filmografia

Os filmes de Leos Carax

Enfant terrible, entre a crítica especializada, pode indicar o artista provocador, inquieto, que não cansa de surpreender. No caso do francês Leos Carax, a cada filme surge uma surpresa. É um diretor que não faz concessões. Sua obra carrega algo futurista, algo banhado na nouvelle vague, com amantes exagerados, seres que não se explicam facilmente, com velocidade e pegada pop.

Além dos filmes abaixo, Carax também fez alguns curtas-metragens e clipes para bandas e cantores famosos, como Carla Bruni e New Order.

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Boy Meets Girl (1984)

O diretor francês vai à fonte da nouvelle vague nesse belo filme de estreia. Ágil, cheio de sentimentos, com um jovem protagonista que deseja ser cineasta, vivido pelo ator predileto de Carax, Denis Lavant. Na pele de Alex, ele foi deixado pela amada e acaba encontrando uma menina que também foi abandonada pelo companheiro.

Sangue Ruim (1986)

Ao talentoso Lavant, Carax soma o grande Michel Piccoli e a então jovem musa francesa Juliette Binoche. De novo com o nome de Alex, o ator vive em um ambiente aparentemente futurista, perdeu o pai (um suicida) e se une à gangue encabeçada pela personagem de Piccoli, Marc. Por ali, Binoche insinua-se como anjo e salvação.

Os Amantes de Pont-Neuf (1991)

Os amantes em questão vivem sobre um ponte fechada, a mais antiga de Paris. Estão na cidade e não estão. Mais uma vez, o clima futurista e de degradação impõe-se no cinema de Carax. A produção foi conflituosa. A certa altura, o diretor precisou construir uma ponte falsa, em outro local, para terminar o filme. Trata-se de um belo fracasso.

Pola X (1999)

Prestes a se casar, rapaz (Guillaume Depardieu) vive em um belo castelo, ao lado de sua bela mãe (Catherine Deneuve). Sua vida desaba quando ele encontra uma menina (Yekaterina Golubeva) que diz ser sua irmã. A partir daí, ele sai de casa para viver nas ruas de Paris e termina em uma fábrica abandonada, com um grupo de excluídos.

Tokyo! (2008) (episódio Merde)

O segundo episódio desse filme curioso, dividido em três histórias, fica a cargo de Carax. Seu universo estranho volta a ganhar espaço, dessa vez com a criação da personagem Merde (vivida justamente por Lavant), que retornaria em Holy Motors. Esse ser grotesco sai do esgoto e vem à superfície de Tóquio para trazer destruição.

Holy Motors (2012)

O grande filme de Carax. A bordo de uma limousine convertida em camarim, um homem (Lavant) sai às ruas de Paris para viver, a cada parada, uma nova vida. O filme é difícil de definir e divide opiniões. Além de Lavant, estão no elenco a veterana Edith Scob (com uma referência a Olhos Sem Rosto), Eva Mendes e a cantora Kylie Minogue.

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Os dez melhores filmes de François Truffaut

Não dá para negar o apelido: François Truffaut foi, sem dúvida, o mais apaixonado dos cineastas. Sua fórmula, apesar de variações, eram quase sempre as mesmas: a paixão pelas mulheres, pelo cinema, pelas pequenas (ou grandes) situações cômicas, como um observador da vida, um cronista de seu tempo.

Morreu cedo. Poderia ter feito muito mais. Seu cinema difere-se do de Godard, do de Rivette ou Rohmer – alguns de seus parceiros no movimento nouvelle vague. Ora flerta com Renoir, ora com Hitchcock, em obras que saltam do drama profundo à graça da infância, do amor a três à possibilidade de amar várias mulheres ao mesmo tempo.

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10) O Último Metrô (1980)

Deliciosa comédia à maneira de Renoir, na qual a dona de um teatro (Catherine Deneuve) esconde seu marido judeu em plena França ocupada, durante a guerra.

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9) Jules e Jim – Uma Mulher para Dois (1962)

Filme de amor livre, o mais apaixonado ato de Truffaut, com o trio de amantes e amigos divididos pela guerra. Em seu grande momento, Jeanne Moreau imortaliza-se na tela.

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8) As Duas Inglesas e o Amor (1971)

Outra história de amor a três: a relação de um francês (Jean-Pierre Léaud) com duas inglesas, em idas e vindas, com o passar do tempo e a tragédia imposta pela solidão.

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7) Um Só Pecado (1964)

Françoise Dorléac morreu jovem e deixou o filme como testamento. É sobre adultério, sobre um homem (Jean Desailly) entre a vida de casado e as escapadas com a amante.

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6) A História de Adèle H. (1975)

O amor cego, não correspondido, em seu estágio máximo de entrega: a tradução de tudo isso nos olhos de uma extraordinária Isabelle Adjani, indicada ao Oscar pelo papel.

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5) A Mulher do Lado (1981)

A história de amor feita do acaso, seu ponto de partida: o homem (Gérard Depardieu) vê sua vida mudar ao reencontrar a antiga amante (Fanny Ardant), agora sua nova vizinha.

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4) A Noite Americana (1973)

Ao lado de Assim Estava Escrito e O Jogador, é um dos melhores filmes sobre o universo do cinema, com suas estrelas, trapalhadas e apaixonantes improvisações.

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3) Beijos Proibidos (1968)

A terceira parte da saga de Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) leva à aventura cômica, ao jovem detetive nos tempos conflituosos de 1968, decidido a desvendar o amor.

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2) O Garoto Selvagem (1970)

Poderoso estudo sobre a linguagem, a descoberta da vida, a adaptação da criança ao mundo de signos e avesso à selvageria. O diretor interpreta o professor Jean Itard.

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1) Os Incompreendidos (1959)

Marco inaugural da nouvelle vague, valeu a Truffaut o prêmio de direção em Cannes e apresentou ao mundo o crítico de cinema que ajudou a reinventar a sétima arte.

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Os cinco melhores filmes com Kevin Spacey

Desde seus primeiros papéis, como a inesquecível participação em Uma Secretária de Futuro, Spacey despontou entre os mais versáteis atores da atualidade. A consagração veio nos anos 90, com grandes papéis: ganhou dois Oscars, interpretou vilões e, como outros, também teve deslizes. Abaixo, seus melhores filmes.

5) Margin Call – O Dia Antes do Fim, de J.C. Chandor

Filmaço sobre Wall Street e sua podridão. Aqui, um jovem talento (Zachary Quinto) descobre que sua empresa de capital aberto está prestes a ir à bancarrota. Logo, em uma noite que deveria ser como outras, aciona os “cabeças” da companhia para tentar salvá-la. Ninguém escapa aos problemas, nem a personagem de Spacey, que, ao contrário de outras, ainda parece guardar algum pingo de humanidade. O texto é afiado e os diálogos, incríveis.

margin call

4) Seven: Os Sete Crimes Capitais, de David Fincher

Depois de interpretar um grande vilão em Os Suspeitos (e ganhar um Oscar de coadjuvante), Spacey foi escalado para viver o serial killer que aparece apenas na parte final da obra de Fincher, entre suas mais lembradas. Seu jeito frio e calculista chama a atenção: não é difícil entender o que faz o policial vivido por Brad Pitt perder a cabeça, ao fim, e concretizar o desejo do assassino. As expressões de John Doe são inesquecíveis.

seven

3) Beleza Americana, de Sam Mendes

Valeu ao ator seu segundo Oscar. Difícil imaginar outro na pele de Lester Burnham, narrador, cuja morte anuncia nos primeiros instantes. Enquanto joga tudo para o alto, Lester mantém relações com os vizinhos, também com a filha, com a mulher instável (Annette Bening) e enxerga pétalas de rosas vindas do corpo da ninfeta (Mena Suvari), a amiga da filha (Thora Birch). Nada é o que parece nessa América de mentira. Muito menos a beleza.

beleza americana

2) O Sucesso a Qualquer Preço, de James Foley

A partir da peça de David Mamet, o diretor Foley constrói a loucura de alguns homens dispostos a vender imóveis. Esses corretores são colocados na parede, precisam vender a qualquer custo. Como outras obras de Mamet, fala sobre corrupção e bandidagem. Passa-se em poucas horas, em noite chuvosa. Ao lado de várias estrelas, entre elas Al Pacino e Jack Lemmon, Spacey é John Williamson, tipo asqueroso e impotente que não sabe lidar com o poder.

o sucesso a qualquer preço

1) Los Angeles: Cidade Proibida, de Curtis Hanson

Na Los Angeles dos anos 50, estrelas do cinema misturam-se a policiais. Nesse híbrido está a personagem de Spacey, policial que serve de consultor às séries policiais, que circula e dança com atrizes, que sabe – como fez a outras personagens – ser cínico sem perder o sentido do drama. E esse sentido torna-o chave para o destino dos outros dois policiais idealistas, também diferentes, interpretados por Russell Crowe e Guy Pearce.

los angeles cidade proibida

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Os filmes de Todd Haynes

A ousadia de filmes como Veneno e Não Estou Lá divide espaço na filmografia de Haynes com o melodrama à maneira de Douglas Sirk, com os preconceitos da sociedade americana, em obras como Longe do Paraíso e Carol. Um diretor mutante e capaz de retirar interpretações inesquecíveis de seus elencos. Abaixo, o blog traz seus principais trabalhos para o cinema.

Veneno (1991)

O longa-metragem de estreia de Haynes deixa claro seu lado experimental: são três histórias visualmente distintas, a partir de textos de Jean Genet, em cores e em preto e branco. Em uma delas, um homem faz uma experiência científica e fica leproso; em outra, um presidiário tem experiências homossexuais e lembra o passado; na terceira, o cineasta desenvolve um falso documentário sobre um garoto que fugiu de casa.

veneno

Mal do Século (1995)

Após trabalhar com Robert Altman e Louis Malle, Julianne Moore encara uma personagem desafiadora no grande filme de Haynes. Poderoso mergulho no mal-estar social criado na América rica e branca dos anos pós-Aids, a partir da paranoia de pessoas que pensavam estar doentes. Na pele de uma dama da alta sociedade, Moore é a personagem central que entra em processo de loucura e se isola.

mal do século

Velvet Goldmine (1998)

O cenário é a Inglaterra dos anos do glam rock, no início dos anos 70, tempo de artistas como David Bowie e Iggy Pop. Os excessos, as frases de efeito, as drogas: uma reunião de situações fortes, às vezes engraçadas, quando ter estilo era uma forma de viver. Em paralelo, nos anos 80, um jornalista tenta investigar o que teria ocorrido a uma das lendas dessa época – em uma narrativa que remete a Cidadão Kane.

velvet goldmine

Longe do Paraíso (2002)

A inspiração é Douglas Sirk e seus inesquecíveis melodramas feitos para a Universal nos anos 30. Seus ingredientes estão ali: o amor proibido, a sociedade preconceituosa e repressiva, o falso belo mundo por trás das grandes casas, em bairros abastados. Julianne Moore volta a brilhar no papel da mulher que descobre a atração do marido por outros homens, ao mesmo tempo em que recebe a visita de um belo jardineiro.

longe do paraíso

Não Estou Lá (2007)

Parte dos fãs de Bob Dylan não aceitava sua conversão à guitarra elétrica. E isso é representado pelo momento em que o artista atira contra seus espectadores. Para diferentes fases de sua vida, diferentes atores. Estão por ali Christian Bale, Richard Gere, Heath Ledger e Cate Blanchett. A última tem um momento iluminado na pele do músico (indicada ao Oscar de atriz coadjuvante), em passagens em preto e branco.

não estou lá

Carol (2015)

O diretor retorna à América de hipocrisia e repressão ao abordar o caso de amor entre duas mulheres, a Carol do título, vivida por Blanchett, e a Therese de Rooney Mara. Verdadeira batalha de interpretações, enquanto a primeira luta com seus problemas familiares (com o marido, sua família, seu passado) e a segunda tenta se descobrir. Bela história sobre o universo feminino, com alta dose de sensibilidade.

carol

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Os dez melhores filmes de Robert Altman

A obra de Altman dispensa apresentações. Trata-se, talvez, do melhor cineasta da renovação de Hollywood, quando alguns cineastas tiveram liberdade criativa suficiente para burlar as regras do sistema. Alguns consideram a Nova Hollywood – no fim dos anos 60 e começo dos 70 – como o último momento de grandeza do cinema americano.

Também considerado um indomado, Altman não fazia concessões, era para alguns um brigão, autor dentro do sistema de estúdios. Abaixo, seguem dez obras que apresentam o melhor do mestre – do filme recheado de personagens (uma marca do cineasta) à ficção científica.

10) Quinteto (1979)

Obra enigmática, futurista, branca mas obscura, sobre um jogo que envolve tabuleiros e a vida de seus jogadores. Olhar sem esperanças de Altman à humanidade.

quinteto

9) Renegados até a Última Rajada (1974)

A história já havia sido contada por Nicholas Ray em Amarga Esperança. O encerramento mostra a melhor imagem já feita sobre a Depressão Americana.

renegados até a última rajada

8) Assassinato em Gosford Park (2001)

Faz pensar em A Regra do Jogo, de Renoir, e envolve a morte de um homem – saída para Altman mostrar suspeitos entre gente rica e seus criados: os extremos.

gosford park

7) O Perigoso Adeus (1973)

Altman, no início, não queria se aventurar pelos meandros de Chandler. Mas a possibilidade de trabalhar com Elliott Gould mudou tudo.

o perigoso adeus

6) Três Mulheres (1977)

Irmão de Persona, de Bergman, o filme aborda a troca de personalidades e é um mergulho no universo feminino. Misteriosa, à beira do deserto.

tres mulheres

5) O Jogador (1992)

O cinema, sujo e perigoso, pelo ponto de vista do diretor. Para Altman, a possibilidade de contar a história de uma indústria que conheceu bem.

o jogador

4) M.A.S.H (1970)

A comédia ácida coloca Altman definitivamente no mapa do cinema, quando a Nova Hollywood estava com tudo. E em plena Guerra do Vietnã.

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3) Short Cuts – Cenas da Vida (1993)

Outro mosaico fantástico que começa com helicópteros combatendo uma praga de insetos e termina com um terremoto. E outra obra-prima.

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2) Nashville (1975)

Diversas personagens trazem, de novo, a beleza do mosaico de Altman: uma das marcas registradas do mestre e contador de histórias. Música e política encontram-se.

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1) Quando os Homens são Homens (1971)

Considerada um anti-western, a obra traz Warren Beatty como um jogador perdido no meio do nada, com um prostíbulo para tocar. Obra-prima.

quando os homens são homens

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