Folha da Manhã

Bastidores: Nashville

Ao final de Nashville, quando toda a tensão acumulada explode em tiros e sangue, a câmera, num movimento vertical, vai descobrir pela primeira vez o céu (um buraco branco e vazio), onde nada parece existir, nem mesmo a palavra “fim” (the end). Nashville é um filme a prosseguir, um esboço (rápido) de um momento da civilização americana, na passagem de seus duzentos anos. Um documento para a posteridade.

Tuio Becker, crítico de cinema, na Folha da Manhã (novembro de 1976). A crítica está reproduzida no livro Sublime Obsessão (Unidade Editorial; pg. 253). Abaixo, o diretor Robert Altman, na câmera, durante as filmagens de Nashville, lançado em 1975.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Bastidores: Três Mulheres

Bastidores: Terra de Ninguém

Kit mata e isto faz dele um herói. A própria polícia que o prende, no final, sonha em adotar o seu comportamento. Em síntese, Malick sugere que Kit faz aquilo que os outros reprimem. Um personagem fascista? Por certo que sim, uma das frases de Kit é “levem em conta a opinião da minoria, mas façam tudo de acordo com a maioria”. A maioria silenciosa da América, bem entendido. Terra de Ninguém é uma análise profunda dos mitos desta América reprimida e puritana do meio Oeste. Malick descobre o comportamento patológico, filma a doença da organização social: as águas na superfície estão calmas, mas no fundo agita-se o lodaçal.

Luiz Carlos Merten, crítico de cinema, no jornal Folha da Manhã (7 de outubro de 1975; texto reproduzido no livro Um Sonho de Cinema; Editora da Unisc, pg. 164). Abaixo, o ator Martin Sheen, que interpreta Kit, e o diretor Terrence Malick.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

terra-de-ninguem

Veja também:
Sete bons filmes com Jessica Chastain

Bastidores: Cabaret

Não é sempre que se vê um musical tratando de assuntos assim tão sérios e é mais raro ainda que os trate com o rigor de Cabaret. Num certo sentido, muita coisa que Visconti queria dizer (e que aparecia confundida pelo fatal viscontiano) em Os Deuses Malditos, aflora com força de excelência no trabalho de Bob Fosse. Há diferenças, claro, mas Fosse, como Visconti, procura mostrar o nazismo como extensão da degenerescência patológica da alma alemã, não recuando ante a amostragem de homossexualismo, corrupção e decadência. Só que, enquanto Visconti via o tema da perspectiva da intriga palaciana (os deuses no seu Olimpo amaldiçoado), Bob Fosse mostra o surgimento do nazismo do ponto-de-vista do homem comum, filmando os sonhos desfeitos e a dura luta dos personagens.

Luiz Carlos Merten, crítico de cinema, no jornal Folha da Manhã (11 de outubro de 1972). A crítica foi reproduzida no livro Um Sonho de Cinema (Editora da Unisc; pgs. 103 e 104). Abaixo, a atriz Liza Minnelli com o diretor Bob Fosse.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

cabaret

Veja também:
Seis grandes cineastas inspirados por Federico Fellini