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Sete bons filmes recentes sobre solidão e isolamento

Nem todas as personagens abaixo estão isoladas em cena. Em muitos casos ocorre exatamente o oposto. Suas relações passageiras dão a falsa ideia de que há sempre companhia, mas a solidão ainda assim persiste: são personagens que perderam companheiros, em depressão, pessoas à margem, que não conseguem se socializar ou que simplesmente desistiram dos outros e jogaram tudo para o alto.

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Na Natureza Selvagem, de Sean Penn

A história de Chris McCandless (Emile Hirsch), rapaz que rasga o RG, abandona a vida social e se muda para um local distante. Apesar do encontro com figuras distintas ao longo de sua jornada, esse road movie não deixa de apresentar seu isolamento, sua dificuldade em se relacionar, e um final melancólico em meio ao nada.

na natureza selvagem

Aquário, de Andrea Arnold

A rotina repetitiva de uma garota (Katie Jarvis) de classe média baixa, na Inglaterra: suas brigas com outras garotas, sua tentativa de libertar um cavalo amarrado, suas danças e, mais tarde, os flertes com o novo namorado da mãe, interpretado por Michael Fassbender. A relação com esse novo homem será de descobertas e decepções.

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Lunar, de Duncan Jones

Sozinho em uma estação lunar, no futuro, o astronauta (Sam Rockwell) relaciona-se apenas com uma máquina (a voz de Kevin Spacey) e, depois, descobre-se parte de uma engrenagem perversa. Não se desconfia de sua humanidade, e é ela que explode contra o ambiente branco e metálico, contra a terra acinzentada, o vazio do lado de fora.

lunar

Shame, de Steve McQueen

A certa altura de Shame, o protagonista (Fassbender) corre pelas ruas de Nova York, à noite, para lugar algum. O exercício físico é sua desculpa. E a câmera acompanha essa corrida por quarteirões, dá ideia de seu vazio. A saber: trata-se de um filme sobre um homem viciado em sexo, com dificuldade para encontrar relacionamentos duradouros.

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Um Estranho no Lago, de Alain Guiraudie

Outro caso em que as personagens possuem nada mais que o sexo. E a impressão é de que algo sempre se perde, de que nada persiste – o que a imagem final, a da queda da escuridão, pouco a pouco, só faz ratificar. Homens encontram-se à beira de um lago apenas para sexo casual. Mas um crime muda a rotina desse suposto paraíso.

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Oslo, 31 de Agosto, de Joachim Trier

A partir da obra de Pierre Drieu La Rochelle, que também serviu para Trinta Anos Esta Noite, de Malle, o cineasta dinamarquês percorre um dia na vida de um jovem. Em recuperação de seu vício em drogas, Anders (Anders Danielsen Lie) sai para uma entrevista de emprego, reencontra amigos e descobre como é difícil a ressocialização.

Oslo

Ela, de Spike Jonze

Para preencher seu vazio, o protagonista Theodore (Joaquin Phoenix) aceita como companhia uma inteligência artificial que carrega no bolso, em seu celular, com a voz provocante de Scarlett Johansson. Mas Samantha – ao mesmo tempo distante e sempre presente – torna-se mais que uma fuga de ocasião: torna-se alguém para se apaixonar.

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Sete bons filmes com Jessica Chastain

É uma daquelas aparições que não passam despercebidas. Quando surgiu, Jessica Chastain estava pronta para ser estrela, com traços angelicais, bela, também disposta a papéis inesperados, como se viu no fraco Histórias Cruzadas.

Para muita gente, foi em Árvore da Vida que se deu a descoberta. Mas ela esteve antes no extraordinário O Abrigo. Recentemente, Chastain não tem se preocupado apenas em ser protagonista. Suas coadjuvantes são boas até mesmo quando o material não ajuda, como no recente Perdido em Marte. Abaixo, seus melhores filmes até o momento.

O Abrigo, de Jeff Nichols

Em cena, ela interpreta a mulher de um homem paranoico, que constrói um abrigo contra furacões e outros desastres, e contra os gafanhotos que anunciam os dias finais.

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Árvore da Vida, de Terrence Malick

O pai, vivido por Brad Pitt, parece representar o mundo bruto. Do outro lado, ela é a mãe cuja face remete ao espírito, em belas sequências desse premiado filme de Malick.

árvore da vida

Os Infratores, de John Hillcoat

Nesse interessante filme de gângster, a atriz é a bela que se infiltra em uma família, entre irmãos, e que precisa mostrar força em um ambiente tipicamente masculino.

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A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow

História supostamente verdadeira, sobre como a agente Maya (Chastain), de contornos heroicos, conseguiu chegar ao esconderijo do terrorista Osama bin Laden.

a hora mais escura

Miss Julie, de Liv Ullmann

Dirigida pela grande dama de Bergman, a partir de um texto de Strindberg, ela é a dona da grande casa em conflito com o criado (Colin Farrell). Em cena, romance e diferenças sociais.

miss julie

O Ano Mais Violento, de J.C. Chandor

Belo filme passado na Nova York dos anos 80, quando um empresário tenta se desviar da corrupção, sobreviver à concorrência e lidar com a ambiciosa esposa (Chastain).

o ano mais violento

A Colina Escarlate, de Guillermo del Toro

Boa surpresa de 2015, sobre uma menina (Mia Wasikowska) apaixonada pelo homem errado, e tendo de lidar com a personagem de Chastain, a estranha irmã do rapaz.

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Cinco bons filmes realistas do cinema recente

Filmes realistas aproximam-se das personagens sem julgá-las, em busca do menor registro, do detalhe, sem trilha sonora, com luz ambiente e locais verdadeiros. Como se vê nos cinco filmes abaixo, as histórias humanas não se despregam das questões sociais em diferentes países do mundo – Romênia, Itália, Grécia, Bulgária e Bélgica.

São consideradas obras “físicas” devido ao suposto intimismo, e ora ou outra investem na improvisação de atores. Passam longe do vazio. A realidade esconde segredos e inquietude. Nem tudo está ao alcance da mera observação.

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Polícia, Adjetivo, de Corneliu Porumboiu

Diferente dos típicos filmes sobre investigação policial, a obra de Porumboiu aposta na espera, no olhar do protagonista, em sua frustração. Questiona a conduta do profissional, já que sua visão é unilateral, sem poder entender quem investiga – neste caso, um rapaz que pode ser condenado e perder sua juventude na cadeia.

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Corpo Celeste, de Alice Rohrwacher

Como o filme seguinte de Rohrwacher, As Maravilhas, Corpo Celeste é sobre uma garota vivendo transformações: ela muda de cidade e passa a levantar questões que as pessoas de sua igreja não podem responder. Enquanto a mãe está distante, ela deverá cruzar uma linha imaginária e se aproximar de pessoas pobres e reais.

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O Garoto que Come Alpiste, de Ektoras Lygizos

A crise grega serve de pano de fundo. À frente, o garoto do título vive isolado, colado à câmera do diretor enquanto come seu alpiste. O pássaro é seu único companheiro. A garota pretende estabelecer uma conexão, o que é incerto. O filme de Lygizos é sobre viver de maneira primitiva em um suposto mundo moderno e implacável.

o garoto que come alpiste

A Lição, de Kristina Grozeva e Petar Valchanov

A professora questiona os alunos sobre uma quantia de dinheiro furtada. O culpado insiste em não aparecer. Em paralelo, ela corre o risco de perder a casa e, quando toma dinheiro emprestado de um agiota, passa a ser ameaçada. As circunstâncias levam essa mulher a questionar a indiferença do sistema frio ao qual está alienada.

a lição

Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

Como no filme citado antes, a obra dos irmãos Dardenne também abarca a corrida de uma mulher para salvar a própria pele: ela precisa convencer os amigos do trabalho a votar a seu favor – e contra um bônus dado pela empresa – para continuar em seu cargo. Baterá de porta em porta, sempre com novos choques e diferentes situações.

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