John Ford

O filme que ensinou Wim Wenders a fazer cinema

Foi com esse filme, O Homem do Oeste, que de repente eu entendi como os filmes são feitos. Eu era finalmente capaz de ler toda aquela arquitetura. Claro que poderia ter acontecido com outros filmes – mas, não por coincidência, aconteceu com os de Anthony Mann. Ali, eu percebi como uma cena era construída com planos abertos – Mann fazia planos abertos fantásticos. Só outro mestre, John Ford, alcançava a perfeição de seus planos, planos médios, closes, planos gerais, planos em movimento e steadicam. Claro que você pode aprender isso em qualquer filme, mas eu aprendi a arte de fazer cinema com uma série de filmes de Anthony Mann exibida na Cinemateca [Francesa] – e especialmente com O Homem do Oeste. (…) Em O Homem do Oeste, entendi como um cineasta pode guiar seu olhar, te deixar confortável e te colocar no meio da cena. Entender isso foi um longo passo para mim, quase uma revelação.

Wim Wenders, cineasta, em depoimento ao ciclo Os Filmes da Minha Vida, da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, publicado no livro Os Filmes da Minha Vida 3 (Imprensa Oficial; pg. 21). Abaixo, Gary Cooper em O Homem do Oeste.

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Do pior ao melhor: os vencedores do Oscar de melhor filme

Há um pouco de tudo entre os vencedores do Oscar de melhor filme. De 1929 às mais recentes edições, seus ganhadores – às vezes mais, às vezes menos – têm incorporado um pouco do espírito de suas épocas. Filmes como Sem Novidade no Front, Casablanca, Sindicato de Ladrões, Se Meu Apartamento Falasse e Perdidos na Noite dizem muito sobre as transformações do cinema e da própria sociedade.

Nem sempre o Oscar premia os melhores. Ao passar o olho pela lista de vencedores, a qualidade de algumas obras é tão nítida quanto a mediocridade de outras. Chama a atenção, inclusive, casos de filmes que, mesmo ganhando o principal prêmio da noite, são hoje pouco lembrados. Ou seja, ganhar o Oscar nem sempre significa entrar para a História.

91) Crash: No Limite, de Paul Haggis (2005/06)

Outros indicados do ano: Boa Noite e Boa Sorte; Capote; Munique; O Segredo de Brokeback Mountain.

90) Cimarron, de Wesley Ruggles (1931/31)

Outros indicados do ano: A Primeira Página; Lágrimas de Amor; Mercador das Selvas; Skippy.

89) Gladiador, de Ridley Scott (2000/01)

Outros indicados do ano: Chocolate; Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento; O Tigre e o Dragão; Traffic: Ninguém Sai Limpo.

88) Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle (2008/09)

Outros indicados do ano: Frost/Nixon; Milk: A Voz da Igualdade; O Curioso Caso de Benjamin Button; O Leitor.

87) O Discurso do Rei, de Tom Hooper (2010/11)

Outros indicados do ano: 127 Horas; A Origem; A Rede Social; Bravura Indômita; Cisne Negro; Inverno da Alma; Minhas Mães e Meu Pai; O Vencedor; Toy Story 3.

86) Green Book: O Guia, de Peter Farrelly (2018/19)

Outros indicados do ano: A Favorita; Bohemian Rhapsody; Infiltrado na Klan; Nasce uma Estrela; Pantera Negra; Roma; Vice.

85) Rosa de Esperança, de William Wyler (1942/43)

Outros indicados do ano: A Canção da Vitória; Abandonados; E a Vida Continua; Em Cada Coração um Pecado; Invasão de Bárbaros; Na Noite do Passado; Nossos Mortos Serão Vingados; Soberba; Ídolo, Amante e Herói.

84) Gente como a Gente, de Robert Redford (1980/81)

Outros indicados do ano: O Destino Mudou sua Vida; O Homem Elefante; Tess; Touro Indomável.

83) Ziegfeld – O Criador de Estrelas, de Robert Z. Leonard (1936/37)

Outros indicados do ano: A História de Louis Pasteur; A Queda da Bastilha; Adversidade; Casado com Minha Noiva; Fogo de Outono; O Galante Mr. Deeds; Romeu e Julieta; São Francisco, a Cidade do Pecado; Três Pequenas do Barulho.

82) Coração Valente, de Mel Gibson (1995/96)

Outros indicados do ano: Apollo 13: Do Desastre ao Triunfo; Babe, o Porquinho Atrapalhado; O Carteiro e o Poeta; Razão e Sensibilidade.

81) Melodia da Broadway, de Harry Beaumont (1929/30)

Outros indicados do ano: Alta Traição; Hollywood Revue; No Velho Arizona; O Peso da Lei.

80) Argo, de Ben Affleck (2012/13)

Outros indicados do ano: A Hora Mais Escura; Amor; As Aventuras de Pi; Django Livre; Indomável Sonhadora; Lincoln; O Lado Bom da Vida; Os Miseráveis.

79) A Vida de Emile Zola, de William Dieterle (1937/38)

Outros indicados do ano: 100 Homens e uma Menina; Beco Sem Saída; Cupido é Moleque Teimoso; Horizonte Perdido; Marujo Intrépido; Nasce uma Estrela; No Teatro da Vida; No Velho Chicago; Terra dos Deuses.

78) Uma Mente Brilhante, de Ron Howard (2001/02)

Outros indicados do ano: Assassinato em Gosford Park; Entre Quatro Paredes; Moulin Rouge: Amor em Vermelho; O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel.

77) Cavalgada, de Frank Lloyd (1933/34)

Outros indicados do ano: Adeus às Armas; As Quatro Irmãs; Dama por um Dia; Feira de Amostras; O Amor que não Morreu; O Fugitivo; Os Amores de Henrique VIII; Rua 42; Uma Loira para Três.

76) Rocky: Um Lutador, de John G. Avildsen (1976/77)

Outros indicados do ano: Esta Terra é Minha Terra; Rede de Intrigas; Taxi Driver: Motorista de Táxi; Todos os Homens do Presidente.

75) Conduzindo Miss Daisy, de Bruce Beresford (1989/90)

Outros indicados do ano: Campo dos Sonhos; Meu Pé Esquerdo; Nascido em 4 de Julho; Sociedade dos Poetas Mortos.

74) Carruagens de Fogo, de Hugh Hudson (1981/82)

Outros indicados do ano: Atlantic City; Num Lago Dourado; Os Caçadores da Arca Perdida; Reds.

73) O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, de Peter Jackson (2003/04)

Outros indicados do ano: Encontros e Desencontros; Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo; Seabiscuit – Alma de Herói; Sobre Meninos e Lobos.

72) Rain Man, de Barry Levinson (1988/89)

Outros indicados do ano: Ligações Perigosas; Mississippi em Chamas; O Turista Acidental; Uma Secretária de Futuro.

71) 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen (2013/14)

Outros indicados do ano: Capitão Phillips; Clube de Compras Dallas; Ela; Gravidade; Nebraska; O Lobo de Wall Street; Philomena; Trapaça.

70) O Maior Espetáculo da Terra, de Cecil B. DeMille (1952/53)

Outros indicados do ano: Depois do Vendaval; Ivanhoé, o Vingador do Rei; Matar ou Morrer; Moulin Rouge.

69) O Bom Pastor, de Leo McCarey (1944/45)

Outros indicados do ano: Desde Que Partiste; Pacto de Sangue; Wilson; À Meia Luz.

68) A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Michael Anderson (1956/57)

Outros indicados do ano: Assim Caminha a Humanidade; O Rei e Eu; Os Dez Mandamentos; Sublime Tentação.

67) A Luz é para Todos, de Elia Kazan (1947/48)

Outros indicados do ano: De Ilusão Também se Vive; Grandes Esperanças; Rancor; Um Anjo Caiu do Céu.

66) Titanic, de James Cameron (1997/98)

Outros indicados do ano: Gênio Indomável; Los Angeles: Cidade Proibida; Melhor é Impossível; Ou Tudo ou Nada.

65) A Forma da Água, de Guillermo del Toro (2017/18)

Outros indicados do ano: Corra!; Dunkirk; Me Chame pelo Seu Nome; O Destino de uma Nação; The Post: A Guerra Secreta; Trama Fantasma; Três Anúncios para um Crime.

64) Os Infiltrados, de Martin Scorsese (2006/07)

Outros indicados do ano: A Rainha; Babel; Cartas de Iwo Jima; Pequena Miss Sunshine.

63) Laços de Ternura, de James L. Brooks (1983/84)

Outros indicados do ano: A Força do Carinho; O Fiel Camareiro; O Reencontro; Os Eleitos: Onde o Futuro Começa.

62) Gigi, de Vincente Minnelli (1958/59)

Outros indicados do ano: A Mulher do Século; Acorrentados; Gata em Teto de Zinco Quente; Vidas Separadas.

61) Marty, de Delbert Mann (1955/56)

Outros indicados ao Oscar: A Rosa Tatuada; Férias de Amor; Mister Roberts; Suplício de uma Saudade.

60) Dança com Lobos, de Kevin Costner (1990/91)

Outros indicados do ano: Ghost: Do Outro Lado da Vida; O Poderoso Chefão – Parte 3; Os Bons Companheiros; Tempo de Despertar.

59) O Artista, de Michel Hazanavicius (2011/12)

Outros indicados do ano: A Invenção de Hugo Cabret; A Árvore da Vida; Cavalo de Guerra; Histórias Cruzadas; Meia-Noite em Paris; O Homem Que Mudou o Jogo; Os Descendentes; Tão Forte e Tão Perto.

58) Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins (2016/17)

Outros indicados do ano: A Chegada; A Qualquer Custo; Até o Último Homem; Estrelas Além do Tempo; La La Land: Cantando Estações; Lion: Uma Jornada Para Casa; Manchester à Beira-Mar; Um Limite Entre Nós.

57) Shakespeare Apaixonado, de John Madden (1998/99)

Outros indicados do ano: A Vida é Bela; Além da Linha Vermelha; Elizabeth; O Resgate do Soldado Ryan.

56) As Aventuras de Tom Jones, de Tony Richardson (1963/64)

Outros indicados do ano: A Conquista do Oeste; Cleópatra; Terra do Sonho Distante; Uma Voz Nas Sombras.

55) Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro González Iñárritu (2014/15)

Outros indicados do ano: A Teoria de Tudo; Boyhood: Da Infância à Juventude; O Grande Hotel Budapeste; O Jogo da Imitação; Selma: Uma Luta Pela Igualdade; Sniper Americano; Whiplash: Em Busca da Perfeição.

54) Do Mundo Nada se Leva, de Frank Capra (1938/39)

Outros indicados do ano: A Cidadela; A Epopéia do Jazz; A Grande Ilusão; As Aventuras de Robin Hood; Com os Braços Abertos; Jezebel; Pigmalião; Piloto de Provas; Quatro Filhas.

53) Golpe de Mestre, de George Roy Hill (1973/74)

Outros indicados do ano: Gritos e Sussurros; Loucuras de Verão; O Exorcista; Um Toque de Classe.

52) Beleza Americana, de Sam Mendes (1999/00)

Outros indicados do ano: O Informante; O Sexto Sentido; Regras da Vida; À Espera de um Milagre.

51) O Grande Motim, de Frank Lloyd (1935/36)

Outros indicados do ano: A Mulher que Soube Amar; David Copperfield; Lanceiros da Índia; Melodia da Broadway de 1936; O Capitão Blood; O Delator; O Picolino; Oh, Marieta!; Os Implacáveis; Sonho de uma Noite de Verão; Vamos à América.

50) Spotlight – Segredos Revelados, de Tom McCarthy (2015/16)

Outros indicados do ano: A Grande Aposta; Brooklyn; Mad Max: Estrada da Fúria; O Quarto de Jack; O Regresso; Perdido em Marte; Ponte dos Espiões.

49) Oliver!, de Carol Reed (1968/69)

Outros indicados do ano: Funny Girl: A Garota Genial; O Leão no Inverno; Rachel, Rachel; Romeu e Julieta.

48) A Grande Ilusão, de Robert Rossen (1949/50)

Outros indicados do ano: Almas Em Chamas; O Preço da Glória; Quem é o Infiel?; Tarde Demais.

47) Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow (2008/10)

Outros indicados do ano: Amor Sem Escalas; Avatar; Bastardos Inglórios; Distrito 9; Educação; Preciosa: Uma História de Esperança; Um Homem Sério; Um Sonho Possível; Up: Altas Aventuras.

46) Minha Bela Dama, de George Cukor (1964/65)

Outros indicados do ano: Becket, O Favorito do Rei; Dr. Fantástico; Mary Poppins; Zorba, o Grego.

45) O Paciente Inglês, de Anthony Minghella (1996/97)

Outros indicados do ano: Fargo: Uma Comédia de Erros; Jerry Maguire, a Grande Virada; Segredos e Mentiras; Shine – Brilhante.

44) No Calor da Noite, de Norman Jewison (1967/68)

Outros indicados do ano: A Primeira Noite de um Homem; Adivinhe Quem vem para Jantar; Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas; O Fabuloso Doutor Dolittle.

43) A Um Passo da Eternidade, de Fred Zinnemann (1953/54)

Outros indicados do ano: A Princesa e o Plebeu; Júlio César; O Manto Sagrado; Os Brutos Também Amam.

42) Menina de Ouro, de Clint Eastwood (2004/05)

Outros indicados do ano: Em Busca da Terra do Nunca; O Aviador; Ray; Sideways – Entre Umas e Outras.

41) Grande Hotel, de Edmund Goulding (1932/32)

Outros indicados do ano: Depois do Casamento; Médico e Amante; O Campeão; O Expresso de Shanghai; O Tenente Sedutor; Sede de Escândalo; Uma Hora Contigo.

40) O Homem que Não Vendeu Sua Alma, de Fred Zinnemann (1966/67)

Outros indicados do ano: Como Conquistar as Mulheres; O Canhoneiro do Yang-Tsé; Os russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!; Quem Tem Medo de Virginia Woolf?

39) Chicago, de Rob Marshall (2002/03)

Outros indicados do ano: As Horas; Gangues de Nova York; O Pianista; O Senhor dos Anéis: As Duas Torres.

38) Hamlet, de Laurence Olivier (1948/49)

Outros indicados do ano: Belinda; Na Cova da Serpente; O Tesouro da Sierra Madre; Os Sapatinhos Vermelhos.

37) Como era Verde Meu Vale, de John Ford (1941/42)

Outros indicados do ano: A Porta de Ouro; Cidadão Kane; Com Um Pé no Céu; Flores do Pó; Pérfida; Que Espere o Céu; Relíquia Macabra; Sargento York; Suspeita.

36) Farrapo Humano, de Billy Wilder (1945/46)

Outros indicados do ano: Alma em Suplício; Marujos do Amor; Os Sinos de Santa Maria; Quando Fala o Coração.

35) O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci (1987/88)

Outros indicados do ano: Atração Fatal; Esperança e Glória; Feitiço da Lua; Nos Bastidores da Notícia.

34) Kramer vs. Kramer, de Robert Benton (1979/80)

Outros indicados do ano: Apocalypse Now; Norma Rae; O Show Deve Continuar; O Vencedor.

33) Forrest Gump – O Contador de Histórias, de Robert Zemeckis (1994/95)

Outros indicados do ano: Pulp Fiction: Tempo de Violência; Quatro Casamentos e um Funeral; Quiz Show – A Verdade dos Bastidores; Um Sonho de Liberdade.

32) Platoon, de Oliver Stone (1986/87)

Outros indicados do ano: A Missão; Filhos do Silêncio; Hannah e suas Irmãs; Uma Janela para o Amor.

31) Rebecca, a Mulher Inesquecível, de Alfred Hitchcock (1940/41)

Outros indicados do ano: A Carta; A Longa Viagem de Volta; As Vinhas da Ira; Correspondente Estrangeiro; Kitty Foyle; Nossa Cidade; Núpcias de Escândalo; O Grande Ditador; Tudo Isto e o Céu Também.

30) Sinfonia de Paris, de Vincente Minnelli (1951/52)

Outros indicados do ano: Decisão Antes do Amanhecer; Quo Vadis; Um Lugar ao Sol; Uma Rua Chamada Pecado.

29) Onde os Fracos Não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen (2007/08)

Outros indicados do ano: Conduta de Risco; Desejo e Reparação; Juno; Sangue Negro.

28) A Noviça Rebelde, de Robert Wise (1965/66)

Outros indicados do ano: A Nau dos Insensatos; Darling – A Que Amou Demais; Doutor Jivago; Mil Palhaços.

27) Gandhi, de Richard Attenborough (1982/83)

Outros indicados do ano: Desaparecido: Um Grande Mistério; E.T.: O Extraterrestre; O Veredicto; Tootsie.

26) Amor, Sublime Amor, de Jerome Robbins e Robert Wise (1961/62)

Outros indicados do ano: Desafio à Corrupção; Fanny; Julgamento em Nuremberg; Os Canhões de Navarone.

25) Patton – Rebelde ou Herói?, de Franklin J. Schaffner (1970/71)

Outros indicados do ano: Aeroporto; Cada um Vive como Quer; Love Story: Uma História de Amor; M.A.S.H.

24) A Ponte do Rio Kwai, de David Lean (1957/58)

Outros indicados do ano: 12 Homens e uma Sentença; A Caldeira do Diabo; Sayonara; Testemunha de Acusação.

23) Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra (1934/35)

Outros indicados do ano: A Alegre Divorciada; A Casa de Rothschild; A Ceia dos Acusados; A Família Barrett; Aí Vem a Marinha!; Cleópatra; Imitação da Vida; Legião das Abnegadas; Miss Generala; Uma Noite de Amor; Viva Villa!

22) Amadeus, de Milos Forman (1984/85)

Outros indicados do ano: A História de um Soldado; Os Gritos do Silêncio; Passagem para a Índia; Um Lugar no Coração.

21) A Lista de Schindler, de Steven Spielberg (1993/94)

Outros indicados do ano: Em Nome do Pai; O Fugitivo; O Piano; Vestígios do Dia.

20) Perdidos na Noite, de John Schlesinger (1969/70)

Outros indicados do ano: Alô, Dolly!; Ana dos Mil Dias; Butch Cassidy; Z.

19) Sem Novidade no Front, de Lewis Milestone (1930/30)

Outros indicados do ano: A Divorciada; Alvorada do Amor; Disraeli; O Presídio.

18) Ben-Hur, de William Wyler (1959/60)

Outros indicados do ano: Almas em Leilão; Anatomia de um Crime; O Diário de Anne Frank; Uma Cruz à Beira do Abismo.

17) Operação França, de William Friedkin (1971/72)

Outros indicados do ano: A Última Sessão de Cinema; Laranja Mecânica; Nicholas e Alexandra; Um Violinista no Telhado.

16) Os Melhores Anos de Nossas Vidas, de William Wyler (1946/47)

Outros indicados do ano: A Felicidade Não Se Compra; Henrique 5º; O Fio da Navalha; Virtude Selvagem.

15) Entre Dois Amores, de Sydney Pollack (1985/86)

Outros indicados do ano: A Cor Púrpura; A Honra do Poderoso Prizzi; A Testemunha; O Beijo da Mulher-Aranha.

14) Asas, de William A. Wellman (1927/29)

Outros indicados do ano: A Lei dos Fortes; Sétimo Céu.

13) Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood (1992/93)

Outros indicados do ano: Perfume de Mulher; Questão de Honra; Retorno a Howards End; Traídos pelo Desejo.

12) Se Meu Apartamento Falasse, de Billy Wilder (1960/61)

Outros indicados do ano: Entre Deus e o Pecado; Filhos e Amantes; O Álamo; Peregrino da Esperança.

11) O Franco Atirador, de Michael Cimino (1978/79)

Outros indicados do ano: Amargo Regresso; O Céu Pode Esperar; O Expresso da Meia-Noite; Uma Mulher Descasada.

10) Um Estranho no Ninho, de Milos Forman (1975/76)

Outros indicados do ano: Barry Lyndon; Nashville; Tubarão; Um Dia de Cão.

9) O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme (1991/92)

Outros indicados do ano: A Bela e a Fera; Bugsy; JFK: A Pergunta que Não Quer Calar; O Príncipe das Marés.

8) E o Vento Levou, de Victor Fleming (1939/40)

Outros indicados do ano: A Mulher Faz o Homem; Adeus, Mr. Chips; Carícia Fatal; Duas Vidas; Ninotchka; No Tempo das Diligências; O Morro dos Ventos Uivantes; O Mágico de Oz; Vitória Amarga.

7) Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen (1977/78)

Outros indicados do ano: A Garota do Adeus; Júlia; Momento de Decisão; Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança.

6) A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz (1950/51)

Outros indicados do ano: As Minas do Rei Salomão; Crepúsculo dos Deuses; Nascida Ontem; O Papai da Noiva.

5) O Poderoso Chefão – Parte 2, de Francis Ford Coppola (1974/75)

Outros indicados do ano: A Conversação; Chinatown; Inferno na Torre; Lenny.

4) Sindicato de Ladrões, de Elia Kazan (1954/55)

Outros indicados do ano: A Fonte dos Desejos; A Nave da Revolta; Amar é Sofrer; Sete Noivas para Sete Irmãos.

3) Lawrence da Arábia, de David Lean (1962/63)

Outros indicados do ano: O Grande Motim; O Mais Longo dos Dias; O Sol é para Todos; Vendedor de Ilusões.

2) O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (1972/73)

Outros indicados do ano: Amargo Pesadelo; Cabaret; Lágrimas de Esperança; Os Emigrantes.

1) Casablanca, de Michael Curtiz (1942/44)

Outros indicados do ano: A Canção de Bernadette; A Comédia Humana; Consciências Mortas; Horas de Tormenta; Madame Curie; Nosso Barco, Nossa Alma; O Diabo Disse Não; Original Pecado; Por Quem os Sinos Dobram.

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Caravana de Bravos, de John Ford

O pistoleiro de Ben Johnson é uma variação do Ringo Kid de John Wayne. Ambos, em Caravana de Bravos e No Tempo das Diligências, separados por pouco mais de dez anos, imprimem um jeito fácil de viver, como se a ventura fosse diversão. Encontram, no time ao qual se unem, tipos diferentes, belas damas, índios ao redor.

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Em ambos os filmes está o faroeste que John Ford sabia fazer como ninguém: a aventura como desculpa para analisar um grupo de pessoas, uma crônica – sobretudo em Caravana de Bravos – a revelar o material que forjou uma nação, misturas que, nas trilhas de terra seca, cercadas por rochas, conseguem conviver.

Pode ser descrito como anti-aventura, ou faroeste sobre pessoas, convivências, cravado por pitadas de comédia, menos sobre conflitos armados. A experiência de Ford conferia-lhe poder para falar sobre o que quisesse, sem pressa; estende as conversas, a experiência que leva a saber quem é um, quem é outro, como em A Longa Viagem de Volta.

Do visual não se pode esperar menos: a fotografia de Bert Glennon é sublime. Em vários momentos, capta as personagens de baixo para cima, o chamado contra-plongée, e sugere que as mesmas tocam o céu, como se tudo acima delas existisse para guardá-las. É desse efeito que se extrai o irreal, o espaço mítico.

Por outro lado, Glennon, sob a condução de Ford, em momentos apresenta os ambientes de frente, chapados, com carroças que cruzam o campo seco, em plano geral. O resultado é oposto: tem-se algo real, ou a zona de transição ao efeito mágico, quando a poeira sobe e aos poucos oculta o transporte, como se desaparecesse no ar.

Johnson é o herói por acidente, Travis Blue, que só revelará seu poder nos instantes finais, levado a atirar. Segundo conta, até então só havia matado serpentes. O problema é que, entre toda a poeira, nesse mundo descoberto pela caravana rumo à terra prometida, matadores e serpentes confundem-se. Travis não é puro como parece.

Ao seu lado, o irmão falador e brincalhão (Harry Carey Jr.), também o homem justo e um pouco nervoso (Ward Bond) à frente do grupo de mórmons. A certa altura, o herói encontra o oposto ao puritanismo daqueles que conduz, a carruagem na qual estão alguns artistas ambulantes, pessoas livres e vaidosas.

Entre elas, a bela Denver (Joanne Dru), pequena, magra, que ousa tomar banho mesmo quando há escassez de água para cavalos, que olha para Travis em misto de desejo e desprezo. Sabe o homem que ele é, os tipos que compõem o grupo, e se coloca sobre todos, consciente de sua beleza entre as damas cobertas dos pés à cabeça.

Um belo momento é sua corrida à mesma carruagem em que apareceu pela primeira vez, depois de recusar o convite de Travis para que vivessem juntos. Senta atrás do veículo em movimento enquanto fuma, a dizer tudo em expressão liberta. É a mulher do mundo, certamente distante da almejada terra prometida.

Os percalços são variados. Um grupo de bandidos infiltra-se na caravana. O líder (Charles Kemper) tem o braço machucado após trocar tiros durante um assalto. Sua presença é ambivalente: o espectador não duvida de seus demônios – nem dos de seus companheiros – à medida que Ford o faz um pouco engraçado.

Os membros da caravana querem se estabelecer, formar comunidade. As rodas de madeira, por vales e montanhas, antecedem as estradas de ferro. Para Ford, essas pessoas dão vez à família, da qual – com exceções de praxe – não se desconfia. Um pouco sobre a história de uma nação, entre poeira, até chegar (ou não) ao local sonhado, ao futuro.

(Wagon Master, John Ford, 1950)

Nota: ★★★★☆

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Fomos os Sacrificados, de John Ford

Bastidores: Era uma Vez na América

(…) quando criança, a América existia na minha imaginação. Eu acho que a América existia na imaginação de todas as crianças que compravam histórias em quadrinhos, liam James Fenimore Cooper e Louisa May Alcott, e assistiam a filmes. A América é a negação determinada do Velho Mundo, o mundo adulto. Eu morava em Roma, onde nasci em 1929, quando era a capital do melodrama imperial de Mussolini – cheio de jornais mentirosos, laços culturais com Tóquio e Berlim, e um desfile militar após o outro. Mas eu vivi em uma família antifascista, que também era dedicada ao cinema, então eu não tive que sofrer qualquer ignorância. Eu vi muitos filmes.

(…)

A América era algo sonhado por filósofos, vagabundos e infelizes do mundo antes de ser descoberta por navios espanhóis e povoada por colonizadores de todo o mundo. Os americanos só a alugaram temporariamente. Se eles não se comportam bem, se o nível mítico é reduzido, se os seus filmes não funcionam mais e a história assume uma qualidade comum do dia a dia, então podemos sempre expulsá-los. Ou descubra outra América. O contrato pode sempre ser retido.

(…)

Eu não sou fascinado, como você diz, pelo mito do Ocidente, ou pelo mito do gângster. Não estou hipnotizado, como todos a leste de Nova York e a oeste de Los Angeles, pelas noções míticas da América. Estou falando do indivíduo e do horizonte infinito – Eldorado. Acredito que o cinema, exceto em alguns casos muito raros e notáveis, nunca fez muito para incorporar essas idéias. E se você pensar sobre isso, a própria América nunca fez muito esforço nesse sentido. Mas não há dúvida de que o cinema, ao contrário da democracia política, fez o que pôde. Basta considerar Sem Destino, Taxi Driver, Scarface ou Onde Começa o Inferno. Adoro os vastos espaços de John Ford e a claustrofobia metropolitana de Martin Scorsese, as pétalas alternadas da margarida americana. A América fala como fadas em um conto de fadas: “Você deseja o incondicional, então seus desejos são concedidos. Mas de uma forma que você nunca reconhecerá”. Minha produção de filmes joga com essas parábolas. Eu aprecio muito a sociologia, mas ainda estou encantada com fábulas, especialmente pelo seu lado sombrio.

Sergio Leone, cineasta, em entrevista a Pete Hamill durante a realização de Era Uma Vez na América, seu último filme (leia aqui, em inglês; a tradução é do site). Abaixo, o diretor durantes as filmagens.

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