Frank Capra

Do pior ao melhor: os vencedores do Oscar de melhor filme

Há um pouco de tudo entre os vencedores do Oscar de melhor filme. De 1929 às mais recentes edições, seus ganhadores – às vezes mais, às vezes menos – têm incorporado um pouco do espírito de suas épocas. Filmes como Sem Novidade no Front, Casablanca, Sindicato de Ladrões, Se Meu Apartamento Falasse e Perdidos na Noite dizem muito sobre as transformações do cinema e da própria sociedade.

Nem sempre o Oscar premia os melhores. Ao passar o olho pela lista de vencedores, a qualidade de algumas obras é tão nítida quanto a mediocridade de outras. Chama a atenção, inclusive, casos de filmes que, mesmo ganhando o principal prêmio da noite, são hoje pouco lembrados. Ou seja, ganhar o Oscar nem sempre significa entrar para a História.

91) Crash: No Limite, de Paul Haggis (2005/06)

Outros indicados do ano: Boa Noite e Boa Sorte; Capote; Munique; O Segredo de Brokeback Mountain.

90) Cimarron, de Wesley Ruggles (1931/31)

Outros indicados do ano: A Primeira Página; Lágrimas de Amor; Mercador das Selvas; Skippy.

89) Gladiador, de Ridley Scott (2000/01)

Outros indicados do ano: Chocolate; Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento; O Tigre e o Dragão; Traffic: Ninguém Sai Limpo.

88) Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle (2008/09)

Outros indicados do ano: Frost/Nixon; Milk: A Voz da Igualdade; O Curioso Caso de Benjamin Button; O Leitor.

87) O Discurso do Rei, de Tom Hooper (2010/11)

Outros indicados do ano: 127 Horas; A Origem; A Rede Social; Bravura Indômita; Cisne Negro; Inverno da Alma; Minhas Mães e Meu Pai; O Vencedor; Toy Story 3.

86) Green Book: O Guia, de Peter Farrelly (2018/19)

Outros indicados do ano: A Favorita; Bohemian Rhapsody; Infiltrado na Klan; Nasce uma Estrela; Pantera Negra; Roma; Vice.

85) Rosa de Esperança, de William Wyler (1942/43)

Outros indicados do ano: A Canção da Vitória; Abandonados; E a Vida Continua; Em Cada Coração um Pecado; Invasão de Bárbaros; Na Noite do Passado; Nossos Mortos Serão Vingados; Soberba; Ídolo, Amante e Herói.

84) Gente como a Gente, de Robert Redford (1980/81)

Outros indicados do ano: O Destino Mudou sua Vida; O Homem Elefante; Tess; Touro Indomável.

83) Ziegfeld – O Criador de Estrelas, de Robert Z. Leonard (1936/37)

Outros indicados do ano: A História de Louis Pasteur; A Queda da Bastilha; Adversidade; Casado com Minha Noiva; Fogo de Outono; O Galante Mr. Deeds; Romeu e Julieta; São Francisco, a Cidade do Pecado; Três Pequenas do Barulho.

82) Coração Valente, de Mel Gibson (1995/96)

Outros indicados do ano: Apollo 13: Do Desastre ao Triunfo; Babe, o Porquinho Atrapalhado; O Carteiro e o Poeta; Razão e Sensibilidade.

81) Melodia da Broadway, de Harry Beaumont (1929/30)

Outros indicados do ano: Alta Traição; Hollywood Revue; No Velho Arizona; O Peso da Lei.

80) Argo, de Ben Affleck (2012/13)

Outros indicados do ano: A Hora Mais Escura; Amor; As Aventuras de Pi; Django Livre; Indomável Sonhadora; Lincoln; O Lado Bom da Vida; Os Miseráveis.

79) A Vida de Emile Zola, de William Dieterle (1937/38)

Outros indicados do ano: 100 Homens e uma Menina; Beco Sem Saída; Cupido é Moleque Teimoso; Horizonte Perdido; Marujo Intrépido; Nasce uma Estrela; No Teatro da Vida; No Velho Chicago; Terra dos Deuses.

78) Uma Mente Brilhante, de Ron Howard (2001/02)

Outros indicados do ano: Assassinato em Gosford Park; Entre Quatro Paredes; Moulin Rouge: Amor em Vermelho; O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel.

77) Cavalgada, de Frank Lloyd (1933/34)

Outros indicados do ano: Adeus às Armas; As Quatro Irmãs; Dama por um Dia; Feira de Amostras; O Amor que não Morreu; O Fugitivo; Os Amores de Henrique VIII; Rua 42; Uma Loira para Três.

76) Rocky: Um Lutador, de John G. Avildsen (1976/77)

Outros indicados do ano: Esta Terra é Minha Terra; Rede de Intrigas; Taxi Driver: Motorista de Táxi; Todos os Homens do Presidente.

75) Conduzindo Miss Daisy, de Bruce Beresford (1989/90)

Outros indicados do ano: Campo dos Sonhos; Meu Pé Esquerdo; Nascido em 4 de Julho; Sociedade dos Poetas Mortos.

74) Carruagens de Fogo, de Hugh Hudson (1981/82)

Outros indicados do ano: Atlantic City; Num Lago Dourado; Os Caçadores da Arca Perdida; Reds.

73) O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, de Peter Jackson (2003/04)

Outros indicados do ano: Encontros e Desencontros; Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo; Seabiscuit – Alma de Herói; Sobre Meninos e Lobos.

72) Rain Man, de Barry Levinson (1988/89)

Outros indicados do ano: Ligações Perigosas; Mississippi em Chamas; O Turista Acidental; Uma Secretária de Futuro.

71) 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen (2013/14)

Outros indicados do ano: Capitão Phillips; Clube de Compras Dallas; Ela; Gravidade; Nebraska; O Lobo de Wall Street; Philomena; Trapaça.

70) O Maior Espetáculo da Terra, de Cecil B. DeMille (1952/53)

Outros indicados do ano: Depois do Vendaval; Ivanhoé, o Vingador do Rei; Matar ou Morrer; Moulin Rouge.

69) O Bom Pastor, de Leo McCarey (1944/45)

Outros indicados do ano: Desde Que Partiste; Pacto de Sangue; Wilson; À Meia Luz.

68) A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Michael Anderson (1956/57)

Outros indicados do ano: Assim Caminha a Humanidade; O Rei e Eu; Os Dez Mandamentos; Sublime Tentação.

67) A Luz é para Todos, de Elia Kazan (1947/48)

Outros indicados do ano: De Ilusão Também se Vive; Grandes Esperanças; Rancor; Um Anjo Caiu do Céu.

66) Titanic, de James Cameron (1997/98)

Outros indicados do ano: Gênio Indomável; Los Angeles: Cidade Proibida; Melhor é Impossível; Ou Tudo ou Nada.

65) A Forma da Água, de Guillermo del Toro (2017/18)

Outros indicados do ano: Corra!; Dunkirk; Me Chame pelo Seu Nome; O Destino de uma Nação; The Post: A Guerra Secreta; Trama Fantasma; Três Anúncios para um Crime.

64) Os Infiltrados, de Martin Scorsese (2006/07)

Outros indicados do ano: A Rainha; Babel; Cartas de Iwo Jima; Pequena Miss Sunshine.

63) Laços de Ternura, de James L. Brooks (1983/84)

Outros indicados do ano: A Força do Carinho; O Fiel Camareiro; O Reencontro; Os Eleitos: Onde o Futuro Começa.

62) Gigi, de Vincente Minnelli (1958/59)

Outros indicados do ano: A Mulher do Século; Acorrentados; Gata em Teto de Zinco Quente; Vidas Separadas.

61) Marty, de Delbert Mann (1955/56)

Outros indicados ao Oscar: A Rosa Tatuada; Férias de Amor; Mister Roberts; Suplício de uma Saudade.

60) Dança com Lobos, de Kevin Costner (1990/91)

Outros indicados do ano: Ghost: Do Outro Lado da Vida; O Poderoso Chefão – Parte 3; Os Bons Companheiros; Tempo de Despertar.

59) O Artista, de Michel Hazanavicius (2011/12)

Outros indicados do ano: A Invenção de Hugo Cabret; A Árvore da Vida; Cavalo de Guerra; Histórias Cruzadas; Meia-Noite em Paris; O Homem Que Mudou o Jogo; Os Descendentes; Tão Forte e Tão Perto.

58) Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins (2016/17)

Outros indicados do ano: A Chegada; A Qualquer Custo; Até o Último Homem; Estrelas Além do Tempo; La La Land: Cantando Estações; Lion: Uma Jornada Para Casa; Manchester à Beira-Mar; Um Limite Entre Nós.

57) Shakespeare Apaixonado, de John Madden (1998/99)

Outros indicados do ano: A Vida é Bela; Além da Linha Vermelha; Elizabeth; O Resgate do Soldado Ryan.

56) As Aventuras de Tom Jones, de Tony Richardson (1963/64)

Outros indicados do ano: A Conquista do Oeste; Cleópatra; Terra do Sonho Distante; Uma Voz Nas Sombras.

55) Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), de Alejandro González Iñárritu (2014/15)

Outros indicados do ano: A Teoria de Tudo; Boyhood: Da Infância à Juventude; O Grande Hotel Budapeste; O Jogo da Imitação; Selma: Uma Luta Pela Igualdade; Sniper Americano; Whiplash: Em Busca da Perfeição.

54) Do Mundo Nada se Leva, de Frank Capra (1938/39)

Outros indicados do ano: A Cidadela; A Epopéia do Jazz; A Grande Ilusão; As Aventuras de Robin Hood; Com os Braços Abertos; Jezebel; Pigmalião; Piloto de Provas; Quatro Filhas.

53) Golpe de Mestre, de George Roy Hill (1973/74)

Outros indicados do ano: Gritos e Sussurros; Loucuras de Verão; O Exorcista; Um Toque de Classe.

52) Beleza Americana, de Sam Mendes (1999/00)

Outros indicados do ano: O Informante; O Sexto Sentido; Regras da Vida; À Espera de um Milagre.

51) O Grande Motim, de Frank Lloyd (1935/36)

Outros indicados do ano: A Mulher que Soube Amar; David Copperfield; Lanceiros da Índia; Melodia da Broadway de 1936; O Capitão Blood; O Delator; O Picolino; Oh, Marieta!; Os Implacáveis; Sonho de uma Noite de Verão; Vamos à América.

50) Spotlight – Segredos Revelados, de Tom McCarthy (2015/16)

Outros indicados do ano: A Grande Aposta; Brooklyn; Mad Max: Estrada da Fúria; O Quarto de Jack; O Regresso; Perdido em Marte; Ponte dos Espiões.

49) Oliver!, de Carol Reed (1968/69)

Outros indicados do ano: Funny Girl: A Garota Genial; O Leão no Inverno; Rachel, Rachel; Romeu e Julieta.

48) A Grande Ilusão, de Robert Rossen (1949/50)

Outros indicados do ano: Almas Em Chamas; O Preço da Glória; Quem é o Infiel?; Tarde Demais.

47) Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow (2008/10)

Outros indicados do ano: Amor Sem Escalas; Avatar; Bastardos Inglórios; Distrito 9; Educação; Preciosa: Uma História de Esperança; Um Homem Sério; Um Sonho Possível; Up: Altas Aventuras.

46) Minha Bela Dama, de George Cukor (1964/65)

Outros indicados do ano: Becket, O Favorito do Rei; Dr. Fantástico; Mary Poppins; Zorba, o Grego.

45) O Paciente Inglês, de Anthony Minghella (1996/97)

Outros indicados do ano: Fargo: Uma Comédia de Erros; Jerry Maguire, a Grande Virada; Segredos e Mentiras; Shine – Brilhante.

44) No Calor da Noite, de Norman Jewison (1967/68)

Outros indicados do ano: A Primeira Noite de um Homem; Adivinhe Quem vem para Jantar; Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas; O Fabuloso Doutor Dolittle.

43) A Um Passo da Eternidade, de Fred Zinnemann (1953/54)

Outros indicados do ano: A Princesa e o Plebeu; Júlio César; O Manto Sagrado; Os Brutos Também Amam.

42) Menina de Ouro, de Clint Eastwood (2004/05)

Outros indicados do ano: Em Busca da Terra do Nunca; O Aviador; Ray; Sideways – Entre Umas e Outras.

41) Grande Hotel, de Edmund Goulding (1932/32)

Outros indicados do ano: Depois do Casamento; Médico e Amante; O Campeão; O Expresso de Shanghai; O Tenente Sedutor; Sede de Escândalo; Uma Hora Contigo.

40) O Homem que Não Vendeu Sua Alma, de Fred Zinnemann (1966/67)

Outros indicados do ano: Como Conquistar as Mulheres; O Canhoneiro do Yang-Tsé; Os russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!; Quem Tem Medo de Virginia Woolf?

39) Chicago, de Rob Marshall (2002/03)

Outros indicados do ano: As Horas; Gangues de Nova York; O Pianista; O Senhor dos Anéis: As Duas Torres.

38) Hamlet, de Laurence Olivier (1948/49)

Outros indicados do ano: Belinda; Na Cova da Serpente; O Tesouro da Sierra Madre; Os Sapatinhos Vermelhos.

37) Como era Verde Meu Vale, de John Ford (1941/42)

Outros indicados do ano: A Porta de Ouro; Cidadão Kane; Com Um Pé no Céu; Flores do Pó; Pérfida; Que Espere o Céu; Relíquia Macabra; Sargento York; Suspeita.

36) Farrapo Humano, de Billy Wilder (1945/46)

Outros indicados do ano: Alma em Suplício; Marujos do Amor; Os Sinos de Santa Maria; Quando Fala o Coração.

35) O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci (1987/88)

Outros indicados do ano: Atração Fatal; Esperança e Glória; Feitiço da Lua; Nos Bastidores da Notícia.

34) Kramer vs. Kramer, de Robert Benton (1979/80)

Outros indicados do ano: Apocalypse Now; Norma Rae; O Show Deve Continuar; O Vencedor.

33) Forrest Gump – O Contador de Histórias, de Robert Zemeckis (1994/95)

Outros indicados do ano: Pulp Fiction: Tempo de Violência; Quatro Casamentos e um Funeral; Quiz Show – A Verdade dos Bastidores; Um Sonho de Liberdade.

32) Platoon, de Oliver Stone (1986/87)

Outros indicados do ano: A Missão; Filhos do Silêncio; Hannah e suas Irmãs; Uma Janela para o Amor.

31) Rebecca, a Mulher Inesquecível, de Alfred Hitchcock (1940/41)

Outros indicados do ano: A Carta; A Longa Viagem de Volta; As Vinhas da Ira; Correspondente Estrangeiro; Kitty Foyle; Nossa Cidade; Núpcias de Escândalo; O Grande Ditador; Tudo Isto e o Céu Também.

30) Sinfonia de Paris, de Vincente Minnelli (1951/52)

Outros indicados do ano: Decisão Antes do Amanhecer; Quo Vadis; Um Lugar ao Sol; Uma Rua Chamada Pecado.

29) Onde os Fracos Não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen (2007/08)

Outros indicados do ano: Conduta de Risco; Desejo e Reparação; Juno; Sangue Negro.

28) A Noviça Rebelde, de Robert Wise (1965/66)

Outros indicados do ano: A Nau dos Insensatos; Darling – A Que Amou Demais; Doutor Jivago; Mil Palhaços.

27) Gandhi, de Richard Attenborough (1982/83)

Outros indicados do ano: Desaparecido: Um Grande Mistério; E.T.: O Extraterrestre; O Veredicto; Tootsie.

26) Amor, Sublime Amor, de Jerome Robbins e Robert Wise (1961/62)

Outros indicados do ano: Desafio à Corrupção; Fanny; Julgamento em Nuremberg; Os Canhões de Navarone.

25) Patton – Rebelde ou Herói?, de Franklin J. Schaffner (1970/71)

Outros indicados do ano: Aeroporto; Cada um Vive como Quer; Love Story: Uma História de Amor; M.A.S.H.

24) A Ponte do Rio Kwai, de David Lean (1957/58)

Outros indicados do ano: 12 Homens e uma Sentença; A Caldeira do Diabo; Sayonara; Testemunha de Acusação.

23) Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra (1934/35)

Outros indicados do ano: A Alegre Divorciada; A Casa de Rothschild; A Ceia dos Acusados; A Família Barrett; Aí Vem a Marinha!; Cleópatra; Imitação da Vida; Legião das Abnegadas; Miss Generala; Uma Noite de Amor; Viva Villa!

22) Amadeus, de Milos Forman (1984/85)

Outros indicados do ano: A História de um Soldado; Os Gritos do Silêncio; Passagem para a Índia; Um Lugar no Coração.

21) A Lista de Schindler, de Steven Spielberg (1993/94)

Outros indicados do ano: Em Nome do Pai; O Fugitivo; O Piano; Vestígios do Dia.

20) Perdidos na Noite, de John Schlesinger (1969/70)

Outros indicados do ano: Alô, Dolly!; Ana dos Mil Dias; Butch Cassidy; Z.

19) Sem Novidade no Front, de Lewis Milestone (1930/30)

Outros indicados do ano: A Divorciada; Alvorada do Amor; Disraeli; O Presídio.

18) Ben-Hur, de William Wyler (1959/60)

Outros indicados do ano: Almas em Leilão; Anatomia de um Crime; O Diário de Anne Frank; Uma Cruz à Beira do Abismo.

17) Operação França, de William Friedkin (1971/72)

Outros indicados do ano: A Última Sessão de Cinema; Laranja Mecânica; Nicholas e Alexandra; Um Violinista no Telhado.

16) Os Melhores Anos de Nossas Vidas, de William Wyler (1946/47)

Outros indicados do ano: A Felicidade Não Se Compra; Henrique 5º; O Fio da Navalha; Virtude Selvagem.

15) Entre Dois Amores, de Sydney Pollack (1985/86)

Outros indicados do ano: A Cor Púrpura; A Honra do Poderoso Prizzi; A Testemunha; O Beijo da Mulher-Aranha.

14) Asas, de William A. Wellman (1927/29)

Outros indicados do ano: A Lei dos Fortes; Sétimo Céu.

13) Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood (1992/93)

Outros indicados do ano: Perfume de Mulher; Questão de Honra; Retorno a Howards End; Traídos pelo Desejo.

12) Se Meu Apartamento Falasse, de Billy Wilder (1960/61)

Outros indicados do ano: Entre Deus e o Pecado; Filhos e Amantes; O Álamo; Peregrino da Esperança.

11) O Franco Atirador, de Michael Cimino (1978/79)

Outros indicados do ano: Amargo Regresso; O Céu Pode Esperar; O Expresso da Meia-Noite; Uma Mulher Descasada.

10) Um Estranho no Ninho, de Milos Forman (1975/76)

Outros indicados do ano: Barry Lyndon; Nashville; Tubarão; Um Dia de Cão.

9) O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme (1991/92)

Outros indicados do ano: A Bela e a Fera; Bugsy; JFK: A Pergunta que Não Quer Calar; O Príncipe das Marés.

8) E o Vento Levou, de Victor Fleming (1939/40)

Outros indicados do ano: A Mulher Faz o Homem; Adeus, Mr. Chips; Carícia Fatal; Duas Vidas; Ninotchka; No Tempo das Diligências; O Morro dos Ventos Uivantes; O Mágico de Oz; Vitória Amarga.

7) Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen (1977/78)

Outros indicados do ano: A Garota do Adeus; Júlia; Momento de Decisão; Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança.

6) A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz (1950/51)

Outros indicados do ano: As Minas do Rei Salomão; Crepúsculo dos Deuses; Nascida Ontem; O Papai da Noiva.

5) O Poderoso Chefão – Parte 2, de Francis Ford Coppola (1974/75)

Outros indicados do ano: A Conversação; Chinatown; Inferno na Torre; Lenny.

4) Sindicato de Ladrões, de Elia Kazan (1954/55)

Outros indicados do ano: A Fonte dos Desejos; A Nave da Revolta; Amar é Sofrer; Sete Noivas para Sete Irmãos.

3) Lawrence da Arábia, de David Lean (1962/63)

Outros indicados do ano: O Grande Motim; O Mais Longo dos Dias; O Sol é para Todos; Vendedor de Ilusões.

2) O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (1972/73)

Outros indicados do ano: Amargo Pesadelo; Cabaret; Lágrimas de Esperança; Os Emigrantes.

1) Casablanca, de Michael Curtiz (1942/44)

Outros indicados do ano: A Canção de Bernadette; A Comédia Humana; Consciências Mortas; Horas de Tormenta; Madame Curie; Nosso Barco, Nossa Alma; O Diabo Disse Não; Original Pecado; Por Quem os Sinos Dobram.

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A integridade de James Stewart em dois faroestes de Anthony Mann

Há de se concordar: poucos atores representaram bondade e esperança, no cinema americano, como James Stewart. Para tanto, basta pensar nas comédias idealistas de Frank Capra. Depois, no pós-guerra, o ator teria dificuldade para se manter como antes, às forças do cinema clássico e sua comum bipolaridade, com mocinhos e bandidos.

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Por pouco Stewart não escorrega nos grandes faroestes de Anthony Mann. Em E o Sangue Semeou a Terra o espectador reconhece o tamanho da dificuldade: sabe, desde o início, que o protagonista não é mais um homem mau, menos ainda o herói esperado. É o homem que, ao fim, deixa ver a cicatriz na garganta, marca da forca, de tempos sombrios.

Nesses faroestes, Stewart surge como certeza perdida, a se confiar. Mann, a essa altura, já tinha feito filmes do mesmo gênero entre otimismo e amargor, com toques modernos, psicologia entre relações familiares, como se vê no extraordinário Almas em Fúria, na relação conflituosa entre a filha Barbara Stanwyck e o pai Walter Huston.

Stewart já havia servido o cineasta em Winchester ’73. Pelos anos 1950, poderia fazer o que quisesse, ser quem bem entendesse, ainda que, pela própria natureza, a forma bondosa resistisse – ao contrário do que ocorreria, por exemplo, a Henry Fonda. É do ator o espírito – um tanto falso, é verdade – do colonizador macio e confiável.

Se em E o Sangue Semeou a Terra não resta dúvida sobre sua inclinação à bondade, em O Preço de um Homem quase chega a convencer o público de seu cinismo, de que pode estar do lado errado – mas nem tanto – do jogo. No primeiro, ele interpreta um bom homem de passado amargo; no segundo, um homem amargo com passado de bondade.

Nesse sentido, Mann embaralha as peças para se aproximar da mesma história. Não estranha se alguém disser que os pistoleiros de Stewart são os mesmos, em diferentes aventuras, em busca da tão sonhada boa vida em civilização: em E o Sangue Semeou a Terra, a tentativa de se estabelecer em uma sociedade pacífica; em O Preço de um Homem, o encontro com a mulher que pode ser a companheira ideal para recomeçar.

Os encerramentos abrem espaço ao “romantismo fechado”, embrulham o espectador na continuidade, certeza de dias melhores, na civilização que ganha mais um tijolo fundamental à sua solidificação. Por outro lado, em todo o decorrer há o inverso a essa aproximação do sonho pela sociedade branca e bruta: nos dois filmes, o extermínio dos índios, distantes e não raro vistos como inimigos; em ambos, o preço gerado pela corrida ao ouro, que alimenta a ganância e a traição entre colonizadores.

Todo o gênero pode ser visto em E o Sangue Semeou a Terra, no qual Stewart faz Glyn McLyntock, homem que, a começar por si mesmo, crê nas boas transformações. O filme tem início em um ponto adiantado dessa história, quando o herói já faz parte de uma caravana rumo a um lugar melhor, ao novo distrito, à tranquilidade.

No meio do caminho, Glyn encontra outro homem, primeiro um amigo, depois o algoz; em seguida, ambos, com todos os outros, terminam em uma cidade pacífica que, em questão de meses, transforma-se. Com a descoberta do ouro, o local é invadido por todo tipo de gente, o que não evita também a transformação dos que já estavam ali.

Glyn precisa retornar a essa cidade para recuperar a alimentação de seu grupo, então parada no porto, dia a dia mais valorizada pela nova característica do local – e, sem exagerar, daquela nação: a valorização do produto, cada vez mais caro à medida que a riqueza aumenta. Pelo roteiro de Borden Chase, Mann contrapõe os capitalistas gananciosos, jogadores, aos viajantes conscientes da distribuição dos produtos em sociedade.

E não estranha que, como em O Preço de um Homem, toda ganância é incompatível com a vida do bom homem, rumo ao horizonte, na companhia da nova mulher: ao se render a essa dama e à vida que o aguarda, Howard Kemp (Stewart) precisa deixar o cadáver do bandido que procurava para trás, seus cinco mil dólares de recompensa.

Será assim: o dinheiro pela vida em equilíbrio, na mais pura exposição clássica dos valores americanos. O gênero faroeste pulsa com suas contradições, seus caminhos estranhos, série de mudanças em uma mesma personagem, a de Stewart: do caçador de recompensas determinado ao bom rancheiro – tudo em questão de minutos.

Os que se rendem ao ouro terminam mortos. Ambos os filmes de Mann – nos quais um clima maldito duela com a forma clássica, o que antecipa, por exemplo, Pistoleiros do Entardecer, de Peckinpah – dão espaço ao herói que pode dar certo, que se equilibra para não tombar. Com James Stewart, a integridade é garantida.

(Bend of the River, Anthony Mann, 1952)
(The Naked Spur, Anthony Mann, 1953)

Notas:
E o Sangue Semeou a Terra:
★★★★☆
O Preço de um Homem: ★★★★☆

Foto 1: E o Sangue Semeou a Terra
Foto 2: O Preço de um Homem

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Irene, a Teimosa, de Gregory La Cava

A distância é pequena entre o depósito de lixo e os espaços frequentados pelos mais ricos em Irene, a Teimosa, comédia clássica que une o controlado William Powell à mimada e bela Carole Lombard.

O roteiro não deixa mentir: “A prosperidade está na esquina”, diz a personagem de Powell, Godfrey, mendigo convertido em mordomo. Como um homem chique que a certa altura precisa tocar a barba de Powell para ter certeza que se trata de um desvalido, o espectador tem motivos de sobra para duvidar de sua imundice.

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Ela passa rápido. E Powell, à vontade, estará a circular em festas de gente poderosa, gastona, de pessoas exageradas que riem e bebem sem parar, que enxergam gnomos em suas manhãs de ressaca, que precisam de conselheiros para dizer o óbvio. É essa pouca distância entre o lixo e o luxo, sobretudo quando o ridículo põe-se do lado esperado, que faz de Irene, a Teimosa um perfeito exemplo do cinema de sua época. Ou o perfeito exemplo do espírito americano de sua época.

O mendigo em questão sabe o que é viver no lado oposto. Antes de ser o homem pobre de barba saliente, Godfrey era rico. Perdeu tudo e, com um novo terno, mais uma vez entre os abastados, encontra a deixa para recuperar seu dinheiro e empreender.

Vencer a distância entre lados será possível, claro, pois se trata do cinema hollywoodiano dos anos 30, em plena Grande Depressão, quando sonhos eram vendidos sem qualquer vergonha. O amontoado de latas e sujeira a céu aberto cede espaço para a passagem de moças ricas montadas em brilhantes vestidos de cetim.

Na Hollywood em questão, a menina ao centro, Irene (Lombard), podia se sentir atraída pelo homem errado (o mendigo) sem correr o risco de errar (afinal, ele é fino demais). É só uma questão de esconderijo, de voltas que levam ao esperado, sabe o público.

A comédia do diretor Gregory La Cava tem leveza e infantilidade, é ágil, com sofisticação e amostras da bobagem de um grupo no qual o mais interessante é o mordomo – como prova o amor da menina inocente, capaz de enxergar sua grandeza. E não será a única a se apaixonar por Godfrey. Lombard, com carne saliente, com seus pulinhos sobre a cama e forma fantasmagórica ao ser rejeitada, lega ao cinema clássico uma imagem tão poderosa quanto a de Jean Arthur nas comédias de Capra.

A química entre o casal é perfeita, também entre todos em cena: entre o pai nervoso com as contas da casa e sua mulher gastona e burra, entre as filhas, cada uma como um tipo de mulher (a loira e a morena), entre diferentes classes sociais.

Por curioso que pareça, Irene, a Teimosa não chega a ser uma história de amor ou farsa completa. A mudança, com a transformação do lixão em casa de shows, ao fim, dá o tom de esperança, como se fosse possível escapar da sujeira, superar a Depressão que recaia sobre todos.

Em meio à comédia de regras próprias, feita à forma da screwball desse mesmo tempo, o filme não pede para ser levado a sério. Supera a relação entre o casal, que termina mesmo como brincadeira, quando Irene não tem mais dúvida sobre sua paixão, quando Godfrey tem todas as dúvidas sobre esse relacionamento. A essa altura, esse é o menor dos problemas: o amontoado de lixo transforma-se em festa.

(My Man Godfrey, Gregory La Cava, 1936)

Nota: ★★★★☆

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A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra

Mulher de Verdade, de Preston Sturges

Levado pela rapidez de Mulher de Verdade, o espectador chega a Quanto Mais Quente Melhor, comédia de Billy Wilder do fim dos anos 50. Recordará a sequência da festa regada à bebida, entre beliches, os corpos que sobem e descem pelo espaço, no trem em movimento.

O mesmo espaço pode ser visto no filme de Preston Sturges. Wilder não teria motivos para esconder a inspiração pelo cenário, pelo desenvolvimento da comédia no mesmo meio de transporte: o cineasta austríaco nunca escondeu sua paixão pelo americano nascido em Chicago, cujo salto da produção de roteiros para a direção de filmes, no início dos anos 40, foi fundamental para que outros artistas fizessem o mesmo – Wilder entre eles.

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Nem a comédia de aparência leve deixa esconder certa radicalidade: em Mulher de Verdade, Sturges coloca um bando de caçadores – confundidos com cavalheiros – pelos vagões do trem, com armas e cães, atrás da protagonista em fuga. Os homens embriagados atiravam para todos os lados, antes, na cabine em que estavam.

Não por acaso, esse tipo de comédia é chamada de “maluca”. Sturges, no momento em que a comédia americana passa da década de ouro para a década atrofiada por questões sociais (a da guerra, a do filme noir, a da mulher dominadora e malvada), renova o gênero ao olhar ao passado: seus trabalhos retiram algo da comédia muda. Sobre o cineasta, Georges Sadoul diria: “Renovou a comédia ligeira americana, em 1940, por um recurso à tradição de Mack Sennett: gags visuais, grandes piadas”.

Está por ali, e não ao acaso, o lendário Chester Conklin, que com Chaplin atuou nas comédias físicas de Sennett. Movido a essa loucura, à forma desregrada, talvez seja possível entender por que Sturges não cabia em Hollywood – ou apenas supor que o gênio chegou um pouco atrasado. Sua comédia dava um passo além se comparada às guinadas sociais de Capra, sendo a antessala às investidas ao sexo exploradas depois por Wilder.

Em Mulher de Verdade, é a mulher de Capra, a Claudette Colbert de Aconteceu Naquela Noite, que ganha protagonismo. A história passa-se depois do casamento, momento em que essa mesma mulher questiona sua posição na relação a dois: acredita, como deixará claro ao marido, que é apenas um empecilho, uma pedra em seu caminho.

Seria a deixa de Sturges: ela precisa se separar dele, o bonachão sempre interessante vivido por Joel McCrea, para escapar ao mundo. Pouco necessária a desculpa elaborada em detalhes, com profundidade: eis a comédia de movimento, em que os sentimentos mudam pouco ou nada o sentido do golpe, da queda, do engano.

Casais trocados, cães latindo, falsos senhores bondosos, amigos gays tratados como animais de estimação. O dinheiro não vale muito, ainda que possa comprar bobagens, ou algum diamante. E a mulher, veja só!, não tem problema algum em assumir seu desejo pela pedra brilhosa comprada pelo milionário que com ela deseja se casar.

Gerry Jeffers (Colbert) deseja casar com um ricaço para bancar o invento de seu amado Tom (McCrea). Pisará na cara do escolhido, quebrará seus óculos – ainda na cena dos beliches. Sturges, como em Natal em Julho, encontra a forma para rir da riqueza e de seus seres sem muita graça, pensativos demais, ou levados demais aos prazeres do momento.

O pretendente que tudo anota em um caderno, sem qualquer atrativo, representa o oposto ao sonhador encarnado por McCrea. Ninguém duvida que a mulher em fuga render-se-á ao segundo, o marido, ainda que fosse preciso correr muito, atravessar uma nação, para se ver seduzida pelo diamante comprado pelo submisso milionário.

Antes de fugir, a protagonista oferece sua justificativa: “Sou um carro que faz 10 quilômetros com tanque cheio, mas que não tem o tanque cheio”. O roteiro talvez não faça tanto sentido. Não importa. Sturges transfere o público de volta à comédia livre de décadas anteriores, na qual os supostos comportados colocavam tudo a perder.

(The Palm Beach Story, Preston Sturges, 1942)

Nota: ★★★★☆

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