E o Vento Levou

Império do Sol, de Steven Spielberg

Ao olhar para o céu, o garoto Jim encontra algo divino. Ele ama aviões, sonha com eles em Império do Sol. E, até certa altura, não tem ideia da gravidade desses tempos de guerra. Essa ilusão (ou barreira) é comum à filmografia do diretor Steven Spielberg: a inocência contra o mal, com personagens que resistem à vida adulta.

O jovem trocou Deus pelos aviões: são estes que lhe confortam em um mundo estranho, objetos voadores que lhe oferecem um pouco de fantasia. Dá para imaginar o poder que os mesmos têm sobre uma criança como Jim. Nesse mundo em guerra, o menino declara-se ateu em certo momento. Prefere crer no que vê, no que ocupa o céu.

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império do sol

Em sua jornada, Jim terá de respeitar os japoneses que maltratam ocidentais em um campo de concentração na China, durante a ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial. Esse respeito, é certo, tem a ver com o poder dos aviões japoneses. Chega mesmo a admirar os pilotos suicidas em direção ao ar e à morte. Bate continência.

O menino vivia em uma grande casa, com fartura, criados, brincadeiras: provava a vida que só podia ter para dentro de seus muros. Para fora, a fome está por todos os lados, a começar pelo rosto de desespero do mendigo à beira de seu muro. Pelas ruas, com o pai e a mãe em um grande carro, ele assiste à miséria através da janela.

Império do Sol revisita o cinema de David Lean. A abertura retira algo de A Ponte do Rio Kwai. No filme de 1957, cruzes são vistas à beira da estrada de ferro nos primeiros instantes, em interessante junção entre a morte e o progresso. O mesmo faz Spielberg, a partir da obra de J.G. Ballard e com roteiro de Tom Stoppard: mostra caixões boiando enquanto um grande barco corta águas turvas.

À frente, Jim, sua família e outros ricos ocidentais fantasiam-se para uma festa. Passam entre a multidão vestidos de pirata e palhaço, com cores fortes. Tentam, sem que Spielberg precise dar explicações, não enxergar os problemas: nada melhor que uma festa em que ninguém precisa de um verdadeiro rosto, uma forma acabada.

imperio-do-sol

Contraste interessante, por exemplo, pode ser visto em outro momento: o grande cartaz de E o Vento Levou na parede de um prédio, cores contra a fumaça, a falta de sol, a tristeza e a miséria: o cinema americano clássico, em pintura colorida, contra a realidade da guerra. O escapismo. Nessas ruas, o menino luta para ser visto, para se “render”.

Se em algum ponto o filme parece perder a humanidade, em outros restam momentos de força graças ao jovem Christian Bale, em bela interpretação como o pequeno herói. Para Spielberg, a criança resiste ao cinismo de seres como Basie (John Malkovich), o americano que vive por viver, sobrevive por esporte, de costas ao problema.

O menino, que foge para se ver preso, que tenta se “render” e não é visto, encontra em Basie esse cinismo típico dos mercenários americanos dispostos a qualquer coisa por dinheiro. E Basie sequer ficará bravo com o garoto quando é preso por culpa dele. Continuará em sua forma irritante de se dar bem, sua malícia que serve à situação.

A criança sobrevive graças ao mundo de sonhos que fez para si: não pode ser vista pelo inimigo em meio à sua aparência indolor, à infantilidade, mas pode surpreender com atitudes inesperadas: a maneira de cantar, ou mesmo a forma como respeita o vilão. Luta para ser alguém além de uma partícula na multidão, a qual sempre carrega ou traga o raquítico Jim, também responsável por fazer dele alguém solitário.

(Empire of the Sun, Steven Spielberg, 1987)

Nota: ★★★★☆

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Olivia de Havilland, 100 anos

Olivia de Havilland tem bem a sugestão oleosa do seu nome vegetal, é cheia e jovem como uma azeitona polpuda, e triste como uma oliveirazinha. Seus olhos e sua boca vivem num contraponto permanente, os olhos sempre implorando, assustadoramente, sempre esfomeados de carinho, e a boca sempre rindo para disfarçar a tristeza dos olhos.

Vinicius de Moraes, poeta, que também escreveu crônicas sobre cinema e algumas críticas. O texto, do qual o trecho acima é destacado, foi publicado em abril de 1942 no jornal A Manhã e está em O Cinema de Meus Olhos (Organização de Carlos Augusto Calil; Companhia das Letras; pg. 276). Abaixo, a atriz em E o Vento Levou. Ela nasceu em 1 de julho de 1916.

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Olivia de Havilland E o Vento Levou

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Os 100 melhores filmes dos anos 30

Comprimir uma década em 100 filmes é trabalho árduo, não raro injusto. Assim são as listas: injustas, claro, pois sempre espelham o gosto individual. A lista abaixo não foge à regra: é baseada no gosto do autor deste blog. E escolher os filmes é sempre uma dificuldade. Quando se trata de uma década como tal, mais ainda.

Grandes obras acabaram ficando de fora por falta de espaço, aventuras como O Grande Motim e Sob as Ondas, ou o extraordinário musical A Alegre Divorciada, a parceria de Lubitsch com Marlene Dietrich, Anjo, ou mesmo outras parcerias desta atriz singular com o grande Josef von Sternberg (três estão na lista, quatro ficaram de fora).

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Entre os 100, os americanos dominam a lista. Há também japoneses, ingleses, franceses, alemães e dois brasileiros. A supremacia de Hollywood tem justificativa: os anos 30 marcam o momento máximo do cinema de estúdio, em plena Depressão. Por outro lado, o diretor com mais filmes na lista é o francês Jean Renoir (8), seguido pelos americanos John Ford (5) e Howard Hawks (4). Abaixo, os 100 da grande década!

100) Stella Dallas, Mãe Redentora, de King Vidor

Stella Dallas

99) As Irmãs de Gion, de Kenji Mizoguchi

as irmãs de gion

98) Anjos de Cara Suja, de Michael Curtiz

anjos de cara suja

97) Peregrinação, de John Ford

peregrinação

96) Êxtase, de Gustav Machatý

extase2

95) Desonrada, de Josef von Sternberg

desonrada1

94) O Morro dos Ventos Uivantes, de William Wyler

o morro dos ventos uivantes

93) Atire a Primeira Pedra, de George Marshall

atire a primeira pedra

92) Hotel do Norte, de Marcel Carné

hotel do norte

91) Serpente de Luxo, de Alfred E. Green

serpente de luxo

90) Les maisons de la misère, de Henri Storck

Les maisons de la misère

89) Rainha Christina, de Rouben Mamoulian

rainha christina

88) Pigmalião, de Anthony Asquith e Leslie Howard

pigmalião

87) Uma Noite na Ópera, de Sam Wood

uma noite na ópera1

86) O Homem que Nunca Pecou, de John Ford

o homem que nunca pecou

85) Grande Hotel, de Edmund Goulding

grande hotel

84) Alexander Nevsky, de Sergei M. Eisenstein

Alexandre Nevsky

83) O Homem que Sabia Demais, de Alfred Hitchcock

o homem que sabia demais

82) Ganga Bruta, de Humberto Mauro

ganga bruta

81) O Delator, de John Ford

o delator

80) Possuída, de Clarence Brown

possuída

79) A Idade do Ouro, de Luis Buñuel

a idade do ouro

78) O Fugitivo, de Mervyn LeRoy

o fugitivo

77) Vamos Dançar?, de Mark Sandrich

vamos dançar

76) Fúria, de Fritz Lang

fúria

75) Jezebel, de William Wyler

jezebel

74) A Imperatriz Vermelha, de Josef von Sternberg

a imperatriz vermelha

73) Cupido é Moleque Teimoso, de Leo McCarey

cupido é moleque teimoso

72) Drácula, de Tod Browning

drácula

71) A Dama Oculta, de Alfred Hitchcock

a dama oculta

70) Irene, a Teimosa, de Gregory La Cava

irene a teimosa

69) Beco Sem Saída, de William Wyler

beco sem saída

68) A Mulher do Padeiro, de Marcel Pagnol

a mulher do padeiro

67) Cavadoras de Ouro, de Mervyn LeRoy

cavadoras de ouro

66) Frankenstein, de James Whale

frankenstein

65) A Floresta Petrificada, de Archie L. Mayo

a floresta petrificada

64) Ritmo Louco, de George Stevens

ritmo louco

63) Suprema Conquista, de Howard Hawks

suprema conquista

62) A Cadela, de Jean Renoir

a cadela

61) As Aventuras de Robin Hood, de Michael Curtiz e William Keighley

aventuras de robin hood

60) Kuhle Wampe, de Slatan Dudow

kuhle wampe

59) Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra

aconteceu naquela noite

58) Inimigo Público, de William A. Wellman

inimigo público n1

57) Ninotchka, de Ernst Lubitsch

Greta Garbo - Ninotchka

56) Demônio da Algéria, de Julien Duvivier

o demônio da algéria

55) O Paraíso Infernal, de Howard Hawks

o paraíso infernal

54) A Mulher Faz o Homem, de Frank Capra

a mulher faz o homem

53) Toni, de Jean Renoir

toni

52) Filhos do Deserto, de William A. Seiter

filhos do deserto

51) Eu Nasci, Mas…, de Yasujiro Ozu

eu nasci mas

50) Boêmio Encantador, de George Cukor

boêmio encantador

49) Monstros, de Tod Browning

monstros

48) La Nuit du Carrefour, de Jean Renoir

la nuit du carrefour

47) Cais das Sombras, de Marcel Carné

cais das sombras

46) Os 39 Degraus, de Alfred Hitchcock

os 39 degraus

45) Heróis Esquecidos, de Raoul Walsh

heróis esquecidos

44) Boudu Salvo das Águas, de Jean Renoir

boudu salvo das águas

43) Alma no Lodo, de Mervyn LeRoy

alma no lodo

42) A Nós a Liberdade, de René Clair

a nós a liberdade2

41) A Besta Humana, de Jean Renoir

a besta humana

40) O Anjo Azul, de Josef Von Sternberg

o anjo azul

39) Gente no Domingo, de Edgar G. Ulmer, Robert Siodmak e outros

gente no domingo

38) O Picolino, de Mark Sandrich

picolino

37) Zero em Comportamento, de Jean Vigo

zero em comportamento

36) Trágico Amanhecer, de Marcel Carné

trágico amanhecer

35) Branca de Neve e os Sete Anões, de David Hand e outros

branca de neve e os sete anões

34) Scarface – A Vergonha de uma Nação, de Howard Hawks

scarface

33) Belezas em Revista, de Lloyd Bacon

belezas em revista

32) A Noiva de Frankenstein, de James Whale

a noiva de frankenstein

31) O Romance de um Trapaceiro, de Sacha Guitry

o romance de um trapaceiro

30) Cruzes de Madeira, de Raymond Bernard

cruzes de madeira

29) O Pão Nosso de Cada Dia, de F.W. Murnau

O Pão Nosso de Cada Dia

28) Levada da Breca, de Howard Hawks

levada da breca

27) King Kong, de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack

King Kong

26) Olympia – Partes 1 e 2, de Leni Riefenstahl

olympia

25) Filho Único, de Yasujiro Ozu

filho único

24) Sem Novidade no Front, de Lewis Milestone

sem novidade no front

23) A Cruz dos Anos, de Leo McCarey

a cruz dos anos

22) Um Dia no Campo, de Jean Renoir

um dia no campo

21) A Mocidade Lincoln, de John Ford

a mocidade de lincoln

20) Crisântemos Tardios, de Kenji Mizoguchi

crisantemos tardios

19) O Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl

o triunfo da vontade

18) A Ceia dos Acusados, de W.S. Van Dyke

a ceia dos acusados

17) O Testamento do Dr. Mabuse, de Fritz Lang

o testamento do dr mabuse

16) Rua 42, de Lloyd Bacon

rua 42

15) O Vampiro, de Carl Theodor Dreyer

o vampiro

14) Terra, de Aleksandr Dovzhenko

terra

13) E o Vento Levou, de Victor Fleming

e o vento levou

12) Diabo a Quatro, de Leo McCarey

diabo a quatro

11) Luzes da Cidade, de Charles Chaplin

luzes da cidade

10) Ladrão de Alcova, de Ernst Lubitsch

Os larápios nunca foram tão graciosos e belos como nessa obra de Lubitsch, sobre o furto de joias, amantes feitos e desfeitos e dona de um roteiro brilhante.

ladrão de alcova

9) No Tempo das Diligências, de John Ford

Talvez o maior faroeste de Ford. A diligência representa sua nação, com o herói pistoleiro, a prostituta, o homem rico, a dama grávida, o médico alcoólatra, entre outros.

no tempo das diligências

8) Tabu, de F.W. Murnau

O cenário é o paraíso Bora Bora, onde as personagens querem apenas viver e amar. O conflito surge quando o rapaz escolhe deixar o local em busca de seu grande amor.

tabu

7) O Mágico de Oz, de Victor Fleming

A grande fantasia dos estúdios, parte em cores, parte em sépia, terreno perfeito para Judy Garland e seus companheiros: o cão Totó, o Leão, o Homem de Lata e o Espantalho.

o mágico de oz

6) Tempos Modernos, de Charles Chaplin

O herói está alheio aos conflitos de seu tempo, mas acaba tragado ao seu interior: às confusões que causa na empresa, ou mesmo à manifestação que integra sem querer.

tempos modernos

5) M, o Vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang

Os criminosos instalam um tribunal particular para julgar o “vampiro” que mata crianças. É mais um dos filmes de Lang que antecipa a Alemanha sob o nazismo.

m o vampiro de dusseldorf

4) O Atalante, de Jean Vigo

Obra-prima do amor perdido, entre o isolamento da barca e a grande cidade. Quando deseja rever a amada, o amante lança-se no rio e encontra sua imagem. Algo mágico.

o atalante

3) A Grande Ilusão, de Jean Renoir

O cineasta francês realizou a obra pouco antes da Segunda Guerra, ambientada na Primeira e com a amizade entre dois oficiais de lados diferentes: um francês, o outro alemão.

a grande ilusão

2) Limite, de Mário Peixoto

Obra de vanguarda e único filme acabado de Peixoto. Místico, às vezes delirante, quase sempre a figurar no topo das listas de melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

Limite

1) A Regra do Jogo, de Jean Renoir

Outro de Renoir que antecipa a guerra, mas aqui pelo isolamento: um grupo de burgueses e seus criados em um grande castelo, em corridas e traições, alheios ao mundo externo. Comportam-se como crianças, evocam o teatro. Ao fim, os inocentes sempre levam a pior.

a regra do jogo

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20 frases inesquecíveis de 20 ganhadores do Oscar

Basta pensar em algumas frases e os filmes vêm logo à cabeça: “Eu sou o rei do mundo!”, dita por Leonardo DiCaprio em Titanic, por exemplo, ou “A vida é como uma caixa de chocolates…”, de Tom Hanks em Forrest Gump. São textos que todos conhecem e talvez sem o mesmo poder se retirados de seus contextos.

Com a aproximação da festa do Oscar, o blog relembra frases marcantes de antigos vencedores da principal estatueta da noite: melhor filme. A lista passa por décadas da história da festa – e do cinema – para mostrar o quanto algumas falas sobrevivem ao tempo. E o quanto algumas, um pouco esquecidas, merecem agora devido destaque.

“Eu quero ficar só.”

Greta Garbo em Grande Hotel (1932)

grande hotel

“Contemple os muros de Jericó, não tão espessos como aquele que Josué derrubou com a corneta, porém mais seguros. Não tenho corneta, mas como tenho bom coração, você vai receber o melhor pijama.”

Clark Gable, dividindo o quarto com Claudette Colbert, em Aconteceu Naquela Noite (1934)

aconteceu naquela noite

“Vovô diz que hoje a maioria das pessoas é movida pelo medo. Medo do que comem, medo do que bebem, medo de perder o emprego, medo do futuro, medo de perder a saúde, medo de guardar dinheiro, medo de gastá-lo. Sabe o que o vovô mais odeia? Aqueles que lucram explorando o medo. Assustado, você compra aquilo de que não precisa.”

Jean Arthur, para James Stewart, em Do Mundo Nada se Leva (1938)

do mundo nada se leva

“Tara! Lar. Eu vou voltar para casa. E pensarei em alguma maneira de trazê-lo de volta. Afinal, amanhã é outro dia.”

Vivien Leigh no encerramento de E o Vento Levou (1939)

e o vento levou

“De todos os bares do mundo, ela tinha que entrar logo no meu?”

Humphrey Bogart em Casablanca (1942)

casablanca

“É engraçada a carreira de uma mulher; pense nas coisas de que você tem que se livrar, quando está no topo da escada, para ter mais liberdade de movimento. Mas quando faz isso esquece que vai precisar delas quando voltar a ser uma mulher. Há uma carreira que todas as mulheres têm em comum, gostem ou não, por serem mulheres. E mais cedo ou mais tarde, temos que exercê-la.”

Bette Davis em A Malvada (1950)

a malvada

“Você não entende! Eu poderia ter classe. Podia ter sido um competidor. Eu poderia ter sido alguém, ao invés de um vagabundo, que é o que eu sou.”

Marlon Brando, para Rod Steiger, em Sindicato de Ladrões.

sindicato de ladrões

“As pessoas que dizem que fazem amor o tempo todo são mentirosas.”

Louis Jourdan em Gigi (1958)

gigi

“Pode haver honra entre ladrões, mas não entre políticos.”

Peter O’Toole em Lawrence da Arábia (1962)

lawrence da arábia

“Eu vendi flores. Não me vendi. Agora que você me transformou em uma dama, não consigo vender mais nada.”

Audrey Hepburn, para Rex Harrison, em Minha Bela Dama (1964)

ÒMy Fair LadyÓ and ÒThe Great RaceÓ will screen at the Academy of Motion Picture Arts and SciencesÕ Linwood Dunn Theater in Hollywood on Friday, March 27, and Saturday, March 28, respectively. Screenings will begin at 8 p.m. The programs are presented by the AcademyÕs Science and Technology Council in conjunction with its ÒDressed in Color: The CostumesÓ exhibition, which includes costumes from both films. Pictured: Audrey Hepburn and Rex Harrison as they appear in MY FAIR LADY, 1964.

“O povo me segue porque segue tudo o que se move.”

Robert Shaw, como Henrique 8º, em O Homem que Não Vendeu Sua Alma (1966)

o homem que não vendeu sua alma

“Eu amo a guerra, que Deus me ajude, amo de verdade. Mais do que minha vida.”

George C. Scott em Patton – Rebelde ou Herói?

patton

“Mantenha seus amigos por perto e seus inimigos, mais perto ainda.”

Al Pacino em O Poderoso Chefão – Parte 2 (1974)

o poderoso chefão2

“Eu sinto que a vida se divide entre o horrível e o miserável.”

Woody Allen em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

noivo neurótico

“Podem torturar meu corpo, quebrar meus ossos, podem até me matar. Eles terão meu cadáver, mas não a minha obediência.”

Ben Kingsley em Gandhi (1982)

gandhi

“O progresso baseia-se mais no fracasso do que no sucesso.”

Kevin Costner em Dança com Lobos (1990)

dança com lobos

“Gostaria de conversar com você, mas tenho um velho amigo para jantar.”

Anthony Hopkins, para Jodie Foster, no encerramento de O Silêncio dos Inocentes (1991)

silêncio dos inocentes

“É uma coisa infernal matar um homem. Você tira tudo o que ele tem e tudo o que ele poderia ter um dia.”

Clint Eastwood em Os Imperdoáveis (1992)

imperdoáveis

“Poder é quando temos justificativa para matar e não matamos.”

Liam Neeson, para Ralph Fiennes, em A Lista de Schindler (1993)

a lista de schindler

“Só conheci um homem com o qual não queria lutar. Quando eu o conheci, ele já era o melhor “cut man” do ramo. Começou treinando e empresariando nos anos 60, mas nunca perdeu o dom.”

Morgan Freeman, sobre Clint Eastwood, na abertura de Menina de Ouro (2004)

menina de ouro1

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Dez ganhadores do Oscar protagonizados por mulheres

Dez ganhadores do Oscar protagonizados por mulheres

Ao passar o olho pela lista dos vencedores do Oscar de melhor filme, o leitor perceberá a predominância de produções encabeçadas por homens ou com “histórias masculinas”.

O primeiro vencedor do Oscar, Asas (abaixo), tem uma personagem feminina de peso, vivida por ninguém menos que Clara Bow. Mas, em cena, ela é a mulher entre dois homens – em uma história à beira da relação gay. Um filme de guerra, e de homens. Não faltariam novos exemplos mais tarde, como Os Melhores Anos de Nossas Vidas, Lawrence da Arábia, entre outros.

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asas

Talvez haja explicação: em uma indústria na qual a direção sempre foi vista como ofício masculino, sobretudo no passado, tende-se a histórias de peso com protagonistas homens. Nos anos 70, época em que se reclamava da falta de personagens femininas interessantes, todos os ganhadores do Oscar foram protagonizados por homens.

Em alguns casos, mulheres e homens têm peso semelhante em tela, como em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Apesar de se voltar à mulher, a Annie Hall do título original, a obra de Woody Allen é relatada pelo ponto de vista masculino. Outros casais de destaque também podem ser vistos em premiados como Gigi e Minha Bela Dama. A lista abaixo traz ganhadores do Oscar com mais destaque para a mulher.

E o Vento Levou, de Victor Fleming

Ainda que Rhett Butler (Clark Gable) tenha destaque, o filme pertence à destemida Scarlett. E a Academia não pôde negar a Vivien Leigh o Oscar de atriz. Ela domina cada sequência, com seu olhar explosivo, ora tramando algo, ora frágil e verdadeira.

e o vento levou

Rebecca, A Mulher Inesquecível, de Alfred Hitchcock

A personagem-título não aparece. Pode ser um espírito. Contra ele, a ingênua senhora de Winter, interpretada por Joan Fontaine. E, contra esta, a poderosa vilã de Judith Anderson. O filme de Hitchcock tem um interessante subtexto gay.

rebecca

A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz

Uma disputa entre duas mulheres, no filme e no Oscar: de um lado a lendária Bette Davis, do outro a bela – e vilã – Anne Baxter. O filme situa-se no mundo do teatro, com a atriz novata que faz qualquer coisa para chegar ao sucesso, inclusive destronar a rival.

a malvada

A Noviça Rebelde, de Robert Wise

Um dos últimos musicais com jeito família a ganhar o Oscar, sucesso absoluto de bilheteria. A tal noviça é Julie Andrews, levada a amar um homem autoritário (Christopher Plummer), cantando e correndo com seus filhos, todos adoráveis.

a noviça rebelde

Laços de Ternura, de James L. Brooks

Na esteira dos dramas familiares dos anos 80, a Academia ficou de joelhos pelo filme do estreante Brooks e lhe conferiu cinco prêmios. Entre eles, o de melhor atriz para Shirley MacLaine, após quatro indicações na categoria principal.

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Entre Dois Amores, de Sydney Pollack

Como Karen Blixen, Meryl Streep está inesquecível: é a mulher forte que adquire uma fazenda na África, casa-se com o homem errado, relaciona-se com um aventureiro e ainda é aceita – não sem muito esforço – em um clube estritamente masculino.

entre dois amores

O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme

A novata policial Clarice Starling (Jodie Foster) investiga a morte de algumas garotas. Para chegar ao serial killer, conta com a ajuda de outro assassino (Anthony Hopkins). Demme proporciona momentos de tensão entre a moça e o experiente criminoso.

silêncio dos inocentes

Shakespeare Apaixonado, de John Madden

Não faltam detratores ao filme: ninguém (ou quase) concorda com o Oscar de atriz para Gwyneth Paltrow. Fora isso, a obra tem um roteiro delicioso, cheio de ficção, sobre o encontro de Shakespeare com a musa que lhe rendeu inspiração para Romeu e Julieta.

shakespeare apaixonado

Chicago, de Rob Marshall

Musical encabeçado por duas criminosas com algo em comum: ambas mataram seus companheiros. À frente do elenco está Renée Zellweger, a lourinha que sonha em fazer sucesso. O que poderia ser um problema torna-se a solução na Chicago dos anos 20.

chicago

Menina de Ouro, de Clint Eastwood

Treinador de boxe ranzinza (Eastwood) é levado a apadrinhar uma garota contra sua vontade. Sob seus comandos, ela não faz feio: ganha quase todas as lutas e, mesmo na pior, mais tarde, descobre que talvez tudo não tenha sido em vão. Tocante.

menina de ouro2

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