo, o ator completou 100 anos em dezembro de 2016. Em seu terceiro filme, o noir Fuga do Passado, ele interpreta o vilão Whit, em cena com o protagonista Robert Mitchum. Os atores voltariam a se encontrar mais tarde em Desbravando Oeste. Mitchum como o guia pacato, Douglas como o ambicioso desbravador.

Apesar do sucesso Quem é o Infiel?, em outro papel menor, Douglas chegou de vez ao estrelato com O Invencível, de 1949, que lhe valeu a primeira indicação ao Oscar de melhor ator. A segunda veio em seu grande momento nas telas, o papel do produtor de cinema sem escrúpulos de Assim Estava Escrito, no qual atua ao lado de Lana Turner.

De queixo perfurado, sua marca registrada, o ator viveria o pintor van Gogh em Sede de Viver. Outra grande interpretação, outra indicação ao Oscar – perdendo para o Yul Brynner de O Rei e Eu, musical com todos os traços do cinema clássico da época.

Pouco antes, a face cínica de Douglas serviu bem ao diretor mais ácido da Hollywood clássica: Billy Wilder. Produto das pitadas de sexo da comédia screwball, sempre a zombar de regimes totalitários, Wilder, com Douglas, voltou suas armas à imprensa americana da época em A Montanha dos Sete Abutres.

Em um local perdido no mapa, ele, Chuck Tatum, vê a oportunidade de dar uma virada em sua carreira de jornalista. Aproveita-se de uma vítima presa em uma mina, manipula autoridades e a opinião pública para fabricar, dias a fio, novas manchetes.

A energia de Douglas produzia grandes personagens como Tatum. Magnífica, de estranha atração apesar de corrupta. A mesma levaria ao oposto, ao destemido coronel Dax de Glória Feita de Sangue. Difícil não se emocionar com sua convicção ao defender três soldados condenados à morte. Bom ou mau, há sempre o grande ator.

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Bastidores: Spartacus

As filmagens tiveram imensos problemas. Jean Simmons teve de ser operada de urgência, Douglas chegava muitas vezes atrasado ao e apanhou um vírus durante dez dias, Ustinov, Olivier e Laughton tinham compromissos urgentes pelo mundo e Tony Curtis tinha um pé engessado por ter torcido o tendão de Aquiles. Além disso, Trumbo fazia alterações no roteiro todos os dias.

Paul Duncan, em Stanley Kubrick – Filmografia Completa (Taschen; pg. 61).

Em Spartacus, tentei tornar a história o mais autêntica possível. Eu tinha que lutar, principalmente, contra um roteiro bobo.

Stanley Kubrick, em entrevista a Michel Ciment, em 1972, após o lançamento de Laranja Mecânica, em Conversas com Kubrick (Cosac Naify; pg. 118). O roteirista do filme é Dalton Trumbo, que esteve na lista negra de Hollywood na época do macarthismo e foi contratado – como Kubrick, que substituiu o experiente Anthony Mann – pelo astro Kirk Douglas.

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Bastidores: O Iluminado
Nascido para Matar, de Stanley Kubrick

Anthony Quinn, 100 anos

Com jeito exótico e distante dos traços tipicamente americanos, Anthony Quinn começou com personagens exóticas. Pequenos papéis, aos poucos revelando sua grandeza. O jeito rochoso já estava lá: era imponente, impossível não ser notado.

Fez filmes desde a década de 30. Demorou a ganhar relevância. Os dois Oscars – por Viva Zapata! e Sede de Viver – vieram por coadjuvantes, ao lado de outros dois gigantes: Marlon Brando e Kirk Douglas. Ainda assim, conseguia se impor.

É lembrado, claro, por papéis em outros filmes, como A Estrada da Vida, de Fellini, e Os Canhões de Navarone, cuja personagem nasceu para ele – em claro contraste à figura de David Niven, o “cérebro” da turma. Quinn era pura massa. Entre tantas personagens, a mais famosa é certamente Alexis Zorba, apaixonada pela vida.

Nos anos 40, antes do grande sucesso, fez um papel pequeno, “maldito”, em O Intrépido General Custer (abaixo), ao lado do “tipicamente americano” Errol Flynn. Servia ao contraste, de novo. Quinn é o índio Cavalo Louco, responsável por matar o herói americano, quando os nativos venceram os brancos na batalha de Little Big Horn.

o intrépido general custer

Os cinco melhores filmes de Stanley Kubrick

A certa altura de sua carreira, Stanley Kubrick passou a dirigir dois ou mesmo um filme por década. Esses poucos filmes mostraram-se desafiadores, ousados, como é o caso de seu capítulo final, De Olhos Bem Fechados, incompreendido por parte da crítica e do público em 1999, em seu lançamento. Antes, voltou-se ao Vietnã em Nascido Para Matar, ao terror em O Iluminado. Uma carreira que explorou diferentes gêneros e teve início com filmes de baixo orçamento.

5) Glória Feita de Sangue (1957)

Antes de levar Kubrick ao épico Spartacus, Kirk Douglas viveu o honesto coronel Dax. Nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, ele tenta defender três soldados condenados à morte, acusados de covardia. O filme carrega uma poderosa mensagem contra a guerra, comparável à de obras como Sem Novidade no Front, também ambientada na Primeira Guerra.

glória feita de sangue

4) Barry Lyndon (1975)

Na primeira parte, Barry (Ryan O’Neal) recebe sempre um empurrão do destino, o que faz sua vida dar certo: ele sobrevive à guerra, tem nos braços belas mulheres, prospera. Na segunda parte tem início sua derrocada: Barry casa-se, rende-se aos jogos, e tudo, aos poucos, passa a dar errado. Visualmente, o filme é um espetáculo, com fotografia à base de luz natural.

barry lyndon

3) Dr. Fantástico (1964)

Tudo pode dar errado com homens no comando. Sempre haverá um lunático para apertar o botão. Pior: sempre haverá um lunático com poder para tanto. Todo o restante – quase o filme inteiro – é sobre os esforços inúteis para reverter essa infeliz escolha. Ou seja, para vencer os códigos e as máquinas que os próprios homens criaram. A comédia de Kubrick deu luz ao melhor retrato da Guerra Fria.

dr. fantástico

2) Laranja Mecânica (1971)

O futuro oferece, de novo, um beco sem saída. De um lado, a liberdade para saquear, estuprar, matar. De outro, a prisão que tira do homem sua força – ao passo que ele torna-se a vítima do saque, do estupro, de todos que estão dispostos a matá-lo. Aqui, Kubrick trabalhou com a versão americana do livro de Anthony Burgess, que possui um capítulo a menos que a britânica e não inclui a reintegração de Alex à sociedade.

laranja mecânica

1) 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968)

A fronteira final é o nascimento. O filme leva ao contato com essa fronteira, quando a busca do astronauta – à cama e cadavérico, vislumbrando o monólito preto – coloca-o em contato com o planeta que nasce, o círculo que se fecha. Em paralelo, os astronautas têm de enfrentar a máquina, o computador assassino, em outro caso de futuro que não deu certo – como Dr. Fantástico e Laranja Mecânica. Melhor começar de novo.

2001