heroínas

Três heroínas de 2015

Heroínas como Katniss Everdeen, da série Jogos Vorazes, são, para muitos jovens frequentadores de cinema, um modelo a ser seguido – às vezes frágeis, às vezes fortes.

A certa altura do novo filme da série, A Esperança – O Final, ela precisa dizer, mais de uma vez, que não há o que fazer senão matar o vilão. É como se justificasse, em outras palavras, o impensável: o único caminho à esperança passa pela morte.

jogos vorazes

A mesma heroína, bela e jovem, não consegue enxergar o que parece óbvio a qualquer adolescente: ela está sendo manipulada pelos líderes rebeldes.

Na verdade, a corajosa Katniss (Jennifer Lawrence) apenas muda de lado, mas continua como sempre. Sai da redoma dos jogos, vistos no primeiro e segundo capítulos, e cai na redoma do mundo real, espaço em que a manipulação dói ainda mais.

Contra essa manipulação de fundo político, a esperança é a própria heroína: emoção pura, menina que não esconde suas lágrimas e seu amor pelo próximo, representação de um cinema juvenil feito para agradar o chamado “público médio”.

Se no mundo à beira do caos de Katniss ainda pode ser salvo, o mesmo não se pode dizer do mundo desértico da Furiosa de Charlize Theron (abaixo) em Mad Max: Estrada da Fúria. Dominado por um ditador que joga água sobre os maltrapilhos com sede, ela quer fugir e, talvez, reencontrar um velho e belo mundo, o paraíso inexistente.

mad max estrada da fúria

Nesses filmes, mais diferentes do que parecem, o ambiente e as possibilidades para o futuro dizem muito sobre suas guerreiras futuristas.

Em Mad Max, o “paraíso”, lá pela metade do filme, revela-se um campo sujo, escuro, com quase nenhuma vida. O paraíso virou inferno. Diferente da possibilidade de terminar com beleza, como Jogos Vorazes, o que resta é o caos.

Não que seja mais realista por isso. O realismo, no caso do filme de George Miller, tem a ver com a abordagem: a rejeição a heróis infantis como Katniss, levados a derrotar o mal com doses pesadas de manjado sentimentalismo.

Furiosa encontra a perda em sua corrida para salvar outras moças do ditador malvado. Vai ao deserto para continuar nele, preso à sua vastidão – depois obrigada a retornar a seu ponto inicial, em guerra, sob os gritos dos maltrapilhos.

Outro tipo de heroína, dessa vez realista, é a Sandra de Marion Cotillard (abaixo). Em Dois Dias, Uma Noite, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, ela não encontra nem a destruição nem a salvação, e precisa revelar bravura a partir de suas complicações.

dois dias uma noite1

Antes dos outros, enfrenta a si mesma, suas crises, seu espelho. Sandra esteve afastada do emprego devido à depressão. Aparentemente recuperada, descobre que sua cabeça foi colocada a prêmio em seu trabalho: os outros funcionários tiveram de escolher entre um bônus em dinheiro e a permanência da protagonista no cargo.

De porta em porta, tem início a peregrinação de Sandra: ela terá de convencer os outros a votar a seu favor e contra o bônus, enquanto quase todos enfrentam problemas financeiros. Crise econômica de um lado, humana de outro.

O cinema, então, permite a existência de uma heroína adulta, sem esconder fraquezas, que encontra na rendição, ao fim, sua vitória. Serve um público adulto, interessado em heróis que compreendem ser menores que o mundo, seu sistema e sua política suja.

Veja também:
Mulheres fortes (em 50 filmes)

Mulheres fortes (em 50 filmes)

As mulheres da lista abaixo lutam para encontrar espaço em um mundo de homens, um mundo de problemas. Tentam quebrar barreiras, às vezes assumir a posição de homens, vestir roupas de homens ou mesmo ser um homem. Nem sempre elas têm sucesso.

Algumas não querem ser homens. Sorte delas. São mulheres fortes – nem sempre heroínas – em sociedades conservadores, ou em jornadas nas quais descobrem seus limites, em batalhas no universo do faroeste, da guerra, da espionagem, da política, da ficção científica e, talvez a maior de todas, da maternidade.

Foram excluídas as vilãs, também as clássicas damas fatais. Nem por isso todas as mulheres abaixo são amadas com facilidade. Algumas inspiram, outras chocam. Todas deixam uma marca na história do cinema e merecem ser lembradas.

50) Shosanna (Mélanie Laurent), em Bastardos Inglórios

bastardos inglórios

49) Salma Zidane (Hiam Abbass), em Lemon Tree

lemmon tree

48) Julie (Bette Davis), em Jezebel

jezebel

47) Otilia (Anamaria Marinca) e Gabita (Laura Vasiliu), em 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias

4 meses 3 semanas e 2 dias

46) Karen Hill (Lorraine Bracco), em Os Bons Companheiros

os bons companheiros

45) Laura Reynolds (Elizabeth Taylor), em Adeus às Ilusões

adeus às ilusões

44) Gloria (Jane Fonda), em A Noite dos Desesperados

a noite dos desesperados

43) Alicia Huberman (Ingrid Bergman), em Interlúdio

interlúdio

42) Isadora (Fernanda Montenegro), em Central do Brasil

central do brasil

41) Karen Silkwood (Meryl Streep), em Silkwood – O Retrato de uma Coragem

silkwood

40) A mulher do médico (Julianne Moore), em Ensaio Sobre a Cegueira

ensaio sobre a cegueira

39) Julia (Vanessa Redgrave) e Lillian (Jane Fonda), em Julia

julia

38) A Noiva (Uma Thurman), em Kill Bill: Volume 1 e 2

kill bill vol 2

37) Capitã Anne Providence (Jean Peters), em A Vingança dos Piratas

a vingança dos piratas

36) Mamma Roma (Anna Magnani), em Mamma Roma

mamma roma

35) Marie “Slim” Browning (Lauren Bacall), em Uma Aventura na Martinica

uma aventura na martinica

34) Sandra (Marion Cotillard), em Dois Dias, Uma Noite

dois dias uma noite1

33) Rosa Luxemburgo (Barbara Sukowa), em Rosa Luxemburgo

rosa luxemburgo

32) Karen (Ingrid Bergman), em Stromboli

stromboli

31) Brandon Teena (Hilary Swank), em Meninos Não Choram

meninos não choram

30) Naomi Murdoch (Barbara Stanwyck), em Desejo Atroz

desejo atroz

29) Marge Gunderson (Frances McDormand), em Fargo

fargo

28) Gilda Mundson Farrell (Rita Hayworth), em Gilda

gilda

27) Monika Eriksson (Harriet Andersson), em Mônica e o Desejo

mônica

26) Louise Bryant (Diane Keaton), em Reds

reds

25) Eva Hermann (Hedy Lamarr), em Êxtase

extase

24) Lisbeth Salander (Rooney Mara), em Os Homens que Não Amavam as Mulheres

millenniun os homens que não amavam as mulheres

23) Manuela (Cecilia Roth), em Tudo Sobre Minha Mãe

tudo sobre minha mãe

22) Carmen Jones (Dorothy Dandridge), em Carmen Jones

carmen jones

21) Margo Channing (Bette Davis), em A Malvada

a malvada

20) Maria (Izolda Izvitskaya), em O Quadragésimo Primeiro

o quadragésimo primeiro

19) Nikita (Anne Parillaud), em Nikita – Criada para Matar

nikita

18) Julie Vignon (Juliette Binoche), em A Liberdade é Azul

a liberdade é azul

17) Louise Sawyer (Susan Sarandon) e Thelma (Geena Davis), em Thelma & Louise

thelma e louise

16) Jessica Drummond (Barbara Stanwyck), em Dragões da Violência

dragões da violência

15) Lucia Harper (Joan Bennett), em Na Teia do Destino

na teia do destino

14) Bonnie Parker (Faye Dunaway), em Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas

bonnie & clyde

13) Rachel Cooper (Lillian Gish), em O Mensageiro do Diabo

o mensageiro do diabo

12) Pearl Chavez (Jennifer Jones), em Duelo ao Sol

duelo ao sol

11) Karen Blixen (Meryl Streep), em Entre Dois Amores

entre dois amores

10) Rainha Christina (Greta Garbo), em Rainha Christina

rainha cristina

9) Eve Olivier (Jeanne Moreau), em Eva

eva

8) Ryan Stone (Sandra Bullock), em Gravidade

gravidade

7) Norma Rae (Sally Field), em Norma Rae

norma rae

6) Gloria Swenson (Gena Rowlands), em Gloria

gloria

5) Kelly (Constance Towers), em O Beijo Amargo

o beijo amargo

4) Ripley (Sigourney Weaver), Alien, o Oitavo Passageiro

alien

3) Clarice Starling (Jodie Foster), em O Silêncio dos Inocentes

o silêncio dos inocentes

2) Scarlett O’Hara (Vivien Leigh), em E o Vento Levou

e o vento levou

1) Vienna (Joan Crawford), em Johnny Guitar

johnny guitar