Fuga do Passado

O filme noir segundo James Ellroy

Para mim, filme noir é o seguinte: um legítimo movimento cinematográfico, genericamente americano, que foi de 1945 a 1958 e expôs um grande tema, no qual você está f… Você acabou de conhecer uma mulher, está a poucos passos da melhor transa da sua vida, mas nas seis semanas desde esse acontecimento você será acusado de um crime que não cometeu e acabará numa câmara de gás. E enquanto é amarrado e está a ponto de aspirar cianureto agradecerá pelas poucas semanas que passou com ela e também pela própria morte.

James Ellroy, escritor, na abertura do documentário Filme Noir: Iluminando a Escuridão, presente nos extras da coleção Filme Noir Vol. 6 (Versátil Home Vídeo). Ellroy escreveu livros que deram origem a filmes banhados no estilo noir, como Los Angeles: Cidade Proibida e Dália Negra. Abaixo, a dama fatal Jane Greer em Fuga do Passado.

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Kirk Douglas, 100 anos

Não se pode dizer que Kirk Douglas será lembrado por um filme menor. Spartacus é uma grande obra. Stanley Kubrick, à época, não era um diretor das primeiras fileiras de Hollywood. Após ter trabalhado com o jovem cineasta em Glória Feita de Sangue – que é melhor que o seguinte – Douglas decidiu levá-lo para Spartacus.

Não apenas ele. O ator e coprodutor do épico de 1960 bancou o nome de Dalton Trumbo no roteiro. Uma ousadia: Trumbo integrava a Lista Negra de Hollywood, a apontar os comunistas “infiltrados” na indústria do espetáculo. Por anos, Trumbo teve de assinar roteiros com pseudônimos. Seu retorno marcou o início do fim do período.

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A ação de Douglas revela alguém tão combativo dentro das telas quanto fora. Algumas de suas melhores interpretações remontam à imagem: o homem intenso em cada ato, explosivo em diferentes personagens. Spartacus, de escravo a líder de uma revolução, é apenas um deles. Seus vilões também merecem lugar de destaque.

Mito vivo, o ator completou 100 anos em dezembro de 2016. Em seu terceiro filme, o noir Fuga do Passado, ele interpreta o vilão Whit, em cena com o protagonista Robert Mitchum. Os atores voltariam a se encontrar mais tarde em Desbravando Oeste. Mitchum como o guia pacato, Douglas como o ambicioso desbravador.

Apesar do sucesso Quem é o Infiel?, em outro papel menor, Douglas chegou de vez ao estrelato com O Invencível, de 1949, que lhe valeu a primeira indicação ao Oscar de melhor ator. A segunda veio em seu grande momento nas telas, o papel do produtor de cinema sem escrúpulos de Assim Estava Escrito, no qual atua ao lado de Lana Turner.

De queixo perfurado, sua marca registrada, o ator viveria o pintor van Gogh em Sede de Viver. Outra grande interpretação, outra indicação ao Oscar – perdendo para o Yul Brynner de O Rei e Eu, musical com todos os traços do cinema clássico da época.

Pouco antes, a face cínica de Douglas serviu bem ao diretor mais ácido da Hollywood clássica: Billy Wilder. Produto das pitadas de sexo da comédia screwball, sempre a zombar de regimes totalitários, Wilder, com Douglas, voltou suas armas à imprensa americana da época em A Montanha dos Sete Abutres.

Em um local perdido no mapa, ele, Chuck Tatum, vê a oportunidade de dar uma virada em sua carreira de jornalista. Aproveita-se de uma vítima presa em uma mina, manipula autoridades e a opinião pública para fabricar, dias a fio, novas manchetes.

A energia de Douglas produzia grandes personagens como Tatum. Magnífica, de estranha atração apesar de corrupta. A mesma levaria ao oposto, ao destemido coronel Dax de Glória Feita de Sangue. Difícil não se emocionar com sua convicção ao defender três soldados condenados à morte. Bom ou mau, há sempre o grande ator.

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Os dez melhores filmes de Jacques Tourneur

Nem sempre lembrado, Jacques Tourneur deixou um legado de grandes filmes, com obras variadas, do terror ao noir, da aventura à comédia macabra. Francês, ele foi para Hollywood na companhia do pai, o também diretor Maurice Tourneur, por volta de 1913, quando, em termos de narrativa, o cinema ainda engatinhava.

Entre os filmes curiosos de Tourneur está Quando a Neve Voltar a Cair, de 1944, raro filme americano que exalta o heroísmo soviético durante a Segunda Guerra – antes do clima doentio da Guerra Fria. É também o primeiro filme do futuro astro Gregory Peck.

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Outro ponto a destacar foi sua incursão à típica aventura americana em O Gavião e a Flecha, com Burt Lancaster encarnando o típico herói cativante, à la Robin Hood, que precisa salvar o filho e termina nos braços de uma princesa (Virginia Mayo). Entre altos e baixos, o diretor deixa uma bela filmografia. Abaixo, seus dez melhores.

10) A Maleta Fatídica (1957)

A abertura desse bom policial resume o cinema de Tourneur: o protagonista, que talvez não seja tão mau quanto parece, não suporta viver sob as luzes da cidade.

a maleta fatídica

9) Choque de Ódios (1955)

O herói Wyatt Earp segue para Wichita, no Kansas, com a promessa de progresso. Tudo muda quando o herói envolve-se com um bando de vaqueiros e termina como xerife.

choque de ódios

8) A Vingança dos Piratas (1951)

À frente, o típico filme de aventuras hollywoodiano; ao fundo, a saída para Tourneur explorar o feminismo na forte Jean Peters (que faria Anjo do Mal com Samuel Fuller).

a vingança dos piratas

7) O Homem-Leopardo (1943)

Como em outras obras do diretor, não se deve duvidar do sobrenatural, e, às vezes, os homens mais controlados revelam inesperada selvageria. Filme B de grandeza inegável.

o homem leopardo

6) Paixão Selvagem (1946)

Outro faroeste exemplar de Tourneur, no qual o herói de Dana Andrews descobre que, na dúvida, melhor é libertar um acusado de assassinato do que cometer injustiça.

paixão selvagem

5) A Noite do Demônio (1957)

Andrews, de novo, assume o protagonismo e luta contra forças ocultas. Mesmo com evidentes limitações técnicas, o clima de terror garante ótima experiência.

a noite do demônio

4) A Morta-Viva (1943)

Não é o primeiro filme de zumbi da história do cinema, mas está entre os melhores do gênero terror. É sobre pessoas perdidas em meio ao misticismo – tema recorrente na obra do diretor.

morta viva

3) O Testamento de Deus (1950)

Joel McCrea serve à perfeição ao papel central, o pastor de uma cidade atingida por diferentes problemas. História bela e nostálgica, lembrança de uma infância perdida.

2) Sangue de Pantera (1942)

Para Scorsese, esse filme foi tão importante ao cinema americano quanto Cidadão Kane. Na história, uma bela mulher assume a forma de uma pantera e comete crimes.

sangue de pantera

1) Fuga do Passado (1947)

Obra-prima noir de final surpreendente, com Robert Mitchum como o homem de passado obscuro e Jane Greer como a perfeita dama fatal, a desestabilizar o universo do parceiro.

fuga do passado

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As dez melhores damas fatais do cinema noir

Elas fazem o cinema noir ainda mais interessante e este, é certo, não seria a mesma coisa sem elas. Belas e perigosas, fazem entender o que leva um bando de homens à desgraça. E, antes que alguém aponte à ausência de Gilda ou Laura, a lista abaixo – com as dez mais – traz apenas mulheres que tiveram a clara intenção de acabar com a vida dos outros e, de uma forma ou de outra, são vilãs. Às belas.

10) Jean Simmons em Alma em Pânico (1952)

Jean Simmons

9) Ida Lupino em Dentro da Noite (1940)

ida lupino

8) Mary Astor em O Falcão Maltês (1941)

mary astor

7) Lana Turner em O Destino Bate à Sua Porta (1946)

lana turner

6) Ann Savage em Curva do Destino (1945)

DETOUR, Ann Savage, Tom Neal, 1945, lamppost

5) Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses (1950)

Gloria Swanson

4) Ava Gardner em Os Assassinos (1946)

Ava Gardner

3) Jane Greer em Fuga do Passado (1947)

Jane Greer

2) Gene Tierney em Amar Foi Minha Ruína (1945)

Gene Tierney

1) Barbara Stanwyck em Pacto de Sangue (1944)

Barbara Stanwyck