filmagem

Como Stanley Kubrick conheceu Malcolm McDowell

Ele tinha me visto em Se…, de Lindsay Anderson, me telefonou e pediu que lesse o romance de Anthony Burgess. Mais tarde, me propôs o papel. Ele não fez testes, queria simplesmente saber se eu gostaria de interpretar o personagem. Eu me lembro de que, para os outros papéis, ele fez audições com atores em minha casa. Era um loft e ele gostou muito dele. Queria até filmar ali a cena da Mulher dos Gatos, mas não deixei! Stanley não me deu nenhuma explicação nem fez nenhum comentário sobre Alex. Foi Lindsay Anderson que me deu uma base. Ele não compreendia o roteiro, achava que não tinha nem pé nem cabeça, mas eu queria sua opinião. Ele me disse que havia em Se… um close de mim em que eu sorria antes de entrar em um cômodo onde alguém vai me castigar com uma vareta. “É assim que você deveria interpretar o papel”, ele acrescentou. E era isso mesmo. No primeiro dia de filmagem com Stanley, eu estava nervoso, claro, mas não mais do que o habitual, sabia exatamente como interpretar, e filmei a primeira cena como Lindsay havia sugerido.

Malcolm McDowell, ator e protagonista de Laranja Mecânica, em entrevista a Michel Ciment em julho de 1999, reproduzida em Conversas com Kubrick (Cosac Naify; pg. 277). Abaixo, McDowell e Stanley Kubrick nas filmagens da cena da Mulher dos Gatos.

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Encontro com Kubrick

Bastidores: Laranja Mecânica

Bastidores: 12 Homens e uma Sentença

Nunca me ocorreu que rodar um filme inteiro em uma única sala fosse um problema. Na verdade, eu achava que poderia tirar vantagem disto. Um dos mais importantes elementos dramáticos para mim era a sensação de aprisionamento que aqueles homens deviam sentir naquela sala. Imediatamente me ocorreu um “enredo de lentes”. À medida que o filme se desenrolava, eu queria que a sala fosse parecendo cada vez menor. Isto queria dizer que eu iria aos poucos passar a usar lentes mais longas com a continuação do filme. Começando com a faixa normal (28mm a 40mm), passamos para lentes de 50mm, 75mm e 100mm. Além disso, rodei o primeiro terço do filme acima do nível do olho e depois, abaixando a câmera, rodei o segundo terço ao nível do olho e o último terço abaixo do nível do olho. Desse modo, já para o fim, o teto começava a aparecer. Não apenas as paredes se fechavam; o teto também. A sensação de crescente claustrofobia ajudou muito a elevar a tensão da última parte do filme. Na tomada final, uma exterior que mostrava os jurados deixando o tribunal, usei uma lente grande-angular, mais larga do que qualquer lente que tivesse sido usada em todo o filme. Também levantei a câmera para a posição mais elevada acima do nível do olho. A intenção era literalmente nos dar todo o ar, deixar-nos finalmente respirar, depois de duas horas cada vez mais confinadas.

Sidney Lumet, cineasta, em Fazendo Filmes (Editora Rocco; pg. 80). Abaixo, Lumet com seu elenco durante as filmagens.

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Bastidores: O Expresso da Meia-Noite

Bastidores: Amargo Pesadelo

Filmado em ambientes naturais espetaculares dos estados da Geórgia, Carolina do Norte e Carolina do Sul, o filme contém uma mensagem ecológica animada e uma crítica acurada da capacidade do homem “civilizado” de invadir a natureza. Esses temas não são novos na filmografia de Boorman, já que em A Floresta das Esmeraldas, por exemplo, abordava a vida em uma tribo amazônica. Amargo Pesadelo também funciona como uma reflexão sobre até que ponto de desumanização uma pessoa pode chegar, tirando o pior de si mesma em circunstâncias extremas. Qualquer um pode quebrar seus códigos morais e mostrar sua face mais violenta e irracional quando vê sua vida em perigo ou quando há algum dano a alguém que importe. (…) Com cenas de ação vibrantes e realistas, como as descidas vertiginosas dos protagonistas pelas correntezas em suas canoas – que foram filmadas sem dublê na maioria dos casos – e uma crueza nas passagens mais violentas, Amargo Pesadelo pode ser considerado um dos melhores filmes de aventura e suspense de toda a década.

Jose Antonio Martín, crítico de cinema, no site El antepenúltimo mohicano (leia aqui; tradução do blog). Abaixo, Jon Voight durante as filmagens.

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Veja também:
Excalibur, de John Boorman

Bastidores: Meu Ódio Será Sua Herança

O romantismo às vezes delirante é a tônica de sua filmografia, e particularmente de The Wild Bunch. Lá estão seus temas básicos – individualismo exacerbado, amor à natureza, culto do marginal, recuperação do passado lendário, atração pela morte, revolta anárquica contra a sociedade industrial que aniquila o relacionamento direto entre os homens, antes regulado por leis simples, embora duras, e fáceis de compreender. Quando matar e morrer parecia um esporte heroico submetido a um código de lealdade.

Eduardo Coutinho, cineasta e crítico de cinema, sobre o cineasta Sam Peckinpah e sua obra-prima Meu Ódio Será Sua Herança, para o Jornal do Brasil (abril de 1974). Abaixo, Peckinpah durante as filmagens.

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meu ódio será sua herança

meu ódio será sua herança1

meu ódio será sua herança2

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