Isabelle Huppert

A Professora de Piano, segundo Isabelle Huppert

No caso de A Professora de Piano, não sou de bancar a falsa modesta, sei que tenho a capacidade de interpretar algo bastante opaco e, ao mesmo tempo, muito frágil. Muito do sucesso obtido pelo filme se deve à opacidade, à hipótese de uma violência, de uma brutalidade, mesmo de uma monstruosidade. Se interpreto Medeia ou A Professora de Piano, não faço nunca economia de monstruosidade, da maldade que há nesses personagens, e sei onde colocar a fragilidade, onde está o ponto de ruptura no qual podemos nos reconhecer. Isso é o essencial.

(…)

É a história de alguém que de nenhuma maneira quer ser considerado como objeto sexual, que quer ser mestre de seu desejo, de seus sentimentos, de seu amor. Como atriz me senti bastante protegida por tudo isso. Não me sentia como um brinquedo, nem do diretor, do ator com quem contracenava ou mesmo do tema do filme. Foi um papel adulto para mim. Não era simplesmente um sofrimento mudo, era algo bastante ativo.

(…)

A personagem de A Professora de Piano é alguém que reflete, calcula, e que habita seu cálculo. É um filme sobre o controle e a perda de controle. Num certo momento, ela perde o controle de algo que quer evitar, mas não consegue.

Isabelle Huppert, atriz e protagonista de A Professora de Piano, de 2001, dirigido por Michael Haneke, em entrevista ao jornalista Fernando Eichenberg no livro Entre Aspas volume 1 (L± pgs. 322, 323 e 324).

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Dez bons filmes recentes situados no universo feminino

As vidas e dramas de diferentes mulheres ganham destaque nos dez títulos abaixo. A lista volta-se a filmes com grandes personagens femininas e grandes atrizes para vivê-las. Todos recentes, passando pela abordagem do amor profundo pelo homem errado, pelo abuso sexual, pelo rompimento familiar, pelas tentativas de ser livre.

Amor Profundo, de Terence Davies

É provável que Davies tenha se inspirado nas grandes histórias de amor de David Lean, Desencanto e A História de uma Mulher, para esculpir tal obra. Em cena, Rachel Weisz tem uma de suas melhores interpretações como a mulher de um juiz que se envolve com jovem piloto (Tom Hiddleston) e entra em uma espiral de autodestruição.

O Julgamento de Viviane Amsalem, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz

O longo julgamento de uma mulher em busca do divórcio e, por extensão, uma crítica ao sistema jurídico machista e religioso de Israel. À medida que tenta se separar do marido, a mulher – e o espectador, claro – vê-se aprisionada ao tribunal de paredes brancas. Além de dirigir, Elkabetz assume a sofrida personagem central.

Carol, de Todd Haynes

O filme é contado pelo olhar de Therese (Rooney Mara), o olhar de descoberta voltado à personagem-título, vivida por Cate Blanchett. A jovem balconista ao encontro da mulher formada, nessa bela história de amor em que Haynes remete o espectador aos melodramas de Douglas Sirk, com a exposição da hipocrisia.

Um Belo Verão, de Catherine Corsini

A moça do campo (Izïa Higelin) vai viver na cidade e termina apaixonada por outra mulher. A da cidade (Cécile De France) não entende ao certo essa atração estranha, nesse filme ambientado nos anos 70, em meio ao movimento feminista francês. Por aqui, a mulher aparentemente emancipada ainda tem algo a descobrir.

Ninguém Deseja a Noite, de Isabel Coixet

A mulher imponente é Josephine, interpretada por Juliette Binoche, nos confins do planeta, em ambiente gelado, atrás do marido explorador. Ela termina encontrando Allaka (Rinko Kikuchi), grávida do mesmo explorador. À medida que o frio torna-se insuportável e a vida difícil, nasce uma aproximação entre elas.

Elle, de Paul Verhoeven

Mulher estuprada desenvolve uma estranha relação com seu abusador. Verhoeven retorna à grande forma ao apostar mais nos efeitos dessa relação, menos na busca pela identidade do criminoso ou no encerramento esperado. De quebra, oferece a Isabelle Huppert mais uma grande personagem, caso que merecia um Oscar.

Julieta, de Pedro Almodóvar

Passado e presente de uma mulher retornam à tela: da apaixonante Adriana Ugarte à culpada Emma Suárez, o público é levado a uma jornada de redescoberta, ao mesmo tempo em que a protagonista tenta reencontrar a filha. Almodóvar finca os pés outra vez no universo feminino e faz pensar em alguns de seus melhores trabalhos.

O Que Está por Vir, de Mia Hansen-Løve

Huppert de novo. E de novo em grande momento, em um filme que passou despercebido para muita gente e merece destaque. Ao redor de Nathalie (Huppert), tudo se transforma: o marido, os filhos, a mãe. Não dá para lutar contra o tempo, ela descobre, à medida que se aproxima de um ex-aluno e de seu círculo de amigos.

Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky

A mulher salva o dia, a família, assume as “broncas” da casa – enquanto o marido sai para fazer sua vida. É um pouco assim, desse drama, que Bodanzky dá vida a um dos filmes brasileiros mais bonitos dos últimos anos, com destaque para a dupla feminina, mãe e filha na tela, as talentosas Clarisse Abujamra e Maria Ribeiro.

A Vida de uma Mulher, de Stéphane Brizé

A triste trajetória de uma mulher que amou demais e sofreu em igual intensidade, vítima das traições do marido, das investidas, mais tarde, do filho interesseiro. De época, é também um filme realista, próximo às personagens, em que sua atriz central, a talentosa Judith Chemla, atravessa décadas da vida de uma mulher, entre altos e baixos.

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O Tempo do Lobo, de Michael Haneke

A proximidade do presente é assustadora. À beira da linha do trem, pessoas ainda brigam por água, por algumas cabras, atiram contra cavalos para comer sua carne e, após a perfuração do pescoço do animal e o sangue que jorra, a chuva oferece a ideia de purificação. Michael Haneke faz assim um filme sobre o fim de certa civilização.

Ao longo de diversas situações, o espectador sabe pouco, um observador a certa distância dos fatos. Tudo é tão real que assusta: as pessoas não explicam por que estão ali, para onde desejam ir, do que fogem, a que recorrem, no que creem. Ao centro de O Tempo do Lobo, uma mulher e seus dois filhos tentam sobreviver.

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O espectador perguntará, a certa altura, o que ocorreu com o mundo, ou com a Europa: uma doença devastadora? Uma guerra? Alguém fala em contaminação da água. À beira da linha, eles esperam o trem que talvez não chegue nunca, ou que talvez tenha chegado com mais pessoas entre um e outro corte temporal. Surgem novas personagens. A selvageria de alguns explode em pequenos gestos, em poucos diálogos.

Estão confinados, antes, à escuridão. Quase não há sol. O filme é cinzento, próximo do preto e branco. O verde da natureza e o marrom das árvores secas chegam a tranquilizar. Um garoto vaga por perto, sem nunca se misturar ao grupo, alguém disposto a furtar para sobreviver, coberto da cabeça aos pés por roupas largas, com um gorro.

O futuro é o presente, diz Haneke: fosse este um filme ambientado em um continente pobre, ou em um país em guerra, ninguém suspeitaria do futuro que aponta. É das possibilidades que fala, é o horror que toca, maneiras de se ver pouco, ou o suficiente: uma história sobre pessoas perdidas em um espaço que conhecem, cercadas por tipos que acreditavam conhecer: os homens logo se convertem em animais selvagens.

A protagonista, Anne Laurent (Isabelle Huppert), fugiu para o campo com o marido e os dois filhos. O filme tem início com sua chegada à casa de campo, ao refúgio, local tomado por outra família. O problema está instalado, é antigo: a briga pela propriedade, o que faz pensar em algum velho faroeste sobre homens armados e crianças assustadas.

O invasor atira contra o marido de Anne. A face da mulher, suja de sangue, antecipa o que vem em seguida: o horror será feito pelo choque silencioso, mais do que pelos gritos; será formatado à base do rosto que talvez não entenda o peso dos problemas que agora recaem, nesse universo em que o mínimo é o máximo: nesse tempo de lobos, será preciso trocar objetos por água, o corpo por alimentos.

Os cães selvagens atacam em silêncio, são vistos a distância. O pássaro tenta escapar do casebre em que a família esconde-se, termina preso ao peito de seu dono, o filho de Anne, e, após morrer, recebe um pequeno funeral sobre o feno. Os sinais religiosos não escapam: ao fim, o mesmo menino lança-se ao sacrifício, na fogueira sobre os trilhos, talvez para tentar corrigir os problemas desse mundo estranho do qual é parte.

O mal está suspenso no efeito opaco. Haneke não poupa, não explica. Faz um filme misterioso que não chega a ser o mais brutal de seus trabalhos, nem o mais ambicioso. Como em outras de suas obras, insere o horror no espaço do real, das pessoas comuns, das famílias autodestrutivas. Se em obras contundentes como O Sétimo Continente o horror via-se preso a pequenos espaços, em O Tempo do Lobo o diretor volta-se ao grupo, à relação com estranhos, à sociedade vítima de suas necessidades básicas.

O campo visto do interior do trem, nas imagens do fechamento, talvez indique a saída. O objetivo, contudo, não é encontrar um desfecho de conciliação, um enigma a ser decifrado e algum alívio. Haneke muda o trajeto, foge do esperado. Sua locomotiva leva a lugar algum. Suas personagens começam e terminam em uma viagem de destino incerto.

(Le temps du loup, Michael Haneke, 2003)

Nota: ★★★★☆

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8 Mulheres, de François Ozon

A tamanha artificialidade de 8 Mulheres quase não deixa ver o que há de real. Como no cinema clássico, embrenha-se nas cores, nas gracinhas, na aparência indolor – a despeito da realidade que se impõe na invasão das belas casas e das famílias aparentemente perfeitas, com dramas pouco a pouco revelados.

É importante lembrar que, como nos filmes clássicos, o visual está distante do realismo. Ao contrário, é falso a todo o momento. 8 Mulheres é embrulhado como casa de bonecas, com mulheres irretocáveis, criadas belas e sorridentes. O que há de real esconde-se justamente no falso: uma vida oculta sob o véu do sonho.

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A começar, sendo a primeira em cena, há Virginie Ledoyen, a menina bela, a filha que veste rosa, o sonho de qualquer pai e mãe. Mais tarde vêm à tona algumas revelações: ela está grávida, seu pai não é seu pai e o pai de seu filho é justamente o homem que a criou – agora morto, na cama, com uma faca cravada nas costas.

O filme gravita em torno desse crime. Em cena, a moça de figurino rosa é uma possível assassina. Há outras sete. Todas têm seus motivos para ter matado o homem sem rosto, que aparece apenas de costas. Logo vem a mãe da menina (Catherine Deneuve), misteriosa e cujas lágrimas não convencem; a avó (Danielle Darrieux), que de repente levanta da cadeira de rodas e começa a andar; a tia (Isabelle Huppert), que talvez goste mais de romances do que aparenta.

As personagens começam a se despir, pouco a pouco, à medida que o diretor François Ozon insere números musicais que, de propósito, convocam o espectador para outro universo: a contrapor o assassinato e as mentiras, o cineasta oferece o espetáculo quase hollywoodiano, forçando sempre a ver o brilho e a maquiagem, o indesejado.

A música chega a ser indigesta: de tão irônica, não fornece mais do que fuga passageira. Não produz qualquer sentimento, talvez por falar de sonhos, de amores, de tudo o que poderia ocupar aquele espaço – as cores estão prontas! – não fosse um espaço de crime e investigação, de mentiras e máscaras variadas.

Há também as criadas (Firmine Richard e Emmanuelle Béart), a irmã do homem morto (Fanny Ardant), que chega mais tarde, e sua filha (Ludivine Sagnier), uma adolescente que serve ao papel da típica coadjuvante curiosa, que faz perguntas e gosta de romances policiais. Como se verá mais tarde, ela oferecerá respostas.

A teia de situações é abertamente frágil. O filme é cômico. As mulheres – uma verdadeira coleção de estrelas do cinema francês, das mais velhas às mais jovens – brincam com o jeito feminino e não se importam em reverberar certo preconceito sobre um meio ocupado apenas por elas: a vontade de destruir as concorrentes.

A realidade, ainda que distante, ecoa no espectador, incomoda. Sob a embalagem colorida, na aparência da camada branca perfeita que recobre o carro do lado de fora, esse filme de estúdio tem mais a revelar do que se imagina. É uma brincadeira que, com algum esforço, pode ser levada a sério. Como um bom filme clássico feito de belas casas, belas mulheres, belas crianças, além de revelações incômodas.

(8 femmes, François Ozon, 2002)

Nota: ★★★☆☆

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Os amadores de Hal Hartley

Que título poderia definir melhor as personagens de Hal Hartley que Amateur? É o que se sente, ao menos, nos primeiros filmes do cineasta americano: seus seres vacilam o tempo todo e por isso permitem ver algo cômico, em um limite estranho entre o natural e a interpretação. São pessoas que tentam recomeçar a vida.

Os amadores em questão, em Confiança e Amateur, terminam sem nada, ou quase isso. Em ambos, um homem tenta construir – ou redescobrir – sua verdadeira identidade. Os dois são interpretados por Martin Donovan, ator que pode ser herói e vilão em um só, e revoltado, em ambos os casos, por não ser ninguém.

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Nessa busca por formação, ele contará com a ajuda de mulheres. É o combustível para Hartley armar o jogo. Seus filmes parecem partir sempre de uma situação semelhante: meninas que vivem em alguma encruzilhada e acabam colidindo com rapazes perdidos e que precisam de um novo começo.

Foi assim em A Incrível Verdade, seu primeiro longa-metragem. Também no seguinte, Confiança, no qual o significado da palavra-título é o que resta às personagens. Ao centro dele está Maria Coughlin (Adrienne Shelly), garota de temperamento forte, de rosto exposto à tela, maquiado, em close, enquanto discute com o pai e a mãe.

Ela está grávida e pretende deixar a escola para ser sustentada pelo namorado. Ao avisar a família da decisão, seu pai fica abalado e morre de ataque cardíaco. O problema é que o namorado não dá a mínima para ela e não quer colocar o futuro em risco ao assumir a gravidez. Ao voltar para casa, Maria é expulsa pela mãe e passa a vagar pela rua.

Ao mesmo tempo, o espectador conhece a jornada de Matthew Slaughter (Donovan), rapaz intempestivo que acaba de pedir demissão ao não concordar com as regras da empresa. Voltará a discordar de quase tudo, ocupando aqui o papel que era de Shelly em A Incrível Verdade: alguém que desconfia do mundo ao redor e não vê graça na vida.

Matthew tem um pai militar que esteve na Guerra da Coreia e termina próximo de Maria ao ir embora de casa. Hartley volta a se ocupar dos solitários, dos esquecidos, das pessoas que dizem besteiras – na parte cômica de suas obras – ao mesmo tempo em que explodem com palavras fortes e inesperadas – na parte supostamente dramática.

Seus amadores despregam-se da aparência dos jovens bobos – mas irresistíveis – dos anos 80, estereótipo ligado à comédia de John Hughes, e passam a adotar pitadas de mistério, realismo e acidentes próximos de um Jacques Rivette. Apela à escuridão, ou ao azul e ao metálico, à medida que o casal central de Confiança vê-se arrastado a um encerramento que os priva até mesmo do suicídio e da união.

Ainda assim um final esperançoso, feito pela troca de olhar, diferente do que se veria mais tarde em Amateur. É quando se realiza o cinema de Hartley, chegando à plena segurança da mise-en-scène, da condução de atores, do ritmo da obra. Seu absurdo agora não tem mais a forma adolescente dos encontros e desencontros em uma pequena cidade, com jovens caretas tão próximos de se libertar.

Ocupa-se dessa vez dos adultos, de uma história que envolve pornografia e uma grande corporação, ou, em resumo, de um trio que enfrenta a própria máfia. A teoria da conspiração torna-se real. A aventura ganha corpo. O homem da abertura, o próprio Donovan, tem menos que seus antecessores: é alguém que perdeu a memória.

Como antes, conta com a ajuda de uma mulher, a escritora e ninfomaníaca Isabelle (Isabelle Huppert). Machucado, ele acorda no asfalto e segue ao bar no qual ela escreve histórias para revistas eróticas, no qual recebe algumas negativas dos atendentes e mesmo dos frequentadores locais: vai ali para usar o espaço, não gasta nada.

Detalhes desse universo capitalista não cansam de dar as caras nos filmes de Hartley, seja na empresa que fabricou peças defeituosas em Confiança – e que pode ter causado uma fila de pessoas com televisões quebradas na porta da assistência técnica –, seja nos segredos escondidos em disquetes e que pertenciam a um grupo transnacional em Amateur. Ainda que tudo não passe de sinais passageiros.

Para além deles, Hartley explora o espírito desse mesmo universo, ou apenas seu resultado: seus filmes reproduzem seres solitários, urbanos, desesperados, prestes a se converter em assassinos ou suicidas. Da moça que abandona a família à ninfomaníaca que descobre o amor em um homem sem memória, Hartley reproduz um meio individualista pouco ou nada oculto pela comédia.

O homem sem memória aos poucos descobre seu passado. Ele atuava no mercado do sexo do qual sai a atriz pornô Sofia (Elina Löwensohn), responsável por lançá-lo da janela e fazê-lo se chocar com o asfalto. Amateur, com figuras curiosas e inegavelmente atraentes, funciona à base da estranheza, do acidente, de gente amadora.

São amadoras porque são humanas. Os profissionais são automáticos, assassinos, pessoas a quem o estado de improviso – a comédia de Hartley, por consequência – não faz o mínimo sentido. À frente, quando Huppert retorna ao convento em que estudou – onde pensava em ser freira e descobriu ter uma missão dada por Deus – com a roupa de couro de Sofia, o espectador percebe que as misturas do cineasta levam a um filme de achados, entre Hughes e Rivette, no qual nada deixa prever o passo seguinte.

(Trust, Hal Hartley, 1990)
(Idem, Hal Hartley, 1994)

Notas:
Confiança: ★★★★☆
Amateur: ★★★★☆

Foto 1: Confiança
Foto 2: Amateur

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