James Cameron

Oito ficções científicas sobre jornadas ao desconhecido

O contato do homem com o desconhecido – o que pode ser definido como uma força alienígena – é tema recorrente em filmes de ficção científica, como se confere na lista abaixo. Em muitos casos, o que se vê é o descortinar de si próprio, mais que o do outro, o alienígena que tem o espaço invadido e nem sempre é vilão.

Planeta Proibido, de Fred M. Wilcox

Sob a carcaça do típico filme de ficção científica dos anos 50 há questões inquietantes: no espaço, em um planeta distante, homens tentam criar uma sociedade capaz de realizar suas vontades apenas com o poder da mente, envolvendo paz e justiça. Mas, como se sabe, as realizações nem sempre acompanham os desejos.

2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick

Três momentos, três histórias, um salto na evolução que liga o fim ao início. Há muitas maneiras de descrever essa obra-prima sobre o homem rumo ao contato com uma força superior. Em viagem final, dois astronautas confrontam um computador fora de controle, em um duelo pelo controle da própria nave.

Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg

O homem em questão, vivido por Richard Dreyfuss, fica fascinado pela presença alienígena que cruza os céus, pelas luzes que sobrevoam seu veículo a certa altura. Sai atrás dessa força na companhia de uma mulher cujo filho foi abduzido. Está disposto a deixar tudo para trás para embarcar na grande nave e ir embora.

Stalker, de Andrei Tarkovski

Três homens – um stalker, um cientista e um escritor – entram em uma região fechada pelo governo, chamada de Zona. Nesse espaço – no qual o verde contrasta a imagem sépia do que fica de fora – há outro espaço, o quarto, no qual os desejos humanos podem ser realizados. À beira desse espaço, os homens veem-se paralisados.

O Segredo do Abismo, de James Cameron

Antes de “conquistar o mundo” com Titanic e Avatar, e pouco depois do primeiro Exterminador do Futuro e do segundo filme da série Alien, Cameron assinou esse filme sobre um grupo de mergulhadores que descobre uma força alienígena no fundo do oceano. Há espaço ainda para a intriga entre humanos e uma história de amor.

Contato, de Robert Zemeckis

Uma ficção científica em que a possibilidade de se encontrar uma crença sobrepõe o ceticismo. E uma frase sempre lembrada dá o tom do filme: “seria um desperdício de espaço se não houvesse vida fora da Terra”. Os humanos recebem uma mensagem alienígena. A cientista vivida por Jodie Foster tenta respondê-la.

A Chegada, de Denis Villeneuve

Dessa vez é uma linguista quem deve se aproximar dos alienígenas. Certo dia, diferentes naves com formato de concha surgem no planeta. Os americanos recorrem ao conhecimento da personagem de Amy Adams, cujo avanço ao interior da nave, cada vez maior, faz com que descubra a si mesma, como também seu futuro.

Aniquilação, de Alex Garland

A bióloga interpretada por Natalie Portman vai a uma região sob efeitos alienígenas, afastada, chamada de Brilho. Do local, seu marido militar retornou perturbado. O que ela descobre é que, em contato com o ambiente, seres vivos sofrem mutações e a vida obedece novas regras. Do mesmo diretor de Ex_Machina: Instinto Artificial.

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A Lenda de Tarzan, de David Yates

O vilão de A Lenda de Tarzan utiliza um terço para enforcar e prender seus oponentes. Ainda nos primeiros instantes do filme de David Yates, ele apanha uma flor enquanto carrega o mesmo objeto, pela mata, com o crucifixo à mostra.

O momento rápido resume o que vem pela frente: o conflito entre natureza e civilização, a entrada do homem branco no espaço dos animais e, por ceifar a flor, o desejo de saque. Aqui, a natureza voltar-se-á contra esses homens perigosos de terno branco, sorriso cínico, encarnado, no caso, por Christoph Waltz.

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Previsível, a vingança da natureza carrega o romantismo visto antes em Avatar, de James Cameron. Mas foi Cameron, vale lembrar, quem tomou esses contornos emprestados de fábulas como Tarzan e Mogli. Yates apenas os toma de volta.

O menino criado entre gorilas, Tarzan (Alexander Skarsgård), está na cidade, Londres, no início dessa nova versão. Vê-se integrado entre os supostos seres educados de chapéu e carruagens. Para conferir as realizações do rei belga no Congo, ele é então convidado a retornar à África. Os homens brancos, Waltz à frente, desejam capturá-lo.

A nova história é entrecortada pela passada, pelas lembranças: são os momentos em que o bebê John Clayton torna-se Tarzan ao receber os cuidados de uma Gorila, também sua luta pela sobrevivência, seu encontro com a jovem Jane (Margot Robbie).

A opção narrativa parece atraente. Serve para tentar legitimar, antes, o homem John Clayton, não o herói Tarzan. Dessa forma, o espectador não é levado a conhecer a outra transformação: como Tarzan torna-se o aristocrata louro que vive em Londres.

Portanto, soa falso: é como se o homem branco nunca tivesse deixado o animal, ou como se esse herói, Tarzan, no fundo não funcionasse – creem seus criadores, frente ao público chegado a heróis planos – como um selvagem afeito às leis da selva.

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Nesse herói vê-se apenas o homem, ou quase sempre este. Ainda que a produção comandada por Yates tenha todos os contornos do cinema de heróis da atualidade, tenta, a certa altura, ser levada a sério – e recusa a aventura básica de seu parente próximo e recente, Mogli: O Menino Lobo, de Jon Favreau, superior em quase tudo.

O contraponto ao distante e Skarsgård é a personagem de Samuel L. Jackson, americano caçador e falante, dono das piadas que ora ou outra ganham espaço. A humanização da história é conferida a esse afro-americano que lutou na Guerra Civil e foi ao Congo experimentar o estranhamento. Ou seja, o negro que não reconhece suas raízes.

A ação vem na sequência: a luta de Tarzan com um gorila, o rapto de Jane e o levante dos animais contra os brancos chegados ao chá da tarde, à espera de pedras preciosas e seus caçadores de recompensa. Serão atropelados pela mãe natureza.

(The Legend of Tarzan, David Yates, 2016)

Nota: ★☆☆☆☆

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Relaxando nos bastidores

Porque diretores, atores e toda a produção têm aquele merecido tempo para descansar entre uma filmagem e outra. Abaixo, algumas imagens que mostram momentos de descontração e relaxamento em obras famosas do cinema.

Frankenstein, de James Whale

Boris Karloff toma café ao lado de Colin Clive.

frankenstein

Uma Aventura na África, de John Huston

Ao lado de sua amada Lauren Bacall (de óculos), Bogart prepara-se para entrar em ação.

uma aventura na áfrica

O Rio das Almas Perdidas, de Otto Preminger

A estrela Marilyn Monroe dorme durante as filmagens.

o rio das almas perdidas

Os Incompreendidos, de François Truffaut

Truffaut com sua jovem revelação, Jean-Pierre Léaud.

os incompreendidos

Ben-Hur, de William Wyler

Em clima italiano, Stephen Boyd leva Charlton Heston na garupa de sua lambreta.

ben-hur

Spartacus, de Stanley Kubrick

O jovem Kubrick, ao lado de Tony Curtis, conversa com o astro Kirk Douglas.

spartacus

Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards

Pelas ruas de Nova York, Audrey Hepburn espera o momento para filmar.

bonequinha de luxo

007 Contra o Satânico Dr. No, de Terence Young

Nada como uma boa praia. Melhor ainda com Ursula Andress e Sean Connery.

dr no

Os Pássaros, de Alfred Hitchcock

O mestre do suspense explica sua “forma do filme” a Rod Taylor (à esquerda).

os pássaros

O Planeta dos Macacos, de Franklin J. Schaffner

Com a máscara de macaco e o jornal na mão.

planeta dos macacos

Tubarão, de Steven Spielberg

Robert Shaw descansa ao lado de seu “companheiro”.

tubarão

Taxi Driver, de Martin Scorsese

Jodie Foster (à direita), como a jovem prostituta que é salva por Travis (Robert De Niro).

taxi driver

Guerra nas Estrelas, de George Lucas

Alec Guinness coloca óculos escuros para escapar do sol.

guerra nas estrelas

Halloween – A Noite do Terror, de John Carpenter

Michael Myers toma seu refrigerante. Ou melhor: Tony Moran toma refrigerante.

halloween

Conta Comigo, de Rob Reiner

A garotada do elenco se diverte com as máquinas de filmagem.

conta comigo

Titanic, de James Cameron

Leonardo DiCaprio e Kate Winslet fazem graça antes de o elevador ser tomado pela água.

titanic

Navios, barcos, botes, jangadas e outros (em 30 filmes)

Na rabeira do lançamento de Capitão Phillips, novo trabalho de Paul Greengrass, segue uma lista com filmes que incluem barcos e outros meios de transporte sobre a água. Em alguns deles, os barcos estão de passagens e não são fundamentais à história. Mas sempre vale lembrar e dar uma conferida. À lista.

Encouraçado Potemkin, de Sergei M. Eisenstein

encouraçado potemkin

Marinheiro de Encomenda, de Charles Reisner e Buster Keaton

marinheiro de encomenda

Limite, de Mário Peixoto

limite

Tabu, de F.W. Murnau

tabu

O Atalante, de Jean Vigo

atalante

O Grande Motim, de Frank Lloyd

o grande motim

Um Dia no Campo, de Jean Renoir

um dia no campo

As Três Noites de Eva, de Preston Sturges

três noites de eva

Nosso Barco, Nossa Alma, de Noel Coward e David Lean

nosso barco nossa alma

Um Barco e Nove Destinos, de Alfred Hitchcock

um barco e nove destinos

As Oito Vítimas, de Robert Hamer

oito vitimas

Uma Aventura na África, de John Huston

uma aventura na áfrica

Os Homens Preferem as Loiras, de Howard Hawks

homens preferem as loiras

Monika e o Desejo, de Ingmar Bergman

monica e o desejo

A Nave da Revolta, de Edward Dmytryk

a nave da revolta

Sabrina, de Billy Wilder

sabrina

Exodus, de Otto Preminger

exodus

A Faca na Água, de Roman Polanski

a faca na água

Billy Budd, de Peter Ustinov

billy budd

Os Emigrantes, de Jan Troell

emigrantes

Amargo Pesadelo, de John Boorman

amargo pesadelo

Tubarão, de Steven Spielberg

tubarão

Fitzcarraldo, de Werner Herzog

fitzcarraldo

As Três Coroas do Marinheiro, de Raoul Ruiz

tres coroas do marinheiro

Forrest Gump, o Contador de Histórias, de Robert Zemeckis

forrest gump

Titanic, de James Cameron

titanic

Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira

um filme falado

Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo, de Peter Weir

mestre dos mares

A Aventura de Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg

kon tiki

As Aventuras de Pi, de Ang Lee

as aventuras de pi