estética

Entrevista: Júlio Machado

O que primeiro chama a atenção em Júlio Machado é a energia. A forma de falar, de se expressar, o sorriso constante. Nunca é falso. Ao contrário, é perceptível seu interesse em interagir com o público, em mergulhar na história de Tiradentes, ou de seu Joaquim, e mesmo a paciência com cada um dos fãs que querem tirar uma foto com o ator.

Humano demais e, por isso, distante de sua personagem carrancuda (é o primeiro protagonista do ator no cinema), Júlio falou com o Palavras de Cinema após uma sessão de Joaquim e de um bate-papo com o público, em Jundiaí, no projeto Moviecom Arte. O assunto da entrevista, claro, é o filme de Marcelo Gomes, representante brasileiro na mostra principal do Festival de Berlim em 2017, sobre o período de formação da consciência de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Como você define Joaquim, o filme?

Joaquim é uma crônica do cotidiano do período colonial. A preocupação do filme foi sempre a de traçar um perfil, com as características daquela sociedade. Então a pesquisa e um estudo sobre o que compunha o modo de vida daquelas pessoas foram fundamentais para isso. Por outro lado, [é sobre] a tomada de consciência política daquele homem, daquele anti-herói, e não daquela figura engessada dos livros de história, que é o Tiradentes, mas o homem pré-Tiradentes. São essas duas estruturas que definem o filme.

Quer dizer, desde o início a ideia era mais o humano que o mito.

Exato. [A ideia] era fugir do mito histórico, de tudo o que já se falou sobre ele, de tudo o que já foi representado em dezenas de filmes, inclusive brasileiros, sobre ele. A ideia do Marcelo [Marcelo Gomes, o diretor] era se voltar ao homem.

Como o Marcelo Gomes chegou até você?

Através da Maria Clara Escobar, que faz a produção de elenco do filme e que é uma cineasta também, supertalentosa, mas que neste projeto, com o Marcelo, ficou com a produção de elenco. E ela chegou até o meu nome. E certa vez me mandou um e-mail, perguntando se eu tinha interesse de me colocar à disposição do Marcelo Gomes para fazer um teste para o filme. Eu falei: “Uau! Claro!”. Eu já adorava o cinema do Marcelo e falei que estava totalmente à disposição. Ele chegou até mim através da Maria Clara, e ela nos apresentou. Nós fizemos alguns encontros ao longo de dois meses, até ele se decidir qual elenco ia querer. E foi assim, uma pesquisa da produção.

Você, quando entrou no personagem, pensava estar dentro de Tiradentes ou preferia imaginar que vivia um homem comum? Como era sua consciência em relação a isso?

Agora é o Júlio… em situação emprestada do Joaquim e reagindo. O humano é a gente mesmo. O que eu pudesse emprestar de mais autêntico para o personagem é o que interessava. Então eu não pensava muito no mito Tiradentes. Era um ser humano… E outra coisa que eu acho interessante: nesse trabalho nós evitamos uma abordagem psicológica dos personagens, a compreensão, por exemplo, de um arco dramático dentro dele e dentro da história. A preocupação voltou-se principalmente para uma preparação física, de relação com aquela natureza selvagem. Os aspectos físicos foram determinantes em nossas composições. Não tinha muito racionalismo. A ideia era se colocar ali, naquele cenário. Andar por uma cidade histórica mineira já altera seu corpo, suas sensações, e a gente investiu nesse trabalho: como é o corpo reagindo em uma ladeira de pedras, no garimpo, em um lugar de sol o dia todo. Foi um processo absolutamente orgânico.

E o filme é extremamente sensorial, você sente esse universo.

Essa era outra preocupação. Dentro dessa tentativa interessava tudo que dissesse respeito àquele contexto e principalmente esse tempo que é muito diferente do nosso tempo contemporâneo, até do ponto de vista da dramaturgia. O roteiro de escola hollywoodiana, de grandes estúdios, eles são absolutamente dinâmicos para manter a atenção do espectador, com pontos de virada, e têm uma espécie de receita para manter essa atenção. E aqui a ideia era criar essa atmosfera, essa ambiente.

É até interessante você dizer isso, porque o encerramento de Joaquim, se pensarmos na forma do roteiro americano, é totalmente anticlímax.

Totalmente. E isso está na conta da ousadia e da coragem do Marcelo Gomes. Ele não está fazendo um filme de estúdio no qual tem de responder a determinadas exigências e tem essa característica. Por isso o Marcelo é um artista ímpar: ele faz questão de fazer um cinema com assinatura, é autoral. E em condições que foram possíveis. Não é um estúdio, com um investimento alto, te dando caminhos, mas um artista com o investimento possível querendo assinar sua própria obra. A coragem e a ousadia dele de não responder a anseios pré-concebidos.

E se a gente pensar no sentido histórico, do personagem Tiradentes, ele chega a ser subversivo, não é?

Eu acho que tudo é político na vida. E eu compreendi que estética também é política. Com o filme, a gente não pretende fazer o vômito de um discurso teórico e racional. Através desses estados, desses silêncios, desse tempo dilatado, que teoricamente seria o tempo das Minas no século 18, criamos platôs sensoriais que nos comuniquem. E isso, acho, é absolutamente político e amplia a percepção para as ideias. A pessoa que se submete a uma experiência estética não convencional sai mais aberta não apenas para as próprias experiências sensórias, mas também às ideias que virão.

Como é a forma de trabalhar de Marcelo Gomes?

Absolutamente pautada pela cumplicidade diante da obra. Ele tem o talento de escolher pessoas que estão convictas de que querem contar aquela história daquela maneira. Ele faz um longo processo de seleção desse elenco para ter certeza de que essas pessoas estarão engajadas. E ele faz isso de maneira sutil e delicada. Afeto é o que define o modo de trabalhar do Marcelo. E o profundo senso de inquietação diante de nossa realidade social e política, dessa direta conexão com a realidade de nosso país, inclusive com o nosso tempo. O artista tem que ler o seu tempo, falar sobre seu tempo. E é nisso que o Marcelo investe com afeto e é por isso que consegue resultados tão bons.

Vendo um filme como esse é impossível não falar de política.

É impossível. E foi maluco porque a gente não esperava que no momento em que o filme foi lançado estivéssemos passando por tanta revelação, por tanta movimentação na política. O filme começou a ser gerado há sete anos através do convite de uma produtora espanhola. E é uma feliz coincidência que ele saia agora, nesse momento em que as coisas estão se refletindo de modo tão contundente.

Veja também:
Mostra apresenta a arte de Jerzy Skolimowski

Homens reclusos (e as narrativas de Aurora e A Conversação)

O espectador não tem acesso às motivações do protagonista de Aurora, de Cristi Puiu, interpretado pelo próprio diretor. E sua personagem talvez nem seja tão reclusa quanto pareça.

Lá pelas tantas, entre movimento contínuo e poucos diálogos, traz à lembrança outro recluso, o protagonista de A Conversação, vivido por Gene Hackman. Apesar de viverem em seus universos particulares, eles, apáticos e silenciosos, são apresentados ao espectador de maneiras diferentes. E, por isso mesmo, os filmes em questão expandem o olhar às possibilidades da narrativa e da estética cinematográfica.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

aurora

A personagem de Aurora não deixa saber aonde vai, o que faz, por que mata um casal a certa altura, já na metade das três horas de duração – para muitos críticos, uma eternidade desnecessária. O de Coppola deixa saber tudo, ainda que recluso: as pessoas que vigia, os objetivos de seu trabalho, até mesmo a possibilidade de romper com a fé (o momento em que quebra a santa) para não se sentir mais fraco, ou “grampeado”.

A abertura de Aurora ecoa seu título: é manhã quando o espectador vê Viorel (Puiu) acordar, ao lado de uma mulher que pode ser sua esposa, ou não. A menina que percorre a casa pode ser sua filha, ou não. Nada é muito certo. Em seguida, o protagonista vai para outra residência, em reforma, local que talvez seja sua verdadeira moradia.

Encontra-se com várias pessoas em diferentes locais. Sai para comprar munições, fala sobre armas. Conserta sua espingarda e a aponta ao próprio corpo, indicativo de que talvez deseje se suicidar, cansado do universo vazio e sem luz que o cerca.

Talvez Viorel viva mais de uma vida, ao contrário do Harry Caul de A Conversação: tem mais de uma mulher, mais de uma casa, mais de uma profissão. Harry vive para o trabalho, para comunicar aos outros o incomunicável sem seus aparelhos eletrônicos.

Pela ótica de Coppola, Harry deixa ver tudo, ainda que silencioso, quando seus inimigos e outros farsantes começam a persegui-lo e contra ele retornam suas próprias armas: no fim abarrotado de tensão e paranoia, Harry será grampeado. Destrói sua moradia para encontrar o grampo. Em vão. Termina com a música, o item que lhe resta.

Por isso mesmo deixa ver mais. A música confere-lhe um pingo de sensibilidade. Harry, no fundo dos olhos, é fraco, por isso mesmo humano. Tem delírios, talvez tenha visto algo mais, ou descoberto o que não deveria: uma trama de assassinato.

a-conversacao1

Essa personagem faz as descobertas com o espectador. Ambos descobrem juntos. Ao contrário de Viorel, que sabe de tudo e não divide nada. É a opção de Puiu, a emissão de um vácuo a ser preenchido pelo público: ao mesmo tempo em que se “vê” cada passo e os detalhes de seu cotidiano, nada se sabe sobre o assassino silencioso.

Nenhum dos dois filmes enquadra-se a um gênero. São realistas. Pertencem a países e correntes cinematográficas diferentes: o novo cinema romeno, a Nova Hollywood.

Aurora prefere a distância, a câmera vigilante, o espectador ora ou outra na sala ao lado, a esperar o movimento de Viorel por cômodos aos quais não se tem acesso. Em uma cena angustiante, Puiu volta a câmera ao teto, como se tentasse indicar o trajeto percorrido pela personagem.

Ambos os filmes são alimentados por personagens separadas por décadas, distantes da câmera, cada uma à sua forma. Analisar como são compostas é um interessante exercício de cinema, de composição de vidas, de narrativa e mesmo de suspense.

(Idem, Cristi Puiu, 2010)
(The Conversation, Francis Ford Coppola, 1974)

Notas:
Aurora: ★★★☆☆
A Conversação: ★★★★★

Veja também:
Religiosos e intolerantes

Os filmes de Roy Andersson

Dono de um cinema artesanal, feito com calma e precisão para compor seus quadros, Roy Andersson foi descoberto por muita gente apenas mais tarde, com o sucesso de sua Trilogia do Ser Humano, iniciada em 2000. Ele próprio confessou o desejo de realizar filmes mais realistas no início da carreira, depois se dedicando ao abstrato.

E mesmo quando realista, como no poderoso Uma História de Amor Sueca, o realizador traz o pior dos homens, suas besteiras e desumanidade. Filmografia curta e poderosa.

Uma História de Amor Sueca (1970)

História de amor entre dois jovens. O garoto convive com seu grupo – meninos de jaqueta de couro, motos, cigarros na boca – e certo dia esbarra na menina. Entre descobertas, brigas e problemas familiares, o casal segue unido. O ponto alto é o momento em que o menino vai embora, para deixar tristeza na face da bela Ann-Sofie Kylin.

auma história de amor sueca

Giliap (1975)

Após o sucesso do filme anterior, Andersson encontrou o fracasso de crítica e público com Giliap. Trata-se de um longa interessante, com altos e baixos. Giliap (Thommy Berggren) começa a trabalhar em um restaurante como garçom, faz amizade com tipos estranhos que passam por ali e mais tarde se envolve com uma funcionária do local.

giliap

Mundo de Glória (1991)

O diretor fez um documentário, curtas e peças publicitárias após o fracasso de Giliap. Um desses trabalhos – que já define a estética vista mais tarde na Trilogia do Ser Humano – é esse belo curta-metragem, com profundidade de campo, câmera fixa, atuações pouco naturais e críticas à sociedade que se comporta como morta-viva.

mundo de glória

Canções do Segundo Andar (2000)

A primeira e poderosa parte da Trilogia do Ser Humano traz um bando de pessoas – boa parte delas de passagem – em meio ao caos urbano, indiferente aos outros, em ritos que beiram o grotesco. Nem tudo é explicado. A crítica de Andersson embrenha-se no irreal: para ele, situações impossíveis ajudam a compreender o que é ser humano.

canções do segundo andar

Vocês, os Vivos (2007)

Um pouco mais leve, mais engraçado, novamente no campo do absurdo, com suas personagens confessando sonhos, depois inclinadas à dura realidade. Uma professora deixa que os alunos vejam sua fraqueza e chora, uma menina sonha em casar com um guitarrista, uma banda ensaia a trilha daquelas passagens, aviões preparam um ataque.

vocês os vivos

Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência (2014)

Com um intervalo de sete anos entre uma parte e outra, Andersson chega ao capítulo final de sua trilogia. Segue as mesmas regras, com a mesma forma, e permite ver um trabalho coerente, sem dúvida autoral. De novo com sequências reais e outras delirantes, realiza aqui o melhor dos três. Leão de Ouro no Festival de Veneza.

um pombo pousou num galho

Veja também:
A Trilogia do Ser Humano, de Roy Andersson

Entrevista: Luiz Zanin Oricchio

O crítico Luiz Zanin Oricchio estudou psicologia e filosofia na USP, fez pós-graduação em psicanálise, clinicou, estudou fora do país e descobriu no cinema seu exercício diário. Como explica ele, são de dez a 15 filmes por semana. E tudo começou quando escrevia um livro de ficção. Mergulhou em Bertolucci e seu O Conformista. Sem querer, viu-se fazendo crítica de cinema.

É o que ele conta, entre uma pergunta e outra, na entrevista. Fala sobre a reação de um leitor a uma análise de Não Matarás, sua opinião sobre o investimento estatal e faz declarações esclarecedoras. “O cinema de mercado não deve ser culpabilizado. Ele não esconde o que quer: grana.” Zanin foi editor do Suplemento Cultura do Estadão por nove anos. Atualmente é repórter especial, colunista e crítico de cinema do jornal. É também presidente da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

Em uma análise recente de O Artista, você termina seu texto questionando. Diz “e daí?”, o que dá a impressão de que filmes como este parecem mera diversão ou nostalgia. Você se deixa levar pelo coração quando analisa um filme?

Com o “e daí” quis dizer que o filme, apesar de muito legal, não deixava mais nenhum lastro em meu imaginário. Não tinha maiores consequências. O coração está sempre presente, enquanto bater. Mas não pretendo jamais fazer crítica unicamente “com a emoção”, isto é, descerebrada. Estilo meu, o que fazer?

O trabalho do crítico inclui, além de informação, a opinião. Você recebe muitas críticas por causa das coisas que escreve? Lembra-se de algum caso que lhe chamou a atenção, de algum filme que criticou ou mesmo elogiou e que não foi bem recebido pelos leitores?

Lembro de dezenas de casos assim. Num deles, escrevi um texto longo, falando de Não Matarás, do Kieslowski, e classificando-o como obra-prima. Alguns dias depois recebi uma carta (era tempo da carta, não havia e-mail) de um juiz de direito dizendo que eu lhe havia proporcionado uma das piores noites da vida dele. Respondi dizendo que sentia muito, etc, mas o grande cinema era assim. Podia desagradar. Mesmo porque (isso eu não disse) o filme questionava a própria profissão do meu leitor.

Quando começou a trabalhar no Estadão, acha que já tinha um conhecimento de cinema suficiente para tal cargo? Você se cobra muito?

Já tinha uma informação relativamente boa, e com o tempo a gente vai melhorando um pouco. Mas sempre acho muito insuficiente. Não sei se algum dia vou me satisfazer com meu trabalho. Mas se esse dia chegar, será a hora de parar.

Quantos filmes assiste por semana? Resta tempo para ficar com a família?

Os filhos, enteados no caso, estão crescidos. Minha mulher (Maria do Rosário Caetano) é jornalista e crítica de cinema também, o que resolve bastante as coisas. Fazemos muita coisa juntos, inclusive viagens de trabalho. Acho que, entre filmes no cinema e DVD, dá entre dez e 15 por semana. Em época de festival é muito mais. Chega a quatro ou cinco por dia. Mas não gosto dessas maratonas. Faço porque sou obrigado.

As grandes capitais do país representam, de certo modo, muita diferença em relação a outras cidades (muitas delas sem um único cinema e espaços para exibição). Acha que investimento estatal em salas de espetáculos em geral é uma saída para preencher esse vazio?

Acho que o Estado deveria investir em salas populares. É a única saída para o déficit que ainda temos em termos de cinema. O nosso circuito não chega a 2,7 mil salas. É muito pouco.

Com tanto enlatado chegando aos cinemas semanalmente, ainda é possível acreditar no cinema americano de estúdios?

Chega muito enlatado e chega também cinema de estúdio. Na verdade, eles dominam a máquina, em nível mundial.

Não acha que falta um pouco de ousadia aos cineastas da atualidade em relação aos temas abordados ou mesmo às formas utilizadas? Nos últimos anos vimos, tenho a impressão, poucas propostas e novos olhares para causar alguma mudança (lembro-me do movimento Dogma, do cinema iraniano, mas isso ainda nos anos 1990). Essa carência tem explicação?

Sempre há alguma ousadia, se você olhar e pesquisar bem. Mas são casos isolados. O cinema, de maneira geral, está muito conformista, muito voltado ao mercado. O público, também de maneira geral, anda muito acomodado, sem vontade de experimentar novas abordagens, novas linguagens, etc. Não é um problema só do cinema. É a nossa época.

Em uma análise recente de números da Ancine, você fez alguns apontamentos sobre obras brasileiras que fizeram grande bilheteria. Em geral, comédias sem muito cérebro. A televisão e a dita “estética da Rede Globo” têm culpa nessa procura do público?

O cinema de mercado não deve ser culpabilizado. Ele não esconde o que quer: grana. O problema, acho, é financiar esse tipo de cinema com recurso público. Acho um contra-senso.

Você escreve muito também sobre futebol. Por que acha que é tão difícil fazer um bom filme sobre futebol?

Se você quiser encenar um jogo, vai parecer falso. O jeito é ir atrás da história humana que existe por trás do jogo. Isso, o Ugo Giorgetti percebeu e realizou muito bem em seus dois Boleiros. Mas o futebol, como recurso narrativo, aparece em vários outros filmes, como Linha de Passe, por exemplo. Não é sobre futebol, mas o futebol está dentro. Acho que, pelo que representa em termos do nosso imaginário social, o futebol é ainda um filão a ser mais (e melhor) explorado. Mas há o mito de que filme de futebol não dá bilheteria…

Como aquele gol que o torcedor não esquece, existe a cena que o cinéfilo sempre resgata em mente. Qual é a sua?

Várias. Para ficar com uma, a corrida de Geraldo Del Rey em direção à praia no final de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, ao som da música de Sérgio Ricardo.

Se tivesse que de citar um filme que fez a “lâmpada” acender em sua cabeça, para que se tornasse crítico, qual citaria? Alguma história por trás dessa relação com a obra?

Antes de me tornar jornalista nunca pensei (nem a sério e nem de leve) em ser crítico de cinema. Era só cinéfilo e isso me bastava. Mas eu estava escrevendo um livro de ficção e percebi que um dos personagens tinha uma relação profunda com um filme que eu havia visto, na época fazia pouco tempo, e me deixara impressionado. Era O Conformista, de Bernardo Bertolucci, baseado no romance de Alberto Moravia. Sem querer, fazendo ficção, eu havia escrito uma crítica. Pode ser que a coisa tenha nascido aí.

Leia aqui uma das críticas que Zanin escreveu sobre O Conformista.

Rafael Amaral (29/02/2012)