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Bastidores: Kramer vs. Kramer

A direção de [Robert] Benton deve primeiro ser elogiada por sua escolha de atores e sua colaboração com eles. Este é seu primeiro filme sério: anteriormente ele dirigiu Má Companhia e A Última Investigação, ambos fortemente cômicos. Aqui ele está lidando com mágoa, mesmo que seja vista através de um temperamento de comédia rápida, e sua mão é justa e correta. Ele se dá bem com o interior das cenas, o movimento dos atores e da câmera, os cortes internos. Minha única briga é com a edição geral, a junção de sequências. Sempre estou consciente de que ele está cortando as lacunas do tempo, começando com uma inserção precoce de caminhões de lixo – depois que Streep sai – para nos dizer que a noite passou. E muitas vezes, no final da seqüência, Benton corta ou desvanece para o preto. Este dispositivo, uma vez comum, é agora relativamente raro e deve permanecer raro. Ninguém quer ser sacudido para a consciência da própria tela enquanto assiste a um filme, a menos que aquele momento de preto, aquela consciência da existência da tela, seja ela própria parte do filme, como às vezes tem sido em Bergman.

Stanley Kauffmann, crítico de cinema, no site da revista The New Republic (a crítica é de dezembro de 1979 e pode ser lida aqui; a tradução é deste site). Abaixo, Dustin Hoffman e Meryl Streep durante as filmagens.

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Bastidores: O Sétimo Selo

As preocupações mais profundas do filme podem remontar à infância de Bergman num intenso – para ele sufocante e opressivamente tenso – lar cristão, onde as grandes questões de relacionamento entre o Bem e o Mal, Deus e o Diabo, o Homem e Deus, o Homem e a Morte e a Redenção faziam parte da vida e da conversa cotidianas.

Melvyn Bragg, escritor e radialista, em O Sétimo Selo (editora Rocco; pg. 37). O autor refere-se à infância de Ingmar Bergman em um lar religioso e rígido demais. O pai do cineasta sueco era pastor da Igreja Luterana, descrito pelo mesmo autor como “tirânica divindade doméstica”, e contra o qual Bergman rebelar-se-ia mais tarde.

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Bastidores: Código Desconhecido

Binoche recorda a sequência de Código Desconhecido em que tem de atacar uma criança: “Foi muito difícil esbofetear o menino. Michael não queria se envolver com tanta proximidade. Ele me disse: ‘Está tudo bem’. Mas eu podia ver nos olhos do pequeno menino que era um tipo de humilhação. Pedi-lhe para me esbofetear primeiro, mas ele não faria isso”. Colocado dessa forma, é a saída à condenação: munição perfeita para detratores e inimigos de Haneke. Mas Binoche é uma boa amiga, e ela entende com reservas o que os outros leem como frieza. “Ele precisa que o lugar desconfortável”, ela me disse, acrescentando: “Ele gosta de provocar. Filmar para ele é um meio ativo, não sedativo. Ele quer acordar você”. Algo sobre a cena do tapa, porém, ressoa com dor mais profunda. Como Haneke me disse: “Você pode mostrar todas as deficiências de uma sociedade através de seus filhos, porque eles estão sempre no primeiro degrau. Então, são animais. Eles são aqueles que não podem se defender. São vítimas predestinadas”.

Anthony Lane, no perfil do cineasta Michael Haneke para a revista The New Yorker (outubro de 2009; tradução deste blog). Na foto, Juliette Binoche ao lado de Haneke.

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Bastidores: Fogo Contra Fogo

Antes de Fogo Contra Fogo, Al Pacino e Robert De Niro estiveram juntos apenas nos créditos de O Poderoso Chefão – Parte 2. Um no presente, o outro no passado. O primeiro como filho, o outro como pai – no mesmo papel que Marlon Brando viveu na primeira parte.

Com seu filme policial de 1995, Michael Mann realiza o sonho de diferentes cinéfilos: coloca as duas lendas frente a frente, dois dos maiores atores da geração da Nova Hollywood, surgida no fim dos anos 60 e começo dos 70.

O principal momento desse encontro ocorre em um café, após o policial de Pacino abordar De Niro no trânsito. Não é uma sequência longa. Eles conversam e até tocam em assuntos pessoais. Respeitam-se. E deixam claro o desejo de ir até o fim, de não ceder às vontades do outro.

O encerramento revela algo curioso com o toque de mão. Estariam procurando a camaradagem naquela grande cidade fria? Por momentos como esse, Fogo Contra Fogo tem características de um grande filme: é ao mesmo tempo direto e misterioso.

fogo contra fogo

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