fotos raras

Bastidores: Wilder e Monroe

Caso se queira escolher a cena mais típica de Hollywood, entre todos os grandes filmes típicos de Hollywood, esta seria certamente a cena de Marilyn sobre o respiradouro do metrô de Nova York, com o vento provocado pelo trem lhe levantando o vestido, e sua feição maravilhosa, à vontade e libidinosa – este seria o ícone de Hollywood, o leitmotiv de MM, o nascimento de uma nova Vênus sobre o poço de ventilação do metrô, uma nova Vênus surgindo do mar de sonhos do cinema.

E caso se queira recordar o papel em que Marilyn é mais Marilyn: uma figura emocionante e um clichê, sentimental e prática, bêbada e sóbria, enganada e ardentemente amada, uma tolinha e uma mulher com um coração infinitamente sábio, uma cômica capaz de arrancar lágrimas, uma garota que canta que o amor já passou para ela no momento em que volta a se apaixonar. Marilyn é uma figura ora falsa, ora verdadeira…

o pecado mora ao lado

Verdadeira: quem fala é Sugar Kane, a tocadora de guitarra e cantora da orquestra feminina em que Jack Lemmon e Tony Curtis têm de se esconder. Aqui, Marilyn é inteiramente ela mesma, e inteiramente arte cômica. Billy Wilder elaborou todas as contradições e conflitos dela para torná-la uma figura imortal. Quanto Mais Quente Melhor é o melhor filme de Marilyn Monroe, porque não é absolutamente um filme de Monroe, mas um filme de Wilder.

Hellmuth Karasek, na biografia do cineasta Billy Wilder, Billy Wilder: E o Resto é Loucura (Editora DBA; pgs. 396 e 397). Abaixo, os bastidores de O Pecado Mora ao Lado, na famosa cena do respiradouro do metrô, e Quanto Mais Quente Melhor.

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quanto mais quente melhor

Veja também:
Marilyn, por Norman Mailer

Bastidores: Uma Aventura na África

Huston contou certa vez que ia “tocando” African Queen sem muito entusiasmo. Alguma coisa não funcionava, até que Katharine Hepburn, a co-estrela, teve o clique. Ela começou a dar a réplica a [Humphrey] Bogart usando a entonação da ex-primeira dama Eleanor Roosevelt, ele aceitou o desafio e criou-se o clima de humor ausente no roteiro de James Agee. Sempre achei a história curiosa e elucidativa de como os melhores roteiros, afinal, são ferramentas que os diretores vão usar, e até subverter, que era como faziam os grandes, na era da dominação dos estúdios, em Hollywood.

Luiz Carlos Merten, crítico de cinema, em seu blog no portal do Estadão (abril de 2010; leia post completo aqui). Abaixo, na terceira foto, é possível ver o diretor John Huston com um rifle durante as filmagens, no Congo.

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uma aventura na áfrica3

uma aventura na áfrica

Veja também:
À Sombra do Vulcão, de John Huston
O Homem que Queria Ser Rei, de John Huston

Bastidores: Meu Ódio Será Sua Herança

O romantismo às vezes delirante é a tônica de sua filmografia, e particularmente de The Wild Bunch. Lá estão seus temas básicos – individualismo exacerbado, amor à natureza, culto do marginal, recuperação do passado lendário, atração pela morte, revolta anárquica contra a sociedade industrial que aniquila o relacionamento direto entre os homens, antes regulado por leis simples, embora duras, e fáceis de compreender. Quando matar e morrer parecia um esporte heroico submetido a um código de lealdade.

Eduardo Coutinho, cineasta e crítico de cinema, sobre o cineasta Sam Peckinpah e sua obra-prima Meu Ódio Será Sua Herança, para o Jornal do Brasil (abril de 1974). Abaixo, Peckinpah durante as filmagens.

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Veja também:
Bastidores: De Repente, No Último Verão

Bastidores: Spartacus

As filmagens tiveram imensos problemas. Jean Simmons teve de ser operada de urgência, Douglas chegava muitas vezes atrasado ao e apanhou um vírus durante dez dias, Ustinov, Olivier e Laughton tinham compromissos urgentes pelo mundo e Tony Curtis tinha um pé engessado por ter torcido o tendão de Aquiles. Além disso, Trumbo fazia alterações no roteiro todos os dias.

Paul Duncan, em Stanley Kubrick – Filmografia Completa (Taschen; pg. 61).

Em Spartacus, tentei tornar a história o mais autêntica possível. Eu tinha que lutar, principalmente, contra um roteiro bobo.

Stanley Kubrick, em entrevista a Michel Ciment, em 1972, após o lançamento de Laranja Mecânica, em Conversas com Kubrick (Cosac Naify; pg. 118). O roteirista do filme é Dalton Trumbo, que esteve na lista negra de Hollywood na época do macarthismo e foi contratado – como Kubrick, que substituiu o experiente Anthony Mann – pelo astro Kirk Douglas.

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Veja também:
Bastidores: O Iluminado
Nascido para Matar, de Stanley Kubrick

Bastidores: Alien, o 8º Passageiro

Criado pelo artista suíço H.R. Giger, Alien é não apenas uma grande obra do ponto de vista do desenho virtuosista de seu criador, nem apenas do design complexo que mistura corpo e máquina, mas uma verdadeira teoria explicativa da condição humana e da cultura no estágio em que a experimentamos hoje. Alien é uma das mais poderosas imagens da nossa era tecnológica e pós-humana, que se coloca como amplo questionamento sobre nosso corpo humano em seu devir-máquina. Alien é uma metáfora da cultura tanto quanto do cinema, assim como do lugar daquilo que chamávamos há pouco tempo de subjetividade. A capacidade de ainda nos impressionarmos tanto com essa imagem não é sinal apenas da competência do artista e do cineasta, mas também de que ainda podemos ter esperança na condição humana.

Marcia Tiburi, em sua coluna na revista Cult (edição 141, de novembro de 2009; lei texto completo aqui), na ocasião do aniversário de 30 anos da obra de Ridley Scott.

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Veja também:
Bastidores: Ridley Scott em dois tempos