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Bergman encara a morte

A ideia de que, se morresse, não existiria mais, que teria de passar pela porta obscura, que havia alguma coisa que não podia controlar, coordenar ou prever, foi para mim uma fonte permanente de medo. Que eu, de repente, tenha tido a coragem de dar à Morte a figura de um palhaço branco, personagem essa que conversava, jogava xadrez e não arrastava consigo quaisquer segredos, foi o primeiro passo em minha luta contra o horror que sentia da morte.

Ingmar Bergman, cineasta, referindo-se a O Sétimo Selo, um de seus filmes mais famosos, no livro Imagens (Martins Fontes; pg. 238). Abaixo, a Morte em cena, interpretada pelo ator Bengt Ekerot.

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Bastidores: Mônica e o Desejo

Desdenhado quando de sua estreia no circuito comercial, Monika é um filme do mais original dos cineastas e é para o cinema de hoje o que O Nascimento de uma Nação foi para o cinema clássico. Assim como Griffith influenciou Sergei Eisenstein, Abel Gance, Fritz Lang, Monika levou ao apogeu, com cinco anos de vantagem, esse renascimento do jovem cinema moderno que tinha por sumos sacerdotes um Fellini, na Itália, um Aldrich, em Hollywood, em um Vadin (ou será que nos enganamos?), na França.

Jean-Luc Godard, cineasta, sobre o filme Mônica e o Desejo, de Ingmar Bergman. Texto publicado na revista Arts, em julho de 1958.

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A diferença entre teatro e cinema, segundo Marlon Brando

Se alguém resolvesse produzir uma peça como se produz um filme em Hollywood, seria expulso do palco sob gargalhadas. Nas peças da Broadway os atores e diretores passam cinco ou seis semanas reunidos falando sobre motivação, discutindo o roteiro e os personagens, repassando a história, examinando o palco, procurando abordagens diferentes; só então acabam montando o espetáculo. Depois levam a peça para Schenectady ou New Haven, veem como o público reage, acertam os detalhes e oito semanas depois voltam para Nova York e fazem a pré-estreia. Finalmente, quando tudo já foi montado, remontado e aprimorado, há uma noite de estreia. Em Hollywood geralmente há uma reunião de negócios em que a conversa é só a respeito de dinheiro, “objetivos” e “participação nos lucros”. Então o ator recebe um roteiro e a ordem de ir para o estúdio já sabendo o papel; daí em diante, fica praticamente por conta própria. Raramente os diretores de filmes dão ao ator sequer uma vaga sugestão de como ele deve representar o personagem.

(…)

No teatro é possível modificar a ênfase de uma cena, estabelecer o ritmo e determinar quais os principais pontos emocionantes de uma peça com base na reação do público das cidades do interior. Mas no cinema o diretor diz “corta” e “copie” e pronto. Na moviola, se eles quiserem, fazem picadinho de tudo. O ator não tem nenhum controle, a menos que tenha experiência suficiente para saber fazer o jogo, assumir e atuar apenas como quiser.

Marlon Brando, ator, na autobiografia Brando – Canções que Minha Mãe Me Ensinou, co-escrita por Robert Lindsey (Editora Siciliano; pgs. 172 e 173). Abaixo, Brando nas filmagens de Uma Rua Chamada Pecado.

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