Elizabeth Taylor

Bastidores: Assim Caminha a Humanidade

Liz Taylor admitiu que, durante as filmagens de Assim Caminha a Humanidade, se sentira atraída por Rock [Hudson]. Tudo inútil, pois havia alguém bem mais atraente que ela – James Dean. Este era um bissexual assumido e extrovertido. Quando Dean morreu, Rock chorou durante horas.

Nigel Cawthorne, escritor, em A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood (pg. 311). Abaixo, Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean nas filmagens.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Veja também:
Bastidores: A Dama de Shanghai

Um certo George Eastman

Como uma personagem saída de um filme noir, George Eastman caminha pela estrada na abertura de Um Lugar ao Sol. Está em busca de oportunidades, de uma nova vida, quando vê, em um carro branco, a bela Angela Vickers (Elizabeth Taylor).

O filme de George Stevens oferece a típica história americana, melodramática, de busca por ascensão social e queda em igual medida: a história do homem pobre, da menina rica e da mulher assalariada grávida, a pedra no caminho. O carro branco e opulento antecipa o sonho, a busca desse jovem pobre e belo.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

um lugar ao sol1

O protagonista, vivido por Montgomery Clift no auge da beleza, é dúbio. É possível amar Eastman mesmo quando manipula as pessoas, mesmo quando vaga por diferentes classes, quando beija a pobre Alice Tripp (Shelley Winters) às sombras, como prova visual de sua vergonha, ou de seu refúgio. Stevens faz de Eastman um homem de duas vidas.

O protagonista começa em uma caminhada incerta e termina com a certeza da morte, ainda assim amado. Poucas histórias de amor no cinema chegaram a tanto sem cair na lágrima fácil. Um Lugar ao Sol evita lugares-comuns ao mesmo tempo em que se assume romance trágico, com contornos do cinema clássico.

Em momento único, entre tantos, Eastman reencontra Vickers na casa de seus parentes ricos. O olhar dele, para trás, é de fixação e surpresa: a bela menina rica, antes distante, passageira, torna-se próxima, “verdadeira”, possível. Em algum momento, real. E o faz um homem apaixonado. Interessante é que existe amor além de dinheiro e conveniência. O filme não evita apontar à chatice da pobreza em Tripp, à beleza da riqueza na leve e ainda assim sexualizada Vickers.

O menino entre a pobreza e a riqueza passa a frequentar festas de grã-finos. Ao fim delas, segue à casa da amante pobre, depois grávida, depois morta. A mulher escondida dá vez à mulher sempre à vista, com seu olhar único. O olhar de Taylor. Um dos olhares mais famosos do cinema, suficiente para o público entender tudo.

um lugar ao sol5

um lugar ao sol liz

(A Place in the Sun, George Stevens, 1951)

Nota: ★★★★★

Veja também:
Tarde Demais, de William Wyler

Os dez melhores filmes com Paul Newman

Poucos atores envelheceram tão bem. Enquanto James Dean morreu cedo e Brando degradou-se com sua vida particular, Paul Newman construiu uma carreira invejável. Sempre esteve ao lado de uma única mulher, sempre manteve a beleza sem esforço, sem se esconder em maquiagens ou simplesmente se transformar.

No início da carreira, com Marcado pela Sarjeta, deixou claro seu poder. Viriam outras obras brilhantes, com o ator sendo cativante ou menos, ou apenas o ordinário que se veria outras vezes, como em O Indomado, ou mesmo o bandido camarada de Rebeldia Indomável, Butch Cassidy e Golpe de Mestre.

Curta o Palavras de Cinema no Facebook

Na pele do vilão, como se veria em Estrada para Perdição, era também inigualável. Reunir dez filmes do grande ator, por isso, é um desafio a qualquer cinéfilo.

10) Quinteto, de Robert Altman

Ficção científica sobre o mundo à beira do fim, congelado, ambiente em que alguns poucos sobreviventes aderem ao estranho jogo que dá nome ao filme.

quinteto

9) Doce Pássaro da Juventude, de Richard Brooks

Crítica política poderosa, com Newman na pele de um garoto de programa que retorna à sua velha cidade ao lado de uma atriz famosa e disposto a reencontrar seu velho amor.

doce pássaro da juventude

8) Cortina Rasgada, de Alfred Hitchcock

O cientista interpretado por Newman demora a mostrar seu lado heroico. Mais tarde, o espectador descobre que ele serve de agente secreto na Alemanha Oriental.

cortina rasgada

7) Rebeldia Indomável, de Stuart Rosenberg

Várias sequências tornaram-se marcantes nesse filme sobre camaradagem e, como outros do ator, sobre remar contra o sistema, sobre o amado desajustado.

rebeldia indomável

6) O Veredicto, de Sidney Lumet

A cena inicial revela o protagonista, o advogado decadente, em um bar, e que joga para passar o tempo. Mais tarde ele terá sua grande chance para dar a volta por cima.

o veredicto

5) Gata em Teto de Zinco Quente, de Richard Brooks

De opção sexual dúbia, o homem de Newman recusa o irrecusável: mesmo com os desejos evidentes de Elizabeth Taylor, ele não consegue esquecer o amigo do passado.

gata em teto de zinco quente

4) O Mercador de Almas, de Martin Ritt

Como um jovem incendiário, perseguido, o astro encontra-se ao lado de sua companheira Joanne Woodward nesse grande filme de Martin Ritt.

o mercador de almas

3) Um de Nós Morrerá, de Arthur Penn

Em uma bela e brutal sequência, o diretor Penn antecipa a câmera lenta do encerramento de Bonnie & Clyde. Aqui, aborda outro mito: o jovem Billy The Kid.

um de nós morrerá

2) O Indomado, de Martin Ritt

Ao lado de Ritt, de novo, e mais uma vez como um desajustado. Dorme com diferentes mulheres, seduz sua criada e ainda tenta convencer o pai a vender uma boiada doente.

o indomado

1) Desafio à Corrupção, de Robert Rossen

A melhor personagem do ator é Eddie Felson, que lhe renderia o Oscar em outro filme (A Cor do Dinheiro) e tem de enfrentar o lendário Minnesota Fats nas mesas de sinuca.

desafio à corrupção

Veja também:
Os dez melhores filmes com Robert De Niro

Anti-Maria

A canônica cena de Elizabeth Taylor usando uma combinação branca, colada no corpo, no filme Butterfield 8, é uma das grandes imagens artísticas da minha vida. Ela é a mulher pagã da Babilônia – a deusa Ishtar, a anti-Maria. Essa foto prenuncia o despontar da revolução sexual, entre outras coisas. Mas as líderes feministas rejeitaram as sex-simbols de Hollywood desde o início. Raquel Welch ainda se queixava disso quando a entrevistei em 1994. Gloria Steinem não permitiu que Raquel discursasse numa manifestação pró-aborto, nos anos 70. Puritanas idiotas! Mas graças a Madonna, a ala defensora do pop e do sexo surgiu com uma vingança nos anos 90 e varreu os puritanos para a lata de lixo da história.

Camille Paglia, sobre a atriz Elizabeth Taylor (Salon, março de 2011; entrevista publicada também no jornal O Estado de S. Paulo).

buterfield 8

Maggie, a gata

Gata em Teto de Zinco Quente ainda é minha peça favorita. Mas eu detesto o filme. Acho que ele não tem a pureza da peça. E Elizabeth Taylor nunca correspondeu à ideia que tenho de Maggie, a gata.

Tennessee Williams, autor da peça que deu origem ao filme de Richard Brooks, lançado em 1958 (entrevista à revista Playboy, abril de 1973). A foto abaixo foi feita durante as filmagens da obra, enquanto Elizabeth Taylor estava em seu camarim.

gata em teto de zinco quente