investigação

Z, de Costa-Gavras

A farsa impõe-se sem esforço: um dos generais, ainda no início de Z, fala em democracia, em excluir os “ismos” e é aplaudido por seus pares. A falsidade pertence aos fardados. Na maior parte do tempo, o fingimento corre em sala fechada, entre os mesmos homens que deveriam zelar pela verdade, mas que insistem em falsificar situações.

A oposição prepara-se para trazer a uma cidade de 500 mil habitantes o presidente de seu partido, deputado, ativista, homem sério que não se esculpe como herói. Alguns dos melhores momentos desse grande filme residem na forma como ele expõe sua seriedade, no momento em que caminha ao teatro em que vai discursar – entre uma pancada e outra, na ida e na volta. A segunda é fatal. Ele é vivido por Yves Montand.

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O que vem em seguida é a investigação, reconstituição minuciosa feita de recortes, sobretudo de cortes, de saltos (no mesmo plano, para outros), de velocidade invejável: um filme político com elementos cômicos, ao mesmo tempo uma fita policial sem muito requinte e que sufoca o espectador. Ou, como diria Pauline Kael sobre o diretor Costa-Gavras, “ele nos toma em seu poder e nos espreme para reagirmos como deseja”.

A impressão é a de ter sido atropelado pela enxurrada de imagens, a partir da montagem brilhante de Françoise Bonnot, desses recortes que se impõem, dessa maneira estridente de falar de tantas coisas ao mesmo tempo sem que nada caia, sem que se perca um segundo sequer dos fios que se entrelaçam. Cinema exemplar a serviço de uma causa.

Não se duvida das intenções políticas. Por outro lado, o que fica mesmo é a luta da liberdade contra o autoritarismo. Não são necessários nomes por aqui – nem de partidos, nem de pessoas, nem da cidade ou do país em que é ambientada essa história veloz. Está tudo ali, escrito, sem que seja necessário explicitar. E se é para se criticar, que se faça de dentro para fora, na redoma dos leões, aqui feitos idiotas graças à força cômica.

Comédia, sim, e outra vez a serviço do teatro tosco. Não estranha que os honestos não encontrem um teatro e que o político recém-chegado seja morto em praça pública, como que jogado às bestas, à redoma de pessoas que viram tudo e nada. O que todos enxergaram, sob o risco do açoite, foi mesmo um atropelamento, não a cacetada.

Outras vêm, outras quase são dadas: um homem recebe uma paulada, no meio da rua, e logo um grupo de apoiadores fascistas recobre-o em sombras para dizer que o mesmo caiu e bateu a cabeça. Outra vez, a farsa. Depois, no hospital, esse homem – testemunha tão importante, que conhece um dos assassinos do ativista – é visitado por outro matador. Por pouco não perde a vida: estava ali, na sala vazia e enorme, branca, um jornalista (Jacques Perrin).

Diferentes personagens cruzam-se nesse filme político. Um deles, o juiz que investiga o caso, é interpretado por Jean-Louis Trintignant, soturno, escondido nos óculos escuros. Curiosamente, a investigação é levada à frente pelo homem ao centro, despolitizado, a quem a verdade insinua-se: fala antes de “incidente” e, mais tarde, talvez sem perceber, encontra o termo “assassinato”. Descortina o abuso. O filme prefere a seriedade.

Na sala do juiz, perto do encerramento, os militares ocultam a comédia nas fardas, nas medalhas, mas ela logo ganha a vez na dissimulação, na porta que não abre. Eles – um a um, encurralados pelos mesmos jornalistas – não escapam. Pena que as boas intenções não resistam à força: o epílogo explica a tragédia, quando as vítimas desse jogo voltam a ser encurraladas, sem que, a despeito do cômico, abra-se espaço ao alívio.

Sobre o político assassinado, alguns flashes, ou cortes, dão luz ao passado. Um passado incerto, misterioso, e talvez até ele – “acima de qualquer suspeita” – tenha lá seus pecados. Em frente a uma loja, sorri à mulher que ajeita a peruca sobre o manequim e retorna, em lembranças, à face de uma mulher que retira a própria peruca.

Sua mulher (Irene Papas), à força, entre um movimento e outro, também segue ao passado enquanto aguarda, quase sempre em silêncio, notícias do marido. Não ao passado distante. Um passado vivo, doloroso, pelos recortes que compõem esse filme magistral, no qual o espectador em momentos é golpeado pela farsa, em outros pelo humanismo.

(Idem, Costa-Gavras, 1969)

Nota: ★★★★★

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The Post: A Guerra Secreta, de Steven Spielberg

São várias as “invasões” da mulher aos ambientes dominados por homens ao longo de The Post: A Guerra Secreta, de Steven Spielberg: no restaurante, na Bolsa de Valores ou em qualquer sala de decisões. Em cena, Katherine Graham aos poucos revela poder e liderança.

Mais interessante é o contraste entre os ambientes de Graham e os do editor do jornal que ela comanda, Ben Bradlee. De um lado, com ela, vê-se a bela casa de móveis opacos, de luz entre cortinas, quente e aparentemente protegida. O dele, no jornal, é frio, em certa medida impessoal. O filme é sobre como Graham migra ao espaço de Bradlee.

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Diz-se muito sobre o filme como veículo para evidenciar, nos tempos de Trump, a importância da imprensa. É verdade. Está tudo lá. Por outro lado, é o choque entre universos – o masculino e o feminino – que nutre esse belo filme de ação em diálogos, de salas fechadas, do tempo em que o jornalismo ainda tinha certo charme.

O filme é de Graham (ou Meryl Streep), não de Bradlee (ou Tom Hanks). Ou sobre como ela, ao peitar o homem mais poderoso de seu país, o então presidente Richard Nixon, enfim será vista – no filme, ao menos – pelo espaço aparentemente impessoal da redação do jornal, no qual homens e mulheres servem-se de montanhas de papel, com som alto, feito do bater à máquina, para dar vida à linha de produção do periódico.

Ela, ao lado dele, será vista, ao fim, entre essa linha. É como se Spielberg dissesse que a dama, enfim, faz parte daquele meio de máquinas, metálico, aparentemente – ou quase sempre associado ao – masculino. Um filme sobre como a mulher luta para escapar à grande casa aconchegante e saltar ao ambiente de astutos como Bradlee.

O espectador, por isso, em momento algum ficará na zona de conforto: é a ela, não a ele, que resta a última palavra. Ao que parece, a mulher não será capaz de dar o “sim” tão desejado. E se dá, é contra as expectativas: suas mãos tremulam quando precisa autorizar a publicação.

O impasse entre os sexos, nesse jogo de poder, é interessante: Bradlee deixa suas certezas, mas nunca pode ir até o fim, ou mudar tudo; Graham, ao contrário, pode autorizar o lançamento das “bombas”, ainda que suas relações com homens de poder, em sua mesma casa de belo jardim, pareça sempre colocá-la um passo atrás.

E há, claro, a grande história em questão, o que move The Post em sua superfície: o vazamento dos conhecidos “papéis do Pentágono”, documentos que comprovam como diferentes líderes de Washington, por anos, souberam da fragilidade dos soldados no Vietnã, o que custou a vida de muitas pessoas na continuidade de uma guerra perdida.

Quem dá o furo é o jornal concorrente, o New York Times. O Post corre atrás do prejuízo: Bradlee logo entende a necessidade de publicar os mesmos documentos, ainda que a justiça americana tenha barrado a investida da imprensa. A luta fica mais difícil, envolve também os futuros negócios do mesmo Washington Post: levado ao capital aberto da Bolsa de Valores, com Graham na ponta da mesa repleta de homens às bordas, o jornal, segundo os novos investidores, deveria ter cuidado na publicação de matérias do tipo.

O dinheiro tem seu peso. O destino do jornal também. Parte do filme apresenta a movimentação dos jornalistas em busca da notícia; outra parte, a movimentação de Graham entre graúdos, entre seus advogados, entre todos os homens que, à exceção de Bradlee, tentam convencê-la a não publicar a matéria sobre os “papéis do Pentágono”.

Em vão. E não se trata aqui de revelar o desfecho. O filme de Spielberg vai além. Sua grandeza está na ambientação, na transformação e na força inesperada da personagem feminina, ao mesmo tempo na caracterização certeira de Streep. Fechada, presa ao espírito dos homens que a antecederam, alguém que não precisa de discursos calculados – como a Margaret Thatcher da mesma atriz – para expor força e coragem.

(The Post, Steven Spielberg, 2017)

Nota: ★★★★☆

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Um Misterioso Assassinato em Manhattan, de Woody Allen

O contraponto à imaginação de Carol é a dúvida de Larry: enquanto ela acredita que o vizinho tenha matado a própria mulher, ele insiste que isso não passa de delírio. O suposto crime surge como possibilidade de mudança à vida do casal.

Como em Janela Indiscreta, mas sem a janela, e no campo da comédia. E com um casal com anos de vida a dois, em um mesmo apartamento, que esbarra em seu vizinho pelo corredor do prédio. Ela, falante, quer se aproximar do estranho, ao contrário dele, retraído e engraçado, que luta para seguir em sua vida pacata.

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um misterioso assassinato em manhattan

Em Um Misterioso Assassinato em Manhattan, o homem da relação é vivido pelo próprio diretor, Woody Allen, perfeito como alguém em dúvida, que esnoba as possíveis aventuras da vida, ou que simplesmente tem medo.

O comodismo da personagem transmite um pouco do próprio Allen, limitado a certos ambientes, criações, histórias de pessoas reais em seus apartamentos frios de Manhattan. Por outro lado, a trama empurra a obra sempre à ficção: é a história de um assassinato que talvez tenha ocorrido, ou apenas a insistência em ver em excesso.

Volta-se, assim, a Janela Indiscreta, à dúvida que paira por algum tempo. Ao observar os vizinhos pela janela, a personagem de James Stewart começa, aos poucos, a dar “vida” a cada uma delas, a lhes conferir “contornos”. A tal história.

No filme de Allen, tal necessidade cabe à personagem de Diane Keaton, sua parceria em trabalhos anteriores e marcantes. Como Carol, ela encontra no crime do vizinho a possibilidade de mudar a rotina: é sua fonte de felicidade, a grande descoberta.

Larry demora a acreditar nela. Até então, a mulher já invadiu o apartamento do assassino, já o seguiu pelas ruas de Nova York e talvez já tenha cruzado, em mente, todas as possibilidades que o teriam levado a matar a própria mulher – com pitadas de cinema, claro, o que remete a outro clássico: Pacto de Sangue, de Billy Wilder.

um misterioso assassinato em manhattan2

A certa altura, eles vão ao cinema assistir à obra-prima noir da década de 40. É sobre uma mulher esperta que se une a um corretor de seguros para matar o próprio marido. Nos crimes à tona, há sempre dinheiro e amantes, o que não escapa à obra de Allen.

À medida que avança, fica ainda melhor: o diretor acrescenta passagens que beiram o surreal – o que só aumenta a dúvida sobre o suposto delírio, o “ver em excesso” – e coloca outras personagens marcantes, como o amigo cheio de imaginação interpretado por Alan Alda e a escritora e cliente de Larry, vivida por Anjelica Huston.

Na melhor sequência do filme, todos conversam sobre o que teria levado o vizinho a matar a mulher. À exceção da própria Carol, todos se aproximam cada vez mais. É como se a história não mais lhe pertencesse. Começa a tomar novas dimensões.

O que, não por acaso, leva à arquitetura de uma investigação que esbarra no próprio cinema: inclui testes de atores, câmeras, sala de edição.

À frente, nova referência, de novo a uma grande obra, A Dama de Shanghai, de Orson Welles, com a reprodução da clássica cena da sala de espelhos. O cinema é reflexo, não realidade bruta. É “ver em excesso”, com crimes, aventuras e boas gargalhadas.

(Manhattan Murder Mystery, Woody Allen, 1993)

Nota: ★★★★☆

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Dois Caras Legais, de Shane Black

A paranoia ao fundo de Dois Caras Legais é típica dos anos 70, tempo em que o cinema americano dedicou-se a filmes sobre grampos ilegais, situações políticas espinhosas, além de uma coleção de anti-heróis.

Não por acaso, o fantasma de Richard Nixon retorna no filme de Shane Black. A certa altura, a personagem de Russell Crowe, Jackson Healy, conta ao parceiro Holland March (Ryan Gosling) a história de um homem que viu Nixon, o verdadeiro, pouco antes de morrer. É o bastante para que o ex-presidente figure como assombração.

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dois caras legais

Antes, quando os protagonistas encontram-se em um banheiro, March esconde as partes íntimas com um revista. O rosto de Nixon novamente surge na tela, ao contrário, na capa da publicação. Difícil escapar a esse fundo incômodo, mesmo como comédia.

A paranoia e os sinais sombrios da época ainda assim ficam como estofo: o que salta é a comédia, a fusão desses dois homens legais, violentos, atrapalhados.

O filme é rápido, serve-se da piada inusitada, também de situações absurdas. A intenção de Black é pegar o espectador sempre desprevenido, enquanto sinais paralelos não cansam de apontar ao típico filme policial que passa longe de ser.

March, detetive frustrado, beberrão, é contratado por uma senhora para encontrar sua sobrinha, atriz pornô. Healy, que ganha alguns trocados batendo em homens que se aproveitam de garotas, é contratado por outra atriz para “dar um jeito” em March. Dessa confusão brota a parceria entre eles, os tais “caras legais”.

O mais jovem e beberrão não esconde a pouca habilidade em lidar com situações violentas, mas tem algo a acrescentar com o cérebro. E com ele vem a filha pequena, dona dos “genes do pai”, como o próprio brinca, a certa altura.

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A menina está sempre ao lado dos homens, por acidente ou mesmo por curiosidade: é uma daquelas pequenas peças que fazem toda a diferença, pré-adolescente que não se envolve na comédia apenas para dizer besteiras ou figurar como vítima.

A menina aparece duas vezes, em dois momentos distintos, para lembrar Healy que não é certo matar homens em serviço. Em uma festa, ela assiste a um filme pornográfico ao lado de sua atriz para tentar levantar informações que levem à jovem desaparecida.

Vivida por Angourie Rice, a menina parece ser mais velha do que aparenta. O pai, ao contrário, vende-se como jovem, com roupas extravagantes. Desse bolo de personagens inesquecíveis sai um filme americano cômico acima da média.

O diretor e roteirista Black, autor da série Máquina Mortífera, é chegado às estranhas fusões entre homens e aventuras regadas à comédia. O principal acerto de Dois Caras Legais é não vender heróis concretos, mas seres de mentira, para não levar a sério. Frente a frente com o risco, em meio a tiros, eles simplesmente preferem fugir.

Curiosamente, e mesmo com evidente exagero, o filme extrai verdade com o clima da época, suas festas cheias de luzes e brilho, suas músicas tão lembradas, seus bandidos de ternos coloridos, com os filmes “experimentais” e comentários sobre abelhas – que quase passam despercebidos –, esses insetos que sempre alimentam pânico e paranoia.

(The Nice Guys, Shane Black, 2016)

Nota: ★★★☆☆

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Pecados Antigos, Longas Sombras, de Alberto Rodríguez

Folhetos com ofertas de emprego atraem belas meninas do interior da Espanha. É o tempo do fim da ditadura de Franco, com a promessa – e a propaganda – de um novo mundo. Criminosos utilizam esse momento de passagem tão bem quanto as autoridades: cada lado tem seus motivos para fazer os outros acreditarem nas mudanças.

Os dois policiais de Pecados Antigos, Longas Sombras enfrentam os sinais do mundo passado, da Espanha à sombra de Franco, enquanto se insinuam mudanças.

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Ao chegarem ao quarto do hotel da pequena cidade à qual são enviados para investigar o desaparecimento de duas meninas, um deles, Pedro (Raúl Arévalo), logo trata de guardar o crucifixo que estava pregado na parede, com fotos de ditadores.

O amigo preocupa-se menos com esse fundo político, com os fantasmas do passado: ele próprio, aparentemente perto da morte, já esteve entre os homens de Franco. Juan (Javier Gutiérrez) é falador, mulherengo, e quer apenas levar o trabalho à frente.

Não será fácil: cada nova pista sobre as meninas faz esbarrar em outro caminho. Por ali, política, tradições, selvageria, tortura, tudo leva a pensar na dificuldade de fazer perguntas, de tentar entender a origem dos problemas.

Os policiais – cada um a representar um momento da Espanha, e ambos no mesmo ponto, na transformação do país – buscam respostas. Pedro tem mais a perder. Juan viveu muito, tem uma história palpável, também problemática.

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As meninas, conhecidas por serem “fáceis”, teriam sido seduzidas pela promessa de trabalhar em uma cidade grande e deixar o interior, sob os efeitos do sonho e da ideia de liberdade. Outras meninas – ou todas – também sonham com a possibilidade de escapar.

Por isso, o filme de Alberto Rodríguez não oferece apenas uma crítica ao passado, à mão pesada do regime franquista: o que se impõe é a ilusão com o futuro. E disso resulta um filme poderoso a partir de uma investigação. Ao mesmo tempo, os protagonistas relutam em olhar à questão com mais profundidade.

Às aparências, envolve a caçada a um serial killer, que estaria matando as jovens após abusar delas. Mas o caso vai além: os policiais descobrem que há homens poderosos aliciando as meninas com a ajuda de um rapaz da cidade.

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O espectador terá dificuldade para fechar a jogo, encaixar todas as peças. Ao deixar a trama suspensa, Rodríguez coloca o público na cegueira desses tempos, no começo dos anos 80. O ambiente visto do alto, dos céus, confere a ideia de que é possível enxergar o cenário com clareza, compreender o tabuleiro. Ledo engano.

O mapa que se desenha é outro, íntimo, menor – o do homem que urina sangue e vê a própria morte, o dos animais que explodem na tela, como patos, peixes dilacerados e cervos mortos, ou o da chuva que impede a visão e esconde o assassino.

Aqui, melhor é não saber. Nessa nova democracia, como branda um líder, a verdade precisa ser exposta, é necessário justiça. Será que tudo poderá ser colocado às claras, como em uma verdadeira democracia? Por questões como essa, o filme é mais político que policial, com fantasmas que ainda persistem.

Nota: ★★★★☆

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