Fritz Lang

Uma mulher contra todos: Gloria Grahame em dois filmes de Fritz Lang

Coitados os homens que precisam duelar – ou mesmo dividir a cena, a menor delas – com Gloria Grahame. Com seus pulinhos em Os Corruptos ou a dubiedade que expressa em Desejo Humano, ela serviu duas vezes o cineasta Fritz Lang, quando sua incursão pelo filme noir, marcada por luzes e sombras, dava mais espaço ao realismo.

De um filme para outro, entre 1953 e 1954, ambos com Grahame e Glenn Ford à frente do elenco, o diretor austríaco passa de uma fita policial de heróis e vilões a algo diferente, à história trágica sobre seres sem rumo, a partir do livro de Émile Zola, tão amarga quanto aquela vista em Fúria, seu primeiro filme nos Estados Unidos.

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É possível dizer também que Lang vai do filme de gênero ao drama de difícil classificação, ao policial que não quer ser o que parece, ao seio de um país que se molda (ainda) à beira da linha de ferro, cercado por desamor, exploradores, bêbados traídos, homens que retornam da guerra para não encontrar nada e mulheres traidoras.

Nos dois filmes, Grahame domina a cena de maneiras diferentes. Primeiro como vítima, depois como predadora. O principal sinal da mutação de Lang, de um para outro, estará nela: a mulher que recusa o papel de coadjuvante, que decide tomar a frente dos problemas, em Os Corruptos, para ao fim matar alguém; ou a mulher que, cansada dos homens, de todos eles, ainda se vê inclinada a um universo de ferro e máquinas, suor e graxa, em Desejo Humano.

Como a Debby Marsh de Os Corruptos, ela começa brincando, termina assassinada e com o rosto desfigurado. Justo ela que sonhava com a boa vida – e, à sua maneira, já a vivia. Ela que resolveu namorar um bandido perigoso, um tal Vince Stone (Lee Marvin), e que não tinha medo de dizer para ele – na presença dos outros – o que lhe vinha à mente.

Marsh é uma figura bondosa demais para um filme policial do tipo. A mulher segunda, que pensa menos, feita para viver de momentos. Diferente da Vicki Buckley de Desejo Humano, ela não tem passado. A primeira está entre bandidos e policiais, ricos e pobres; a segunda, entre homens de todos os tipos, um pouco semelhantes.

Aos primeiros, pode servir como objeto sexual e um pouco mais: no cinema de gênero em questão, encontra abertura inclusive para protagonizar a reviravolta final e matar uma figura-chave, a mulher que esconde uma carta de confissão do marido suicida, documento que põe em evidência uma rede criminosa da grande cidade.

A carta que surge em Desejo Humano, ao contrário, servirá para incriminá-la, elo entre a dama perigosa e um homem assassinado no interior de um trem, crime que, apesar do peso que exerce na história, serve mais para mostrar o interior das diferentes personagens – a começar por ela – que se cruzam no vagão em movimento.

Vicki havia se encontrado com a vítima um dia antes de subir naquele vagão. Seu marido, Carl (Broderick Crawford), perdeu o emprego e, para recuperá-lo, pede que ela vá ao encontro do dono da empresa, alguém que a mulher conhece. O problema é que ela presta favores sexuais para que esse homem devolva o trabalho para seu marido perdedor; quando este descobre, segue ao trem, na companhia dela, e mata o amante rico.

O principal oponente de Grahame, nos dois casos, não tem chance: é o quadrado e constantemente correto Glenn Ford. Primeiro como o policial que deseja se vingar dos homens que mataram sua esposa (Jocelyn Brando) em Os Corruptos; no outro filme, como o protagonista acidental, vítima dos desejos, maquinista confinado à vida de idas e vindas sobre os trilhos, que não compreende por que Vicki casou-se com Carl.

Nesse caso, o espectador compreende. Faz sentido: Vicki, a mulher, viu-se perdida no mundo, precisou mais de alguém para protegê-la do que para amá-la, viveu para estar à sombra deles, sendo fundamental para ajudá-los, ou para ser usada.

E quando precisa fugir da cabine do trem em que o amante está morto, a pedido do marido fracote, de novo termina nos braços de outro homem, Jeff Warren (Ford). Para ela, esse novo companheiro será uma saída, um recomeço. Poderia ser qualquer um, mas Jeff, é preciso concordar, serve com perfeição à função do ludibriado da vez.

Grahame não chega a ser vilã ou heroína em nenhum dos dois filmes. Mesmo no segundo, o qual domina, é feita vítima ao fim. A atriz é mais um caso da presença que suplanta o talento (não que lhe faltasse): basta sua forma na tela, o olhar sem o menor esforço, para se ter ideia da capacidade de atração. Alguém como Ford, por isso, será esmagado.

O livro de Émile Zola, A Besta Humana, foi adaptado com mais sucesso na França, em 1938, à beira da Segunda Guerra Mundial. É sobre um homem que enlouquece sobre os trilhos do trem. Seu protagonista é Jean Gabin, a quem o som da locomotiva alivia, faz com que pare de enforcar uma mulher, em misto sexo e violência.

A versão de Lang arrisca-se ao dar peso maior à mulher. É tão forte quanto a francesa, tão forte quanto Os Corruptos – apesar de todas as diferenças. O cineasta move-se de um reino enclausurado em estúdios, transformado em uma cidade sob luzes e sombras, à necessidade de se abrir ao reino dos vagões metálicos, do minério fácil de tocar, da aparência do real, igualmente dos humanos que se deparam com seus demônios internos.

(The Big Heat, Fritz Lang, 1953)
(Human Desire, Fritz Lang, 1954)

Notas:
Os Corruptos:
★★★★☆
Desejo Humano: ★★★★☆

Veja também:
A Mulher na Lua, de Fritz Lang

Os dez melhores filmes de todos os tempos segundo Jean-Pierre e Luc Dardenne

Os talentosos irmãos belgas são lembrados por grandes filmes realistas e já colecionam duas Palmas de Ouro – por Rosetta e A Criança. A lista abaixo foi publicada pelo Instituto Britânico de Filmes (veja aqui), na eleição dos Melhores Filmes de Todos os Tempos, em 2012, que ouviu críticos, cineastas e outros profissionais ligados à sétima arte. A lista está em ordem de lançamento, não de preferência.

Aurora, de F.W. Murnau

História de amor sobre um homem que luta para reconquistar a mulher após tentar matá-la. De repente, nesse ato de reconquista, ambos se vêem pela cidade, por bondes, entre carros. Obra máxima de Murnau.

Tempos Modernos, de Charles Chaplin

Comédia sobre a mecanização do mundo e a exploração dos trabalhadores. “Carlitos nas engrenagens é como o filme passando pelas engrenagens da câmera”, observa Luc no episódio de Chaplin Today para Tempos Modernos.

Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini

A história de uma criança entre os escombros da Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial. O encontro com a miséria é inevitável nesse filme forte de Rossellini, neorrealista e realizador de Roma, Cidade Aberta.

Os Corruptos, de Fritz Lang

Pérola noir de Lang sobre um policial em busca de vingança, em uma rede que envolve corrupção e mafiosos. Glenn Ford tem um grande momento, mas quem rouba a cena é Lee Marvin, como o bandido Vince Stone.

Rua da Vergonha, de Kenji Mizoguchi

Retrato da prostituição no Japão, tema antes visitado por Mizoguchi no também extraordinário Mulheres da Noite. Em seu último filme, o mestre japonês mostra os dramas envolvendo mulheres de um bordel.

Rastros de Ódio, de John Ford

Como um homem amargo que aprendeu a odiar os índios, John Wayne retorna para casa e logo vê sua família ser destruída. É quando sai pelo mundo em busca das sobrinhas raptadas, na companhia de um rapaz.

Desajuste Social, de Pier Paolo Pasolini

Primeiro longa-metragem de Pasolini. O cenário é a periferia italiana, na qual se vê a personagem-título, cafetão obrigado a fazer mudanças em sua rotina quando sua fonte de renda, uma prostituta, é atropelada.

Dodeskaden, de Akira Kurosawa

Filme do mestre japonês sobre o cotidiano de um grupo de favelados. Está por ali, por exemplo, um menino com deficiência intelectual que dirige um bonde imaginário. Chegou a ser indicado ao Oscar de filme estrangeiro.

Loulou, de Maurice Pialat

Outra bela obra que dá espaço a seres à margem. Dessa vez um tipo vagabundo interpretado por Gérard Depardieu, com quem Nelly (Isabelle Huppert) termina envolvida. Filme livre e delicioso de Pialat.

Shoah, de Claude Lanzmann

Para muitos, o melhor filme já feito sobre o Holocausto. Obra extensa (566 minutos) que dá voz a sobreviventes, testemunhas e algozes, sem uma única imagem de arquivo. Brilhante estudo sobre a força da memória.

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Veja também:
Os dez melhores filmes de todos os tempos segundo Woody Allen

Correspondente Estrangeiro, de Alfred Hitchcock

Em viagem à Europa a trabalho, perto de assistir à eclosão da Segunda Guerra Mundial, o jornalista de Alfred Hitchcock percebe a mudança dos ventos. Talvez os que se dizem pacifistas escondam algo aterrorizante. Talvez os nazistas estejam por ali, infiltrados, à espera do momento certo para empurrar o mundo ao caos. Os ventos são outros.

Essa mudança é representada em uma sequência inesquecível, que trata do movimento do ar de forma literal: é quando o jornalista, na Holanda, repara que a típica paisagem pacata ganha alteração. As pás dos moinhos giram no sentido oposto ao vento. Mudam de novo, e de novo. O jornalista logo compreende que se trata de um sinal ao inimigo.

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O cenário aparentemente pacato de Correspondente Estrangeiro, do mestre Hitchcock, esconde o pior: ainda que a mudança seja inevitável – o giro em oposição ao vento, a suposta organização de paz como catalizadora da guerra -, as personagens têm dificuldades para enxergá-la. O diretor, nesse meio, conta outra vez com o herói um pouco ingênuo.

Na pele de John Jones, Joel McCrea deve algo ao Robert Donat de 39 Degraus. Mais tarde, seria Cary Grant, herói acidental de Intriga Internacional, o ator a repetir os anteriores. E nesse mesmo filme, lançado em 1959, Grant ver-se-á frente a frente com uma paisagem aparentemente pacata e perto de se transformar, no momento em que é atacado por um avião que sobrevoa os milharais e despeja veneno por ali.

Outra explicação ajuda a entender o motivo de McCrea, como Jones, ser um pouco ingênuo. O dono do jornal em que trabalha descobre que os “profissionais” que cobrem outros países não são mais capazes de enxergar a guerra iminente. Ao que parece, o jornal está disposto a criar uma guerra, se necessário, a partir do faro do editor.

Será preciso alguém com pouca experiência, alguém que diz o que vem à mente, ninguém muito culto, um homem como qualquer outro disposto a correr atrás de uma história. Surge na sala do chefe, então, aquele com todas as credenciais: o homem nada consciente do tamanho da encrenca na qual toda Europa e o mundo estão lançados.

Pois é desse olhar pouco avisado que nasce a grande história, do ponto cego que alguém como McCrea, com tom cômico perfeito, deixa ver o despreparo. Seu espaço não permite qualquer conforto; seu jeito, à contramão, conquista facilmente o espectador. Não demora para farejar a notícia, os criminosos, a reparar na mudança dos ventos que colocam todos, inclusive ele, sob risco eminente.

Antes de chegar aos moinhos, o herói espera por seu entrevistado debaixo de chuva, em uma escadaria, no local que servirá ao encontro dos pacifistas. A câmera de Hitchcock, em movimento panorâmico, revela o ambiente ocupado pela chuva e se aproxima do protagonista. A água é incômoda. Há realismo e até naturalidade nessa bela sequência. O homem que aparece por ali é assassinado por um fotógrafo armado. Mais tarde, o herói descobre que a vítima não era seu entrevistado, mas um duplo.

Outro momento exemplar ocorre na sala escura em que o velho senhor é torturado pelos nazistas à base de luzes contra a face e música constante. Esse homem, antes a fonte do jornalista em viagem à Europa, conhece a cláusula secreta cobiçada pelos nazistas. Isso, no entanto, é apenas um pretexto para o suspense – o chamado MacGuffin.

O tom de loucura que ocupa essa sala, com o velho delirante, é tom do mundo naquele momento: a tortura em salas fechadas, às sombras, que logo tomaria as ruas, os espaços externos. Universo que liga Hitchcock aos melhores filmes de Fritz Lang, a começar por O Testamento do Dr. Mabuse, o que também reforça o lado expressionista do mestre do suspense.

O homem de McCrea, até certo ponto ingênuo, logo afundado nesse meio político e paranoico até o pescoço, era mesmo ideal à empreitada. A diferença é que, ao invés de “produzir” a guerra, apenas se deixou apanhar por ela – no melhor estilo das personagens do cinema clássico, donas de frases heroicas nos instantes derradeiros.

(Foreign Correspondent, Alfred Hitchcock, 1940)

Nota: ★★★★★

Veja também:
Quando Fala o Coração, de Alfred Hitchcock

20 grandes filmes sobre a (difícil) vida em comunidade

Cidades, povoados, bairros. Em todos os filmes abaixo, surgem diferentes grupos e relações. O contato entre seres nem sempre é fácil. Ou quase nunca o é. Os filmes são de tempos distintos, distantes em visual e estilo de direção. Dão, contudo, uma boa amostra da difícil relação entre pessoas na tela do cinema. Abaixo, 20 filmes que merecem atenção.

M, o Vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang

Os criminosos precisam tomar a dianteira quando um serial killer coloca em risco seus negócios. O criminoso ataca crianças e, mais tarde, é colocado em um tribunal improvisado. O filme antecipa o nazismo.

A Mulher do Padeiro, de Marcel Pagnol

Padeiro perde a mulher, deixa de fazer seus pães e a cidade desespera-se para reencontrá-la. O padre não quer seu retorno, o marido aceita se rebaixar. Entre o cômico e o trágico, um belo filme sobre a província.

Sombra do Pavor, de Henri-Georges Clouzot

Moradores de uma cidade aparentemente pacata começam a receber cartas com estranhas mensagens. Pouco a pouco, o espectador descobre mais sobre as personagens. À época, o filme foi incompreendido.

Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock

A vida em comunidade pelo ponto de vista do homem imobilizado, que do aparente equilíbrio dos seres à frente, pela sua lente, passa a assistir ao horror. Um de seus vizinhos pode ter matado a mulher.

Vampiros de Almas, de Don Siegel

O médico à frente da história desconfia que diferentes pessoas, em sua tranquila cidade, foram substituídas por alienígenas. Clássico feito em pleno período de paranoia, na Guerra Fria, pelo talentoso Siegel.

O Grande Momento, de Roberto Santos

O filme acompanha um rapaz no dia de seu casamento, com alguns problemas: lidar com os convidados, pagar as dívidas, aguentar a família da amada e a própria. Em meio a tudo isso, precisa vender a bicicleta.

Bom Dia, de Yasujiro Ozu

Crianças fazem greve de silêncio porque não possuem uma televisão. Os pais recusam-se a aderir à nova tecnologia. Enquanto isso, de casa em casa corre o boato de que uma mulher teria roubado dinheiro.

A Última Sessão de Cinema, de Peter Bogdanovich

Os jovens ouvem velhas histórias perdidas no tempo, assistem aos clássicos no cinema antes que o espaço feche as portas. O sexo é uma fuga. Há desespero por todos os cantos nesse filme apaixonante.

Amarcord, de Federico Fellini

As memórias do diretor na cidade em que cresceu. Por ali, belas mulheres desfilam entre homens, carros cruzam ruelas em alta velocidade, meninos são atraídos pelas curvas femininas e descobrem o sexo.

A Árvore dos Tamancos, de Ermanno Olmi

Ganhador da Palma de Ouro, retrata a vida humilde dos trabalhadores do campo, no dia a dia difícil. O elenco é feito por atores amadores. O resultado é uma obra-prima chamada por muitos de neorrealista.

A Despedida, de Elem Klimov

Outro sobre o cotidiano de pessoas simples em local isolado. A vida de todos se transforma quando o governo faz a retirada dos moradores para a construção de uma barragem, o que causará a inundação do vilarejo.

Underground – Mentiras de Guerra, de Emir Kusturica

Entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Bósnia, Kusturica revela a transformação de um grupo de pessoas, por décadas, da Iugoslávia dos dias gloriosos de Tito à dissolução do bloco comunista.

O Show de Truman, de Peter Weir

A vida como maquiagem, no espaço (um estúdio de tevê) em que todos interpretam para o protagonista, Truman, o único que não sabe da farsa. Pouco a pouco ele segue rumo à verdade. E toda a sociedade cai.

Beleza Americana, de Sam Mendes

Os vizinhos observam-se pelas janelas. Um deles recorre à câmera de vídeo. Por ali, um casal homossexual tenta se aproximar, um ex-militar não facilita o contato e o protagonista deseja voltar à juventude.

Dogville, de Lars von Trier

O cineasta conhecido por seu radicalismo retira as paredes e, em contraponto ao visual falso, leva a situações duras do cotidiano, na pequena cidade à qual a protagonista vê-se alienada e escravizada.

A Fita Branca, de Michael Haneke

Diretor famoso por filmes frios e sem concessões, Haneke aborda o grupo, a pequena cidade em que ocorrem crimes estranhos. O ambientação chega ao terror. A época ajuda: estão à beira da Primeira Guerra.

A Caça, de Thomas Vinterberg

Mais do que sobre um homem perseguido, acusado de pedofilia, a obra de Vinterberg aborda a intolerância daqueles que o rodeiam. Perto do fim, o mesmo homem vai à igreja para encarar os outros.

O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho

Retrato da difícil relação entre pessoas em um bairro rico de Recife, no qual os extremos tocam-se com alguma dificuldade. O diretor constrói o mal a conta-gotas, até virar algo insuportável.

Timbuktu, de Abderrahmane Sissako

O filme leva o nome de uma cidade, no Mali, no período em que se vê dominada por extremistas islâmicos. A presença do grupo transforma o cotidiano local. As pessoas passam a ser vigiadas e sofrem abusos.

Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh

O belo roteiro de McDonagh aproxima o drama da comédia. Ora ou outra a violência explode na pequena cidade em que uma garota é assassinada e sua mãe, por meio de outdoors na estrada, protesta e cobra a polícia local.

Veja também:
Os oito principais erros cometidos pela crítica de cinema

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